quinta-feira, 31 de março de 2011

A BUSCA DE CULPADOS




Sempre é mais fácil achar um culpado para nossos problemas, erros e falhas. Não queremos assumir que o problema está em nós, e passamos a buscar culpados.

O discurso dos derrotados é aquele que tenta justificar todos os erros cometidos encontrando o erro dos outros. Por que as pessoas gostam de mostrar os erros dos outros? É para ver se desviam a atenção do seu erro.

Tem pessoas que sentem uma alegria mórbida em descobrir defeitos nos outros. Se você for honesto consigo mesmo, vai perceber que não adianta tentar achar culpados.

(por Eugenio Santana, FRC – Escritor, Jornalista, Poeta, Publicitário, Ensaísta literário, Copidesque e Editor. Autor de livros publicados.)

terça-feira, 29 de março de 2011

A CONEXÃO PELO CORAÇÃO E PELA ALMA CRIA A POSSIBILIDADE REAL DO PAR IDEAL




MUITAS MULHERES PASSARAM PELA MINHA VIDA, mas em cada uma delas faltava alguma coisa, ou alguma coisa estava demais. Então, um dia, eu a conheci. Era linda, inteligente, generosa e bem-educada. Tínhamos tudo em comum. Na verdade, ela era PERFEITA. Não fiquei com ela para sempre - embora chegamos a nos casar - porque infelizmente, parece que ela estava à procura do homem PERFEITO.

QUASE TODOS NÓS queremos encontrar a perfeição fora de nós mesmos. Criamos em nossa cabeça a imagem ideal da mulher ou do homem que buscamos, projetamos essa imagem em cima da namorada ou namorado, da esposa ou do marido, e queremos que ela ou ele corresponda a essa imagem.
Ao alimentar essa expectativa utópica, perdemos a capacidade de entender e gostar do ser humano "real" ao qual nos ligamos. E, muitas vezes, como ela ou ele não podem corresponder a essa expectativa - pelo simples fato de que ela é produto da nossa idealização e dos nossos desejos fantasiosos - acabamos, frustrados, por rejeitar a pessoa com quem nos relacionamos, quase sempre sem ter sequer "conhecido" essa pessoa.

A INSTITUIÇÃO DO CASAMENTO concebido nos moldes tradicionais vive uma crise de proporções avassaladoras. No entanto, segundo outros dados, obtidos a partir dos consultórios de psicoterapia, o maior desejo das pessoas continua a ser o encontro e a união amorosa verdadeira com alguém. Como este desejo não admite contestação, porque nasce das profundezas da alma humana e dele depende a própria sobrevivência da espécie, conclui-se que o problema não está na união das pessoas em si mesma, e sim na forma como essa união é entendida e vivida.

EM TODO CASAMENTO, de vez em quando aflora a pergunta: "Afinal, o que estou fazendo aqui? Será que todo esse esforço realmente vale a pena? Por que continuar, se o encanto inicial já murchou e se agora vivemos a machucar um ao outro?" Tristes questões, diariamente formuladas por milhões de malcasadas e malcasados. Poucos são os que conseguem boas respostas para ela.

INDICADOR CONFIÁVEL de que estabelecemos uma conexão pelo coração é a calorosa sensação de plenitude que sentimos na presença da outra pessoa. A afinidade que torna possível a relação consciente diz respeito à atração especial que provamos em relação a determinadas pessoas com as quais compartilhamos uma ressonância profunda e indefinível. Neste caso, o que se estabelece é uma "conexão pela alma".
A CONEXÃO PELA ALMA é a ressonância entre duas pessoas que percebem a beleza essencial da natureza individual uma da outra, a beleza que existe por trás das suas fachadas, e isso as torna capazes de se conectar num nível profundo. Uma sagrada aliança se estabelece entre as duas pessoas, e o propósito dela é ajudar ambos os parceiros a descobrir e realizar seus potenciais mais profundos.

ALGUÉM QUE NOS AMA muitas vezes é mais capaz de ver o potencial de nossa alma do que nós mesmos. Quando isso ocorre, tem um efeito catalisador: estimula e encoraja aquelas partes adormecidas ou pouco desenvolvidas de nós mesmos a desabrochar e se expressar.

DEVE-SE SEM DÚVIDA LUTAR com todas as forças para fazer com que nossos casamentos e nossas relações se transformem em conexões pelo coração e conexões pela alma, de modo a que seu propósito espiritual possa ser cumprido. Mas, por outro lado, deve-se ter também o discernimento e a coragem de perceber e aceitar quando isso não é possível. Qualquer relação não deve ser um eterno mar de conflito e sofrimento. E o bom senso deve prevalecer quando se percebe que se está, afinal, dando "murros em ponta de faca", desgastando-se inutilmente. Conexão espiritual verdadeira entre duas pessoas só é possível quando "ambas as partes" a desejam e batalham por ela.

(por EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Pertence à ALNM-MG, UBE/GO-SC, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados, divulgados de Porto Alegre a Porto Velho. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)

A CRIANÇA SIMBOLIZA O ESTADO DE PUREZA ORIGINAL




Uma expressão de dor, um pequeno gemido e uma dúzia de adultos ao redor entram em pânico. Um sorriso, uma risada, uma palavra dita desajeitadamente, e os que estão por perto são transportados a um estado de alegria, riem encantados, esquecem os problemas e preocupações. Um adulto até brinca e fala como criança, pelo prazer de mergulhar no estado primordial de unidade com a vida.
Uma criança de um a dois anos de idade confia em todos. Seu amor é universal. Ela sorri para qualquer um e faz amizade em um instante. Não reconhece rixas ou preconceitos e ignora disputas políticas. Não vê separação entre pessoas, nem percebe a si mesma como um ser independente. Amiga natural dos animais domésticos, ela inspira devoção nos cachorros e desperta a tolerância dos gatos.

É por esses e outros motivos que as crianças pequenas têm uma aura de divindade em torno de si. Elas não construíram uma couraça de proteção psicológica. Vivem a harmonia espiritual, e por isso não conhecem os perigos da vida.

Na memória inconsciente da humanidade, a criança simboliza o estado de pureza original. Ao mesmo tempo, ser criança é perigoso: implica uma inocência, um não saber, uma inadequação para lidar com as coisas do mundo e uma necessidade de ser protegido. O adulto sábio não deixa de ter a sensibilidade e a capacidade de aprender de uma criança. Mas ele defende esse encontro infantil com a sabedoria de um velho e com a vigilância de um guerreiro.
A CRIANÇA É A CONSCIÊNCIA CRÍSTICA. “Aquele que não receber o Reino dos Céus como uma criança não entrará nele” (Lucas, 18:17).
Uma criança que encanta a alma das pessoas com seu sorriso estimula nos adultos a capacidade de amar e de compreender. Recém-chegada do Reino dos Céus, ela traz consigo o perfume sagrado da etapa celestial que há entre uma encarnação e outra. Ela faz acordar a criança imortal dentro de cada um. O sorriso infantil que se abre como um sol cura instantaneamente as feridas da alma.

CRIANÇAS e jovens ensinam e estimulam três coisas essenciais ao coração dos mais velhos: a sinceridade, a simplicidade e a autenticidade. As artimanhas da astúcia devem ser abolidas para que possamos ser íntegros como uma criança e inofensivos como um beija-flor.
Cada um tem consigo o presente, o passado e o futuro. A CRIANÇA leva em si a semente de um velho, e o velho tem em seu peito um coração de criança.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Assessor de Comunicação, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Integrante da ALNM-MG, UBE/GO, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)

quarta-feira, 23 de março de 2011

O PÁSSARO E A ÁRVORE




- Sou mesmo – um Pássaro!
Alado – vôo ao seu encontro
Com imensas Asas de Amor...

Amo minha árvore frondosa,
Preferida e única:
Em sua copa
O meu pouso é seguro.

Os galhos – são seus braços-afagos
Tentáculos que me abraçam, carinhosos;
Seu tronco registra o romance – meu diário refúgio.

As folhas – sua úmida boca, amada
Aonde sacio a interminável sêde
De molhados beijos seus!

Ah, seus frutos sazonados!
O cardápio de delícias completa-se:
Acaricio – faminto - a árvore inteira.
O belo corpo – fruta saborosa
Não deve faltar à minha mesa.

E suas flores – amadárvore?!
Oferecem-me o perfume
Mais íntimo e secreto:
- o labirinto de vinte duas pétalas de rosas...

Minha árvore favorita
Sem você não há teto – nem afeto.
Alimento-me do seu Amor.

Não há Pássaro sem árvore
E não existe Árvore sem Pássaro!



(*) – Publicado no meu jornal lítero-cultural, “Verbo-Pássaro”,
em janeiro de 2007. Edição nº 15, Niterói, RJ

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Assessor de Comunicação, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Integrante da ALNM-MG, UBE/GO, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)

terça-feira, 22 de março de 2011

DÁ-ME DE TI TUA TERNURA




Dá-me de ti tua ternura...

Não quero hoje o opulento amor
Dos teus lábios incendiados,
Dos teus seios intumescidos,
Das tuas ancas, espessas.
Nem quero febril murmúrio
De sentidos inebriados
E explosão rancorosa
De indomáveis ciúmes.

Dá-me de ti tua ternura...

Quero ouvir tua voz musical,
Castiça como tinir de cristais,
Envolvente como perfume de jasmins,
Cálida como o mar em noite de verão.
Quero tua percepção,
Tua intuição de mulher,
Que sabe ler minh’alma
E penetrar meus segredos
E acalentar minha dor.

Dá-me de ti tua ternura.

(*) Para Mariah Lacerda.

(copy-desk by Eugenio Santana – Escritor, Jornalista e Poeta; Ensaísta literário e Autor de livros publicados. Dezoito prêmios literários entre contos,crônicas e poemas, em âmbito nacional.)

domingo, 20 de março de 2011

LIVROS: MIOPIA DAS ELITES NEGLIGENTES




Aos livros admiro, amontoados
em uma estante... o saber professam
e são modestos, sóbrios, e se expressam
somente quando são - se são - lembrados.

Empoeirados, sofrem esses entes
da estupidez atroz das multidões,
futilidade airosa dos salões,
miopia das elites negligentes.

E dão às gentes, essas que os desprezam
uma lição perfeita de nobreza,
de superior feitio e de grandeza:

Não vituperam, gemem ou protestam:
mantêm, no anonimato e no ostracismo,
a distinção excelsa do mutismo.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Assessor de Comunicação, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Integrante da ALNM-MG, UBE/GO, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)

sábado, 19 de março de 2011

OPIUM, VINHO, ABSINTO?




E o que fica da vida... Além de nossos ilustres e amados ancestrais? Hoje noite fria, solitária, triste em meu coração... Liguei ao melhor amigo, foi formal, falou pouco ao telefone. O que resta da vida ou da ida? Sempre que escrevo a palavra VIDA nos últimos dias, o “v” de vitória some, desaparece e assim fica na tela do monitor “IDA”... Talvez a vida esteja exigindo-me IDAS, partidas – novos rumos... e que eu esqueça, de vez, os RUMORES... Engraçado como “rumores” rima com AMORES... Amores... Ainda ganhei algum? Só. Sofrimento e dor e incompreensão e acusação.

Embora católico, sou ecumênico, e sou cordato com todos os segmentos religiosos... Mas, parece que a multifacetada espiritualidade me “namora” ou “estuda” ou “questiona”. Karmas,dharmas... Armas do mesmo calibre do viver... é possível que eu esteja envolvido nessas duas projeções de tarântulas. Sei que fortes mesmo são meus protetores invisíveis: meu anjo-guardião Lecabel, São Judas Tadeu – primo de Jesus -, Santo Antônio de Pádua, São Miguel Arcanjo, São Jorge e São Francisco de Assis, sob o comando do Cristo Cósmico – O Divino Mestre Jesus.

Eis-me aqui em Goiás pela minha mãe que teve uma séria recaída, após um ano e meio no Rio de Janeiro atuando no jornalismo, no cargo de Superintendente de Imprensa e pela dadivosa existência do meu filho Arthur Emmanuel Lacerda Santana, lá fiquei durante este período pelo trabalho, por meu filho e por Mariah – a mãe dele – embora ela não acredite que eu a amei e a amava intensamente, razão porque o resultado - o fruto - foi o nascimento do nosso filho, que aportou - sem pedir - no planetazul...

E hoje? Por que interrogo tanto? Afinal, tantos foram os aprendizados na “Senda Mística”, os conhecimentos livrescos e, fundamentalmente, a SABEDORIA que Deus me legou, independentemente de faculdades, mestrados e doutorados... "e agora, Eugenio, você é um discípulo que já está pronto há mais de uma década" – palavras de Paulo Diniz – meu guru? Talvez, porque tem méritos e alcance espiritual para sê-lo.

E lembro-me dos velhos tempos do amigo poeta, músico, bancário Alcimar... Que sabiamente escreveu “O vinho antigo”, um manual filosófico da maior magnitude – um Manual para guerreiros da luz, parafraseando Paulo Coelho. Se o vinho é sagrado para os padres, por que não saboreá-lo à noite? Vinho... Venho... Vou... Vôo... Sabores da quintessência da alma ou desculpa para embriagar-se, lembro agora de Baudelaire.

E agora vejo que no Planeta água, feito de tragédias através da própria água, não tem para onde correr, tudo globalizou-se, inclusive os ciclones. O Japão vive seu momento de terror catastrófico no seu mundinho silencioso e indiferente. E os brasileiros em nome do “ter” – 250 mil? Estão correndo para os aeroportos para retornar ao Brasil. Agora aqui é melhor? Quanta incoerência – por dinheiro – meu Deus?

Resguardadas as devidas proporções, não há lugar melhor que o outro no Planeta. O Rio de Janeiro que me perdoe. Não tem para onde fugir ou refugiar-se. É necessária uma nova postura holística na certeza de que somostodosum. Se um mal me afeta, afetará milhões de pessoas. Hoje o Blog se cobrirá de sombras? Não importa minhas conjecturas e indagações. Afinal, a palavra escrita, a literatura, a filosofia, o jornalismo impresso já morreram há muito tempo... Resta uma inversão de valores, um descontentamento desencantado... Mas a sociedade, obstinada e cega, teima em fazer a apologia do carnaval, do esporte narcisista e mercenário, da publicação que enfoca celebridades. Enquanto isto, os cientistas não descobrem a cura do câncer e outras graves enfermidades. E o continente tupiniquim que assina pelo nome de Brasil? Samba na avenida, irresponsavelmente.

(EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Assessor de Comunicação, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Integrante da ALNM-MG, UBE/GO, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)

sexta-feira, 18 de março de 2011

POR QUÊ O VINHO É A EMBRIAGUEZ DA NOITE?




Por quê a luz se dissolve na noite
e reaparece no interlúdio das noites?
Por quê a carícia da noite
se inibe à luz do dia?
Por quê o vinho
é a embriaguez da noite?
Por quê o sonho
se esfuma ao amanhecer?
Por quê a flor
é o êxtase do instante?
Por quê a realidade é colcha de retalhos,
narração sem trama,
e a utopia racional?
Por quê plantar,
se não há tempo de colher?
Por quê viver,
se vida é projeto?

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Assessor de Comunicação, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Integrante da ALNM-MG, UBE/GO, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)

A VIDA SEPARA OS QUE SE AMAM




Ah, quisera tanto que recordaras
os dias felizes em que fomos amigos
naquele tempo em que a vida era mais bela
e o sol mais ardente que agora
as folhas mortas se recolhem a pá...
Vê não esqueci
as folhas mortas se recolhem a pá
as recordações e as saudades também
e o vento do norte as leva
na noite fria do olvido
vê não esqueci
a canção que me cantavas

É uma canção que se parece a nós
Tu, tu me amavas
e eu te amava
e vivíamos juntos os dois
tu que me amavas
e que eu amava
mas a vida separa os que se amam
suavemente
sem fazer ruído
e o mar apaga sobre a areia
os passos dos amantes desunidos

As folhas mortas se recolhem a pá
as recordações e as saudades também
mas meu amor silencioso e fiel
sempre sorri e agradece a vida
te amava tanto eras tão bonita

Como queres que te esqueça
naquele tempo a vida era mais bela
e o sol mais ardente que agora
eras minha mais doce amiga...
nada me resta que a saudade
e a canção que me cantavas
sempre sempre eu ouvirei

É uma canção que se parece a nós
tu, tu me amavas
e eu te amava
e vivíamos juntos os dois
tu que me amavas
e que eu amava
mas a vida separa os que se amam
suavemente
sem fazer ruído
e o mar apaga sobre a areia
os passos dos namorados desunidos.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Assessor de Comunicação, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Integrante da ALNM-MG, UBE/GO, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)

GRAÇAS AOS LIVROS, TEMOS OS SÁBIOS DA HUMANIDADE COMO AMIGOS E CONSELHEIROS




LER É UM ATO DE DESAPEGO EM RELAÇÃO AO MUNDO EXTERNO. A LEITURA É UMA FORMA DE MAGIA. LENDO, deixamos de lado nossas limitações, a nossa consciência se expande e podemos visitar lugares e tempos diferentes.

A BOA LEITURA provoca experiências místicas e rompe os muros da MEDIOCRIDADE. NOS LIVROS, vivemos pessoalmente os acontecimentos mais inspiradores de todas as épocas. Conhecemos santos, reis e filósofos da antiguidade. Podemos saber o que disseram Jesus Cristo na Palestina e Gautama Buda no continente indiano. Revivemos guerras e revoluções e percebemos que o passado da humanidade é o mesmo da nossa alma.
A PALAVRA ESCRITA é um instrumento revolucionário. Ela desperta as consciências, revoluciona o espírito humano, derruba governos corruptos e provoca grandes transformações sociais. O escritor Jorge Luis Borges escreveu: "Dos instrumentos do homem, O LIVRO É, sem dúvida, o mais assombroso. Os demais são extensões do corpo. O microcóspio, o telescópio, são extensões da sua vista; o telefone é extensão da sua voz; depois temos o arado e a espada, extensões do seu braço. MAS O LIVRO é outra coisa: O LIVRO é extensão da memória e da imaginação".

O HOMEM QUE NÃO TEM O COSTUME DE LER está aprisionado num mundo imediato, em relação ao tempo e espaço. Sua vida cai numa rotina fixa: acha-se limitado ao contato e à conversa com alguns poucos amigos e conhecidos, e só vê o que acontece na vizinhança imediata. Mas quando toma em suas mãos um LIVRO, penetra em um mundo diferente e, se o LIVRO é bom, vê-se imediatamente em contato com um dos melhores conversadores do mundo.
OS TEXTOS TÊM SABORES, assim como as comidas. E cada LEITOR tem o seu palador próprio. Considero a descoberta do AUTOR FAVORITO de cada um como o momento definitivo da sua evolução espiritual, há algo que se chama afinidade de espíritos, e, entre os autores antigos e modernos, devemos procurar aquele cujo espírito é semelhante ao nosso. Só dessa forma podemos tirar real proveito da LEITURA.

GRAÇAS AOS LIVROS, podemos ter alguns dos maiores sábios da humanidade como amigos e conselheiros - e conviver com eles interiormente. Essa amizade sem fronteiras estabelece um contato vivo entre a consciência divina presente em nós e a consciência divina que há na alma dos BONS AUTORES.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Assessor de Comunicação, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Integrante da ALNM-MG, UBE/GO, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)

POETA, FILÓSOFO OU PROFETA?


A Palavra é do poeta, filósofo ou profeta?
Oráculo pelo qual
Os Deuses rompem seu (silên)cio inquiridor.
Se te queres poeta, filósofo ou profeta
Desenvolve a palavra de luz – ou o verbo iluminado?
Aguarda que a Poesia te nomeie intérprete – ou instrumento
Os Deuses escrevam por tua mão
Falem por tua boca.

É preciso que em alguma circunstância
Seu trem descarrilhe
Vire cambalhotas e saia dos trilhos
E você fique sentado na estação vazia.

Dor em alma de poeta
É soro que faz do leite
Coalhada.

Sei lá porquê,
Poeta tem que transcender
E vivenciar a sarjeta.

(copy-desk by Eugenio Santana - Jornalista, Escritor e Poeta.)

quinta-feira, 17 de março de 2011

O CORAÇÃO SECOU? NÃO BATE? ESTÁ CERTO. QUEM BATE É PORTA, JANELA, RELÓGIO, MARTELO...




Secou. A proteína do meu coração fendeu, vazou, esgotou-se: ele está seco.
Já viram? O coração seca, esturrica, entorta feito couro esticado ao sol. Enrolado sobre si mesmo, perde a cor, o tônus, a maciez, o látego de vida, empobrece de seiva, esqualidamente vira um objeto sem função. Isto aí, o coração secado. Foi assim que ele apareceu na ecografia. Vi a cara do médico fazer caretas estranhas pelo retrovisor do vidro da sala.
Ele estava de costas para mim (nem percebia que eu o via e observava) e vi naquele momento que ele contemplava o nunca visto. Continuei deitado, balançando os pés com calma. Eu já sabia disso há muito tempo! Agora, ele confere o que eu sentia e sabia, mesmo sem ter aparelho nenhum para checar e provar o que intuíra. O médico saiu com a chapa na mão. Retornou. Olhou em mim, tomou o pulso, abriu meus olhos, fitou-os como se visse duas bolas de gude. Voltou com mais quatro colegas. Nova ecografia. Linguagem médica. Eu me fazendo de idiota. Fechava os olhos, abria-os para aquelas paredes brancas.

Não se cansam de ser paredes de hospital? Branquelas de uma figa! Por que não lhes pintam mais alegrinhas, para diminuir o pânico mórbido e a monotonia dos coitados que aqui deitam? Têm que ser assim, branconas, frias, gélidas feito os mortos guardados nas geladeiras? Se fosse vocês, reclamava a seus donos. Queremos cores, queremos ter personalidade. Também eles não têm, aqueles brutamontes cheios de verborragia. Só sabem o que dizem os papéis e exames, todos eles de branquinho, soldadinhos saídos da neve, ou um grupo esquisito oriundo de uma seita espírita; umbandistas, sei lá. Tomaram neve a noite toda?

Coração secado, desidratado. Não viram isso ainda? Fala sério! Ninguém merece! Que vejam e façam sua festa, seus aprendizes crônicos! Nunca viram contar que o coração morre seco, e a gente obstinado permanece vivo? Pois acontece ainda. O coração virou bucha, pele frita e ainda tenho o bafo morno que vem da garganta, que toma café e acende cigarro e traga futuro enfisema ou câncer. Tenho cor nas faces, olhem bem, anotem; tenho saliva nos lábios, que ainda beijam lindas mulheres e beijos molhados de intermináveis minutos; tenho músculos firmes, pernas longas e grossas, tórax largo e peludo como um urso ou Tony Ramos? Tenho meu obelisco ou "bruzuco" em plena forma; espada afiada de guerreiro da idade média. Tenho chinelos ryder nos pés e o relógio seiko no pulso esquerdo.

O coração secou? Não bate? Está certo. Quem bate é polícia e bandido, é porta, janela, relógio de parede, martelo e fantasma em filme de Sthepen King. Ele já bateu, hoje não bate, e daí? Qual é o problema? Caso novo? Desconhecido da classe médica? Então, levantem-se daí, vão fazer reunião, vão pesquisar e mobilizar os cientistas. Sairão como entraram, com caras de palhaços exaustos.

Ainda estou vivo e com vontade de viver. Desliguem os aparelhos, vocês jamais saberão o porquê disso. Apaga. Deleta. Esquece. Vou sair daqui mesmo com o coração de couro curtido e escreverei para ELA assim:

Amada minha:
Meu coração está liquidado. Pode crer. Os médicos viram, constataram em laudo o diagnóstico fatidíco. Você virá, amore mio? Você vai vir? Que dia mesmo? O coração está seco como folhas de outono, mas você sabe que ele é ressuscitável. Estou bem, masculinamente aguardando suas mágicas. Você é capaz de tudo e eu também. Sabemos disto. É por aí... Você vem, não vem?

O que quero verbalizar é mais simples e óbvio do que cogitam. Mesmo com o coração seco e esturricado, poderemos dançar uma valsa, um tango, um rock, poderemos (tem mais, e a ciência médica desconhece) ressuscitá-lo. É isso, ele cria carne, músculo, enche-se de licor, vinho e pulsa como deve ser, infla saudável. Basta, às vezes, que alguém entre por aquela porta de braços e olhos abertos, como enorme tela em 3D.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Pertence à ALNM-MG, UBE/GO-SC, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados, divulgados de Porto Alegre a Porto Velho. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)

terça-feira, 15 de março de 2011

PAR IDEAL - PARCERIA EQUILIBRADA E PRODUTIVA PARA A NOSSA VIDA AFETIVA




COMPARTILHAR INTERESSES, confiar no outro e respeitá-lo são alguns dos ítens fundamentais para que possamos manter parcerias equilibradas e produtivas para a nossa vida amorosa, familiar e profissional.

CERTAS COMBINAÇÕES parecem mais do que perfeitas. Café com leite, pão com manteiga, arroz com feijão, queijo com goiabada, Tarcísio e Glória Menezes,Roberto Carlos e Maria Rita, Romeu e Julieta.

GRANDES ENCONTROS acontecem também na vida real, não apenas no mundo da fantasia ou da notoriedade. Duas criaturas se juntam, passando a pensar e agir como se fossem uma só, numa simbiose harmoniosa e perfeita.

EMBORA CADA QUAL tenha se aventurado em carreira solo, é difícil imaginar Roberto Carlos sem Erasmo, João Bosco sem Aldir Blanc, Ivan Lins sem Vítor Martins. A isso chamamos "parceria".

PERSONALIDADES GENIAIS, como o saudoso Vinicius de Moraes, maleável e camaleônico em seu talento e ternura, acenam com a possibilidade tentadora do "par perfeito". Como um matiz de cinza ou bege, o Poetinha era um daqueles tipos universais, que "combina com tudo". De Tom Jobim a Baden Powell, de Toquinho a Dolores Duran, de Carlos Lyra a Monsueto, cada parceiro era, em princípio, único, definitivo, eterno.
Inconstante também no amor, Vinicius que consagrou o bordão "infinito enquanto dure", seguia à risca os impulsos do coração, com um sem-número de musas, muitas das quais se tornaram amantes, esposas, cúmplices...

CUMPLICIDADE, aliás, é condição imprescindível para uma saudável e bem sucedida parceria. Rima com fidelidade e só pode ser experimentada por quem aprendeu, desde sempre, a ser fiel, principalmente a si mesmo. Querido como poucos, Vinícius não deixou grandes desafetos. Deve ter sido, à sua maneira, honesto com todas as metades apaixonadas que se dispuseram a figurar como seu par; nem tanto fiel, ao menos um sujeito leal.
Para haver cumplicidade, é necessário primar por valores idênticos e aspirar aos mesmos ideais.´

CONVÉM NÃO CAIR NA TENTAÇÃO de trocar de parceiro a todo instante, como se, numa dessas "trombadas" da vida, o PAR IDEAL desabasse do céu diretamente nos seus braços. Como diz um amigo, "quando você troca de mulher, troca de defeito"... Pense nisso e procure enxergar e valorizar as qualidades de sua companheira antes de elevá-la à condição de "ex".
A separação nem sempre é o caminho mais fácil ou mais eficaz para resolver as DIFERENÇAS de um casal. Muitas vezes é dolorosa e revela o lado negro das duas partes envolvidas. Aliás, não raro, a parceira apresenta todas as características negativas de nosso lado mais sombrio.

QUANDO FAZEMOS ESCOLHAS SENSATAS, levando em conta os anseios do coração e nossas necessidades materiais, vamos ampliando nossos horizontes, abrindo espaço para abrigar uma outra alma, que se não é gêmea, pelo menos é uma sósia bem parecidinha... uma alma-irmã. Ter alguém com quem se possa contar sinceramente nos traz uma sensação de conforto e desperta nossos sentimentos mais ternos de respeito, satisfação interior e aquele amor que transcende em sua forma mais pura que é a amizade.

UMA PARCEIRA/COMPANHEIRA NOS AJUDA A SUPERAR O EGOÍSMO, arrancando-nos da gaiola protetora construída por nós mesmos para nos aprisionar. Que ela possa ser aceita com suas diferenças, compreendida em suas dificuldades, ajudada em suas limitações, e sobretudo, amada por aquilo que é e não pelo que dela se espera.

(por EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor e autor de livros publicados; Jornalista profissional de mídia impressa; Poeta, Redator publicitário, Relações públicas, Superintendente de Jornalismo, Assessor de Comunicação, Copidesque, Revisor de textos e Editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que acrescente algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

segunda-feira, 14 de março de 2011

O CONFLITO ENTRE LUZ E SOMBRA




A VIDA É DUAL. Ela é feita de paz e combate, de descanso e esforço, de unidade e variedade, harmonia e conflito, espírito e matéria.
A mente humana é um campo de batalha onde a luta entre verdade e ilusão desconhece o que é trégua. O homem sábio não ignora o conflito entre Luz e Sombra, mas aprende a ganhar a batalha como um guerreiro sábio - antes que ela se trave abertamente. O inimigo do buscador da verdade está sempre à espreita. Este inimigo "nunca" é outra pessoa, mas sim a ignorância ou falta de percepção da verdade. A ignorância está fundamentalmente dentro de nós, e só secundariamente em outras pessoas.

QUEM SE COMPORTA como nosso adversário não é um inimigo, mas alguém que a vida está utilizando para acelerar nossa evolução pessoal. A vibração do ódio e do rancor tem três maneiras de derrotar-nos: você pode aderir ao ódio, ter ódio do ódio, ou ter medo do ódio. Vejamos isso melhor. Se alguém procurar você com um sentimento de ódio, há três modos errados de reagir. Você pode aceitar o sentimento de rancor (contra um líder, uma empresa, uma terceira pessoa). Ou pode ter raiva do rancor (porque sua natureza é amorosa). E pode ainda ter medo de tanto rancor (o medo tem a mesma substância do ódio).

Com qualquer uma dessas três reações, você perde sua serenidade. Por estranho que pareça, para manter a paz interior é preciso ser um "guerreiro". "A mente é como uma espada", diz a tradição zen. Ela deve estar afiadaa e ter um propósito único. O objetivo da espada da mente nunca pode ser ferir ninguém. O sábio não busca duelos pessoais, embora tenha medo deles. O objetivo único da espada do guerreiro é rasgar os véus da ilusão para que o seu espírito possa ver claramente a verdade. Mas só a mente pura pode ser uma espada afiada.

Para o GUERREIRO DA LUZ, existe apenas uma guerra sem tréguas entre duas faixas vibratórias: a da paz e a do conflito. O objetivo estratégico do bom guerreiro é manter a paz interior em todas as situações. As armas que ele usa são, entre outras, a sinceridade, a impecabilidade, a gratidão, o perdão, a impessoalidade, o silêncio interior, o desapego e a determinação impecável.

A TRANSMUTAÇÃO ALQUÍMICA consiste em transformar chumbo em ouro. A FLOR DE LÓTUS nasce no pântano, e é do limão azedo que se faz uma agradável limonada. Jesus, no Novo Testamento, mandou oferecer a outra face aos nossos inimigos. O significado do conselho é "não aderir à vibração do ódio".
O que nos enfraquece é nos sentirmos ofendidos pelos feitos e desfeitas dos nossos semelhantes. Nossa vaidade faz com que passemos a maior parte das nossas vidas ofendidos com alguém. É esta preocupação egoísta com nós mesmos que nos faz perder energia.

O PEQUENO TIRANO, por sua vez, é alguém que está em uma posição de poder privilegiada em relação ao guerreiro e pode hostilizá-lo de várias formas, impunemente. Esse desafio nos força a fazer uso de todas as nossas forças com o máximo de calma, determinação, paciência, atenção e coragem. Para o guerreiro, o perigo está no excesso de conforto. Uma situação agradável em que todos nos tratam bem pode facilmente estimular a vaidade, a preguiça, o orgulho e outros inimigos realmente perigosos.

O Guerreiro deve ser insondável, imprevisível, e ao mesmo tempo não pode causar mal algum a ninguém. Mais importante que tudo, deve buscar "o poder que o faz parecer nada aos olhos dos outros", segundo a sabedoria esotérica. Não deve demonstrar o que sabe. Deve evitar toda mostra de orgulho, avançando anonimamente, sem buscar reconhecimento nem contar vantagem. Os conflitos por poder - sutis ou não - se dão em função de algum jogo de aparências em que o narcisismo está presente.

E de todos os caminhos para perceber a oportunidade, nenhum é melhor que o inesperado. Com isso, Zhuge Liang afirma que o caminho da vitória requer que estejamos livres do passado e de tudo o que pensamos conhecer, e abertos para trilhar caminhos novos e conviver com o desconhecido.

Cada erro corrigido e cada sofrimento compreendido são um passo da caminhada do guerreiro. Cada defeito eliminado se transforma em uma virtude. Até que o guerreiro seja feito de Luz e as sombras atiradas contra ele não encontrem mais eco algum em sua natureza interior. O Guerreiro terá, então, vencido a longa batalha.

(por EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor e autor de livros publicados; Jornalista profissional de mídia impressa; Poeta, Redator publicitário, Relações públicas, Superintendente de Jornalismo, Assessor de Comunicação, Copidesque, Revisor de textos e Editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que acrescente algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

DESTINO DE LIBÉLULA



Leio suas asas voláteis e diáfanas
nas narinas das favelas
no lustre dos palácios,
no vôo dos nove anos.
Sinto suas asas soltas e leves
no "blues" dos cegos
no "jeans" de quarenta e cinco outonos,
no olhar pálido dos góticos.
Seu corpo é estranho-exótico
porque estranho é o mundo - de anjos invisíveis
belo ao nascer desejos
nas ruas vazias de luas cheias,
no amor da mão no berço de Arthur Emmanuel...
Se a morte não tem nenhuma graça
(profundo pesadelo
que as asas corta)
vôo maior, aceso, é a vida
fogo oculto
que o mistério da Noite não apaga
e meu coração não afaga.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Poeta, Contista, Cronista, Ensaísta literário e Jornalista profissional.)

CABEÇA CHEIA DE PÁSSAROS




Rua de passos ausentes
revelam no andar as sementes.
Semeio (in)acabados versos
caminhando sobre o caos e os escombros,
de pés-alados descalços - e a alma nua
com o cérebro cheio de PÁSSAROS.

Rua de fer(idas) antigas - pretéritas
o coração suporta, pulsa - bate forte
pousando nas mãos luas azuis
e nos rios invisíveis que a noite tece
o sacrossanto sangue se veste
de um fogo imperceptível
de um grito no escuro.

Procuro-me, então, no musgo
das pedras do dia
na relva após a chuva
na amarga saliva da boca vazia.
E alumbrado, silenCIO-me.
Nasceu mais um filho noturno:
que tem o nome de POEMA!

(copy-desk by Eugenio Santana - Escritor, Jornalista profissional e Poeta. Radicado, atualmente, na segunda maior e melhor cidade do estado de Goiás, ANÁPOLIS.)

(UNI)VERSO DE SABEDORIA OU VERBO-DE-LUZ




ALÉM DE LITERATURA EM VERSOS, POESIA é também uma forma de música e de contemplação. Através dela, as palavras expandem nossa consciência e nos reconcliam com a vida como ela é, com todos os seus contrastes de paz e conflito, de prazer e dor. Ler o tipo adequado de poesia é, para muitos, uma experiência espiritual e uma técnica eficaz da meditação.

Desde o início da humanidade, a literatura oral utilizou os versos e as lendas para transmitir de geração em geração o conhecimento espiritual acumulado. Os versos ritmados facilitavam a memorização do ensinamento. Assim eram abordados a vida, a morte, o amor, a guerra, o absoluto e o uni-verso. Ainda hoje os poetas mergulham na fonte de beleza ilimitada e eterna que está acima da nossa mente consciente. Dali eles trazem para o mundo visível ritmos, estruturas, mantras, sonoridades, capacidades contemplativas, imagens cósmicas, vislumbres sagrados e padrões vibratórios que elevam e enlevam as almas humanas. Há poesias que são grandes tratados sobre a caminhada espiritual. As escrituras das grandes religiões incluem poemas. Entre os sábios que usaram versos estão Jalaludin Rumi, Kabir, São João da Cruz, São Francisco de Assis, Lao-tsé e inúmeros outros, budistas, cristãos, taoístas, islamistas, judeus, hinduístas. Centenas de poetas têm alcançado momentos de grande sabedoria, entre eles William Wordswort, Alfred Tennyson, Cristina Rosseti, Walt Whitman, W.B. Yats, Pablo Neruda, Jorge Luis Borges, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mario Quintana, Olavo Bilac, Cecília Meireles, Thiago de Melo, Eugenio Santana, entre outros.

A CONSCIÊNCIA CÓSMICA de que estamos de passagem no mundo nos ensina que a vida é efêmera e deve ser administrada corretamente. Este fato torna aconselhável vencer o ócio. A lição é simples, quase óbvia, mas difícil. Os sábios usam o seu tempo de vida para compreender a si mesmos e ao cosmo em níveis cada vez mais elevados. Para eles, morrer é uma arte inseparável da vida. Quem morre a cada instante para o passado é capaz de renascer a cada momento. No seu livro "Viagem a Ixtlán", Carlos Castaneda diz que a morte é conselheira do guerreiro espiritual.

O OLHAR DO POETA SE EXPANDE ALÉM DA FORMA HUMANA de viver. Ele se unifica com a Natureza e com tudo aquilo que está além dos limites conhecidos. A Árvore é sua irmã. Os Milênios são breves instantes. Envelhecer é encontrar a paz.

OS BONS POETAS TÊM SAUDADE DO QUE É ETERNO. Sentem-se mais ou menos exilados neste tipo ínfimo de espaço-tempo em que vive o mortal comum, com seus dias de semana, sua pressa, seu tempo contado em minutos. O POETA prefere os grandes temas da FILOSOFIA esotérica. Ela ensina que existe o "DEVACHAN", um "local divino" entre uma existência terrestre e outra. O devachan é um longo sonho de milênios. Nele, nossa alma imortal recorda e vivencia, durante uma pequena eternidade, o que houve de melhor e de mais espiritual em nossa vida passada.

O DEVACHAN CORRESPONDE aos "campos elísios" da tradição greco-romana, à "terra pura" do budismo japonês e à "terra sem males" dos índios tupi. Helena Blavatsky disse que o devachan tem certa similitude - embora pouca - até mesmo com o céu da tradição cristã.

O POETA, como o místico, necessita de SOSSEGO. Ninguém desenvolve uma visão profunda da vida se não viver de modo calmo e pacífico. Só quem se afasta da praia agitada da mente superficial pode, de fato, navegar no oceano da sabedoria eterna.

(por EUGENIO SANTANA, FRC - Ensaísta literário, Contista, Cronista, Jornalista profissional e Poeta. Livros publicados. Sócio efetivo da UBE - União Brasileira de escritores - GO/SC. Pertence a mais de 40 instituições lítero-culturais do Brasil e Portugal.)

sábado, 12 de março de 2011

A NOITE NEGRA DA ALMA




Numa noite negra,
queimando com os urgentes desejos do amor,
- ah, diáfana dádiva -
Saí quando ninguém me observava,
minha casa aquietada agora estava.

Na escuridão e em segurança,
pela escada secreta, dissimulada,
- ah, translúcida graça! -
na escuridão que me ocultava,
minha casa aquietada agora estava.

Naquela noite jubilosa,
em segredo, pois ninguém me viu,
nem eu olhei para coisa alguma,
e sem qualquer outra luz ou guia
senão aquela que em meu coração ardia.

Esta me guiava
com mais segurança que a luz do meio-dia
para o lugar onde ele me aguardava
- ele que eu também
conhecia -
lá, num lugar onde ninguém
aparecia.

Ó noite guia!
Ó noite, mais que a aurora,
adorada!
Ó noite que uniu o Amado à
sua amante,
transformando-a em sua
Amada.

Sobre meu peito em flor,
que guardei para ela
somente,
ela repousou dormindo,
enquanto eu a acariciava,
lá, na brisa que dos ipês
soprava.

Quando a brisa soprou da torre,
enquanto eu repartia seus cabelos,
ela feriu-me o pescoço
com suas mãos delicadas,
todas as minhas sensações foram abafadas.

Abandonei-me e esqueci de mim,
repousando minha face em minha Amada;
todas as coisas cessaram: saí de mim,
deixando os meus martírios
esquecidos entre os lírios.

INTERPRETAÇÃO: Devemos notar que a Alma encontra-se numa "Noite Negra", uma Noite que no misticismo é conhecida como a Noite Negra da Alma. Um período de aridez, solidão e desolação. A Alma fica imersa no Caos, simbolizado como uma grande escuridão. Todos os místicos passam por esse período de desolação, antes que a AURORA DA ILUMINAÇÃO possa acontecer. Este é um período de testes intensos, em que os místicos sentem que passam por uma morte simbólica ou crucificação.

(Copy-desk by Eugenio Santana, FRC - Escritor, místico Rosacruz, Jornalista, Publicitário, Ensaísta literário e Editor; Self-mad man e Verse maker.)