quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A VITRINE DO SHOPPING


Ante a vitrine bem iluminada de um shopping pararam em meio a muito mais. Por acaso, os seus olhares se encontraram e o ilegal desejo da carne se revelou timidamente, irrresolutamente. Depois, alguns passos ansiosos pela calçada afora – até que, sem sorrir, acenaram-se de leve.
E então, dentro do carro fechado... a sensual aproximação dos corpos; as mãos unidas, os dois lábios colados.

(Eugenio Santana, FRC – copy-desk.)

RUMO A ÍTACA


Se partires um dia rumo a Ítaca, faz votos de que o caminho seja longo, repleto de aventuras, repleto de saber. Nem Lestrigões nem os Ciclopes nem o colérico Posídon te intimidem; eles no teu caminho jamais encontrarás se altivo for teu pensamento, se sutil emoção teu corpo e teu espírito tocar. Nem Lestrigões nem os Ciclopes nem o bravio Posídon hás de ver, se tu mesmo não os levares dentro da alma, se tua alma não os puser diante de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo. Numerosas serão as manhãs de verão nas quais, com que prazer, com que alegria, tu hás de entrar pela primeira vez um porto para correr as lojas dos fenícios e belas mercancias adquirir: madrepérolas, corais, âmbares, ébanos, e perfumes sensuais de toda espécie, quanto houver de aromas deleitosos. A muitas cidades do Egito peregrina para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo Ítaca na mente. Estás predestinado a ali chegar. Mas não apresses a viagem nunca. Melhor muitos anos levares de jornada e fundeares na ilha velho enfim, rico de quanto ganhaste no caminho, sem esperar riquezas que Ítaca te desse. Uma bela viagem deu-te Ítaca. Sem ela não te ponhas a caminho. Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu, se a achas pobre. Tu te tornaste sábio, um homem de experiência, e agora sabes o que significam Ítacas.

(Eugenio Santana, FRC – copy-desk.)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O HOMEM DE CHEGADAS E PARTIDAS


Nunca fui amado.
Só amei.
Perdoei dezoito vezes vinte e sete.
Publiquei e editei.
Fiz filhas (os) – que nunca me amaram.
Plantei árvores
Que nunca vi crescer.
Caminhei. Andei. Viajei. Voei.
Saltei. Vibrei. Sonhei.
Estudei. Pesquisei. Realizei
trabalhando desde os dezesseis.
Mergulhei fundo em buscas metafísicas:
Self; zênite; consciência cósmica.
Celacanto – Nadei profundezas.
Depois – o Nada.
Infinito Vazio – náusea.
Na Asa do Tempo – face desfigurada
à procura da Luz.
E só.
Só.

(Eugenio Santana, FRC – inédito).

Rio de Janeiro (RJ) 16/8/2010 – 15h55m.

MÁXIMA, QUALIDADE.MÍNIMA, QUANTIDADE - A VIDA E OS LIVROS


Na verdade não tenho muitos livros: há alguns anos, fiz certas escolhas na vida, guiado pela idéia de procurar ter no máximo de qualidade, com o mínimo de coisas. Não quer dizer que tenha optado por uma vida monástica: muito pelo contrário, quando não somos obrigados a possuir uma infinidade de objetos, temos uma liberdade imensa. Alguns de meus amigos (e amigas) reclamam que, por causa do excesso de roupas, perdem horas de suas vidas tentando escolher o que vestir. Como resumi meu guarda-roupa a um “blue jeans básico da Levis”, não necessito enfrentar este problema.

Mas não estou aqui para falar de moda, e sim de livros. Para voltar ao essencial, decidi manter apenas 109 livros em minha biblioteca – alguns por razões sentimentais, outros porque estou sempre relendo. Tal decisão foi tomada por diversos motivos, e um deles é a tristeza de ver como bibliotecas acumuladas cuidadosamente durante a vida são depois vendidas a peso, sem qualquer respeito. Outra razão: por que manter todos estes volumes em casa? Para mostrar aos amigos que sou culto – intelectual? Para ornamentar a parede? Os livros que comprei serão infinitamente mais úteis em uma biblioteca pública que em minha casa Anapolina.

Antigamente, poderia dizer: preciso deles porque vou consultá-los. Mas hoje em dia, quando há necessidade de qualquer informação, conecto o computador portátil, digito uma palavra-chave, e diante de mim aparece tudo que preciso. Ali está a internet, a maior biblioteca do planetazul. Claro que continuo comprando livros – não existe meio eletrônico que consiga substituí-lo. Mas assim que termino, deixo que ele viaje, dou para alguém, ou entrego em uma biblioteca pública. Minha intenção não é salvar florestas ou ser generoso: apenas creio que um livro tem um percurso próprio, e não pode ser condenado a ficar imóvel em uma estante.

Sendo escritor, posso estar advogando contra mim mesmo – afinal, quanto mais livros comprassem, mais dinheiro ganharia. Todavia, seria injusto com o leitor, principalmente em países onde grande parte dos programas governamentais de compras para bibliotecas é feito sem usar o critério básico de uma escolha séria: o prazer da leitura com a qualidade do texto.

Deixemos, pois, nossos livros viajarem, serem tocados por outras mãos, e desfrutados por olhos alheios. Lembro-me vagamente de um poema de Jorge Luis Borges que fala dos livros que jamais tornarão a ser abertos. Por acaso, tenho alguns livros de Borges – é um escritor que estou constantemente relendo.
Há uma linha de Verlaine que nunca mais me lembrarei.
Há um espelho que já me viu pela última vez.
Há uma porta fechada até o final dos tempos.
Entre os livros de minha biblioteca
Há algum que já não tornarei a abrir.

(Eugenio Santana, FRC – Fragmento/Copy-Desk.)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

ESCOLHA: BONSAI OU SEQUÓIA?



Nós temos escolhas, mais escolhas do que nos permitimos ver.
Podemos nos sentir presos em nossos relacionamentos, nossos empregos, nossa vida. Podemos estar trancados em nossos comportamentos quando nos ouvimos dizer: “Tenho que...”, “Tenho que comportar-me assim, pensar assim, sentir assim...”, podemos ter certeza de que estamos escolhendo não ver as escolhas.
A sensação de estarmos presos é uma ilusão. Não somos, controlados por circunstâncias, por nosso passado, pelas expectativas não saudáveis para com nós mesmos. Podemos escolher o que é bom para nós, sem culpa. Nós temos opções.

Os japoneses cultivam uma delicada e pequena árvore, tão pequena que sua altura não passa de uns poucos centímetros. Eles a chamam de bonsai.

Na Califórnia encontramos um bosque de árvores gigantes chamadas sequóias. Esta magnífica árvore que atinge surpreendente altura de 82 metros e sua circunferência é de 23,7 metros, é tão grande que seria possível produzir madeira suficiente para construir 35 casas de cinco dependências.

Houve um tempo em que o bonsai e a sequóia mediam o mesmo tamanho. Quando eram sementes, cada uma pesava menos de 0,01 grama. Ao chegar à maturidade, a diferença em tamanho era considerável, e esta diferença nos ensina algo.

Quando a ponta da árvore bonsai rompeu a camada da terra, os japoneses a desenterraram e amarraram sua raiz principal e algumas das raízes de alimentação, o que impediu seu crescimento, resultando em uma miniatura, muito bonita, mas, ainda assim, uma miniatura.

A semente da sequóia caiu em uma terra rica da Califórnia e se alimentou de minerais, da chuva e da luz do sol. O resultado foi uma árvore gigantesca.

Tanto o Bonsai quanto a Sequóia não puderam escolher seus destinos. Mas VOCÊ SIM! Pode ser tão grande ou tão pequeno como desejar ser. Pode ser um bonsai ou uma sequóia. VOCÊ escolhe!

(Eugenio Santana, FRC – Fragmento/Copy-Desk.)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

MASCULINO + FEMININO: YIN + YANG SE COMPLETAM


Na história da Terra, os homens fecharam o centro dos sentimentos para comandarem o planeta. Guerrearam, mataram, violaram e dominaram por terem bloqueado as suas emoções. E as mulheres concordaram em emudecer para que os homens tivessem a oportunidade de comandar. Tempos difíceis para ambos. Nem homens nem mulheres foram inteiramente felizes. Se a polaridade masculina complementa a feminina, e vice-versa, por que tantas oposições?

O masculino se soma ao feminino. Não será mais o oposto. Não se trata de competição mas de complemento, o fim das oposições, os pólos se reconciliando. A harmonia dos opostos. Quando começam a se olhar como seres inteiros, ser masculino ou feminino será apenas uma opção sexual para que a vida se adeqüe aos padrões que cada um precisa desenvolver.

Quanto sofrimento se esconde nessas mulheres que resolveram adotar modelos masculinos de comportamento como uma tentativa, quase desesperada, de sobreviverem em um mundo predominantemente masculino. Transitaram na história de um extremo ao outro, se despolarizaram e hoje se sentem traídas em seus sentimentos. São livres na forma, mas o seu real poder, a feminilidade, está enfraquecido. A energia feminina – enquanto consciência e vibração – aquela que gera a vida, precisa tomar o seu lugar de volta, porque representa o amor. E o amor é a chave do coração.

A harmonia destes opostos – masculino e feminino – é fundamental. Vocês são como a bagagem de uma mala. Ela leva tudo o que irão precisar: o romantismo, a força, a lógica, a alegria, a intuição, os dois pólos da bateria, o positivo e o negativo. A sua bagagem é o seu recurso.

Não existem receitas prontas, mas importantes atalhos para esta reintegração. Conquistar a harmonia significa se render ao comando da polaridade masculina quando for necessário, e quando a regência feminina for mais produtiva, deixar que ela atue. Isto se aplica a homens e mulheres, pois, independente do sexo, todo ser integra as duas energias: masculino e feminino. E o seu equilíbrio é o sonho da realidade, o grande acerto de encontrar o par perfeito, depois de descobrirem que a conquista e a crença de cada um gera a atração da sua polaridade que, também em equilíbrio, é o complemento. Aquele com que vocês somam e não dividem.

As guerras continuam porque homens e mulheres desconhecem o conceito de amor – do amor verdadeiro. É missão das mulheres despertar os homens para a sua real essência. Elas devem não apenas tocar o corpo destes homens, mas suas almas. E, acima de tudo, entender que os homens não nascem companheiros. Eles se tornam companheiros quando encontram uma mulher que os complementa. Vão se sentir plenos, satisfeitos, impulsionados, motivados, vitalizados. Estarão cheios de amor e prazer, mergulhados em um estado de encantamento consciente, onde já conseguem identificar a origem desse sentimento de plenitude. O coração passa a transbordar, irradiar e expandir.

Não há mais guerras entre os sexos, porque ambos foram criados para se complementar, para harmonizarem seus pólos opostos. Estar nesta simbiose é acessar o amor dos inteiros.

(Eugenio Santana, FRC – fragmento/copidesque.)

SENTIMENTO AGNÓSTICO


Há um tempo
Em que não é possível
Acreditar no amor.
O ser humano não consegue
Sobrepujar o caos
Que ele próprio criou.

A crise está no homem.
A (r)evolução com mísseis
E nucleares
É corrida estúpida
Que fere a alma
E mina as bases do coração.

A (r)evolução mental
Meta alquímico-cósmica
Provavelmente transformará
o ser humano.

E se o planeta continuar azul
Os pássaros da mesma cor
Pousarão felizes e livres
Nas estátuas futuras...

(Eugenio Santana, FRC)

(*) Fonte: extraído do meu livro “ASAS DA UTOPIA”
Santana Edições, Brasília-DF, 1993, página 33.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

AS CHAVES DO CORAÇÃO


Bem-vindos a esta nova fase do amor – consciente, vivido, revivido, buscado, explorado, descoberto ou redescoberto, do amor que está no ar, na Terra, na ação. Ele passou pelo fogo das paixões, das dores, do medo, da ilusão, das simples constatações, das grandes descobertas, das profundas explosões – e foi transmutado, transcendeu; passou pela água de suas emoções – se purificou – e agora permanece sustentado pela força da energia da Terra, mas conectado ao ar, ao céu, ao Cosmo, a toda a energia em movimento que ajuda, puxa, repuxa e impulsiona.

Mais do que um símbolo dos namorados, dos amantes, dos grandes amores, o coração também é o verdadeiro símbolo do amor, porque o amor irradia através dele. O coração recebe todas as informações das emoções, das forças da Terra, dos descontroles, das alegrias, mas também o amor divino, a inspiração, que se expressa através da comunicação, da arte, da criação.

Lembrem-se das luzinhas que se acendem dentro de vocês, e não se frustrem mais em busca de finais felizes. Aprendam a eternizar seus momentos. Não é tão complicado assim. Congelem as experiências que criaram ótimas lembranças para a sua alma, e daqui a um tempo, nesta ou em outra vida, lembrarão desses momentos maravilhosos, acionarão esses códigos, e as luzinhas acenderão porque valorizaram as coisas simples da vida.

Sabemos que é a energia do amor que rege o mundo, mas vocês, que vivem no mundo das polaridades, dos opostos, muitas vezes não deixam que ela domine. É uma pena, mas faz parte do aprendizado. Esse é o caminho e não importa quanto tempo vão levar para percorrê-lo, porque é uma fantástica, o começo de um novo, de uma nova consciência.

O filósofo Sócrates já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”. Era um código. Essa é uma das frases-chave da humanidade.
O corpo é um presente. Abram esse presente, explorem-no, amem-se. Abram seus corpos, suas mentes e seus corações, sem preconceitos. Abram suas almas, emanem amor, contaminem, pulsem, repulsem.
Liberem a mente, deixem o amor fluir no seu corpo, libertem as emoções, quebrem os preconceitos e se abram. Mas, principalmente, não se esqueçam de encontrar as chaves do coração. Porque ele é o centro de tudo. Nele está contido o grande código da vida, o código do amor.

(Eugenio Santana, FRC – fragmento/copy-desk.)

A SABEDORIA DOS GIRASSÓIS


Os girassóis são muito sábios; quando o sol se esconde eles ficam parados, mas não murcham porque armazenaram a energia que captaram ao longo do dia. Ficar no escuro não os afeta porque adquiriram poder e confiança. E mesmo quando são fustigados pelos ventos de forma agressiva as suas raízes permanecem firmes, e eles são hidratados pelas chuvas e consolidam seu crescimento com o sol e a grande força da luz. Assim são vocês quando se deixam iluminar e acreditam no seu potencial. O girassol é o símbolo da força da energia e da beleza que vem da luz -, ao se deixar conduzir por ela fica cada vez mais forte, vigoroso e cheio de vitalidade.

Sempre que sentirem o chamado da luz – e ela se apresenta de diversas formas – lembrem-se dos girassóis, e deixem-se levar pela força de atração. Este é um trajeto grande e promissor. E quando o inverno chegar saberão que ele fará somente parte de um ciclo. O sol sempre aparece para atrair aqueles que perderam o medo de olhar para o céu. Quanto mais compartilharem esta luz, que é sabedoria, mais raios de informações receberão. É a luz em expansão, a constelação se formando no céu. Na outra polaridade, quanto mais retiverem o conhecimento que lhes é dado, mais rapidamente o perderão. “Compartilhar” é a palavra-chave.

É hora de abrir as mãos e deixar a sabedoria voar como um beija-flor, para que novos pássaros possam pousar e atrair milhares de outros, de muitas cores, muitos nomes e muitos lugares.

(Eugenio Santana, FRC – fragmento/copy-desk.)