sexta-feira, 15 de outubro de 2010

TROPEÇAR, FRACASSAR, OUSAR, RECOMEÇAR...


Ops, tropecei! Você já tropeçou? Nada atinge tanto a nossa dignidade como tropeçar!
Eu já vi pessoas bem vestidas caírem de cara no chão quando iam para os seus escritórios. Testemunhei sérios maestros e músicos, quando se dirigiam ao palco com suas batutas, instrumentos e partituras, tropeçar e cair, enquanto as partituras voavam caindo como folhas de árvores em uma brisa de outono. Eu assisti um “golaço” garantido – sem ninguém por perto na grande área – ser perdido por causa de um tropeço. Já vi noivas e noivos caírem juntos... Consumidores caírem no supermercado... Rígidos oficiais tropeçarem quando inspecionavam as tropas... Elegantes senhoras tropeçando na rua... Apresentadores se enrolando no fio do microfone e caindo para fora do palco... Formados tropeçando em suas togas quando iam receber seus diplomas... Um experiente, respeitado e eloqüente palestrante que tropeçou e caiu pouco antes de começar a falar. Eu nunca vou me esquecer dessa cena, porque na queda ele cortou o lábio, e fez toda a sua apresentação limpando o sangue que brotava do corte em seu lábio!
Você não conseguiu se lembrar de nenhuma vez em que tenha tropeçado? É mais humilhante ou embaraçoso do que derramar nossa dignidade enquanto caímos em cima do nosso orgulho. A primeira coisa que fazemos é dar uma rápida olhada ao redor para conferir se alguém percebeu. Desejamos nos tornar invisíveis. A lembrança de alguns de meus tropeços me faz ter arrepios.
Mas sabe de uma coisa? Quase sem exceção, a reação dos observadores é de simpatia... Identificação com o embaraço... Dor mútua... Um profundo senso de apoio. Na verdade. A resposta imediata das pessoas é colocar de pé quem caiu. Não consigo me lembrar de nenhuma vez em que a pessoa que tropeçou ficou sem ajuda ou foi pisoteada pelos que estavam passando por perto. Sei que existe uma preocupação momentânea a respeito do orgulho ferido e de seu bem-estar psicológico. E todos que se colocam de pé rapidamente, saindo da breve humilhação, logo esquecem o ocorrido. Podemos aprender muito com esse negócio de tropeçar, meu amigo.
Todos tropeçamos de muitas maneiras.
Ninguém é perfeito... Tropeçar é normal... Um fato da vida... Um ato que garante nossa humanidade.
Talvez você tenha acabado de tropeçar. Sente-se culpado, como um fracassado. Deseja loucamente nunca ter feito o que fez... Você se sente um miserável e gostaria de se esconder, ou melhor – cair e morrer. Ridículo! Saia desse poço de autopiedade, sacuda a poeira – e siga em frente.
Agora, devo acrescentar um pouco de realismo. Em vez de receber a reação normal de compreensão e apoio, você pode encontrar alguém que tenha visto sua queda e que vai querer mantê-lo lá em baixo, ou julgá-lo por causa de seu escorregão. Ignore-o completamente! Ele esquece que já tropeçou. A única diferença é que você não o viu tropeçar. Mas acredite-me, ele já caiu.
A moral disso tudo não é difícil de descobrir:
Você pode superar esta dificuldade – mesmo com tropeços – mas você tem de levantar.
Pessoas que tropeçam e desistem são como moedas de um centavo, existem aos montes. Na verdade, elas são inúteis.
Pessoas que tropeçam e se levantam são como notas de cem reais, são raras. De fato, são de valor inestimável.

(EUGENIO SANTANA – Escritor, Jornalista, Publicitário, Poeta e Crítico literário. Livros publicados. Superintendente de Jornalismo de uma instituição municipal do Rio de Janeiro.)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

TRISTEZA


Ficamos tão mais tristes quanto maior for o grau de envolvimento afetivo com a pessoa ou o objeto que perdemos – e mais definitiva for essa perda. Por tal raciocínio, é possível entender por que uma mãe em luto pela morte de um filho dificilmente sai do buraco, enquanto outra cujo primogênito foi à guerra ainda consegue esboçar um sorriso de vez em quando. Não importa o grau, a tristeza é sempre determinada quimicamente por uma redução nos níveis de serotonina. É o que evidenciam os quadros de depressão, o extremo patológico da tristeza. Enquanto a tristeza do dia a dia afeta a química cerebral de maneira transitória, a depressão pode trazer comprometimentos profundos. Uma pessoa deprimida precisa da ajuda de um psicoterapeuta, e, não raro, de medicamentos antidepressivos para se reerguer. A tristeza, decorrente de uma afecção mental, inclui em seu pacote sintomas como distúrbios de sono, problemas de peso, fadiga, irritação, apatia, estados de lentidão física e intelectual. Ou seja, desregula uma série de outros circuitos cerebrais.

(Eugenio Santana, FRC – Fragmento/Copidesque.)