terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

QUETZALCÓATL




Deus pássaro-serpente ou serpente emplumada da América Central. Além de deus que morria e renascia foi um grande monarca da civilização.
O nome de Quetzacóatl combina “pluma de cauda” com “serpente”, o que ressalta a sua complexa natureza. É o céu e a terra, a luz e a escuridão, a vida e a morte.
Governante tolteca semi-legendário é quase certo que Quetzalcóatl foi um rei-sacerdote. Parece que, como se entregou à embriaguez e à sensualidade, simulou a sua própria morte, abandonou a capital tolteca e atravessou o mar.
Em 1200, o Império dos toltecas, cujo centro se encontrava na planície mexicana, estava em ruínas, mas ainda persistiam recordações de um grande governante que tinha incendiado o seu palácio, enterrado os seus tesouros e partido para o mar, luzindo a sua insígnia de penas de cauda.
Posteriormente, Bernardino de Sahgún escreveu na História das coisas da nova Espanha: “Na cidade de Tollan durante muitos anos reinou um soberano chamado Quetzalcóatl. Foi um governante de extraordinária virtude e o posto que este monarca ocupa entre os nativos é semelhante ao que os ingleses designam ao rei Artur.”
É possível que, como ARTUR, Quetzalcóatl embarcasse em uma balsa de serpentes rumo a um país encantado. Talvez também atravessasse o mar até a Península de Yucatán e morresse, talvez queimado em uma pira como a ave fênix. Para dizer a verdade, os maias que habitavam a região consignaram em 987 a chegada de Kukulcán. “a serpente emplumada”, e o estabelecimento de um novo Estado.
Os astecas, que governaram a planície mexicana desde os princípios do século XIV. Consideraram-se sucessores de Quetzalcóatl a fim de justificar o seu estado militar. No entanto, exageraram a prática tolteca dos sacrifícios humanos e converteram o culto da serpente emplumada em um dos mais sanguinários da história dos índios da América Central.
Cada ano os astecas sacrificavam centenas de guerreiros a Quetzacóatl a fim de que o deus renovasse as suas forças e a sua virtude. No caso do deus, a bebida criou uma ânsia insaciável de morte, ao que finalmente sucumbiu, atravessando o oceano sobre uma serpente para chegar a Mictiam, a Terra dos mortos.
Em 1519-1521, o conquistador espanhol Hernán Cortés aproveitou a profecia segundo a qual um dia a serpente emplumada retornaria do mar e reclamaria o seu trono. O rumor do regresso de Quetzalcóatl inquietou tanto o imperador asteca Montezuma que encheu de presentes o templo de Mictlantecuhtli, incluídas as peles de homens esfolados, e ansiou que a paz dominasse o reino do deus da morte.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que possa acrescentar algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

QUEM FOI CIORAN




O filósofo Emil Michel CIORAN nasceu a 8 de abril de 1911 em Rasinari, uma pequena cidade na Transilvânia (Romênia), e morreu no dia 20 de junho de 1995 em Paris, onde passou a viver em 1937.
Desde a adolescência começou a estudar filosofia e a sofrer a influência das idéias de Schopenhauer, Nietzsche, Kierkegaard, Léon Chestov e Henri Bergson.
CIORAN começou a elaborar, a partir de seu primeiro livro – “Sobre os Cumes do Desespero”, publicado em 1934 – uma obra marcada por um niilismo radical que se afirma logo nos títulos: “O Livro dos Logros”, “O Crepúsculo dos Pensamentos”, “Breviário de Decomposição”, “Silogismos da Amargura”, “A Tentação de Existir”, “Do Inconveniente de Ter Nascido”.
Pessimismo e melancolia são os sentimentos presentes em seus aforismos, textos curtos que encerram uma lição moral que Cioran adotou inspirando-se nos moralistas franceses do século 18, como La Rochefoucauld.
Seu pessimismo o conduziu por fim ao ceticismo, como último refúgio para o pensamento após a falência do projeto de construir a verdade absoluta.

(EUGENIO SANTANA, FRC é escritor, jornalista, poeta, editor, publicitário e ensaísta literário. Livros publicados.)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A NOSSA MAIOR DÁDIVA. O SIGNIFICADO DA NOSSA VIDA




Qual a razão pela qual as flores murcham quando são tocadas por algumas pessoas? É a mesma razão pela qual uma coisa semelhante nos acontece. A presença de uma pessoa nos entedia, não conseguimos suportá-la; a presença de outra pessoa nos atrai. Ocorre o mesmo com as flores. Porém, o fenômeno por trás disso tudo é o amor. Tudo o que é tocado por uma pessoa que carece desse elemento morre; se ela toca uma flor ou se toca um assunto pessoal ou profissional ou se toca uma criança, tudo o que ela toca é destruído. Pois o amor é, em si mesmo, uma essência, a essência; é o sinal do espírito. Tudo o que uma pessoa toca com amor recebe luz e vida; e a falta de amor causa toda a morte e decadência.
O amor é a nossa principal emoção. O amor também é uma força metafísica, uma outra dimensão – uma energia tão poderosa que estamos apenas começando a redescobrir a sua magnitude.
O amor é o nosso caminho, a nossa ligação com a bondade, e como esta, ele nunca esgota. O manancial e o fluxo do amor estão sempre presentes, à espera de que nos liguemos a ele.
O amor é ma direção que podemos seguir, uma escolha que podemos fazer a cada momento da vida. E quando a escolha parece confusa, difícil ou praticamente impossível, a dádiva do amor está presente, de graça.
Não podemos ser donos do amor; porém, ele circula pelo mundo e através de nós o tempo todo, de modo que somos amor, uma parte dele, e ele é uma parte de nós. Certamente podemos estimulá-lo a entrar na nossa vida e ativar a consciência que temos dele. E sem dúvida, podemos usar o amor na nossa vida – o tempo todo. O amor está presente, dentro de nós e à nossa volta. Temos capacidade de pensar e podemos usar o poder da mente para nos ligar ao amor sempre que o amor aparece. Ele é a nossa maior dádiva. Ele é o significado da nossa vida.

(por EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que possa acrescentar algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

SOME SUAS ALEGRIAS E NÃO CONTE JAMAIS AS SUAS TRISTEZAS




Sei que as pessoas sofrem tragédias reais neste nosso mundo imperfeito. Elas perdem filhos, cônjuges, pais e amigos – às vezes em circunstâncias horríveis. As pessoas contraem câncer, esclerose múltipla, Aids, e outras doenças degenerativas. Sofrem inenarráveis abusos nas mãos de outros. Todas estas coisas são verdadeiras, mas tragédias não precisam impedir a pessoa de ter uma perspectiva positiva, ser produtiva e viver uma vida plena.
Enterre seu sofrimento egoísta. O sofrimento que o impede de ser feliz, o impede de pensar positivamente e de ajudar outras pessoas.
Some suas alegrias e não conte jamais as suas tristezas. Olhe para o que você deixou para trás em sua vida; não olhe para o que perdeu. Em momentos de sofrimento você fica tão engolfado e absorvido pelo choque, pela dor e pela tristeza que perde de vista as alegrias que ainda estão vivas sob o manto do sofrimento. Decida-se a descobrir suas alegrias submersas para que respirem e floresçam novamente!
Há muitas coisas pelas quais você deve ser grato, mesmo que não sinta gratidão comece por recordar. Reviva suas lembranças felizes. Rememore a grande coleção de experiências alegres que viveu no passado. Com certeza já lhe aconteceram coisas maravilhosas.
Um poema de autor não conhecido tem sido um bom conselheiro para mim:
Conte o jardim pelas flores,
E nunca pelas folhas que caíram.
Conte seus dias pelas horas ensolaradas,
Nunca pelas nuvens.
Conte suas noites pelas estrelas,
Nunca pelas sombras.
Conte sua vida pelos sorrisos,
Nunca pelas lágrimas.
E, com a alegria de cada aniversário,
Conte a idade pelos amigos, não pelo passar dos anos.

(por EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que possa acrescentar algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

DEUS É ENCONTRADO NA ALEGRIA, NO AMOR, NO SOFRIMENTO E NA SOLIDÃO. SUA PULSAÇÃO É A PULSAÇÃO DO UNIVERSO




Aquilo que somos é um presente de Deus para nós e aquilo que nos tornamos é nosso presente para Deus. O grande e infinito Deus pede a você e a mim, tão limitados e finitos: “Será que você poderia – será que vai – confiar em mim?”
São João define Deus como amor. Amor é o que Deus é imutavelmente, e Jesus é a revelação do que é Deus.
Devemos orar e meditar sobre a natureza estável de Deus. Os teólogos chamam-na de “imutabilidade”. Deus é sempre o mesmo. Não pode ferir, nem ser ferido. Não está sujeito ao calor, nem ao frio, aos altos e baixos, às emoções volúveis que nos afetam.
O sol só brilha, assim como Deus só ama. É da natureza do sol brilhar, dar seu calor e sua luz. É da natureza de Deus amar, dar o calor e a luz de seu amor para nós.
A única alternativa seria descobrir na morte o que nunca soubemos em vida, e lamentar como santo Agostinho: “Tarde demais, tarde demais, ó Senhor, Amei-O... A memória é realmente um privilégio triste”.
Por baixo da beleza ou feiúra da superfície, num nível mais profundo da existência, há uma pessoa, uma pessoa que sente solidão e amor. E, de algum modo, num nível mais profundo ainda, no centro dessa pessoa, está Deus. Ele está na luz do céu, na brusquidão da tempestade, no primeiro choro do bebê recém-nascido e no último alento do agonizante. Sua pulsação é a pulsação do universo.
Deus é encontrado na alegria, no amor, no sofrimento e na solidão. Não há nada em toda a criação que não seja tocado por sua presença. Está presente na escuridão do desespero e na luz da esperança. Está na gargalhada e no grito de dor. Está em pleno meio-dia e nas horas mortas da noite. Não há estrela distante, nem gota d’água no fundo do mais profundo oceano, nenhuma montanha, rocha ou frágil folha de grama que não compartilhe, de algum modo, Sua vida e não revele Sua pessoa.

PERGUNTAS A DEUS

Que ou quem és Tu?
- O Infinito Incognoscível.
Qual o Teu nome?
- Quem pode nominar o Inominável?
Onde estás Tu?
- Dentro e fora de Tudo, em toda parte.
Que sabes Tu?
- Tudo o que já houve, o que o há e o que ainda haverá.
Que podes Tu?
- Todo o sabido e não sabido.
De que Te alimentas?
- Da vida e da morte, perenemente.
Se vives, o que respiras?
- A Essência de Tudo.
Quais são as Tuas Obras?
- Tudo quanto já existiu, existe e existirá.
Quais são os Teus espaços?
- Os Universos, os Cosmos.
Tens algum tempo?
- Que tempos há de ter o Infinito?
Qual a Tua fala?
- O silêncio absoluto, que se traduz na Voz das coisas.
Sob que formas Te apresentas?
- Sob todas as formas, visíveis e invisíveis.
Qual é a Tua essência?
- Espírito.
Qual a Tua finalidade?
- O Amor.
Podemos adorar-Te?
- Sim: amando e servindo, a Tudo e a Todos.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que possa acrescentar algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

ATEMPORAL (*)




Vivenciei profundezas
Daí-místicas...
Douradas esferas,
Astral espera – mirações.
Vôo rumo à Transcendência
Da Consciência Cósmica.
Busca do Self
Mergulho infinito.
Abrangência alquímica
Meta ciberespaço mental?
Espaço/tempo.
Atemporal...

Jaraguá do Sul, SC, 1999

(Eugenio Santana, FRC)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A CARTA DE ROSEMARY... (*)




Meu querido e inesquecível Eugenio.
Emudeci diante do encantamento de sua carta. Enrolada num tempo que não existe, passei em silêncio, como se eu fora o vento ou simplesmente nada.
Luz e fragrância. Sussurro de brisa em tardes de verão. Viajei por entre nuvens. Extasiei-me com as estrelas, banhada de luar. Suas palavras me levaram ao sabor das águas por onde navega o barco do seu coração. Incomparável Eugenio!!! Como pode tanta grandeza, sabedoria e inspiração?
Percebo neste instante, o quanto perdi por não ter quebrado antes esta distância. Mas eu estava absorvida pela música de sua alma. Recostei minha cabeça e emudeci. Meu lenitivo era ler todas as noites a sua carta-poema.
E a sua angústia ao despedir-se de seu pai. Esta ausência dilacerante. O seu sofrimento único e solitário. E eu, frágil, em silêncio. A minha prece. Tímida. Sentida. E as “velhas cicatrizes”?
E eu, perdida num nevoeiro. Quando deveria largar tudo e ir ao seu encontro. Oferecer meu abraço. Entoar cantigas de ninar. Inventar um bálsamo para todas as cicatrizes.
Na verdade, querido escritor e inimitável poeta, amado irmão, somos iguais.
Tantos sonhos e pés atados. Tanto encantamento sofrido.
Hoje, tomei coragem. Aqui estou para lhe oferecer um “chá” temperado com ternura, ouvir o seu desabafo, rir e chorar com você. Sinto a sua presença. É a comunicação perfeita. De milênios. É como se tivéssemos os dedos na alma que nos permite tocar e se encantar com tão pura amizade.
Amo o seu coração. Conte comigo sempre.
Simplesmente e adoravelmente encantada.
ROSEMARY LOPES
PS: Em breve, mandarei o prefácio. Desculpe-me pelo atraso. Muitas dificuldades nos impedem de descobrir os tesouros da alma. Beijos. Rose. 05/02/1998.
(*) ROSEMARY LOPES é jornalista e escritora. Fundadora e Editora-executiva do jornal “O RADAR”, de Apucarana, PR. Vale enfatizar que, é um dos poucos jornais no Brasil que ainda divulga e publica arte e cultura, inclusive alguns textos meus.

EM BUSCA DO PÁSSARO AZUL...




A busca da felicidade... tantas vezes idealística, irrealística, e às vezes aparentemente inatingível! A meta é necessariamente individual. Às vezes, para nossa tristeza, descobrimos que a grama apenas parecia verde no outro lado da rua e que o que faz uma pessoa feliz talvez não faça outra.
A felicidade não é completamente indefinível, embora seu significado seja diferente para cada pessoa. Pode consistir em boa sorte, alegria, prazer e contentamento, entre outras coisas. Mas para muitos o pássaro azul da felicidade parece inatingível, não uma ave que pousa constantemente em nossos ombros, mas algo difícil de cativar e de segurar nas mãos -transitório, efêmero e que está “sempre mais adiante”.
A psicologia atual enfatiza a necessidade de o indivíduo descobrir sozinho o que é a felicidade, lutando depois para alcançar esse objetivo. O indivíduo deve ter iniciativa pessoal, pois pouco alcança aquele que só espera. Entretanto, esse objetivo não pode ser alcançado à custa dos outros, pois nisso encontra-se a semente do descontentamento.
Existem inúmeras facetas no diamante da felicidade. Mas a pessoa deve buscar aquilo que seja suficiente para manter um estado de equilíbrio, um estado de harmonia.
O passar do tempo por si só não traz a sabedoria. Mas com a maturidade descobrimos que as coisas mais importantes na vida são a saúde, a família e os amigos, embora não necessariamente nessa ordem.
Muitas pessoas vivem no futuro. Elas costumam usar expressões como “em alguns meses..., em algumas semanas..., no ano que vem..., quando eu ficar mais velho.” Outras vivem no passado: ... ah se eu tivesse..., agora é tarde demais..., o que eu devia ter feito era...”. É muito difícil não recordarmos à medida que envelhecemos e muitos anos mais estão atrás que na frente. É também muito difícil não almejarmos o futuro quando o presente não é uma experiência muito agradável. Mas o importante é não nos esquecermos do agora, pois como foi outrora o futuro logo será o passado. É comum fazermos referência aos “bons velhos tempos”, mas esquecemo-nos de que os bons velhos tempos que serão lembrados no futuro são os próprios dias de hoje.
Lembre-se destes ditados: As melhores coisas da vida são gratuitas; a felicidade está logo à frente; conte suas bênçãos; sempre há esperança; sempre é mais escuro antes do alvorecer. Esses ditados são quase proverbiais, mas resistiram ao teste do tempo, pois geração após geração os repete. A felicidade sobeja e os meios de alcançar esse estado encontram-se bem perto.
Releia esses ditados, ou recorde outros. Medite sobre aquele que você acha ser uma útil aplicação à sua atual busca da felicidade.

(por EUGENIO SANTANA - Escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que possa acrescentar algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

LAPIDADOR DE DIAMANTES




Era uma vez um lapidador de pedras preciosas, pedras raras.
Lapidador é a pessoa que transforma uma pedra bruta, colhida da natureza, em uma bonita pedra polida, brilhante, exuberante e que pode ser usada pelo Homem para mostrar seu esplendor.
Esse lapidador adorava diamantes. O diamante é considerado a pedra mais dura que existe e é muito difícil de ser encontrada. Muito preciosa.
De todo seu trabalho, ele gostava mesmo era de lapidar diamantes. Ficava radiante quando tinha de trabalhar com eles.
Seu maior sonho era um dia conseguir o maior diamante que existisse na face da Terra, e ser seu, poder lapidá-lo, sentir depois seu brilho, seu esplendor.
Todo o tempo vago vivia procurando esse diamante.
Olhava em cavernas, em poços, em montanhas, em rios. Procurou até no mar.
Já cansado de tanto procurar e nada encontrar, foi que, caminhando para o trabalho um dia, teve seu sonho, inesperadamente concretizado.
Era um dia chuvoso, e ele tinha de passar por um campo com muitas árvores e pedras, campo esse que ele já revirara inteirinho em busca do seu diamante. Então um raio caiu numa árvore e derrubou-a, em cima de uma pedra, que se partiu ao meio, e de dentro saiu um brilho intenso, tão grande que lhe incomodou a vista.
Meio assustado com o raio, mas muito curioso pelo brilho, aproximou-se e viu que era um diamante, o maior diamante que já tinha visto.
Ficou radiante. Depressa, embrulhou-o no casaco e levou-o para o trabalho. Não via a hora de acabar de trabalhar para começar a lapidar seu diamante.
Chegou enfim a hora. Ele estava muito ansioso. Começou a trabalhar no seu diamante. Depois de muito polir daqui, raspar dali, esfregar acolá, estava quase terminado. Foi quando uma janela bateu com o vento. Ele, assustando-se; moveu o instrumento de lapidar equivocadamente, e o diamante, o maior diamante que já tinha visto, quebrou-se.
Quebrou-se em 144 pedaços.
Foi a maior tristeza. Ele começou a chorar. Seu sonho desfeito por um descuido seu, como poderia ser isso?
Guardou todos os pedaços num envelope, sem saber o que fazer com eles, e voltou para casa. Exausto de tanto trabalhar, e profundamente triste, adormeceu.
Naquela noite teve um sonho:
Viu-se diante de 144 crianças, todas vestidas de branco. O mais curioso é que no lugar do coração de cada uma existia um bonito diamante. Um pequeno diamante, igual aos pedaços do grande diamante que se quebrou.
Acordou assustado com o sonho, mas com uma idéia fixa na cabeça, ver os pedaços de diamante que tinha trazido. E foi a primeira coisa que fez, levantou-se e pegou o envelope.
Foi então que percebeu que todos os diamantes eram exatamente iguais ao grande diamante que tinha encontrado, o que o fez concluir:
Os pequenos diamantes guardavam em si as mesmas características do Grande Diamante de que um dia fizeram parte.

(por EUGENIO SANTANA - Escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que possa acrescentar algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

SEMPRE ILHA




Sempre.
Fizeram-me ilha,
Filha.

Sempre.
Asa de um coração
Infinito.

Ainda que – náufrago
Em perdida ilha, filha.

Antigas vidas, filha.

Sempre.

Fizeram-me Ilha,
Filha.

Sempre.

Reencontro?
Muito além
Do Plano Infinito!

E seremos – juntos
Eternos.

Com ternura, filha.

Sempre.

Florianópolis-SC, 09/09/99

(Para Nuria Liz)

Por Eugenio Santana – Escritor, Jornalista, Poeta, Crítico literário, Rosacruz, publicitário e Editor.

OSTRACISMO




Ostra esquecida,
Perdida.
Inacessível no profundo fundo
Do mar.
Oceânicas distâncias.

Aparição do Holandês Voador?
Fantasmagórica neblina marítima...
Meu albatroz companheiro de jornadas infindas
Alçou vôo e me deixou – abandonou a proa.
Amanhã – sem nenhuma angústia,
Serei pérola preciosa,
Rubi-talismã – diamante azul.

Brilhante pêndulo oscilando
No coração opulento
De alguma futurista rainha,
De origem celta ou druida.

Guerreira alma-irmã,
Herdeira de um ostracismo milenar
Que não é só meu.

Florianópolis-SC, 09/09/99

Por Eugenio Santana – Escritor, poeta, jornalista, publicitário, editor. Autor de livros publicados.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

ELA É UM LIVRO MÍSTICO E SOMENTE A ALGUNS É DADO LÊ-LA




Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.

Deixa que minha mão errante adentre.
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra a vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha mina preciosa, meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.
Déia que minha a mão errante adentre
Atrás, na frente
Em cima, embaixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão
Meu selo gravo
Nudez total
Todo prazer provêm de um corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes
Como encadernação vistosa
Feita para iletrados
A mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico
E somente a alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la

Eu sou um que sabe
Um, um

(copy-desk by Eugenio Santana – jornalista cultural e investigativo de mídia impressa, Editor, Publicitário, Escritor, Relações públicas, Coordenador de RH, Gerente Administrativo/financeiro; Gerente Comercial, Consultor de negócios. Livros publicados. 18 prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia, em âmbito nacional.)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A CADA MANHÃ, O RENASCER. ESTAR VIVO É MILAGRE PERMANENTE




Entre mortos e feridos, cascatas de pedras a atulhar esperanças, o grito alucinado frente à enxurrada de mazelas, estou vivo. Estar vivo é milagre constante. Por muito pouco a vida se esvai: um coágulo de sangue no cérebro, um tropeção, o vírus, o tiro, o acidente de trânsito, um acaso, o esgarçamento ético, a desprovisão moral.
A cada manhã, o renascer. Agora sei por que o bebê faz manha à hora em que o sono começa a vencer-lhe a resistência. Teme a morte, a segregação do aconchego, o retorno às cavernas uterinas. O sono apaga-lhe os sentidos, a consciência, o (con)tato com mãos e olhares afetuosos.
Crescer é dormir sem medo. Confiante de que há de se acordar no dia seguinte. Quero despertar amanhã e espero que não apenas do sono. Também dessa letargia que me acossa, desse propósito de inconsistência que me assalta, dessa lúgubre angústia de andarilho que, além de perder o mapa, perdeu-se no mapa.
De minhas ranhuras brota delicado som de flauta. Não sou dado ao absinto e sei que a vida é aposta. Todas as minhas fichas estão postas no tabuleiro dos deserdados. Jogo ao lado dos perdedores. É apenas isto que me interessa: ao faminto, o pão e a paz. De que valem todos os poderes do mundo se não enchem um prato de comida? De que valem todos os reinos se não plenificam a alma com o gosto da uva?
Não sou engaiolador de pássaros. Quero-os vivos, o vôo arisco enrugando ventos. Quero-os saltitantes entre flores que cultivo em meu canteiro íntimo. Quero-os gorjeando melodias matutinas. Quero-os despertando-me, sem, contudo me provocarem a vertigem das alturas.
Chega de abortos! Quero a vida despontando na cidadania inelutável, na teimosia dos inconformados, na ociosidade intemporal dos mendigos, nas mulheres condenadas a bordar dores incolores, na despossuída humilhação dos que clamam por um pedaço de terra, de chão, de casa, de direito. Tenhamos todos acesso à vida, distribuída à farta como pão quente pela manhã, sem jamais temer as intermitências da morte.
Quero um tempo dos livros saboreados como pipoca, o corpo saciado de apetites, a mente livre de despautérios, o espírito matriculado num corpo de baile, ao som dos mistérios mais profundos. E de pássaros orquestrados pela aurora, rios desnudados pela transparência das águas, pulmões exultantes de ar puro e mesa farta de manjares dionisíacos.
Reparto meu pão com soldadores de afetos, dançarinos trôpegos de incertezas, duendes que povoam alucinados meu imaginário, musas incorrigíveis de meu crochê literário, anjos protetores de minha débil fé e magos que revelam o pior de mim mesmo. Neste mundo desencantado, mas não redimido, nele sorvo a minha redenção como as anfípodas que, no fundo dos oceanos, se banqueteiam de flocos de matéria orgânica.

(por EUGENIO SANTANA - escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que possa acrescentar algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ÍDOLOS e falsos deuses




Eis o automóvel, ídolo esbelto e lépido que atrai a criança, o jovem e o adulto para o seu conforto, mas talvez com infortúnios que tem trazido a muitos.
Símbolo de “status”, de riqueza, da independência de locomoção para qualquer lugar, desperta em muitas mentes a pretensão de domínio de um homem sobre outros. Conduzir um automóvel proporciona o falso sentido de amplidão de liberdade, estimulando até atos agressivos para com nossos semelhantes, e por incrível que pareça, alguns psicólogos recomendam que pessoas tímidas ou recalcadas em seu interior, dirijam veículos, para aumentar sua expressão de autoconfiança.
Vivenciamos na TV, muito do que gostaríamos de expressar, mesmo que os heróis adotem condutas não convencionais. Transportamo-nos mentalmente para as cenas e imaginamo-nos realizando tanta coisa que não fazemos normalmente.
A TV constitui-se num ídolo dominador e manipulador. As últimas estatísticas revelam que, na média, os aparelhos de TV permanecem ligados por mais de 8 horas diárias e assim se pode avaliar quanto tempo estamos ligados ao vídeo e que talvez pudesse ser dirigido para propósitos mais construtivos.
O jogo exerce muita influência na mente humana. Ganhar no jogo é usufruir daquilo que outros perderam, portanto, exige do vencedor uma reposição compensatória. A expectativa da vitória torna-se obsessão e o jogador tem sua mente voltada para o resultado imediato. Estudiosos da psique afirmam que o jogo constitui-se no pior dos falsos ídolos, pois é dele que se originam os demais vícios.
Outro ídolo para o qual transferimos pensamentos é aquele muito ligado à nossa vaidade – o consumismo desenfreado, motivado pela publicidade intensa. Somos levados a comprar mais, ter mais coisas, mesmo que sua efetiva necessidade seja pequena. É um dos ídolos do nosso tempo que usa de seus tentáculos sobre o ego, que deseja e gosta de ser exaltado. Há, não resta dúvida, um grande “quê” de exibicionismo do ser humano em mostrar o que tem.
O relógio é o senhor que controla o tempo das reuniões entre amigos, limita momentos de confraternização e até estabelece o horário para os aspectos jubilosos da vida. O deus-relógio aperta nosso pulso e dirige cada passo que damos – muito tempo, pouco tempo, hora para isso, hora para aquilo. Poderá ensinar-nos a cumprir os deveres pessoais, sem, contudo, nos escravizarmos aos ponteirinhos maquiavélicos.
Existem ainda muitos deuses que dominam as mentes de muitos seres humanos: as drogas, o cigarro, o álcool, as idéias fixas, os pré-conceitos, os tabus, as crendices.
Ouso dizer que as pessoas têm o direito de viver bem e ser felizes. Ter uma vida harmoniosa, equilibrada, trabalhar em coisas construtivas para o bem da humanidade. Procurar organizar-se em sociedade cooperativa e constituir família integrada nos mesmos propósitos da comunidade. Cada um deve ter as oportunidades de expressar-se ampla e completamente. Trabalhar, amar, divertir-se e consagrar sua vida a objetivos elevados e dignos em consonância com a finalidade cósmica do Universo. Buscar verdades supremas que nos libertarão dos ídolos e falsos deuses, que a mente humana tem gerado com tanta avidez. Constantemente devemos questionar-nos sobre a melhor forma de ser feliz no contexto complexo da vida moderna.

(por EUGENIO SANTANA - escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que possa acrescentar algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)