quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

SEGREDO PARA ATINGIR PAZ E HARMONIA


O inferno só existe dentro de cada um de nós – é em que acredita o escritor e jornalista mineiro Eugenio Santana. Para mim, o sofrimento não está no que nos acontece, mas na maneira pela qual REAGIMOS aos fatos e o que FAZEMOS com nossos pensamentos.
Eugenio Santana entende que a atitude que adotamos diante da vida tem papel fundamental na nossa Felicidade. Preocupar-se apenas com o PRESENTE, procurando encarar as coisas com ALEGRIA E SERENIDADE, é o segredo para atingir a PAZ e a harmonia.
Eu revelo que o caminho da espiritualidade é, antes de tudo, uma CONQUISTA INDIVIDUAL, e ofereço – em meus livros ainda inéditos – dicas práticas para conviver com o estresse do dia-a-dia e com as dificuldades com as quais temos de lidar no trabalho e nos RELACIONAMENTOS.
Fundamentada mais na experiência direta que na crença ou na fé cegas, e mais no Amor que no medo, meus livros e meus artigos são leituras indispensáveis para quem acredita que a Felicidade está mais próxima do que se imagina.

(EUGENIO SANTANA, FRC – é escritor com obras publicadas, jornalista profissional, redator publicitário, Coordenador de RH, Gestor Comercial; copidesque, revisor de textos, Relações públicas e crítico literário.)

sábado, 18 de dezembro de 2010

OS APAIXONADOS RETORNARAM AO ÉDEN, PROVARAM DA ÁRVORE DO CONHECIMENTO E AGORA SABEM...


Estranho, sim. As pessoas ficam desconfiadas, ambíguas diante dos apaixonados. Aproximam-se deles, dizem coisas amáveis, mas guardam certa distância, não invadem o casulo imantado que envolve os amantes e que pode explodir como um campo minado, muita precaução ao pisar nesse campo. Com seu senso de organização e, contraditoriamente, sua indisciplina, os amantes são seres diferentes e o ser diferente é excluído porque vira desafio, ameaça. Se o Amor na sua entrega absoluta os faz frágeis, ao mesmo tempo os protege como uma armadura.
Os apaixonados voltaram ao Jardim do Paraíso, provaram da Árvore do Conhecimento e agora sabem...

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC – Escritor: cronista, contista, poetalado; crítico literário, Jornalista profissional, autor de livros publicados. Laureado com dezoito prêmios literários.)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

VOCÊ ESCOLHE: POLTRONA DE AVIÃO OU CADEIRA DE DENTISTA?


Há duas poltronas que se parecem tanto que quando me sento numa imediatamente me ocorre a lembrança da outra: cadeira de dentista e poltrona de avião. Igual o constrangimento, a má vontade quando me dirijo a elas – vontade de adiar a hora. E a partida. A ânsia no peito, o frio nas mãos. No bolso, o cartão do dentista com a hora marcada. No bolso, o cartão do dentista com a hora marcada. No bolso, a passagem aérea, pessoal e intransferível. Vi certa manhã um gato com seu andar de veludo rondando a gaiola do pássaro. Com esse mesmo andar o medo se aproxima de mim, sinto seu cheiro em ambos os ambientes anti-sépticos, fechados. Cores neutras, luz fria incidindo nos metais reluzentes que lembram farmácia. Hospital. Há sempre uma música suave no rádio. O locutor de voz velada faz o anúncio no mesmo tom impessoal com que o jovem de bordo anuncia pelo microfone as condições atmosféricas em meio das recomendações de praxe.
A enfermeira tão limpa de avental branco não tem qualquer coisa de aeromoça tão gentil que oferece revistas, caramelos e protetor auricular para os tímpanos? O guardanapo é preso ao pescoço com aqueles mesmos gestos mecânicos com que a aeromoça vem nos auxiliar a fechar o cinto de segurança. “Deseja mais alguma coisa?” – pergunta ela com uma amabilidade artificial. Desejaria descer – seria a resposta exata, inequívoca. Vontade de fugir da poltrona de couro tão confortável, a almofadinha na altura da nuca, o assento anatômico, perfeito. Perfeito? Perfeição um tanto suspeita: depois de tantas inovações, por que o avião ainda cai? Por que o dentista ainda dói? Tão fundamental essa conquista da tecnologia com raízes norte-americanas, último tipo,precisão. Invulnerabilidade. A aeromoça se afasta com o sorriso igual ao da chegada. A enfermeira se afasta e as solas de seus sapatos parecem grudar no oleado do chão. O ronco do avião no ensaio da decolagem. O motor do dentista provando uma, duas vezes antes de nele ser atarraxada a agulha. A boca aberta como uma oferenda. O corpo encolhido, o peito fechado, tenso. Entrelaçadas no colo as mãos duras, viscosas. A doce musiquinha do rádio parece vir de muito longe – de que mundo? Acelera-se o motor. O corpo se agarra à cadeira, ambos integrados, formando uma peça só. Curta a respiração. Os olhos apertados. O pedal invisível é acionado e a poltrona com o corpo vai se erguendo no ar. Os motores do avião sopram com mais força, vai levantando vôo. “Senhores passageiros, por favor, desliguem celulares e computadores portáteis, por favor!”. A pata do gato alcança o pássaro...

(copy-desk by Eugenio Santana – cronista, contista, jornalista e poetalado. Autor de livros publicados.)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

QUE DUAS SOLIDÕES PROTEJAM, TOQUEM E SAÚDEM UMA À OUTRA


O que realmente temos na promessa do amor incondicional? Ágape? Talvez o mais perturbador de todos os medos seja que meu compromisso de amor incondicional seja de certa forma uma negação ou renúncia de mimmesmo, um triste adeus à sensação de identidade pessoal. Tenho medo de ter de renunciar a meus interesses individuais e gostos pessoais. Na verdade, se esses medos se concretizassem, não poderia haver relação amorosa de nenhum tipo, porque relacionamento é sinônimo de dois. Khalil Gibran, em seu livro mais lido, “O Profeta”, diz que o amor incondicional não deve ser concebido como a transformação de duas ilhas que continuam em um continente sólido. Uma relação amorosa, sugere ele, deve ser como duas ilhas que continuam separadas e distintas, mas cujas praias são banhadas pelas mesmas águas do amor. Rainer Maria Rilke diz: “O amor consiste nisto: que duas solidões protejam, toquem e saúdem uma à outra”. Uma pessoa pode entregar sua própria identidade a outra por falta de respeito por si mesma ou por necessidade de aprovação, mas nunca é possível fazer isso em nome do verdadeiro amor.

(copy-desk by Eugenio Santana, FRC – escritor, jornalista, publicitário, crítico literário e poetalado. Autor de livros publicados.)

sábado, 11 de dezembro de 2010

CADA DIA É UMA NOVA CHANCE PARA VOCÊ TRANSFORMAR A SUA VIDA


Perceba a noite como uma borracha mágica que tem o poder de apagar todos os erros do seu dia. Pensando assim, você verá cada novo dia como uma oportunidade de recomeçar. Faça, portanto, de cada dia uma vida inteira.
Não importa quantos erros você cometeu, não interessa se você tropeçou, chorou ou quase desistiu. Assim que o sol brilha, todo o dia anterior já é um passado distante. Não permita que as sombras do "antes" escureçam o sol do presente.
O começo de cada dia deve ser entendido como um renascimento - uma espécie de ressurreição.

(copy-desk by Eugenio Santana - Escritor, Jornalista e Poetalado)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A MEMÓRIA DO VERBO


Vejo-te nos sonhos azuis
que dificilmente visitam minhalma
sutis nuances entre a Luz e a sombra.
Vejo-te quando abro a tela mental
e no abissal cinema de nossas duas vidas
tu te tornaste atriz principal.
A forma de agir, viver, pensar, sonhar, amar
VIDA... por que tirastes ela do meu caminho?
Vôo. Vou. Sigo em frente. Plano. Aterrisso.
Ando tão sem sono olhando pela janela noturna
na perspectiva de que tu chegues
dentro do vestido azul – esvoaçante.
A silhueta linda e inconfundível
saída das silenciosas sombras
da noite fria e misteriosa.
Acendo o incenso rosa musgosa
à tua espera amada asa do amor infindo - eterno.
Será que eu preciso de outras vidas
para reencontrar-te?

(Eugenio Santana, FRC - é Jornalista, escritor, poeta, publicitário, crítico literário. Mineiro de Paracatu, "exilado" no Rio de Janeiro.)

Rio de Janeiro (RJ), 07 de dezembro de 2010.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

FORÇA CAPAZ DE CRIAR E DESTRUIR...


Cuidado com os seus desejos, eles podem se tornar realidade. A frase esconde uma verdade que nem todos conhecem: o fato de que, mais cedo ou mais tarde, nos transformamos naquilo que pensamos. Descobertas da ciência e da psicologia modernas, em coro com as mais antigas doutrinas das grandes religiões e do ocultismo, ensinam que o pensamento humano é uma força dotada de poder criativo – e destrutivo – cujo alcance apenas começa a ser desvendado.
Um outro aspecto fundamental da ciência do poder da mente diz respeito à necessidade de que o pensamento seja não apenas positivo, mas também claro e objetivo. Carlos Castañeda, em seus livros, refere-se freqüentemente à conveniência do controle da “tagarelice mental”, o fluxo desenfreado e descontrolado de pensamentos destituídos de objetivo preciso. O pensamento é energia que não se deve jogar fora em atividades vazias, destituídas de sentidos. Desenvolver esse tipo de autocontrole constitui uma base essencial preconizada por qualquer escola séria de conhecimento, tanto psicológico quanto espiritual.
Os métodos de meditação e de concentração, por exemplo, são, todos eles, técnicas criadas para ajudar o buscador de si mesmo na difícil tarefa que é o controle do próprio fluxo mental. Pois, como dizem os iniciados, sem que o pensamento esteja ligado a um objetivo, não haverá realização inteligente. A falta de objetividade nos pensamentos é, portanto, um vício que deve ser corrigido.
Sem essa objetividade, a função mental torna-se um inútil desperdício de energia e de tempo.
Mas quando o indivíduo consegue ser senhor dos seus próprios pensamentos, já terá dado passos importantes para a criação de si mesmo como ser plenamente consciente e realizado.
Na segunda metade do século 19, o teósofo Charles Leadbeater desenvolveu a teoria das formas-pensamento, segundo a qual os pensamentos têm existência objetiva e se mantêm vivos por muito tempo após ser emitidos.

(copy-desk by Eugenio Santana, FRC – Escritor, Jornalista, Publicitário e Rosacruz. Autor de livros publicados. Sócio da União Brasileira de Escritores (UBE-GO/SC.)

domingo, 21 de novembro de 2010

SÓ VOCÊ


Morena Flor de Liz, Flor de Luz.
Trago comigo Pazul e sei porquê...
Só me basta lembrar-me de Você,
Pra que se torne leve minha pesada cruz.

À noite, ao me deitar, basta-me que
Eu me esqueça daquilo que traduz,
Sofrimento, tristeza, sombra e Luz,
Pois pra ser feliz – basta-me Você.

Seu olhar cor-de-mel e seu sorriso encantador,
Cerrando os olhos é o que diviso,
E não me importa, linda, se não crê.

Porque eternamente está em mim,
Pra que eu seja feliz até meu Fim,
Bastou-me e basta Musamada, só Você.

(Eugenio Santana – do livro inédito de sonetos “FRAGMENTOS DO OUTONO”, produzido durante o meu “exílio carioca”: Rio de Janeiro, de 29/5 a 22/11/2010. Maktub!)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

The Secret of Staying In Love


Responder ao chamado do amor requer muita coragem e determinação, porque expor-se sempre envolve o risco de ser gravemente ferido. Mas sem transparência o amor é impossível, e sem amor a vida humana é terrivelmente incompleta.
Os que estão dispostos a amar acabarão encontrando o amor. E então o espelho estará ali, o espelho que reflete a imagem de uma pessoa amorosa: esse é o começo da verdadeira auto-estima e da autocelebração. É por isso que Viktor Frankl diz que a origem da verdadeira auto-estima encontra-se no “reflexo do apreço daqueles a quem amamos”.
A melhor maneira de descrever o amor é dizer que se trata de um processo gradual, um longo movimento circular que precisa ser cuidadosamente negociado, não um ângulo reto que se faz num instante, de uma vez por todas. Um homem e uma mulher precisam começar uma longa viagem e andar muitos quilômetros antes de encontrar as alegrias do amor. Terão de atravessar florestas profundas e sombrias, e haverá muitos perigos. Terão de ser muito cuidadosos com o amor do que com as outras coisas. O amor requer abstinência de tudo quanto pode mostrar-se venenoso para ele.
Requer muita coragem, persistência e autodisciplina.
Mas a viagem para o amor é a viagem para a plenitude da vida, pois é somente na experiência do amor que os seres humanos podem conhecer a si mesmos.

(copy-desk by Eugenio Santana, FRC – jornalista e escritor. E-mail: autor-e.santana@bol.com.br / MSN: esantanafrc@hotmail.com (21) 7177-6359.)

domingo, 14 de novembro de 2010

ARTHUR RIMBAUD RETIRA QUEIXA CONTRA PAUL VERLAINE


Eu, abaixo-assinado, Arthur Rimbaud, 19 anos, homem de letras, com endereço fixo em Charleville (Ardennes, França), declaro, em nome da verdade, que na quinta-feira, dia 10 do presente mês, por volta das 2 horas, no momento em que o Sr. Paul Verlaine, no quarto de sua mãe, deu, com seu revólver, um tiro que me feriu levemente o punho esquerdo, o Sr. Verlaine se encontrava em um estado tal de embriaguez que não tinha consciência de seus atos.
Que estou intimamente convencido que, ao comprar esta arma, o Sr. Verlaine não tinha nenhuma intenção hostil contra mim e que não houve nenhuma intenção criminosa no ato de trancar a porta sobre nós.
Declaro também propor, de espontânea vontade, e consentir na minha desistência pura e simples de toda ação criminal, correcional e civil e desisto, a partir de hoje, dos benefícios de toda demanda judicial que possa vir a ser feita pelo Ministério Público contra o Sr. Verlaine pelo fato do que aqui se trata.
Arthur RIMBAUD
Sábado, 19 de julho de 1873.

RIMBAUD está vivo. Rimbaud é um fenômeno literário que não morrerá em nossa memória.
Rimbaud é um marco zero na História da Literatura.
Sua radicalidade, que o levou à renúncia e ao silêncio, merece um tributo especial e uma reflexão permanente.
Os poetas e os escritores do século XX, os surrealistas, os “beatniks”, os “hippies”, os jovens rebeldes – todos lhe são devedores.
A influência de Rimbaud sobre cantores de rock como Jim Morrison é inegável. Até no cinema, o polêmico personagem da série "Rambo" tem seu nome nele inspirado. Cultuado pelos decadentes, simbolistas, existencialistas, beatniks, hippies, punks, revoltados de maio de 1968 e hardcores, sua poesia adquire cada vez maior modernidade. No ano de 1905, foi inaugurado na Praça da Estação, em Charleville, um busto de Rimbaud.
Em Harrar encontra-se uma rua com seu nome e todo ano um "Safári Rimbaud" é organizado por um grupo de turístico belga. No golfo de Aden, uma curiosa embarcação pode ser avistada singrando livremente o mar Vermelho: É o rebocador Arthur Rimbaud! Ele com certeza teria gostado desta última homenagem.
Vítima de um câncer na perna que foi amputada, devido aos sofrimentos que vivenciou na Abissínia, Rimbaud morreu nos braços de sua irmã Isabelle, quem mais o amou, e suas derradeiras palavras proferidas: "Me digam a que horas vão me levar para o navio".

(Copy-Desk by EUGENIO SANTANA, FRC – poeta, escritor, jornalista, ensaísta literário e, sobretudo, alter-ego de Arthur RIMBAUD, Drummond e Fernando Pessoa. Após participar da primeira sessão do Santo-Daime, a convite do meu padrinho literário Paulo Nunes Batista, ele me confidenciou que, em Vidas Passados, fomos amigos e companheiros de Jean-Nicolas Arthur RIMBAUD, em Paris, na França. Mais um mistério a ser desvendado em minha vida...)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

NÃO SEI O SEGREDO DO SUCESSO; MAS O DO FRACASSO É QUERER AGRADAR A TODOS


O que é verdade para os povos da floresta é verdade também para os humanos. Deus não nos fez todos iguais. Ele nunca teve essa intenção. Foi Ele quem planejou e projetou as diferenças, as capacidades singulares e a variedade de dons ou talentos.
Se Deus fez de você um pato - então é um pato, amigo. Nade como um louco, mas não tente modificar sua forma só porque corre cambaleando ou agita suas asas sem conseguir voar muito bem. Além disso, se você é uma águia, pare de criar expectativas quanto aos esquilos voarem ou quanto aos coelhos construírem os mesmos tipos de ninho que você.
Não existe nada mais libertador do que a VERDADE. Como sou? Quais as áreas em que me destaco? Quais as áreas em que tenho dificuldade? O que é que me dá prazer? Onde é que me sinto infeliz? Não se trata de constatar isso para acomodar-se na situação, mas sim investir no que deseja de fato desenvolver.
A melhor autoconfiança é fundamentada em uma avaliação realista de todas as nossas habilidades. Só essa avaliação será capaz de iluminar os caminhos para a realização pessoal.
Por conseguinte, relaxe. Aproveite sua espécie. Cultive suas próprias capacidades, seu próprio estilo. Aprecie os membros de sua espécie e de sua sociedade como eles são, mesmo que visuais ou estilos deles possam estar a quilômetros de distância dos seus. Coelhos não voam. Águias não nadam. Patos são cômicos tentando escalar. Esquilos não têm penas.
Pare de comparar. Seja feliz sendo você mesmo! Existe bastante espaço na floresta para todos.
"Conhecer os outros é inteligência; conhecer a si mesmo é sabedoria de verdade."

(Eugenio Santana, FRC - é escritor, jornalista e poeta. E, principalmente, um self-mad man.)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

TROPEÇAR, FRACASSAR, OUSAR, RECOMEÇAR...


Ops, tropecei! Você já tropeçou? Nada atinge tanto a nossa dignidade como tropeçar!
Eu já vi pessoas bem vestidas caírem de cara no chão quando iam para os seus escritórios. Testemunhei sérios maestros e músicos, quando se dirigiam ao palco com suas batutas, instrumentos e partituras, tropeçar e cair, enquanto as partituras voavam caindo como folhas de árvores em uma brisa de outono. Eu assisti um “golaço” garantido – sem ninguém por perto na grande área – ser perdido por causa de um tropeço. Já vi noivas e noivos caírem juntos... Consumidores caírem no supermercado... Rígidos oficiais tropeçarem quando inspecionavam as tropas... Elegantes senhoras tropeçando na rua... Apresentadores se enrolando no fio do microfone e caindo para fora do palco... Formados tropeçando em suas togas quando iam receber seus diplomas... Um experiente, respeitado e eloqüente palestrante que tropeçou e caiu pouco antes de começar a falar. Eu nunca vou me esquecer dessa cena, porque na queda ele cortou o lábio, e fez toda a sua apresentação limpando o sangue que brotava do corte em seu lábio!
Você não conseguiu se lembrar de nenhuma vez em que tenha tropeçado? É mais humilhante ou embaraçoso do que derramar nossa dignidade enquanto caímos em cima do nosso orgulho. A primeira coisa que fazemos é dar uma rápida olhada ao redor para conferir se alguém percebeu. Desejamos nos tornar invisíveis. A lembrança de alguns de meus tropeços me faz ter arrepios.
Mas sabe de uma coisa? Quase sem exceção, a reação dos observadores é de simpatia... Identificação com o embaraço... Dor mútua... Um profundo senso de apoio. Na verdade. A resposta imediata das pessoas é colocar de pé quem caiu. Não consigo me lembrar de nenhuma vez em que a pessoa que tropeçou ficou sem ajuda ou foi pisoteada pelos que estavam passando por perto. Sei que existe uma preocupação momentânea a respeito do orgulho ferido e de seu bem-estar psicológico. E todos que se colocam de pé rapidamente, saindo da breve humilhação, logo esquecem o ocorrido. Podemos aprender muito com esse negócio de tropeçar, meu amigo.
Todos tropeçamos de muitas maneiras.
Ninguém é perfeito... Tropeçar é normal... Um fato da vida... Um ato que garante nossa humanidade.
Talvez você tenha acabado de tropeçar. Sente-se culpado, como um fracassado. Deseja loucamente nunca ter feito o que fez... Você se sente um miserável e gostaria de se esconder, ou melhor – cair e morrer. Ridículo! Saia desse poço de autopiedade, sacuda a poeira – e siga em frente.
Agora, devo acrescentar um pouco de realismo. Em vez de receber a reação normal de compreensão e apoio, você pode encontrar alguém que tenha visto sua queda e que vai querer mantê-lo lá em baixo, ou julgá-lo por causa de seu escorregão. Ignore-o completamente! Ele esquece que já tropeçou. A única diferença é que você não o viu tropeçar. Mas acredite-me, ele já caiu.
A moral disso tudo não é difícil de descobrir:
Você pode superar esta dificuldade – mesmo com tropeços – mas você tem de levantar.
Pessoas que tropeçam e desistem são como moedas de um centavo, existem aos montes. Na verdade, elas são inúteis.
Pessoas que tropeçam e se levantam são como notas de cem reais, são raras. De fato, são de valor inestimável.

(EUGENIO SANTANA – Escritor, Jornalista, Publicitário, Poeta e Crítico literário. Livros publicados. Superintendente de Jornalismo de uma instituição municipal do Rio de Janeiro.)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

TRISTEZA


Ficamos tão mais tristes quanto maior for o grau de envolvimento afetivo com a pessoa ou o objeto que perdemos – e mais definitiva for essa perda. Por tal raciocínio, é possível entender por que uma mãe em luto pela morte de um filho dificilmente sai do buraco, enquanto outra cujo primogênito foi à guerra ainda consegue esboçar um sorriso de vez em quando. Não importa o grau, a tristeza é sempre determinada quimicamente por uma redução nos níveis de serotonina. É o que evidenciam os quadros de depressão, o extremo patológico da tristeza. Enquanto a tristeza do dia a dia afeta a química cerebral de maneira transitória, a depressão pode trazer comprometimentos profundos. Uma pessoa deprimida precisa da ajuda de um psicoterapeuta, e, não raro, de medicamentos antidepressivos para se reerguer. A tristeza, decorrente de uma afecção mental, inclui em seu pacote sintomas como distúrbios de sono, problemas de peso, fadiga, irritação, apatia, estados de lentidão física e intelectual. Ou seja, desregula uma série de outros circuitos cerebrais.

(Eugenio Santana, FRC – Fragmento/Copidesque.)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

TEMPO DE CRISÁLIDA


É preciso transpirar uma nova realidade para poder vivenciá-la. Enquanto não nos posicionarmos e não fizermos a escolha, viveremos no mundo que não escolhemos E nem desejamos. Este é um momento de con-vocação, de re-união, de re-construção. O chamado já está sendo feito; que possamos atendê-lo e nos seja dado o privilégio de nos tornarmos a mudança que queremos ver no mundo, como nos ensinou Mahatma Gandhi.
É preciso deixar morrer. É preciso aprender a liberar o que já não é mais. Há partes de nós que resistem, apesar de obsoletas. Que certezas carregamos sem questionar? Onde estão nossas dificuldades de aceitação que não nos permitem sair do sofrimento?
Há tempo para tudo na vida. Mas é preciso deixar morrer a lagarta. A semente do que fomos e as ilusões nas quais construímos nossa visão de mundo foram uma etapa necessária da existência, mas chega o momento da transformação. Aquilo que era bom não representa mais o futuro.
A segurança não pode ser medida pela convicção, mas pela habilidade de duvidar e, mesmo assim, ser capaz de seguir em frente. A lagarta é a promessa do que podemos nos tornar; contudo, não é a experiência completa nem um fim em si mesma. É uma etapa inicial, acertadamente percorrida. A infância da vida, o desabrochar da inocência, a experimentação da realidade.
Então há o momento de deixar a lagarta morrer. Esse é o tempo da crisálida. Quando saímos das certezas aprendidas para as verdades elementares. Introjetamos a experiência e repassamos a vida pelo crivo caloroso da essência. Existe alegria, júbilo nessa vivência, pois não há nada melhor do que renascer. Nascer pode não ser uma escolha, mas renascer é fruto da consciência que acorda e deixa morrer aquilo que não vive mais.
Claro que, como qualquer das passagens da existência, tornar-se crisálida não é uma experiência isenta de tumulto. Há estertores da antiga lagarta que resiste em desaparecer, sem compreender que de fato se transforma em algo maior e melhor. A crisálida contém a lagarta, mas vai muito além dela.
Essa interiorização a que a crisálida convida é um estado reflexivo, de harmonização entre o ser e o fazer, entre o desejo e o destino. É a edificação da consciência em estado de maturidade. É, ao mesmo tempo, um estado de insensatez, de loucura, de fazer coisas inesperadas, fora do senso comum. É preciso muita maturidade para enlouquecer de forma sensata.
Loucura mesmo é permanecer lagarta. Arrastar-se por aí, sem perceber a magnificência da vida. Acordar e dormir sem perceber que o tempo entre esses dois momentos é o mais significativo. Não será em nenhum outro dia, nenhum outro momento e nenhum outro lugar. Especialmente, não precisamos ser outra pessoa para nos transformarmos. O ser que somos já basta. É preciso lembrar que a lagarta é semente e que a experiência acumulada é a matéria-prima na qual podemos construir o casulo que vai abrigar a crisálida.
É tempo de se voltar para o interior, a essência. Um momento de recolhimento das distrações do mundo. O sabático do cotidiano. Na aparência, aos olhos apenas focados no exterior, a crisálida é um casulo de morte. É o fim da lagarta e nada mais se vê. Não há beleza nem movimento, nenhum tipo de ação. É o fim de um ciclo, mas não se pode adivinhar o que virá daí. É preciso aprender a confiar no fluxo, acreditar no sábio processo da natureza, que fará revelar aquilo que pode ser.
Muitos observadores desavisados vão condenar a crisálida. Vão apontar suas deficiências, suas perdas, suas dificuldades, sua fragilidade. Contudo, não se pode confiar na impressão das outras lagartas. Cada uma delas também haverá de experimentar o mesmo processo, cada uma a seu modo, porém lagartas não estão prontas para compreender a crisálida.
O que é uma aparente deficiência pode ser, de fato, um redimensionamento da experiência de existir. O que é percebido como perda pode, na verdade, ser um desapego libertador. As dificuldades nada mais são do que a consciência em pleno exercício, percebendo mais e, portanto, experimentando coisas e situações novas. É do falsamente frágil que surge a força, o vigor, a vida.
Por falta de experimentação, o vocabulário das lagartas condena a experiência de crisálida.
A resistência se organiza, a crítica se intensifica, mas o processo não pode mais ser interrompido. Uma vez que a lagarta comece a se transformar, já não há mais volta. E é desse recolhimento, dessa autoimolação do passado que surgirão as condições para o desabrochar de uma nova experiência, mais ampla, mais rica, além de qualquer aspiração.
Da antiga lagarta se tem a experiência do corpo. Dos desafios vividos nascem as antenas da percepção. Da entrega surgem o veludo e as cores. O ser se apresenta além das restrições e, de par em par, desdobra suas asas e se permite voar para esse lugar mítico chamado felicidade.
É para lá que estamos todos fadados a seguir.

(EUGENIO SANTANA, FRC – É escritor Rosacruz; autor de livros publicados; publicitário com formação na ESPM; jornalista profissional DRT-GO 1319/JP; poeta, copy-desk e “imortal” da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, onde ocupa a cadeira número 2.)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

VÊNUS E ADÔNIS


Brincando, certo dia, com seu filho Cupido, Vênus feriu o peito em uma de suas setas. Afastou a criança, mas a ferida era mais profunda do que pensara. Antes de curá-la, Vênus viu Adônis, e apaixonou-se por ele. Já não se interessava por seus lugares favoritos: Pafos, Cnidos e Amatos, ricos em metais. Afastava-se mesmo do céu, pois Adônis lhe era mais caro. Seguiu-o, fez-lhe companhia. Ela, que gostava de se reclinar à sombra, sem outras preocupações a não ser a de cultivar seus encantos, anda pelos bosques e pelos montes, vestida como a caçadora Diana; chama seus cães e caça lebres e cervos, ou outros animais fáceis de caçar, abstendo-se, porém, de perseguir os lobos e os ursos, recendendo ao sangue dos rebanhos. Também recomenda a Adônis que tenha cuidado com tão perigosos animais:
- Sê bravo com os tímidos. A coragem contra os corajosos não é segura. Evita expor-te ao perigo e ameaçar minha felicidade. Não ataques os animais que a natureza armou. Não aprecio tua glória ao ponto de consentir que a conquistes expondo-te assim. Tua juventude e a beleza que encanta Vênus não enternecerão os corações dos leões e dos rudes javalis. Pensa em suas terríveis garras e em sua força prodigiosa! Odeio toda a raça deles. Queres saber por quê?
E, então, contou a história de Atalanta e Hipómenes, que ela transformara em leões, para castigo da ingratidão que lhe fizeram.
Tendo feito essa advertência, Vênus subiu ao seu carro, puxado por cisnes, e partiu, através dos ares. Adônis, porém, era demasiadamente altivo para seguir tais conselhos. Os cães haviam expulsado um javali de seu covil, e o jovem lançou seu dardo, ferindo o animal de lado. A fera arrancou o dardo com os dentes e investiu contra Adônis, que virou as costas e correu; o javali, porém, alcançou-o, cravou-lhe os dentes no flanco e deixou-o moribundo na planície.
Vênus, em seu carro puxado por cisnes, ainda não chegara a Chipre, quando ouviu, cortando o ar, os gemidos de seu amado, e fez voltar para a terra os corcéis de brancas asas. Quando se aproximou e viu, do alto, o corpo sem vida de Adônis, coberto de sangue, desceu e, curvando-se sobre ele, esmurrou o peito e arrancou os cabelos. Acusando as Parcas, exclamou:
- Sua ação, porém, constituiu um triunfo parcial. A memória de meu sofrimento perdurará, e o espetáculo de tua morte e de tuas lamentações, meu Adônis, será anualmente renovado. Teu sangue será mudado numa flor; este consolo ninguém pode negar-me.
Assim falando, espalhou néctar sobre o sangue e, ao se misturarem os dois líquidos, levantaram-se bolhas, como numa lagoa quando cai a chuva, e, no espaço de uma hora, nasceu uma flor cor de sangue, como a da romã. Uma flor de vida curta, contudo.
Dizem que o vento lhe abre os botões e depois arranca e dispersa as pétalas; assim, é chamada de anêmona, ou flor-do-vento, pois o vento é a causa tanto de seu nascimento como de sua morte.

Milton faz alusão ao episódio de Vênus e Adônis, em “Comus”:

Entre arbustos de rosas e jacintos,
Muitas vezes repousa o jovem Adônis
Amortecida a dor, e a seu lado
Jaz a triste rainha dos assírios...

(Eugenio Santana é um “imortal” da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, aonde ocupa a cadeira número 2. É detentor de 18 prêmios literários, em âmbito nacional. Livros publicados. Crítico literário. Jornalista profissional – Superintendente de Imprensa de uma instituição Municipal do Rio de Janeiro. Revisor e Copy-Desk; publicitário com curso da ESPM.)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O LEITOR


O dinheiro em si mesmo não traz felicidade, mas a falta dele pode tirá-la drasticamente. O dinheiro não enlouquece, mas o amor por ele destrói a serenidade. A ausência do dinheiro nos torna pobres, mas o mau uso dele nos torna miseráveis.
Onde estão os flexíveis? Em que espaços se encontram os que são amigos da tolerância? Onde estão os que lapidam a sua irritabilidade e ansiedade? Onde estão os que agem com brandura quando contrariados ou frustrados?
Parem com a necessidade neurótica de mudar os outros. Ninguém muda ninguém. Quem cobra demais dos outros que de si mesmo está apto para trabalhar numa financeira, mas não com os seres humanos.
Viver bem se deve mais à arte de saber perder do que de saber ganhar. Esperar muito dos outros é um barco furado.
Eu só tenho fome de conhecimento. Digeri livros. Tive acesso a uma das mais extraordinárias bibliotecas. Li dia e noite, como um asmático que procura o ar. Li mais de nove livros por mês. E quase cento e vinte por ano. Livros de poemas, filosofia, holismo, misticismo, neurociência, auto-ajuda, teologia, história, esoterismo, antropologia, sociologia, psicologia, mitologia. Li comendo, sentado, em pé, andando, correndo. Minha mente parecia uma máquina que fotografava páginas e mais páginas de conhecimento. Todo esse conhecimento me ajudou a reorganizar meu passado, restaurar minhas rotas destruídas. Tornei-me assim o ser humano que vocês vêem, um pequeno e imperfeito consultor de idéias; um ínfimo fragmento da Biblioteca de Alexandria.

(EUGENIO SANTANA, FRC – é Superintendente de Imprensa de um órgão municipal do estado do Rio de Janeiro; jornalista profissional desde 2002; Escritor, poeta, copidesque e crítico literário; quatro livros publicados; membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas – cadeira número 2; Sócio da UBE-GO/SC; Colaborador do Greenpeace; Colaborador da ADESG-DF. Dezoito prêmios literários, em âmbito nacional.)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

SACRIFÍCIO


Sacrifico-te e ofereço-te
o meu amor.
Misteriosa pérola
no fundo profundo
oceano de nossas vidas.

Viver é partilhar o amor ágape-eros.
Diamante azul lapidado na epiderme
Química do beijo - do corpo e da alma.

Ainda que efêmero
use o rubi-talismã
no ritual do coração de romã.
Não é anônimo
não é invisível - não é risível
não é clandestino o nosso amor.
Karma - dharma, destino ou...
almas-irmãs?!

Dor do amor
que imprime sua identidade.
Dor de parto - lábios fartos.
Não parto para uma viagem
sem teus molhados beijos.
Um pacto com o silêncio
sinto convidativos odores,
no azul do lençol, oh, dores!

Murmúrios, urros, gemidos.
Uivos lascivos, lancinantes.
O luar de outono fascinante
desenha em nossa pele
a tatuagem pluriamar.

O amor e o grito
Rio frenético e dionisíaco
de águas calmo-turbulentas.
O paroxismo e o êxtase
o frêmito-frenesi - a volúpia.
A visão da rosa - lírio lilás.

No cavalgar deste rito inicial
não evito - não hesito
não é mito, não é profano
apenas me ufano
infinito sentimento.

(Eugenio Santana, FRC)

(*)Fonte: extraído do meu livro "Crepúsculo e Aurora"
Hórus/9 Editora, Goiânia-GO, 2006, página 81)

OS PÉS ALADOS DE HERMES-MERCURYO


Aladalma - oniricasasa
diáfano corpo
de passadas vidas.

Pétala singular que volátil voa
(e as flores são borboletas que não podem voar...)
Indescritível perfume invade o ar
Rosazul - flor-do-tempo
Flor-estrela.

Eis-me aqui, sóror Literatura
Andarilho cósmico
Humilde neófito - franciscano servo
para te amar!

Bendita sejas
Oh, minhamada imortal
Sempiterna N.S. POESIA!

(Eugenio Santana, FRC)

(*) extraído do meu livro "Crepúsculo e Aurora"
Hórus/9 Editora, Goiânia-GO, 2006, página 79.)

A ÁRVORE DA SERRA


- As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minha alma!...

- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

(Augusto dos Anjos veio da Paraíba para o Rio de Janeiro em 1910.
Com 26 anos, recém-casado, pensava conseguir na capital do Brasil
um meio de subsistência compatível com a cultura e o talento que
possuía. Não teve êxito e sua desilusão seria ainda maior: não
encontrou nem mesmo quem lhe apreciasse o estro.)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

OBSTINAÇÃO, SIM - TEIMOSIA NÃO!


Você vai encontrá-lo no manual nacional das espécies raras. Mas ele é raro.
Assim como o mico-leão-dourado, a arara-azul e o tamanduá-bandeira, os obstinados raramente são vistos em nossa paisagem. Aparições ocasionais, contudo, têm sido reportadas em campus de faculdades, escritórios e fábricas, olhando com cuidado você encontrará até mesmo dentro de sua casa. Na verdade, apesar de suas aparições serem esporádicas, os obstinados formam a coluna vertebral de qualquer coisa que façam parte. Uma das razões de ser tão difícil de localizá-los é que nunca andam em bandos. São solitários.
O obstinado é alguém que aspira se sobressair, ser diferente. Um obstinado está comprometido com a essência – completa e inequivocadamente. Suas raízes de dedicação resultam em ricos frutos de determinação, excelência e conquistas. Estabelecendo altos ideais, os obstinados se dirigem diretamente para o alvo, absortos na paixão pela qualidade – conseguida a quase qualquer preço.
É preciso ter coragem para suportar, persistir, não abandonar o que foi começado. A obstinação é uma das mais raras formas de coragem. Quando fazemos um plano e o levamos à frente com persistência, mesmo diante de desapontamentos e dificuldades inesperadas, estamos desenvolvendo a qualidade de coragem.
O sucesso não ocorre da noite para o dia. É o resultado de anos de trabalho árduo, de altos e baixos, de terríveis momentos de incerteza.
Vemos pessoas cujo sucesso parece fruto da boa sorte, mas raramente isso é verdade. Por exemplo, Fred Smith, fundador da Federal Express, é uma dessas pessoas. Ele teve a idéia de fundar uma empresa que entregasse encomendas em vinte e quatro horas, em todo o mundo, quando ainda estudava em uma das melhores escolas dos Estados Unidos. Seus professores, alguns dos maiores talentos nessa área, deram uma nota baixa ao trabalho que ele escreveu sobre isso, dizendo-lhe que era uma idéia ridícula, porque já havia o correio que prestava esse serviço.
Imperturbável, Fred gastou todo o dinheiro que tinha para montar seu negócio. Estabelecendo como meta entregar cento e sessenta e sete pacotes no primeiro dia, mas entregou apenas dois. Não viu isso como fracasso. Sabia que, se pudera mandar dois pacotes sem nenhum problema, poderia mandar muito mais. Estava certo. Hoje a FedEx é um negócio de um bilhão de dólares, e a renda pessoal de Fred é de cinqüenta milhões de dólares por ano.
A escritora Joanna Rowling, autora de Harry Potter, também perseverou, vencendo as dificuldades. Quando escreveu o primeiro livro, criava a filha pequena sozinha, e sua única fonte de renda era uma pensão do governo. Escreveu o livro à mão, sentada à mesa de um café, com a filhinha dormindo no carrinho ao seu lado. Depois de muitos meses, quando terminou de escrever a história, enviou o manuscrito a um agente que a rejeitou, alegando que era muito comprida para crianças. Joanna não mudou a história, apenas mandou-a para outro agente, que a adorou.
O livro se tornou um fenômeno, amado por crianças do mundo todo, e mudou o conceito a respeito de histórias infantis. Os direitos autorais do filme foram vendidos para Hollywood por um milhão de libras. A escritora Joanna está entre as mulheres mais ricas da Grã-Bretanha.
Nelson Mandela passou trinta anos na prisão por lutar pelos direitos dos negros sul-africanos. Durante muitos desses anos mantiveram-no em horríveis condições e diziam-lhe que não havia esperança de libertação para ele. No entanto ele conservou a coragem, a sabedoria e o otimismo. Quando finalmente foi posto em liberdade, saiu da prisão com notável dignidade. Tornou-se presidente da África do Sul e é uma figura amada e respeitada em todo o mundo.
Um dos princípios básicos da obstinação é saber quando deixar de perseverar. Não exagere. Talvez você não deseje renunciar a uma idéia ou a um projeto quando as circunstâncias assinalam que deve fazê-lo. Uma pessoa pode ser inteiramente firme e sincera nas suas convicções e, ao mesmo tempo, estar completamente equivocada. O tempo lhe dará a resposta, já que ele é o único fator que pode lhe indicar se deve ou não renunciar. Se já acabou o tempo que você impôs para conseguir alguns resultados importantes e tangíveis e não teve nenhuma recompensa por seus esforços, terá de reavaliar a situação. Esteja disposto a abandonar um projeto inútil; mas antes verifique o que é que está mal. Determine se o seu projeto vale ou não a pena. Não existe maior perda de tempo do que percorrer um caminho que não leva a lugar nenhum. O tempo é seu bem mais precioso. Você pode recuperar um dinheiro perdido, encontrar um velho amigo, levantar um negócio que faliu, saber como fazer voltar a saúde perdida, mas o tempo que se desperdiça foi perdido para sempre. Persevere quando valha a pena e esqueça-se do seu projeto quando se tornar inútil segui-lo. Só os fatos, sua experiência, seus instintos e seu próprio juízo podem decidir se você pode continuar.
Se o seu barco está afundando sem nada que você possa fazer, abandone-o. Algum dia terá outro.
Eu não posso lhe dizer quando deve continuar ou quando deve modificar os seus planos, nem quando deve abandonar o seu projeto para sempre. Só você pode determinar através de análise periódica. Se suas metas são as que realmente busca, se seus planos e ações obtêm recompensas, persevere até atingir o que tanto procura.
Obstinação sim, teimosia nunca!

(Eugenio Santana – Copy-Desk/Fragmento.)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

VÔOS E MIRAÇÕES - O PÁSSARO ORIGINAL


As condições de um pássaro solitário são cinco:
Primeiro, que ele voe ao ponto mais alto;
Segundo, que não anseie por companhia, nem a
De sua própria espécie;
Terceiro, que dirija seu bico para os céus;
Quarto, que não tenha uma cor definida;
Quinto, que tenha um canto muito suave.

O medo e a ousadia se equilibram. Ousadia, quando saímos a campo aberto para caçar o Poder. Medo, quando a posição se inverte e somos por ele caçados.
Um pássaro original é, necessariamente, um pássaro solitário, posto que carece até da companhia dos de sua espécie. E das alturas máximas, onde vive, não teme enxergar as coisas por prisma, até então, desconhecido. E canta suave, agradecendo ao Poder que o sustenta em sua originalidade. A ausência de cor definida serve para se manter incógnito. Como arauto do Poder, à semelhança dos animais mágicos sem rotina, ele só aparece aos demais seres como um presságio, um emissário.
A última condição, dirigir o bico para os céus, eu compreendia muito bem. Quando me transformara em um condor, esse preceito se revelara para mim, possuído de lógica irretorquível. Mas seria necessário tornar à condição de pássaro para explicar isso.
A viagem no Daime, rumo às raízes perdidas da condição humana e da criação do Universo, nos fazia pássaros originais. Ora em bandos, ora sozinhos, decifrando, em cada coisa viva, os sinais de tempos muito remotos, quando a chave do mistério era muito mais clara.
Tudo isso era muito fascinante, mas, igualmente, muito penoso. Pois, como diria D. Juan:
“A arte de ser um guerreiro é equilibrar o terror de ser homem com a maravilha de ser homem.”
O ser que habitava no Daime, e que servia do nosso corpo e da nossa mente para se revelar, expunha, a cada passo, a nossa fragilidade e a nossa força, a ambigüidade dessa condição oscilante.
Como que saído de um transe, abandonei minhas reflexões. Um imenso gavião levantou vôo de um pinheiro. Era um pássaro original e solitário, que viera ali confirmar tudo.
Com esse espírito, me senti animado a continuar o meu caminho. E o meu Diário. Nele, ia anotando os acontecimentos mais significativos, em cada sessão de trabalho.

(Eugenio Santana, FRC – copy-desk/fragmento.)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A VITRINE DO SHOPPING


Ante a vitrine bem iluminada de um shopping pararam em meio a muito mais. Por acaso, os seus olhares se encontraram e o ilegal desejo da carne se revelou timidamente, irrresolutamente. Depois, alguns passos ansiosos pela calçada afora – até que, sem sorrir, acenaram-se de leve.
E então, dentro do carro fechado... a sensual aproximação dos corpos; as mãos unidas, os dois lábios colados.

(Eugenio Santana, FRC – copy-desk.)

RUMO A ÍTACA


Se partires um dia rumo a Ítaca, faz votos de que o caminho seja longo, repleto de aventuras, repleto de saber. Nem Lestrigões nem os Ciclopes nem o colérico Posídon te intimidem; eles no teu caminho jamais encontrarás se altivo for teu pensamento, se sutil emoção teu corpo e teu espírito tocar. Nem Lestrigões nem os Ciclopes nem o bravio Posídon hás de ver, se tu mesmo não os levares dentro da alma, se tua alma não os puser diante de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo. Numerosas serão as manhãs de verão nas quais, com que prazer, com que alegria, tu hás de entrar pela primeira vez um porto para correr as lojas dos fenícios e belas mercancias adquirir: madrepérolas, corais, âmbares, ébanos, e perfumes sensuais de toda espécie, quanto houver de aromas deleitosos. A muitas cidades do Egito peregrina para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo Ítaca na mente. Estás predestinado a ali chegar. Mas não apresses a viagem nunca. Melhor muitos anos levares de jornada e fundeares na ilha velho enfim, rico de quanto ganhaste no caminho, sem esperar riquezas que Ítaca te desse. Uma bela viagem deu-te Ítaca. Sem ela não te ponhas a caminho. Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu, se a achas pobre. Tu te tornaste sábio, um homem de experiência, e agora sabes o que significam Ítacas.

(Eugenio Santana, FRC – copy-desk.)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O HOMEM DE CHEGADAS E PARTIDAS


Nunca fui amado.
Só amei.
Perdoei dezoito vezes vinte e sete.
Publiquei e editei.
Fiz filhas (os) – que nunca me amaram.
Plantei árvores
Que nunca vi crescer.
Caminhei. Andei. Viajei. Voei.
Saltei. Vibrei. Sonhei.
Estudei. Pesquisei. Realizei
trabalhando desde os dezesseis.
Mergulhei fundo em buscas metafísicas:
Self; zênite; consciência cósmica.
Celacanto – Nadei profundezas.
Depois – o Nada.
Infinito Vazio – náusea.
Na Asa do Tempo – face desfigurada
à procura da Luz.
E só.
Só.

(Eugenio Santana, FRC – inédito).

Rio de Janeiro (RJ) 16/8/2010 – 15h55m.

MÁXIMA, QUALIDADE.MÍNIMA, QUANTIDADE - A VIDA E OS LIVROS


Na verdade não tenho muitos livros: há alguns anos, fiz certas escolhas na vida, guiado pela idéia de procurar ter no máximo de qualidade, com o mínimo de coisas. Não quer dizer que tenha optado por uma vida monástica: muito pelo contrário, quando não somos obrigados a possuir uma infinidade de objetos, temos uma liberdade imensa. Alguns de meus amigos (e amigas) reclamam que, por causa do excesso de roupas, perdem horas de suas vidas tentando escolher o que vestir. Como resumi meu guarda-roupa a um “blue jeans básico da Levis”, não necessito enfrentar este problema.

Mas não estou aqui para falar de moda, e sim de livros. Para voltar ao essencial, decidi manter apenas 109 livros em minha biblioteca – alguns por razões sentimentais, outros porque estou sempre relendo. Tal decisão foi tomada por diversos motivos, e um deles é a tristeza de ver como bibliotecas acumuladas cuidadosamente durante a vida são depois vendidas a peso, sem qualquer respeito. Outra razão: por que manter todos estes volumes em casa? Para mostrar aos amigos que sou culto – intelectual? Para ornamentar a parede? Os livros que comprei serão infinitamente mais úteis em uma biblioteca pública que em minha casa Anapolina.

Antigamente, poderia dizer: preciso deles porque vou consultá-los. Mas hoje em dia, quando há necessidade de qualquer informação, conecto o computador portátil, digito uma palavra-chave, e diante de mim aparece tudo que preciso. Ali está a internet, a maior biblioteca do planetazul. Claro que continuo comprando livros – não existe meio eletrônico que consiga substituí-lo. Mas assim que termino, deixo que ele viaje, dou para alguém, ou entrego em uma biblioteca pública. Minha intenção não é salvar florestas ou ser generoso: apenas creio que um livro tem um percurso próprio, e não pode ser condenado a ficar imóvel em uma estante.

Sendo escritor, posso estar advogando contra mim mesmo – afinal, quanto mais livros comprassem, mais dinheiro ganharia. Todavia, seria injusto com o leitor, principalmente em países onde grande parte dos programas governamentais de compras para bibliotecas é feito sem usar o critério básico de uma escolha séria: o prazer da leitura com a qualidade do texto.

Deixemos, pois, nossos livros viajarem, serem tocados por outras mãos, e desfrutados por olhos alheios. Lembro-me vagamente de um poema de Jorge Luis Borges que fala dos livros que jamais tornarão a ser abertos. Por acaso, tenho alguns livros de Borges – é um escritor que estou constantemente relendo.
Há uma linha de Verlaine que nunca mais me lembrarei.
Há um espelho que já me viu pela última vez.
Há uma porta fechada até o final dos tempos.
Entre os livros de minha biblioteca
Há algum que já não tornarei a abrir.

(Eugenio Santana, FRC – Fragmento/Copy-Desk.)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

ESCOLHA: BONSAI OU SEQUÓIA?



Nós temos escolhas, mais escolhas do que nos permitimos ver.
Podemos nos sentir presos em nossos relacionamentos, nossos empregos, nossa vida. Podemos estar trancados em nossos comportamentos quando nos ouvimos dizer: “Tenho que...”, “Tenho que comportar-me assim, pensar assim, sentir assim...”, podemos ter certeza de que estamos escolhendo não ver as escolhas.
A sensação de estarmos presos é uma ilusão. Não somos, controlados por circunstâncias, por nosso passado, pelas expectativas não saudáveis para com nós mesmos. Podemos escolher o que é bom para nós, sem culpa. Nós temos opções.

Os japoneses cultivam uma delicada e pequena árvore, tão pequena que sua altura não passa de uns poucos centímetros. Eles a chamam de bonsai.

Na Califórnia encontramos um bosque de árvores gigantes chamadas sequóias. Esta magnífica árvore que atinge surpreendente altura de 82 metros e sua circunferência é de 23,7 metros, é tão grande que seria possível produzir madeira suficiente para construir 35 casas de cinco dependências.

Houve um tempo em que o bonsai e a sequóia mediam o mesmo tamanho. Quando eram sementes, cada uma pesava menos de 0,01 grama. Ao chegar à maturidade, a diferença em tamanho era considerável, e esta diferença nos ensina algo.

Quando a ponta da árvore bonsai rompeu a camada da terra, os japoneses a desenterraram e amarraram sua raiz principal e algumas das raízes de alimentação, o que impediu seu crescimento, resultando em uma miniatura, muito bonita, mas, ainda assim, uma miniatura.

A semente da sequóia caiu em uma terra rica da Califórnia e se alimentou de minerais, da chuva e da luz do sol. O resultado foi uma árvore gigantesca.

Tanto o Bonsai quanto a Sequóia não puderam escolher seus destinos. Mas VOCÊ SIM! Pode ser tão grande ou tão pequeno como desejar ser. Pode ser um bonsai ou uma sequóia. VOCÊ escolhe!

(Eugenio Santana, FRC – Fragmento/Copy-Desk.)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

MASCULINO + FEMININO: YIN + YANG SE COMPLETAM


Na história da Terra, os homens fecharam o centro dos sentimentos para comandarem o planeta. Guerrearam, mataram, violaram e dominaram por terem bloqueado as suas emoções. E as mulheres concordaram em emudecer para que os homens tivessem a oportunidade de comandar. Tempos difíceis para ambos. Nem homens nem mulheres foram inteiramente felizes. Se a polaridade masculina complementa a feminina, e vice-versa, por que tantas oposições?

O masculino se soma ao feminino. Não será mais o oposto. Não se trata de competição mas de complemento, o fim das oposições, os pólos se reconciliando. A harmonia dos opostos. Quando começam a se olhar como seres inteiros, ser masculino ou feminino será apenas uma opção sexual para que a vida se adeqüe aos padrões que cada um precisa desenvolver.

Quanto sofrimento se esconde nessas mulheres que resolveram adotar modelos masculinos de comportamento como uma tentativa, quase desesperada, de sobreviverem em um mundo predominantemente masculino. Transitaram na história de um extremo ao outro, se despolarizaram e hoje se sentem traídas em seus sentimentos. São livres na forma, mas o seu real poder, a feminilidade, está enfraquecido. A energia feminina – enquanto consciência e vibração – aquela que gera a vida, precisa tomar o seu lugar de volta, porque representa o amor. E o amor é a chave do coração.

A harmonia destes opostos – masculino e feminino – é fundamental. Vocês são como a bagagem de uma mala. Ela leva tudo o que irão precisar: o romantismo, a força, a lógica, a alegria, a intuição, os dois pólos da bateria, o positivo e o negativo. A sua bagagem é o seu recurso.

Não existem receitas prontas, mas importantes atalhos para esta reintegração. Conquistar a harmonia significa se render ao comando da polaridade masculina quando for necessário, e quando a regência feminina for mais produtiva, deixar que ela atue. Isto se aplica a homens e mulheres, pois, independente do sexo, todo ser integra as duas energias: masculino e feminino. E o seu equilíbrio é o sonho da realidade, o grande acerto de encontrar o par perfeito, depois de descobrirem que a conquista e a crença de cada um gera a atração da sua polaridade que, também em equilíbrio, é o complemento. Aquele com que vocês somam e não dividem.

As guerras continuam porque homens e mulheres desconhecem o conceito de amor – do amor verdadeiro. É missão das mulheres despertar os homens para a sua real essência. Elas devem não apenas tocar o corpo destes homens, mas suas almas. E, acima de tudo, entender que os homens não nascem companheiros. Eles se tornam companheiros quando encontram uma mulher que os complementa. Vão se sentir plenos, satisfeitos, impulsionados, motivados, vitalizados. Estarão cheios de amor e prazer, mergulhados em um estado de encantamento consciente, onde já conseguem identificar a origem desse sentimento de plenitude. O coração passa a transbordar, irradiar e expandir.

Não há mais guerras entre os sexos, porque ambos foram criados para se complementar, para harmonizarem seus pólos opostos. Estar nesta simbiose é acessar o amor dos inteiros.

(Eugenio Santana, FRC – fragmento/copidesque.)

SENTIMENTO AGNÓSTICO


Há um tempo
Em que não é possível
Acreditar no amor.
O ser humano não consegue
Sobrepujar o caos
Que ele próprio criou.

A crise está no homem.
A (r)evolução com mísseis
E nucleares
É corrida estúpida
Que fere a alma
E mina as bases do coração.

A (r)evolução mental
Meta alquímico-cósmica
Provavelmente transformará
o ser humano.

E se o planeta continuar azul
Os pássaros da mesma cor
Pousarão felizes e livres
Nas estátuas futuras...

(Eugenio Santana, FRC)

(*) Fonte: extraído do meu livro “ASAS DA UTOPIA”
Santana Edições, Brasília-DF, 1993, página 33.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

AS CHAVES DO CORAÇÃO


Bem-vindos a esta nova fase do amor – consciente, vivido, revivido, buscado, explorado, descoberto ou redescoberto, do amor que está no ar, na Terra, na ação. Ele passou pelo fogo das paixões, das dores, do medo, da ilusão, das simples constatações, das grandes descobertas, das profundas explosões – e foi transmutado, transcendeu; passou pela água de suas emoções – se purificou – e agora permanece sustentado pela força da energia da Terra, mas conectado ao ar, ao céu, ao Cosmo, a toda a energia em movimento que ajuda, puxa, repuxa e impulsiona.

Mais do que um símbolo dos namorados, dos amantes, dos grandes amores, o coração também é o verdadeiro símbolo do amor, porque o amor irradia através dele. O coração recebe todas as informações das emoções, das forças da Terra, dos descontroles, das alegrias, mas também o amor divino, a inspiração, que se expressa através da comunicação, da arte, da criação.

Lembrem-se das luzinhas que se acendem dentro de vocês, e não se frustrem mais em busca de finais felizes. Aprendam a eternizar seus momentos. Não é tão complicado assim. Congelem as experiências que criaram ótimas lembranças para a sua alma, e daqui a um tempo, nesta ou em outra vida, lembrarão desses momentos maravilhosos, acionarão esses códigos, e as luzinhas acenderão porque valorizaram as coisas simples da vida.

Sabemos que é a energia do amor que rege o mundo, mas vocês, que vivem no mundo das polaridades, dos opostos, muitas vezes não deixam que ela domine. É uma pena, mas faz parte do aprendizado. Esse é o caminho e não importa quanto tempo vão levar para percorrê-lo, porque é uma fantástica, o começo de um novo, de uma nova consciência.

O filósofo Sócrates já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”. Era um código. Essa é uma das frases-chave da humanidade.
O corpo é um presente. Abram esse presente, explorem-no, amem-se. Abram seus corpos, suas mentes e seus corações, sem preconceitos. Abram suas almas, emanem amor, contaminem, pulsem, repulsem.
Liberem a mente, deixem o amor fluir no seu corpo, libertem as emoções, quebrem os preconceitos e se abram. Mas, principalmente, não se esqueçam de encontrar as chaves do coração. Porque ele é o centro de tudo. Nele está contido o grande código da vida, o código do amor.

(Eugenio Santana, FRC – fragmento/copy-desk.)

A SABEDORIA DOS GIRASSÓIS


Os girassóis são muito sábios; quando o sol se esconde eles ficam parados, mas não murcham porque armazenaram a energia que captaram ao longo do dia. Ficar no escuro não os afeta porque adquiriram poder e confiança. E mesmo quando são fustigados pelos ventos de forma agressiva as suas raízes permanecem firmes, e eles são hidratados pelas chuvas e consolidam seu crescimento com o sol e a grande força da luz. Assim são vocês quando se deixam iluminar e acreditam no seu potencial. O girassol é o símbolo da força da energia e da beleza que vem da luz -, ao se deixar conduzir por ela fica cada vez mais forte, vigoroso e cheio de vitalidade.

Sempre que sentirem o chamado da luz – e ela se apresenta de diversas formas – lembrem-se dos girassóis, e deixem-se levar pela força de atração. Este é um trajeto grande e promissor. E quando o inverno chegar saberão que ele fará somente parte de um ciclo. O sol sempre aparece para atrair aqueles que perderam o medo de olhar para o céu. Quanto mais compartilharem esta luz, que é sabedoria, mais raios de informações receberão. É a luz em expansão, a constelação se formando no céu. Na outra polaridade, quanto mais retiverem o conhecimento que lhes é dado, mais rapidamente o perderão. “Compartilhar” é a palavra-chave.

É hora de abrir as mãos e deixar a sabedoria voar como um beija-flor, para que novos pássaros possam pousar e atrair milhares de outros, de muitas cores, muitos nomes e muitos lugares.

(Eugenio Santana, FRC – fragmento/copy-desk.)

sábado, 31 de julho de 2010

BLUE BIRD (*)


Hoje estamos grávidos – inflados.
Estamos informatizados, coisificados, robotizados.
Não temos culpa – nascemos sob o signo da incerteza:
Geração James Dean, Elvis, Elis, Vandré, Alex Polari,
Chico Buarque, Joplin, Hendrix, Bob Marley, Lennon;
Gláuber, Pasolini, Wim Wenders, Vinícius e Drummond.
Transpomos os portais desses anos amorais
E sobrevivemos – caminhando na contramão,
Trilhando o caminho inverso – entre mortos e feridos.
Pacientes terminais e os cientistas
Que tentam inutilmente legalizar a eutanásia
E manter os mortos – vivos...
A vida e suas flores, folhas, frutos, contradições
E frustrações – continua a mesma:
Neomodernismo, miséria, impunidade, exclusão;
arrogância, oportunismo, prepotência e pose.
E nós – os restantes? Continuamos a luta vã
Sem hipocrisia. Ilesos da mediocridade. Diáfanos.
Buscamos incessantemente o amor
Que, muitas vezes, agride, dissimula, estertora, devora;
Vampiriza, surpreende e desfigura.
Hoje, afastados do que fomos
Estamos mergulhados no profundo poço
Dessa abominável realidade.
Um ano, dois, cinco, dez, cem – cem anos de decepção?
Nós os 5% por cento, estamos fraternos, visionários,
Utopistas, holísticos e planetários,
Buscando a MontanhAzul
Onde mora o Pássaro da mesma cor...

(EUGENIO SANTANA, FRC – Escritor, jornalista, poeta, publicitário e copy-desk.)

(*) Fonte: extraído do meu livro “ASAS DA UTOPIA”
Santana Edições, Brasília-DF, 1993, página 85.

VOZES DO VENTO NO DESERTO SEM OÁSIS (*)


Líderes de isopor
Mostrai o vosso amor.
Dirigentes do mundo
Cantai o amor, verbo-de-luz.
Curem as feridas, vidas falidas, excluídas e corrompidas.
Esquecei-vos da flor sintética, cibernética;
Do computador.
Olhai sim a Humana Dor.

Olhai a maioria esquecida, maltratada, discriminada;
Anônima, desempregada, torturada, beijando seus pés.
Líderes e governantes
A humanidade necessita de um brilho novo,
Uma nova face, nova identidade social,
Plena justiça e solidariedade.

(EUGENIO SANTANA, FRC – é escritor, jornalista, poeta, copy-desk e ensaísta literário. Mineiro de Paracatu está radicado no Rio de Janeiro há dois meses, e reside em Madureira.)

(*)Fonte: do meu livro "ASAS DA UTOPIA" - Santana Edições, Brasília, 1993.

domingo, 18 de julho de 2010

PREGANDO NO DESERTO...


Cada vez mais me convenço de que estamos criando pessoas fracas. Estamos diante do mundo com as novas tecnologias que são rápidas demais, você aperta um botão e resolve. No carro, você aperta um botão e o vidro sobe. O fogão não precisa mais de fósforo porque acende sozinho. O microondas esquenta em segundos a podre comida congelada; os celulares e seus atributos, recursos e componentes dispensáveis. Tudo fácil. Há, também, o “miojo” aquele alimento das mulheres de vida questionável – pseudocozinheiras preguiçosas – que preparam este alimento em três minutos.

Os pais se esforçam para dar tudo o que o jovem filho reivindica; quando não conseguem, o filho foge para as drogas. Muitos adultos, diante dos problemas, o que fazem? Vão beber. As pessoas buscam ansiolíticos e antidepressivos. É preciso chorar, sofrer, viver, experimentar. Parece que estamos anestesiando as pessoas, e por isso não encontramos a paz verdadeira.

Você precisa ter uma missão, ser construtor da paz. E o que é construir a paz? Essa paz se constrói no dia-a-dia sem perder o alvo. Isso significa que vamos passar por situações difíceis, de mágoa, ressentimento, ódio, frustração, principalmente em nossos relacionamentos. A propósito, os relacionamentos que mais nos machucam são aqueles que envolvem as pessoas com que temos maior proximidade. Uma pessoa distante de mim não me machuca, mas aquele que convive comigo me fere, dificulta minha caminhada e deixa marcas profundas e negativas. Cicatrizes na alma.
Existe uma pessoa no mundo com quem precisamos ter tolerância e paciência: nós mesmos. Se você criar um mundo ideal, um mundo de sonhos, esse mundo não existe. É alienação, fuga.

Sempre é mais fácil achar um culpado para nossos conflitos, para nossas derrotas, para nossos obstáculos, não queremos assumir que o problema está em nós, e passamos a buscar culpados. A falácia dos fracassados é aquela que tenta justificar todos os erros cometidos encontrando o erro dos outros. Por que as pessoas gostam de mostrar os erros dos outros? É para ver se desviam a atenção do seu próprio erro.

Por que o mundo aprecia tanto notícia ruim? Porque você já se acostumou com as coisas erradas do mundo. Por que o mundo gosta de revelar os defeitos e fraquezas dos outros? Existem pessoas que sentem alegria, um prazer mórbido para descobrir defeitos nos outros.
Ser inteiro, íntegro. Íntegro significa que não estou fragmentado nem por fora, nem por dentro.

A dor maior que sentimos em nossas perdas é exatamente a dor do apego. Achamos que tudo é nosso e vivemos na ilusão de que tudo depende da gente. Quando nos apegamos a coisas e pessoas, a cargos e funções, passamos a ter objetivos pequenos demais. Quando temos muita coisa para olhar e para cuidar, não olhamos o essencial, aquilo que está além do óbvio.

Cada vez mais o mundo se especializa em criar necessidades. Antigamente comprava-se o que realmente era necessário. Hoje acabamos necessitando de muita coisa. Parece que sem aquilo que foi lançado recentemente a gente é um eterno infeliz. Primeiro vem a tentação de comprar, consumir e depois trocar. Nunca estamos satisfeitos. Esse é o sutil e grande segredo da propaganda e do marketing desenfreado: demonstrar que você é infeliz e que poderá ser feliz quando adquirir esse ou aquele produto. E os publicitários arrivistas fazem isso de modo extremamente atraente, tentador. Investem-se milhões em propaganda. O governo federal parece gastar mais em propaganda do que em saúde e educação.

Você pode colocar próteses e silicone, fazer cirurgias plásticas, fazer lipoaspiração, pode fazer tudo por fora, mas não existe ainda, e jamais existirá, nenhum silicone, nenhuma cirurgia reparadora capaz de preencher um coração vazio, frio e ferido. Não resolve mudar a carcaça, porque isso apodrece.

(EUGENIO SANTANA, FRC – místico Rosacruz grau Iluminati, católico praticante e devoto de São Judas Tadeu. É escritor premiado, verse-maker, copy-desk, jornalista cultural e investigativo, adesguiano, Comendador da Ordem Ka-huna do poder mental, supervisor de RH, crítico literário, fundador da Hórus/9 Editora e consultor editorial.)

sábado, 17 de julho de 2010

HOMEM DE BRANCO (*)


Sutis nuanças.
Oníricas lembranças.
Marítimas andanças...

Lilith ameaça Afrodite
embarcadas no navio - sob forte nevoeiro
do Homem de branco.

Plebeu, andarilho, Hermes, Adônis
Orfeu, cigano, pirata, Judeu Errante?

Velho vate venerável
Bardo sensitivo
e Vidente.

Navios singram mares
Pusilânimes - os que não acenam no cais;
Medrosos - não conhecerão o sabor da Aventura
na companhia do Homem de branco - seu Albatroz
(a Dor atroz)
e a exótica-misteriosa tripulação...

(EUGENIO SANTANA, FRC – POETALADO: livros publicados,
Sócio efetivo de instituições culturais do Brasil e Portugal.
Crítico literário, jornalista e copy-desk.)

(*) Fonte: extraído do meu livro “FLORESTRELA”.
Hórus/9 Editora, Goiânia-GO, 2002, página 97.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A VIDA É UM CÍRCULO - ONDE TUDO COMEÇA E TUDO TERMINA


Precisamos ajustar – ou mudar – nossas freqüências para ouvirmos a melhor música, a grande sinfonia que sopra de um ponto distante do Universo e apurar nossos ouvidos, pois há muita informação solta no ar.

O mundo está globalizado e interconectado. Conceitos novos modificam velhas estruturas. Máscaras caem. Muros de preconceitos desabam. O planeta está em movimento e as pessoas estão em processos infinitos de busca, onde prevalecem os desencontros. Há quebras de relacionamentos que pareciam inabaláveis. Há solidão, desespero e desistências. Mas também há muita coisa boa a ser vivida, redescoberta. É um novo tempo. E hoje, neste aqui/agora, é um bom momento para começar. Ou recomeçar.

A vida é um círculo, onde tudo começa e tudo termina. E a energia da criação é o amor, onde tudo começou e nada termina – apenas continua e compartilha todas as experiências. E o ciclo da vida anda, corre, para retornar onde tudo começou: na energia primordial.

(EUGENIO SANTANA, FRC - fragmento/copidesque - livro inédito do bardo mineiro)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

UMA MÁQUINA PARA COMPOR O TEU SORRISO


Necessitas de uma máquina
para compor o teu sorriso.
Amas o brilho corrosivo
de velhas fórmulas
sem nenhum valor.
Invertes o papel.
E o olor que fica
ainda cobiças.
Pela análise do olho
obviamente és humano.
Nem insano é o teu gesto:
projetas o modelo social falido
que te degrada e coisifica.
Aqui. Ali. Acolá.
Em Pequim ou Bagdá
não visualizas indícios
do vôo livre
do pássaro milenar...
A cada dia volatilizas
a tua essência.
Necessitas de uma máquina
Para compor o teu sorriso!

(EUGENIO SANTANA)

(*)Fonte: do meu livro “ASAS DA UTOPIA”,
Santana Edições, Brasília, DF, 1993, página 30.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

AH, MEU FILHO... (*)


Ah, meu filho!
Quantas galáxias
separam-me de ti?
Estou aqui, meu filho:
tão próximo,
tão distante!...

Então... Sorria...
Pense na magia que trazes no olhar,
Já ancorei em tuas retinas.
Lembras-te quando disseste:
- “encanto lunar”
- “oh, minha musa-lua
leal eterna namorada”...

Olhando as Estrelas
Fizeste o pedido:
- “flor celeste, ilumine meu coração
ao encontro de um novo Amor “...
Ao Astro-rei:
- “bom-dia, Sol!”
- Ao mendigo, ofereceste
Alimento e refúgio;
À criança órfã, a mão amiga;
Ao ancião, soubeste ouvir e compreender;
Ao desafeto, o perdão.

Ah, meu filho!
Estou cuidando, hoje, de ti:
Afagando teus olhos, tua alma e coração,
Beijando teu rosto desfigurado!...

Ah, meu Filho-irmão!
Tu me reconheceste em tua crônica
E crê em minha parusia
E me chamaste “Mestre-dos-Mestres”,
“Sol-do-Verbo”...
- Eu sou Jesus, Homem- do- Céu,
Teu amigo-irmão;
O Cristo Cósmico – o Perdão!

(EUGENIO SANTANA, FRC)

(*) Manaus-AM, 21/03/2007 – inédito.

quinta-feira, 8 de julho de 2010


Nódoa – mancha na alma.
Nó na garganta – profunda de desencanto.
Afônico ou microfone cortado?
Nó. Dó. Dói. Dor – coração-partido.

Há silên-cio que fala – no obelisco alado?
falo fora de combate...
nó-civo cinismo teu
nó de goteira – define tua persona.

Nó em gravata? – jamais executei
existem os lacaios que o fazem
Nó. Enforca. Sufoca. Priva. Aprisiona.
Nó: retira-se com luva de pelica.

Nó na hora exata – desata.
Enfim, liberto-me
de tuas armadilhas teatrais;
de tuas teias de tarântulas.
Sem nó – só e feliz.
Nó que desatou – Nós.
Nós? Um Vôo nas asas azuis do esquecimento!

(EUGENIO SANTANA, FRC)

Madureira Shopping – 13h18m
Rio de Janeiro, 08/7/2010 – texto inédito.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ESTRANHO CONTATO


Não pedi teu beijo cálido
Moça de pele branca e aveludada.
Chovia.
Amanhecia.
Entre névoa e neblina
- invadindo a cidade fria –
Nós nos amamos
Como dois pretéritos amantes cúmplices.

Quisera ver apenas
O desejo oculto em tua face redonda.
Equivoquei-me – vi, isto sim:
O teu cansaço e desencanto dissimulados
E a febre na epiderme.
Em meio ao frio cortante da madrugada
Osculei teus lábios úmidos e frementes
Com um sabor estranho de rum e vinho antigo.

Sem nada exigir ou prometer – e nem poderia...
Nas ondas selvagens do corpo a corpo
Navegamos molhados em duelo de amor
E a peleja se fez êxtase indescritível
E na guerra do amor louco; côncavo e convexo;
Permitimos-nos a libido da heroína e do vilão?
De vencidos e vencedores?

Em ti depositei – inviolável célula
Pura e pulsante semente de vidávida.
Ao final do estranho contato
Senti-me um moço-velho
Que não sabia mais sorrir
Dentro de ti – insólita Lilith-Mulher!

(Eugenio Santana, FRC)

(*) Fonte: do meu livro “CREPÚSCULO E AURORA”
Hórus/9 Editora, página 86, Goiânia/GO, 2006.

RENASCIMENTO


Almalada
Cinzas pó pós-queimada
Neblina fumaça sinais
Lobeira cheiro de cachaça
Lobby e lábia

Pássaro? sinto teu vôo
Contemplo magnífico céu-altar
Absinto teus abismos
Pressinto o labirinto
Teu olhar
Libélula sobrevoando a Lua
Crisálida
silente brisa
Mar Marisa maresia hipocrisia
Onda e poesia
Navegar teu corpo – luz musa
Irisa energiza

Fênix mito?
Vôo rito
Mergulho
Renascer infinito

Redivivave – nem Eva ou Lilith
Phoenix flor do tempo
Abre as Asas Cinzas
E bombardeia o Vento!

(Eugenio Santana, FRC)

(*) fonte: do livro “FLORESTRELA”
- Hórus Nove Editora, Goiânia/GO,
Página 84, 2002.

sábado, 3 de julho de 2010

OS DESCAMINHOS DE MÁRIO (*)


Beirava meio dia e Mário está sentado no tronco, embaixo do Ipê roxo, aproveitando a sombra da árvore benfazeja – sentindo o opróbrio da barriga cheia, empanturrada do almoço farto – um ensopado de surubim, fruto da pesca no São Chico, feito no capricho pela solícita negra Terência, que o serve há mais de três lustros...

Deixa escapulir, involuntariamente, um sonoro arroto. Olha para todos os lados e diz em alto e bom som, para si mesmo: - “gases!”.

Sua casa, de frente para o largo, com duas janelas protegidas por uma tela fina e um portão lateral – um caramanchão antigo que vem pelo alpendre, mostra uma trepadeira que tem o dom de florir o ano todo.

Está de frente para a praça da Matriz, e, logo após se entrevê a barranca do grande rio. É sábado e ele não tem absolutamente nada para se ocupar, como de resto todo o populacho da cidadezinha, que àquela hora jaz escornado em camas e redes para à sesta.

A cidadezinha pára do meio dia às três da tarde, por um costume que ninguém sabe explicar de onde veio, excetuando o bar do Augusto, ali mesmo na esquina, onde uns rapazes jogam uma interminável partida de sinuca. Passou o olhar sonolento por todo o largo – nem uma vivalma – só o sol escaldante e imperdoável que tirita feio por cima do casario antigo.

Olhou atentamente a copa das mangueiras – nem uma folha mexia. “Vamos todos estorricar vivos!”, comentou monossilábico. Tinha essa mania de falar sozinho, acumulando, na bagagem, antológicos vexames públicos, até dentro da igreja, em plena missa de domingo...

Esta tarde é muito especial para ele, mas desde que amanhecera e que se olhara no espelho, sentiu alguma coisa amargando dentro de si – completava cinqüenta anos.

“Meio século, porra!”. A negra Terência arrumava a mesa do café, quando ele apareceu de pijama listrado na copa. “Felicidades para o senhor, prefeito!”, congratulou a velha serviçal. Sensibilizado pela lembrança sentou-se à mesa para o café da manhã e sentiu-se o homem mais sozinho do mundo. O chá de erva-cidreira (que ali era chamado de capim santo) adocicava todo o ar.

“Meio século!”, exclamou alto e sentiu que o bolo de aniversário tinha um gosto amargo.

Saiu de casa, por conta do calor insuportável, parou e ficou no centro do largo, dormindo em pé, quase eterno. Dali onde está agora todo o corpo escorado no tronco do Ipê roxo, dá para ver toda a extensão do rio, de uma margem à outra – uma imensa lâmina de prata ao sol. Aquela paisagem só muda nas épocas chuvosas de outubro a março, quando o rio se espraia do lado de lá e fica furioso beijando as barrancas do lado de cá.

Ouviu o chiar estridente de uma cigarra explodindo em bronquites musicais, chiou, chiou – a cigarra ajudava a esquentar mais ainda o tremeluzir do sol. Como uma onda, vinha à algazarra dos rapazes na sinuca – nesses anos teve um que quase encaçapou a bola sete e esteve a ponto de comprometer a partida que combinaram ser eterna. Não eram os mesmos de tantos anos passados, mas ninguém percebia a substituição dos jovens jogadores – as Forças Armadas colhiam a safra da turma que estava completando dezoito anos e outra turma se incorporava àquela mesa estragada, sob a vigilância do velho Augusto, que ali fora ficando mais seco, com uma toalha de rosto amarrada ao pescoço, debruçado no balcão ensebado.

“Meio século, porra!...”. A vida que poderia ter sido e que não pôde ser. Sequer um filho para celebrar sua memória alada.


Dois volumes manuscritos, trezentos e tantos poemas feitos e refeitos no ócio das horas mortas na prefeitura velha, engavetados à espera de um estímulo maior (que nunca vinha) para digitá-los e enviá-los para alguma editora famosa do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife ou Porto Alegre. No íntimo achava os poemas uma futilidade, mas não tinha coragem para rasgá-los – quem sabe tinham estilo, originalidade e criatividade? Quando reservava um fim-de-semana para os longos momentos etílicos, lia-os com um outro olhar, atentamente em sua cadeira cativa do bar “Tudo Azul” – sentia-se o próprio bardo, o vate venerável, o maior poeta do mundo, faltava ser descoberto, revelado e laureado. Acrescentava anotações às margens e nas entrelinhas do caderno de capa preta, carcomido pelas asas do tempo.

Estaria ali para derrubar a poesia insossa deste país que só celebrava uns cinco poetas e a mídia impressa publicava qualquer imbecilidade que eles escrevessem! A poesia era a fórmula mágica para assassinar o tédio, a solidão, a mesmice e desendoidecer.

“O rejuvenescimento da mente do homem... a mente só é retraída quando o homem se sente frustrado, extenuado, desencantado e deprimido... carregando sobre os ombros uma indecifrável neuroforia...”.

Uma lavadeira, com uma imensa barriga, aparece saída da barranca do rio, com uma enorme trouxa na cabeça e vem vindo para atravessar o largo.

Quando amo e se amo, amo de verdade, Nuria, “meu coração soca pilão dentro do peito, vira monjolo que esmaga, soca, soca, vira munha, me esfarela, moendo os ossos... triturando as asas da alma”.

É preciso estar atento e ágil feito um gato.

“Mário, Mário, você vai para o sertão e aquilo ali vai te consumir...”. Proféticas palavras dos amigos que ainda lhe chegavam frescas nas asas da memória.

Pegou o trem do sertão até Piracanjuba, depois a jardineira velha e a poeira medonha, facão de estrada que sacudia tudo e ali aportara no fogo dos seus vinte e cinco anos. A luta para não deixar se consumir no fogo lento dos costumes do interior foi sem trégua. Resultou inútil.

Era um projeto de escritor, e se esse espécime raro não conseguia sobreviver nos grandes centros, que dizer da tentativa de construir ali esta meta no interior mais isolado e dali ganhar a admiração e o reconhecimento do mundo?

Começou por namorar a filha do fazendeiro mais rico e influente da região, João Guilherme Novaes, meteu-se até o pescoço na política, enfiou-se pelos desfiladeiros das retóricas baratas para engambelar o populacho, saiu distribuindo tapinhas nos ombros (êta, falsidade!), balinhas, "santinhos" e brinquedos 1,99 nos natais, prestou atendimento a doentes, encaminhou órfãos e meninos de ruas para o serviço social; ajudou mulheres desenganadas, se enfurnou por vilas e distritos os mais remotos levantando a bandeira da vida nova, não esta vida de merda, senhoras e senhores, porque vocês são os esquecidos do poder, "a praça é do povo como o céu é do condor" (devia ter dito urubu, pois que ali ninguém sabia o que era um Condor...), vamos acabar de vez com o fisiologismo, nepotismo e os podres poderes; precisamos de sangue novo.

O próspero fazendeiro João Guilherme Novaes se elegeu deputado estadual e Mário - o homem dos caminhos inversos - o cargo de prefeito daquela provinciana e distante cidadezinha do interior de Goiás. Uma vaga na AGL e, posteriormente, ABL, pleitearia depois. Doravante, Mário teria todo o tempo do mundo para fazer um copidesque “caprichado" de seus textos e reorganizar sua "carreira" literária...

(EUGENIO SANTANA)


- Eugenio Santana é escritor, Jornalista (DRT/GO 1319), ensaísta literário, Copidesque, Redator Publicitário. Autor de quatro livros publicados. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, cadeira nº. 2. Sócio da UBE/GO. Correio eletrônico: autor-e.santana@bol.com.br – Celulares: (21) 9346-8198 e 7177-6359

(*) Dedico este conto – no estilo de Guimarães Rosa - ao primo escritor e roteirista de filme Fernando Santana Rubinger e, principalmente, ao meu avô-materno José Ulhôa Sant’Anna, que foi proprietário da Fazenda “Aldeia de Cima”, uma das cinco maiores da Região de Paracatu, Minas Gerais. Valendo enfatizar que, foi justamente nesta Fazenda que eu nasci, com a ajuda de uma parteira, às 9h da manhã, no outono de 1956 (19/4).

quarta-feira, 30 de junho de 2010

ASAS DA MEMÓRIA (*)


Arquétipos que se perderam
na poeira cósmica do tempo.
Tipos que ficam e não crescem,
perdem-se no seu próprio rastejar.

Aqui estou – outra vez,
entre as asas da luz
e da sombra.
Entre o passo, o pássaro,
o impacto, o pacto, o parto
e a dor do amor.
Folhas de plátano
dançam ao sabor do vento.

Aqui estou
entre a espada e a cruz,
ritos e mitos, arte e poesia.
Brilho sinistro – o sucesso;
palidez mortal – os mistérios.

Na asa do tempo,
cálido dedo não se omite.
Obstinado, gesticula, grita.

Não obstante, verbo de luz difusa,
lanço essas asas da memória
ao abismo oceânico em que navego.

(Eugenio Santana)

(*) Extraído do livro “FLORESTRELA”.
Hórus/9 editora, Goiânia, pág. 56, 2002

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O AMOR PRECISA DE CRIATIVIDADE


Existem momentos em que gostaríamos muito de ajudar a quem amamos muito, mas não podemos fazer nada. Ou as circunstâncias não permitem que nos aproximemos, ou a pessoa está fechada para qualquer gesto de solidariedade e apoio.
Então, nos resta apenas o amor. Nos momentos em que tudo é inútil, ainda podemos amar – sem esperar recompensas, reconhecimentos, mudanças, agradecimentos.
Se conseguirmos agir desta maneira, a energia do amor começa a transformar o Universo à nossa volta. Quando esta energia aparece, sempre consegue realizar o seu trabalho.
O amor transforma, o amor cura. Mas às vezes, o amor constrói armadilhas mortais, e termina destruindo a pessoa que resolveu entregar-se por completo. Que sentimento complexo é este que – no fundo – é a única razão para continuarmos vivos, lutando, procurando melhorar?
Seria uma irresponsabilidade tentar defini-lo, porque, como todo o resto dos seres humanos, eu apenas consigo senti-lo. Milhares de livros são escritos, peças teatrais encenadas, filmes produzidos, poesias criadas, esculturas talhadas na madeira ou no mármore, e mesmo assim, tudo que o artista pode passar é a idéia de um sentimento – não o sentimento em si.
Mas eu aprendi que este sentimento está presente nas pequenas coisas, e se manifesta na mais insignificante das atitudes que tomamos, portanto é preciso ter o amor sempre em mente, quando agimos ou quando deixamos de agir.
Pegar o telefone e dizer a palavra de carinho que adiamos. Abrir a porta e deixar entrar quem precisa de nossa ajuda. Aceitar um emprego. Abandonar um emprego. Tomar a decisão que estávamos deixando para depois. Pedir perdão por um erro que cometemos e que não nos deixa em paz. Exigir um direito que temos. Colocar a música bem alta quando a pessoa amada estiver longe, abaixar o volume quando ela estiver perto. Saber dizer “sim” e “não”, porque o amor lida com todas as energias do homem. Descobrir um esporte que possa ser praticado a dois. Não seguir nenhuma receita, nem mesmo as que estão neste parágrafo – porque o amor precisa de criatividade.

(Eugenio Santana – Fragmento/Copidesque.)