sábado, 17 de dezembro de 2011

O POETA E SEUS ARQUÉTIPOS




POETA é aquele que olha. E o que vê? O Paraíso.

Porque o Paraíso está em toda parte. Não cremos nas aparências, porque elas são imperfeitas: balbuciam as verdades que escondem. Com meia-palavra, o Poeta deve compreender, porque de novo diz essas verdades. Age o sábio, por acaso, de outro modo? Também ele busca o arquétipo das coisas e as leis de sua sucessão. Recompõe, enfim, um mundo idealmente simples, no qual tudo se ordena com naturalidade.

O Poeta, aquele que sabe que acredita, adivinha atrás de cada coisa (e uma única lhe basta) o símbolo, a fim de lhe revelar o arquétipo. Ele sabe que a aparência é um pretexto apenas, uma veste que a furta e na qual pousa o olho profano. No entanto, ela nos revela que a Verdade está ali.

Piedoso, o Poeta contempla. Debruça-se sobre os símbolos e, silencioso, desce bem fundo até o coração das coisas. E quando, como um visionário, deu com a Fantasia, íntimo número harmonioso do Ser, fundamento da forma imperfeita, ele a retém, pois, indiferente à forma transitória que a revestiu no tempo, sabe como lhe dar de novo uma forma eterna, a sua verdadeira Forma, inevitável, paradisíaca e cristalina.

Pois a obra de arte é um cristal – paraíso incompleto e revivida Fantasia, num grau de elevada pureza, na qual, como no oculto Éden, a ordem normal e precisa dispôs todas as formas numa dependência recíproca e simétrica; em que o orgulho da palavra não suplanta o Pensamento e as frases rítmicas e firmes, símbolos ainda, mas puros símbolos, e as palavras, tornam-se transparentes e reveladoras.

(copydesk/fragment/releitura by Eugenio Santana, FRC – escritor, jornalista e ensaísta literário)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ASAS OU OÁSIS?




ASAS OU OÁSIS?

por Eugenio Santana


Guardo esses talismãs
raros, ocultos,
invisíveis, caros.
Não sei se asas
ou oásis.
A inesgotável fonte
do verbo-pássaro
é incomensurável?

Oásis: espaço, bússola, beleza, utopia.
Asas: almalada, aura, tempo, poesia.
As chaves do mistério
dessas raras jóias,
esqueci no mar profundo,
na distância.
joguei fora na embriaguez do tormento;
ficaram perdidas nas asas do esquecimento.

Não há fácil acesso
ao cofre de enigma-estigma.
Simplesmente invento
ao sabor do vento:
um poemazul – inventário de cicatrizes
alada memória do pássaro-poeta...

(*) extraído do meu livro: “Florestrela”
Hórus/9 Editora, Goiânia-GO, 2002

A LEGIÃO DOS MEDÍOCRES




A história confirma o valor dos POETAS na Idade Média. Aqui no Brasil, a partir da década de 80, uma LEGIÃO DE MEDÍOCRES, que não saborearam a cultura, neófitos “poetastros” resolveram roubar o título de “poeta” e sem talento, estilo e originalidade, começaram a publicar “livros” caracterizando-os, equivocadamente, de poesia, e a pífia mídia editorial apoiou esses medíocres que DENEGRIRAM A VERDADEIRA POESIA, por isso qualquer imbecil sem criatividade nenhuma se acha “poeta” na atualidade, comprometendo a imagem dos verdadeiros e autênticos, tais como: Drummond, Bandeira, Baudelaire, Rimbaud, Rilke, W.B. Yats, Yêda Schamaltz, Hilda Hilst, Mario Quintana, Thiago de Mello, Ferreira Gullar, Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Florbela Espanca, Eugenio Santana, entre outros.

O mesmo caso ocorre com a MPB. “Breganejo” é música? E “Banda Calypso” você vai compará-la com uma Marisa Monte, por exemplo? Acredito que eu tenha sido claro e não quero mais alimentar polêmica.

(jornalista/escritor Eugenio Santana)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

PARA SEMPRE JEAN-NICHOLAS ARTHUR RIMBAUD




RIMBAUD está vivo. Rimbaud é um fenômeno literário que não morrerá em nossa memória.
Rimbaud é um marco zero na história da Literatura.
Sua radicalidade, que o levou à renúncia e ao silêncio, merece um tributo especial e uma reflexão permanente.
Os poetas e os escritores do século XX, os surrealistas, os beatniks, os hippies, os jovens rebeldes – todos lhe são devedores.

SULCOS – À direita a aurora de verão desperta as folhas, os vapores, e os rumores deste meandro do parque, e as vertentes da esquerda mantêm em suas sombras violáceas, os mil velozes sulcos da úmida senda. Desfile de encantamentos. De fato: carros carregados de animais de madeira dourada, de mastros e telas pintadas de cores mescladas, no grande galope de vinte cavalos circenses jaspeados, e as crianças e os homens, nos mais surpreendentes animais montados; - vinte veículos, floridos e enfeitados como as carruagens antigas ou de contos, abarrotadas de crianças adornadas para uma pastoral suburbana; - e até mesmo, os ataúdes sob seus noturnos dosséis, erguendo os penachos de ébano, desfilando ao trote de grandes éguas azuis e negras.

Eu teria gostado de mostrar às crianças
Botos de ouro, peixes cantantes, polvos.
Escamas de flores ritmavam minhas danças,
Dos ventos tive asas e momentos de vôos.
Livre,ofegante, cavalgado por neblinas,
Eu que furava o muro dos céus avermelhados,
Que traz o que seria delícia dos poetas
Os liquens do sol e fungos celestiais;
Vi arquipélagos siderais e ilhas
Cujos céus delirantes abriam-se ao sonho.
Nessas noites sem fundo é que dormes e exilas
Milhão de aves de ouro, o futuro vigor?
Mas chega, chorei demais. Auroras não têm graça,
Toda lua é atroz e todo sol amargo;
O amor me encheu de torpores agridoces;
Que minha quilha estoure, que me faça ao mar!

(copydesk/fragment by Eugenio Santana – Escritor, jornalista, ensaísta literário)

sábado, 10 de dezembro de 2011

FAZ DE CONTA...




FAZ DE CONTA que vivemos num país muito lindo e verde, onde todos têm os mesmos direitos, todas as crianças têm lares felizes, todas vão à escola, todas têm a mesma assistência médica e alimentação. Vamos ainda fazer de conta que as cidades onde vivem essas crianças e seus pais são completamente livres de assaltos, assassinatos, acidentes de trânsito, catástrofes naturais, inundações, favelas, tráfico de drogas, políticos corruptos, sujeira, mendigos, gente morrendo nas filas de hospitais públicos, calor intenso em decorrência de abusos ambientais. Que os rios, riachos e córregos que cortam essa cidade são límpidos, cristalinos, prontos a nos matar as muitas sedes.

Vamos fazer de conta que as pessoas de idade são respeitadas e queridas, que sua experiência e sabedoria são apreciadas por todos, que as crianças são ensinadas a não discriminar ninguém, são ensinadas que todos têm o direito de ser o que realmente são e de se expressarem, de se vestirem como quiserem e amar a quem quiserem; que as famílias são unidas por laços verdadeiros e sinceros de afeto, senão não são famílias; que as doenças são curáveis, os frutos da terra são puros e não contaminados e que todos desejamos o bem dos outros. Que a paz reina no mundo, árabes e judeus se dão as mãos como irmãos que na verdade são, por exemplo, e que ninguém é menos amado pela cor de sua pele ou menos aceito por não possuir bens. Aliás, todos teriam os bens que a terra dá, igualmente, e todos dividiriam esses bens.

De qualquer forma, o Natal seria um momento de grande beleza e paz. Com um pouco mais de esforço, poderíamos imaginar Jesus bem bonitinho, no colo de sua mãe, nascendo o tempo todo dentro de cada coração.

(Copydesk/Fragment by Eugenio Santana)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O SORRISO DA ALMA (*)




A alma sorri sem mácula, sem lama.
E acaricia os olhos e a face
de quem ama.

O Rio lava minha alma leve,
mergulho o olhar silencioso no crepúsculo
e sinto ao pôr-do-sol
o cheiro da água morna e calma.

O espelho d’água do Rio reflete
a vida de uma bela mulher morena
embora efêmeros sejam os reencontros.

O frêmito e o êxtase de amar
esconde-se num refúgio além da ponte
na terceira margem de um grande Rio...

A visão magnífica da imensidão das águas
abre largo sorriso no poeta-pássaro
e a vida ávida flui plena através do Rio.

Após a travessia minhalmalada, ri.

Ri-alma!

Ao final do caminho,
do destino, da viagem
atravesso o uni/verso
e conquisto a outra margem.
A asa do coração-saudade
voa ao teu encontro
Alma-Irmã!

(Eugenio Santana)

(*) extraído do meu livro: “CREPÚSCULO E AURORA”,
Hórus/9 Editora, Goiânia-GO, 2006, página 28.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

PHOENIX - RENASCENDO DAS CINZAS




No dia 29 de janeiro de 1996, uma labareda tomou conta de uma das construções mais valiosas de Veneza: a casa de ópera La Fenice, de 204 anos de idade. Centenas de pessoas viram o edifício ser consumido pelas chamas.

Isso causou tristeza? Sem dúvida. Causou desespero? Não. A construção da La Fenice já havia sido retardada em 1792 por causa de um incêndio. Outro incêndio, em 1836, obrigou a população a reconstruir a casa de ópera. Também, após o incêndio de 1996, os venezianos começaram a reconstruí-la.

Por coincidência, La Fenice significa "a Fênix", referindo-se à ave mitológica de grande porte que merecia o título de animal mais raro da face da terra, simplesmente por ser a única de sua espécie.

A Fênix possuía uma parte da plumagem feita de ouro e a outra colorida de um vermelho incomparável. A isso ainda aliava uma longevidade jamais observada em nenhum outro animal. Seu habitat era os desertos escaldantes e inóspitos da Arábia, o que justifica sua fama de quase nunca ter sido vista por ninguém.

Quando a Fênix percebia que sua vida secular estava chegando ao fim, fazia um ninho com ervas aromáticas, que entrava em combustão ao ser exposto aos raios do Sol. Em seguida atirava-se em meio às chamas para ser consumida até quase não deixar vestígios. Do pouco que sobrava de seus restos mortais, arrastava-se milagrosamente uma espécie de verme que se desenvolvia de maneira rápida para se transformar em uma nova ave, idêntica à que havia morrido.

A crença nessa ave lendária figura na mitologia de vários e diferentes povos antigos, tais como gregos, egípcios e chineses. Apesar disso, em todas essas civilizações, seu mito preserva o mesmo significado simbólico: o renascer das próprias cinzas.

Até hoje, essa idéia é bastante conhecida e explorada simbolicamente.

Podemos restaurar o que os incêndios destroem em nossa vida? Às vezes. Em outras circunstâncias é melhor que as cinzas sejam esquecidas, para que algo completamente novo seja construido.

Renascer é o processo através do qual você lamenta sua perda e depois se levanta e começa tudo de novo. É um dos principais segredos para alcançar o sucesso. As pessoas realizadas são aquelas que nunca desistiram de tentar ser assim.

Enquanto você está processando integralmente os aspectos fisico, psicológico e emocional da decepção, vai começar a notar que continua vivo. Algumas pessoas pensam que não podem suportar aquela crise de jeito nenhum porque é demais para elas. Conscientizar-se de que você é um sobrevivente daquela experiência ruim é muito importante. Isso é chamado de viver o tempo presente.

Você não está mais revivendo repetidamente o passado na sua cabeça. Está pronto para viver o presente, aqui e agora.

O que aflora em seguida é a noção de que pode existir um futuro. Considerar um futuro significa preparar-se para olhar para frente e imaginar que existem opções.

A criatividade entra no quadro quando você acredita que na verdade poderia visualizar uma vida, elaborar um plano para concretizá-la e então resolver avançar passo a passo. Você considera as possibilidades que nunca imaginou e começa a estabelecer objetivos, atividades que o colocam mais uma vez no tabuleiro do jogo da vida.

Será preciso avaliar se é mais sensato continuar a batalhar pelo mesmo objetivo que perseguia antes, ou se é melhor formular uma nova meta. Também terá de determinar um novo curso de ação, construído sobre as lições que aprendeu com a crise, revisando seus planos em tudo que for necessário.

Depois de uma decepção, seus objetivos iniciais não serão monumentais. Serão passos minúsculos de bebê que vão aumentando aos poucos. Não serão passos para trás, retrocendo aos velhos e bons tempos, nem farão com que você ande em círculos, sem saber direito o que fazer com sua vida. Esses novos passos serão dados para frente, na direção do seu futuro. Seu novo futuro pode até ser semelhante ao passado, antes da crise, mas agora você pode abordá-lo com olhos mais abertos e com a vantagem do conhecimento que adquiriu.

Apesar de não serem passos gigantescos associados a conquistas significativas, seus objetivos novos o levarão na direção certa. Não deixe de reconhecê-los. Tenha o cuidado de não menosprezá-los, desacreditá-los ou desqualificá-los por não estarem no mesmo nivel de realizações anteriores. Parte desse processo de andar para frente é dar-se permissão para estar em um nivel diferente, apesar de novo, de realização. Como diz o ditado, as vezes você precisa "ir mais devagar para ir mais depressa".

Algumas vezes, como a Fênix, temos de renascer das cinzas, devemos passar pelo fogo e sair fortalecidos, renovados e renascidos.

(EUGENIO SANTANA, FRC - Jornalista, escritor, ensaísta, copydesk, redator publicitário, Revisor de textos literários e jornalísticos, articulista do "Diário da Manhã", livros publicados; da UBE/GO-SC; Da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas. Foi Coordenador de RH/Gestor de Pessoas nas décadas de 80/90.Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

AFASTAMENTO ESTRATÉGICO DA "ZONA DE CONFORTO"...




Por quê você deve sair da sua zona de conforto? Por quê, se lá é tão quentinho e aconchegante? Eu lhe darei três boas razões:

A “primeira razão” é que você será obrigado a sair um dia, por mais que resista. Ninguém passa a vida inteira sem encontrar dificuldades. A incerteza é um fato da vida, a única coisa da qual podemos ter certeza.

A “segunda razão” é que, como seres humanos, acredito que procuramos maneiras de nos refinar e melhorar. Temos, dentro de nós, a capacidade e o desejo poderoso de melhorar nosso protótipo. E só podemos fazer isso nos esforçando e testando.
Experimente. Tente algo novo. Dê mais um passo.

A “terceira razão” pela qual você deve sair da sua zona de conforto é simplesmente que sua vida se tornará muito mais interessante. Sei que você não quer uma vida monótona, previsível, pois se quisesse, não estaria lendo este texto.

Quem leva uma vida segura e previsível nunca saberá que pessoa extraordinária realmente é. Torne desafiadoras as circunstâncias de sua vida para que sua grandeza possa subir à superfície.

“Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las.”

(copydesk/fragment by Eugenio Santana – Escritor, jornalista)

TEU JARDIM, MÃE




Ínfima asa de memória ardente do poetalado, Mãe
Tão lúcida! E lancinante foi o sofrimento
e a dor inominável - e minhas lágrimas petrificadas...
Recente foi o teu Vôo na Asa inexorável do Tempo.

Partiu na tarde de nuvens cinzentas.
Meu coração? Partido; minha alma? Imolada...
Minha mãe partiu - viajou, etérea; diáfana, translúcida
Momento único em que não se repartiu - e não se fragmentou
A sua morte não repartiu – alçou íntegro e belo Vôo anímico
e cumpriu - bravamente - a sua Missão no "vale de lágrimas".

Afinal, viver é um jardim precário e efêmero.
Mas vejo em teu jardim
a perenidade da madressilva, miosótis, hortênsias,
rosas-vermelhas,samambaias e do jasmim.
Porque é bonito o Eterno.
E porque é lindo o Jardim.

Sim! O dia amanhece por meio da Aurora
inapelavelmente...

E nestas manhãs de outono
os vizinhos passam em frente da casa
e não te acenam mais.

Acenam para o jardim desolado
por hábito, medo da morte, perplexidade.
E pela sagrada Luz do Astro-rei
que ainda estremece
face ao teu (reen)canto.

Ainda assim, mãe
é noite em teu jardim cósmico.
Por mais que amanheça,
por mais que floresça
o meu olhar vaga -
lume...


(Eugenio Santana, jornalista, escritor)


"Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho."

(Carlos Drummond de Andrade
- mineiríssimo como eu)

sábado, 26 de novembro de 2011

DETERMINAÇÃO




A diferença entre as pessoas comuns e as bem-sucedidas é que as pessoas que têm sucesso não ficam perdendo tempo discutindo suas limitações, elas as transcendem.

Recebem sua cota justa de obstáculos e continuam em frente apesar disso. Às vezes ficam machucadas e até feridas emocionalmente, mas se levantam e recomeçam.

O poder de realizar os próprios sonhos. A força de tornar real o objetivo. Algumas pessoas parecem ser predestinadas a marcar sua passagem por este planeta. Não pense que elas são beneficiadas pelo destino, ou escolhidas por uma “conspiração astral”.

Elas apenas ousam realizar. Você também pode ser assim. Quantos sonhos você deixou de realizar por não se sentir capaz? Como pode saber se é ou não capaz, se não tentar?

Gente bem-sucedida, não nasceu predestinada. Apenas ousou lutar por seus ideais.

O caminho de quem tem sucesso não é ou não foi fácil. Por vezes, os obstáculos foram tantos que a vontade de desistir foi maior, vencendo muitos que almejavam destaque.

Mas, para muitos, a realização foi plena e eles marcaram sua existência.

Não se abata com as dificuldades ou com o agouro de quem o desanima. Não escute aqueles que martelam ao seu ouvido que você não é capaz. Lute por seus sonhos determinadamente.

Determinação foi o que John F. Kennedy personificou em 1961, quando disse que colocaria um homem na Lua antes do final daquela década.

Determinação foi a força que levou Walt Disney a perseverar em construir seu sonho, apesar de ter de declarar falência por cinco vezes.

Eu sei que preciso usar a determinação dos outros como inspiração quando sinto que o vértice da gravidade me puxa para baixo e as coisas parecem difíceis demais.

Lembro-me: outras pessoas já fizeram isso e eu também posso fazer. Só preciso de determinação para continuar em frente.

“Ninguém pode construir em seu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida – ninguém exceto tu, só tu.”

(Copydesk/fragment by escritor/jornalista Eugenio Santana)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

TEMPO DE CRISÁLIDA (*)




É preciso transpirar uma nova realidade para poder vivenciá-la. Enquanto não nos posicionarmos e não fizermos a escolha, viveremos no mundo que não escolhemos. E nem desejamos. Este é um momento de con-vocação, de re-união, de re-construção. O chamado já está sendo feito; que possamos atendê-lo e nos seja dado o privilégio de nos tornarmos a mudança que queremos ver no mundo, como nos ensinou Mahatma Gandhi.

É preciso deixar morrer. É preciso aprender a liberar o que já não é mais. Há partes de nós que resistem, apesar de obsoletas. Que certezas carregamos sem questionar?

Onde estão nossas dificuldades de aceitação que não nos permitem sair do sofrimento?

Há tempo para tudo na vida. Mas é preciso deixar morrer a lagarta. A semente do que fomos e as ilusões nas quais construímos nossa visão de mundo foram uma etapa necessária da existência, mas chega o momento da transformação. Aquilo que era bom não representa mais o futuro.

A segurança não pode ser medida pela convicção, mas pela habilidade de duvidar e, mesmo assim, ser capaz de seguir em frente. A lagarta é a promessa do que podemos nos tornar; contudo, não é a experiência completa nem um fim em si mesma. É uma etapa inicial, acertadamente percorrida. A infância da vida, o desabrochar da inocência, a experimentação da realidade.

Então há o momento de deixar a lagarta morrer. Esse é o tempo da crisálida. Quando saímos das certezas aprendidas para as verdades elementares. Introjetamos a experiência e repassamos a vida pelo crivo caloroso da essência. Existe alegria, júbilo nessa vivência, pois não há nada melhor do que renascer. Nascer pode não ser uma escolha, mas renascer é fruto da consciência que acorda e deixa morrer aquilo que não vive mais.

Claro que, como qualquer das passagens da existência, tornar-se crisálida não é uma experiência isenta de tumulto. Há estertores da antiga lagarta que resiste em desaparecer, sem compreender que de fato se transforma em algo maior e melhor. A crisálida contém a lagarta, mas vai muito além dela.

Essa interiorização a que a crisálida convida é um estado reflexivo, de harmonização entre o ser e o fazer, entre o desejo e o destino. É a edificação da consciência em estado de maturidade. É, ao mesmo tempo, um estado de insensatez, de loucura, de fazer coisas inesperadas, fora do senso comum. É preciso muita maturidade para enlouquecer de forma sensata.

Loucura mesmo é permanecer lagarta. Arrastar-se por aí, sem perceber a magnificência da vida. Acordar e dormir sem perceber que o tempo entre esses dois momentos é o mais significativo. Não será em nenhum outro dia, nenhum outro momento e nenhum outro lugar. Especialmente, não precisamos ser outra pessoa para nos transformarmos.

O ser que somos já basta. É preciso lembrar que a lagarta é semente e que a experiência acumulada é a matéria-prima na qual podemos construir o casulo que vai abrigar a crisálida.

É tempo de se voltar para o interior, a essência. Um momento de recolhimento das distrações do mundo. O sabático do cotidiano. Na aparência, aos olhos apenas focados no exterior, a crisálida é um casulo de morte. É o fim da lagarta e nada mais se vê.

Não há beleza nem movimento, nenhum tipo de ação. É o fim de um ciclo, mas não se pode adivinhar o que virá daí. É preciso aprender a confiar no fluxo, acreditar no sábio processo da natureza, que fará revelar aquilo que pode ser.

Muitos observadores desavisados vão condenar a crisálida. Vão apontar suas deficiências, suas perdas, suas dificuldades, sua fragilidade. Contudo, não se pode confiar na impressão das outras lagartas. Cada uma delas também haverá de experimentar o mesmo processo, cada uma a seu modo, porém lagartas não estão prontas para compreender a crisálida.

O que é uma aparente deficiência pode ser, de fato, um redimensionamento da experiência de existir. O que é percebido como perda pode, na verdade, ser um desapego libertador. As dificuldades nada mais são do que a consciência em pleno exercício, percebendo mais e, portanto, experimentando coisas e situações novas. É do falsamente frágil que surge a força, o vigor, a vida.

Por falta de experimentação, o vocabulário das lagartas condena a experiência de crisálida.

A resistência se organiza, a crítica se intensifica, mas o processo não pode mais ser interrompido. Uma vez que a lagarta comece a se transformar, já não há mais volta. E é desse recolhimento, dessa autoimolação do passado que surgirão as condições para o desabrochar de uma nova experiência, mais ampla, mais rica, além de qualquer aspiração.

Da antiga lagarta se tem a experiência do corpo. Dos desafios vividos nascem as antenas da percepção. Da entrega surgem o veludo e as cores. O ser se apresenta além das restrições e, de par em par, desdobra suas asas e se permite voar para esse lugar mítico chamado felicidade.

É para lá que estamos todos fadados a seguir.


(*) Eugenio Santana é escritor, jornalista, ensaísta, publicitário, copydesk, versemaker, editor. Autor de livros publicados.

BLUE FISH




BLUE FISH (*)


- Eugenio Santana


O peixe Azul e cego
nada nas águas escuras
do Oceano.
Refém de si mesmo.

Sabe que o êxtase existe,
mas é melhor apreciá-lo
após intermináveis vivências
com a Dor.

O peixe azul e cego
nada, rumo ao nada.
Vive fragmentado, ameaçado, acossado.
Mapas e bússolas
são indicadores de seguras rotas?
Inúteis para os peixes
Azuis e cegos.
Embora roteiro de navegação
não garante travessia
de luz ou sombra.

Ainda que o remédio seja amargo,
a aceitação do sabor
é a lição do amor.

E o peixe Azul?
NADA...



(*) Extraído do meu livro “FLORESTRELA”.
Hórus/9 Editora, Goiânia-GO, 2002, página 20.

sábado, 19 de novembro de 2011

O SOL CONTINUA BRILHANDO...




DEUS é como o sol, simplesmente brilha. Dá seu calor e sua luz. Bem, podemos ficar ao calor e à luz do sol, ou podemos afastar-nos dele. Mas, quando nos afastamos, sabemos que ele não deixa de existir. O sol continua brilhando. Podemos sair do sol, trancar-nos numa masmorra escura onde ele não pode nos alcançar. Podemos ficar escuros e frios ali, mas sabemos que o sol não muda. Nós é que mudamos. Mas também sabemos que sempre podemos voltar para a luz do sol. Ela sempre está ali à nossa disposição. É a mesma coisa com o amor de Deus. Ele é incondicional – cósmico – constante e permanente. É como a luz e o calor do sol. Está sempre ali ao nosso alcance.

Às vezes, acho que DEUS é algo semelhante a uma tomada elétrica. Há uma força imensa que pode ser captada por meio de uma tomada elétrica. Há força suficiente para iluminar uma sala, para aquecer um cômodo, para fazer tocar música ou mostrar as imagens da TV. E a tomada, a forma de nos conectar com o poder de DEUS, é a FÉ. A Fé é o canal para estabelecer nossa ligação com DEUS. É nossa Fé que liga a tomada e libera o poder de DEUS.

(por Eugenio Santana, escritor, jornalista)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O TEMPO NÃO PÁRA NO PORTO, NÃO APITA NA CURVA, NÃO ESPERA NINGUÉM




Viktor D. Salis, filósofo grego contemporâneo, nos remete à sabedoria eterna de Sêneca, que falou do tempo e da arte de viver em serenidade: “O tempo se contrai na mesma proporção em que não temos tempo para nós mesmos e para a vida. Daí advém essa intranqüilidade de alma e essa angústia – ou neuroforia – de que o tempo passa sem que tenhamos tido tempo para viver. Mais uma vez somos nós que arrebatamos de nós mesmos esse bem precioso e único chamado vida: e ela, mais que ninguém, exige tempo para gastar. Assim, sempre ocupados, fugimos da inovação, caímos na monotonia e não vivemos como queremos, mas do modo como as circunstâncias nos conduzem. Nossas intensas preocupações são disfarces para nos subtrairmos da vida, porque não suportamos a solidão, o abandono de nós mesmos, o ostracismo, e até a nossa própria casa.

Intoleráveis aos outros e a si próprios talvez sejam os viciados em trabalho, os que abriram mão da alegria e da naturalidade, renunciando às alegrias do viver em harmonia com os dias pássaros que passam – voando com as asas do tempo, as pessoas, coisas e elementos da natureza. Assim, a vida nos abandona, em meio aos preparativos para a vida melhor, que sempre colocamos em um futuro hipotético, jamais no lugar em que estamos, ou nas situações de vida que nos chegam. E a suposta vida boa, que projetamos na realização de desejos de consumo de coisas ou pessoas, quando vem, chega muito tarde, quando já não temos saúde para desfrutar daquilo que tanto ambicionamos. De que adianta estarmos abastados, estando velhos e acabados, tendo de gastar com médicos e exames aquilo que foi miseravelmente tirado à vida real, que perdemos por não percebê-la...

Salis nos lembra: já na Roma antiga Sêneca vivia a vida frenética de uma metrópole, e sabia do quanto perdemos de vida, ao criar tempo psicológico em nossas mentes caóticas pela vertigem das insaciáveis necessidades: “Na verdade, não é curto o tempo que temos, mas longo o seu desperdício. Somos esbanjadores do tempo e da vida em idiotas, estéreis e inúteis atividades. Quando temos tempo, encontramos formas de anestesiar-nos, para não pensarmos muito e não encontrar meios de recriar nossas vidas com o tempo de que dispomos. Assim, bebemos e comemos em excesso, ou nos cuidamos em demasia.”

Sim, por toda parte, nos outros e em nós mesmos, está escrito que somos pródigos em desperdiçar o tempo, sendo ele a única coisa – embora ilusória – em relação à qual deveríamos ser muito avarentos. Se o tempo tanto salva quanto mata, devemos gastá-lo com sabedoria.

(por EUGENIO SANTANA, jornalista, escritor)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ENTRE O CREPÚSCULO E A AURORA




A divisão entre um dia e outro é decerto uma das mais profundas peculiaridades da vida neste planeta.

Tudo considerado, o arranjo é providencial. Nós estamos condenados a vôos prolongados de existência, mas somos constantemente renovados por breves férias de nós mesmos.

Somos pessoas intermitentes, sempre sucumbindo a pequenos términos e surgindo para novos recomeços.

Nossa consciência facilmente fatigada nos é parcelada em capítulos, e, gostemos ou não desse fato, é geralmente verdade que o mundo parecerá muito diferente amanhã. E que coisa maravilhosa é também o encaixe entre a noite e o sono, doce imagem sua, tão precisamente ajustado à nossa necessidade. Os anjos devem assombrar-se diante desses seres que escapam tão regularmente do estado de consciência para uma escuridão infestada de fantasmas.

Como nossas frágeis identidades sobrevivem a esses hiatos, nenhum filósofo foi ainda capaz de explicar.

A natureza humana possui maravilhosos poderes e nos reserva algo de bom em prontidão para que quando menos esperávamos por isso.

Houve vezes em que adormeci aos prantos, mas em meus sonhos surgiram as mais cativantes formas para me consolar e animar, e levantei-me na manhã seguinte renovado e alegre.

Voltaire diz que os céus nos deram duas coisas para compensar as inúmeras misérias da vida: a "esperança e o sono". Ele poderia ter acrescentado o "riso" à lista.

(Copydesk/fragment by Eugenio Santana, FRC)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O TIGRE E EU




“A FERA” – Guardo, sob a cama, um tigre. Quem me visita cobre-se de espantos. Mas não sou dado a delicadezas. O tigre anda solto pela casa. Trata-se de um animal insaciável, inteligentemente feroz, preciso como a equação de Schrödinger.

Acontece que sou de inusitadas atitudes. Ao despertar, encharco-me de chocolate quente e torradas besuntadas de geléia de damasco. O tigre observa. Antes do almoço, leio os jornais. O tigre observa. Ao entardecer, estiro as pernas num pufe revestido de veludo e ouço músicas clássicas e new age. O tigre observa. Faço de conta que o ignoro ai tão próximo de mim, majestosamente sentado no tapete. Mas eu também o observo. Esta permuta de nosso diálogo mudo.

De tanto observá-lo, descobri o segredo capaz de explicar por que os tigres se encolhem em gatos...

(by Eugenio Santana – fragment/copydesk)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

É INDISPENSÁVEL OLHAR PARA A VIDA COM UM ENFOQUE HOLÍSTICO




Nós somos lindos pontos compondo este Universo. É preciso olhar para a vida com um enfoque holístico, ampliando os olhos físicos até a visão do Universo, onde os caminhos são sutis e intensos, para ter a visão macro, da pureza da essência – e então, a alma fará a leitura. É a abertura que a consciência expandida proporciona. É hora de abrir as mãos e deixar a sabedoria voar com um beija-flor para que novos pássaros possam pousar e atrair milhares de outros, de muitas cores, de muitos nomes e muitos lugares.

(copydesk/fragment by Eugenio Santana, FRC)