quarta-feira, 20 de abril de 2011

VI, VIVI, OUVI, OBSERVEI, TRANSCENDI; VOEI...





A TRAGÉDIA FAZ EMERGIR forças insuspeitadas em algumas pessoas. Por mais devorador que seja, o mesmo sofrimento que derruba faz voltar a crescer.

NÃO VOU ME ALEGRAR jantando fora quando perdi meu amor, perdi minha saúde, perdi meu amigo, perdi meu emprego, perdi minha utopia... perdi algo que dói, fere e machuca, seja o que for.

PERMITAM-ME O LUTO NO PERÍODO SENSATO. Me ajudem não interferindo demais. O telefonema, a flor, a visita, o abraço, sim, mas por favor, não me peçam alegria sempre e sem trégua.
Se não formos demais doentes nem perversos, a dor por fim se consumirá em si mesma.
Alguma coisa positiva vai nos fazer dar o primeiro passo para fora da UTI emocional em que a perda nos colocou. Um dia espiamos para o corredor, passamos da UTI para um quarto, finalmente olhamos a rua e estamos de novo em movimento.

A PERDA DO AMOR pelo fim do amor, por abandono ou traição, supera toda a nossa filosofia de vida, nossos valores, independe de nós.
Nada conforta, nada consola. Como o outro está ainda ali, vivo, talvez com outra pessoa, nossa mágoa e sentimento de rejeição se misturam ao inconformismo e às tentativas, eventualmente inúteis, de recuperarmos quem não nos quer mais.

Muitas vezes, mais do que sonhávamos, um novo amor nos aguarda. Quando ele não aparece e se esgota o tempo, embora sempre seja tempo de amar - mesmo com 80 anos -, aprendemos que há outras formas de amar. Não substituem mas iluminam: amigos, família, alguma novidade, um interesse, uma viagem.

SOMOS MAIS que corpo e ansiedade: somos mistério, o que nos torna maiores do que pensamos ser - maiores do que os nossos medos.
Foi-se a cada vez um pedaço importante de mim. Mas como em certos animais, as partes perdidas se refizeram, diferentes - não me sinto mutilado, embora a cada dia sinta em mim aqueles espaços vazios que não voltarão a ser ocupados.
Aprendi que a melhor homenagem que posso fazer a quem se foi é viver como ele gostaria que eu vivesse: bem, integralmente, saudavelmente, com alegrias possíveis e projetos e planos até impossíveis.

VAMOS PERDENDO capacidade de sermos integrados com o universo, mesmo o minúsculo universo de um pedaço de jardim ou quarto de criança. E nos privamos do necessário recolhimento que algumas vezes nos reabasteceria com o combustível da reflexão, do silêncio e do sentimento mais natural das coisas.
Nesta casa de agora, afetos essenciais povoam. Não há isolamento. Amigos de qualquer idade também vêm me ver. Alguns por assuntos triviais e alegres. Outros por angústias severas com as quais na juventude eu certamente não saberia lidar. Na maior parte das vezes não sei o que lhes dizer.
Nenhuma sugestão, nenhuma frase brilhante. Mas talvez sintam que a esta altura vi,vivi, ouvi, observei, transcendi; voei.
Pouco me surpreende.
Quase nada me deixa impactado.
Tudo me toca, me assusta e me comove: o mais comum, e o mais insólito. Tudo forma o cenário e caminho. Que a maturidade - ou a idade-do-lobo? -, me fez amar com menos ansiedade e quem sabe menos futilidade - não menos alegria.

NÃO É NATURAL proibir-se de viver por causa da opinião alheia. Não é natural envergonhar-se de amar, desejar, em qualquer idade. É inatural não ter mais projetos aos 70 anos.
O essencial é que a que estou vivendo seja "a minha vida": não aquela que os outros, a sociedade, a mídia querem impor.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor e Jornalista. Membro efetivo da ALNM -Academia de Letras do Noroeste de Minas, cadeira nº 2)

terça-feira, 19 de abril de 2011

PERFUME DE MADRESSILVA


O que restou em tua boca
deixou sob as palavracesas
um perfume de madressilva.

Nada ficou indiferente ao teu sorriso largo:
a casa abriu-se como pétalas
e um enorme arco-íris pousou inteiro
na visão do adeus
de tuas delicadas mãos insones.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor e Jornalista. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira nº 2)

domingo, 17 de abril de 2011

UMA ESCADA PARA O PLANO INFINITO




MONTE SAINT-MICHEL é uma quase-ilha situada na baía de Saint-Malo, no mar da Normandia. Lugar de mistério desde a pré-história, pode ser visto desde muito longe por quem vem pelas estradas que serpenteiam sobre as colinas normandas. Na base há uma aldeia medieval feita de casarões de pedra cinza-amarelada; mais acima um enorme mosteiro beneditino que parece um castelo; no ponto mais alto está a abadia gótica; por fim, como a emergir da própria abadia, uma agulha altíssima, em cuja extremidade rebrilha ao sol a estátua dourada do arcanjo Miguel.

Há mais de mil anos o Monte Saint-Michel atrai peregrinos católicos de todo o mundo. Ele é considerado o verdadeiro coração da França: a morada do arcanjo Miguel, patrono da nação francesa.
Monte Saint-Michel ilustra à perfeição o simbolismo universal da montanha. Lugares particularmente carregados de sacralidade, as montanhas são entendidas como pontes de ligação entre a terra e o céu.
Elas representam um eixo vertical que articula os três níveis ou planos do mundo: o celeste, o terrestre, e o mundo inferior.

O MONTE é um lugar iniciático por excelência, um templo natural onde torna-se possível a passagem de uma situação profana a uma situação sagrada.
Um lugar iniciático costuma apresentar características precisas: é sempre de acesso difícil; o mar da Normandia, com suas marés violentas que duas vezes por dia impedem a entrada ao monte, materializa perfeitamente essa idéia. Este é um lugar de mistério cavado no fundo do labirinto de corredores e salões que existe na base do mosteiro, e onde a luz do dia não consegue penetrar há mais de um milênio.
O lugar por excelência de acesso aos mistérios do arcanjo Miguel. Um culto que tem suas raízes nos próprios fundamentos do cristianismo como caminho espiritual.

OS ANJOS PERTENCEM A UMA LINHAGEM muito antiga de entidades espirituais. A tradição caldéia, milênios antes de Cristo, já conhecia sete espíritos celestes assimilados aos planetas. Os arcanjos correspondem a esses planetas, e Miguel está associado a Mercúrio, o deus Hermes dos antigos gregos. A Bíblia integrou a figura flamejante desse Anjo da Luz, a quem foi atribuído o papel central de chefe das milícias celestes, o vencedor da Besta, no Apocalipse de São João.

COMO O DEUS MERCÚRIO, ao qual seu mito está ligado, o arcanjo é o "psicopompo", o condutor das almas na passagem da vida terrena para a vida espiritual por meio da morte. Na trova medieval "A Canção de Roland", São Miguel vem em pessoa recolher a alma do paladino agonizante para conduzi-la ao paraíso.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor e Jornalista. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, cadeira nº 2).

CATEDRAL DE CHARTRES




A CATEDRAL DE NOTRE DAME DE CHARTRES, NA FRANÇA, é um imenso templo GÓTICO de pedra esculpida, ela se situa no alto de uma colina, como um Castelo inexpugnável. Nos arredores, construída nas encostas, a histórica e bela cidade de Chartres, com seus 100 mil habitantes, mais parece uma aldeia dos míticos homenzinhos de Liliput a serviço do gigante Gargântua.
Chamada pelo escultor Rodin de "Acrópole da França" e tombada pela Unesco como patrimônio da humanidade, a catedral de Chartres é o monumento medieval europeu mais completo e mais rico dentre todos os que chegaram até nós. Desde sua construção, entre os séculos 12 e 13, transformou-se num poderoso pólo de atração para peregrinos cristãos, amantes da arquitetura e das artes plásticas, e investigadores do oculto.
A importância de Chartres começa, na verdade, muito antes da Idade Média. Toda a zona onde ela se encontra, a antiga Beócia, foi sede de um complexo pré-histórico que reunia aldeias célticas e templos pagãos da religião dos druidas.

TODA ESSA HERANÇA CULTURAL do tipo mágico e religioso foi incorporada de um modo ou de outro à catedral de Chartres. No subsolo, sob o grande edifício, correm vários veios d'água que, segundo os especialistas em radiestesia, formam na superfície do terreno, e em certos pontos do interior da catedral, campos de energia telúrica expcionalmente poderosos.
Existem vários livros que estudam a questão dos campos de energia sutil que se encontram no interior da catedral e nas suas imediações. Um deles é "Les Mystères de la Cathédrale de Chartres" (Os Mistérios da Catedral de Chartres), de Louis Charpentier, onde o autor afirma que a catedral foi construída exatamente sobre um lugar muito conhecido desde os tempos pré-cristãos pela intensidade das suas radiações telúricas. Charpentier examina também o mistério da arquitetura desse templo, suas conexões historicamente comprovadas com a Ordem dos Cavaleiros Templários medievais, e seus significados simbólicos e esotéricos.

OS TEMPLOS DRUIDAS eram quase sempre construídos junto a fontes d'água subterrânea. Os antigos druidas celtas adoradores dos elementos da natureza, o fogo, a terra, a água e o ar. Vieram-me à mente fragmentos da simbologia do poço, símbolo arquetípico de caráter sagrado em todas as tradições. Sua imagem sintetiza três ordens cósmicas fundamentais: céu, terra, infernos.
As dimensões da Catedral de Chartres são quase inacreditáveis: o comprimento total do templo é de 130 metros; sua largura máxima, 64 metros; a altura do espigão do teto, 51 metros. O interior do edifício é sugestivamente iluminado por soberbos vitrais que cobrem uma superfície de mais de 2.700 metros quadrados e nos quais estão representados cerca de cinco mil personagens. Chartres é chamada de "A Catedral dos Vitrais". Nas palavras do poeta francês Edmond Joly, "o navio encantado de uma música silenciosa, celebrando com suas cores e sua luz o segredo da eterna travessia".

Há, inclusive, um magnífico vitral astrológico, representando os doze signos do Zodíaco. E como se não bastasse, A Catedral de Chartres trouxe ainda, até nossos dias, uma herança medieval tão preciosa quanto rara: um LABIRINTO circular que ocupa toda a largura da sua nave central.
Entre os séculos 17 e 18, a tradição católica perdera quase por completo o conhecimento do significado profundo de símbolos antigos como os labirintos. No seu centro havia, segundo testemunhos históricos, uma grande placa de cobre com a imagem, em relevo, do combate mitológico entre o herói Teseu e o Minotauro. Esta placa foi provavelmente removida em 1792, época da Revolução Francesa, e usada para a fabricação de canhões.
O labirinto é também símbolo importante no contexto da moderna psicologia, particularmente a psicologia analítica que se interessa pelos símbolos arquetípicos. Está ligado ao mito da luta do princípio heróico e solar (Teseu) contra o princípio animal e noturno (Minotauro). A busca por meio do labirinto torna-se a busca do próprio Ser, e a imagem do labirinto aproxima-se à das mandalas da Índia e do Tibete. É uma representação do indivíduo, do seu centro espiritual e da emanação cada vez mais intensa desse centro em direção às zonas exteriores.

O LABIRINTO é, finalmente, a imagem do homem e do seu destino; aquele que sabe ler, interpretar e desenhar o labirinto do espírito, esse é um eleito dos deuses.
Os sábios católicos da Idade Média sabiam de tudo isso. Conheciam o significado profundo desses símbolos arcaicos, como a Madona Negra, o poço subterrâneo, o labirinto. E por isso introduziram e conservaram suas representações na própria estrutura interior de um dos maiores lugares sagrados da Cristandade: a Catedral de Chartres.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor e Jornalista. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, cadeira nº 2).

QUEM É MAIS FORTE, A ÁGUIA OU A SERPENTE?




A SERPENTE, que é também símbolo da fertilidade, era objeto de invocações e da gratidão daquela sociedade agrícola e pastoral. Quando essa tradição foi absorvida pelo cristianismo, num evidente fenômeno de sincretismo, San Domenico passou a ser encarado como um santo que exorciza o "mal" representado pelos animais venenosos.
O argumento básico para esse exorcismo é o mito do pecado original, onde a serpente do paraíso sugere a Eva que colha o fruto da árvore do bem e do mal. Esqueceu-se então que, desde tempos imemoriais, a serpente era usada para simbolizar a astúcia (pela sua habilidade como caçadora), a fertilidade (por rastejar e estar em contato íntimo com a terra) e principalmente a possibilidade de regeneração do ser humano e de todas as coisas (pela sua reaparição cíclica após a letargia invernal e por causa da sua troca de pele).

O FENÔMENO da periódica mudança de pele das serpentes impressionou muito os autores antigos. Fílon de Alexandria acreditava que a serpente, ao desprender-se de sua pele, desligava-se também da velhice. Ele chegou a considerá-la "o mais espiritual dos animais".
Carl Gustav Jung interessou-se muito pela simbologia da serpente, apontando que os gnósticos assimilavam-na ao tronco cerebral e à medula espinhal.
Para Jung, a serpente é um excelente símbolo do inconsciente: ela expressa sua presença repentina, inesperada, sua manifestação brusca e às vezes temível.

ESTA É UMA LIÇÃO DE SABEDORIA que nos é dada pelas serpentes: para sobreviver e evoluir, frequentemente é preciso abdicar de nossas "peles" antigas, nossas "couraças" duras e envelhecidas, permanecendo algum tempo desprotegidos até que uma nova "pele" nos recubra. Jesus aceitou a serpente como um símbolo de sabedoria, incluindo em seus ensinamentos: "Sede sagazes como a serpente."
A serpente é também um símbolo por excelência da energia. Daí nasce o conceito ioga da kundalini, ou a serpente como imagem da força interior. A kundalini, para os hindus, está representada simbolicamente como uma serpente enrolada sobre si mesma, em forma de anel, numa região do corpo humano sutil que corresponde à extremidade inferior da coluna vertebral.
Livros inteiros foram escritos sobre o simbolismo da serpente e sua importância como arquétipo da psique individual e coletiva.

NA "ILÍADA" DE HOMERO, o grande poema épico que narra a guerra entre gregos e troianos, há um episódio em que aparece no céu uma ÁGUIA levando entre as garras uma serpente ferida. O adivinho grego Calcas interpreta esse sinal como presságio do triunfo helênico (a águia, pertencente à ordem masculina e patriarcal grega, e a serpente, representando a prevalência feminina e matriarcal da Ásia).

POR UMA DESSAS SINCRONICIDADES INEXPLICÁVEIS, um antigo e famoso místico questionou: "Quem é mais forte, a águia ou a serpente?" Ambas são igualmente fortes.Já foi dito que a águia é a serpente dos céus, e a serpente é a águia da terra. Isso é certo, porque elas se complementam. Na verdade a serpente é mais forte. A Águia desce à terra e agarra a serpente com suas presas. Mas a serpente, mesmo alçada ao ar, mesmo levada ao reino da águia, ainda é capaz de picá-la, envenenando-a e fazendo-a cair ao chão e morrer.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Jornalista e Escritor. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, cadeira 2).

quinta-feira, 14 de abril de 2011

DANCE COM O CORPO DE TUA ALMA


PEREGRINAR, afinal, é isso: ir a lugares próximos ou distantes em busca de recados, sinais, descobertas e "insights" que possam ampliar os limites da nossa consciência cósmica ou visão de mundo, da vida, de universos paralelos, de nós mesmos.

No mundo sobrevivem os mais fortes. Essa realidade adquire interpretação especial no deserto: sobevivem os que têm maior poder de adaptação. Adaptabilidade é sinônimo de inteligência.

Concernente à alma, ela fica aqui, próxima dos entes amados, e continua a agir e influir na vida das pessoas e da coletividade. Ela precisa, por isso, ser alimentada, cultuada e relembrada, para que o vínculo não caia no esquecimento. A alma dos mortos alimenta-se da memória dos vivos. A brevidade do tempo existencial e a eternidade do tempo espiritual.

O vento não sabe de onde vem e nem para onde vai. Ele é solto e livre e se compraz no movimento. Dança com o vento. Tu és feita para dançar no ar, como baila nos teus sonhos.

Irás dançar com o corpo de tuas emoções, do teu sentir e do teu pensar. Irás dançar com o corpo de tua alma. Basta deixar fluir, fluir, fluir...
A visão se desfez. Abri os olhos. O vento cessara e a noite caíra sobre o Vale da Lua. Tudo estava em paz quando desci a encosta em direção aos companheiros de viagem que esperavam lá embaixo. A mensagem chegara e por ela eu refaria cem vezes a viagem ao deserto.

(EUGENIO SANTANA, FRC - é escritor e jornalista. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, cadeira número 2. Exerce, atualmente, o cargo de Jornalista/Revisor do jornal "DIÁRIO DA MANHÃ".)

TEM MAIS PRESENÇA EM MIM O QUE ME FALTA...




Creio que o meu alter-ego Fernando Pessoa teve inúmeros choros semelhantes com o choro de minha filha Nuria Liz. E foi para explanar a ausência de motivações dos seus choros que ele escreveu:

O que me dói não é
o que há no coração
mas essas coisas lindas
que nunca existirão...

Ri - e chorei muito - ao reler, depois de algum tempo, "A Sombra do Vento", "Verdes Moradas" e "Neuroforia". E sempre chego às lágrimas ao ler os poemas da poeta portuguesa Florbela Espanca. Por que rimos e choramos por aquilo que não existe, aquilo que é ilusão?
A resposta é óbvia: choramos e sorrimos porque a alma é feita com o que não existe, é latente; invisível, oculta. Coisa que só os artistas sabem.
"Somos feitos da mesma matéria dos nossos sonhos", dizia Shakespeare. E mais: concordo com o meu amigo poeta de Mato Grosso, Manoel de Barros: "Tem mais presença em mim o que me falta". E completo com Miguel Unamuno:

Recorda, pois, ou sonha, alma minha
- a fantasia é tua substância eterna -
o que não foi;
com tuas figurações faze-te forte,
que isso é viver, e o restante é morte.

As estórias são flores-estrelas que a imaginação fértil faz crescer no lugar da DOR. Minha literatura cresce a partir das dores de minha filha, que eram minhas próprias dores. Por isso, disse que comecei a escrever a partir dos 16, porque aos 11, nos primeiros anos escolares, me foi revelado esse Dom natural que, por via de consequência, se transformou numa "missão de vida".

Atenuar a DOR ou curá-la, isso o mundo desigual e caótico pode fazê-lo.
A inspiração e a imaginação são a ARTISTA QUE TRANSFORMA o sofrimento lancinante em BELEZA. E a beleza torna a DOR tolerável. Em vista disso, ESCREVO poemas, crônicas, contos, ensaios e artigos há mais de 25 anos: para concretizar a alquimia da PALAVRACESA; transformar dor em flor. Meus escritos são as minhas poções mágicas...
Não existe contra-indicações nem é necessário receitas...

(EUGENIO SANTANA é escritor e jornalista. Atualmente, Jornalista/Revisor do jornal "DIÁRIO DA MANHÃ". E membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, cadeira número 2.)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

DUALIDADE DO SER: UNS SEGUEM A LUZ DO AMOR; OUTROS, AS TREVAS DO DESAFETO




FORAM-SE OS AMORES QUE TIVE ou me tiveram. Partiram num cortejo iluminado. A solidão me ensina a não acreditar na morte, nem demais na vida: cultivo o jardim dos dias felizes - Avoé, Vander Lee e sua canção "meu jardim" - onde estamos eu, os sonhos idos, os velhos amores e os seus recados e/ou sinais, e os olhos deles que ainda brilham como pedrinhas de cor entre as raízes.

O AMOR BUSCA UMA FUSÃO IMPOSSÍVEL, pois é o embate de duas solidões: dois senhores, dois reis, cada um eventualmente disposto a fazer-se escravo, mas não podendo abdicar de sua condição sob pena de se tornar invisível, portanto impossível de ser visto e amado.
O repetido drama do ruído entre o que se diz e o que é ouvido, o que se faz e o que é sentido, se desenrola em cada ato de cada cenário de cada Amor.
Mesmo assim, é o Amor que torna a Vida possível.
O mesmo Sol que pode queimar as retinas, ilumina e aquece - e permite que o mundo seja respirável e habitável.

A VIDA CHEGOU A UM PATAMAR de onde pensamos enxergar tudo o que há para se ver: superamos dores, cumprimos tarefas, tivemos alegria, realizamos coisas impensáveis na juventude.
Talvez a gente nem precise mais entrar em guerra alguma.
Mas o sono da serenidade é equivocado, a sensação de ter enfim chegado é precária e provisória, o chão estremece debaixo de nossos pés-alados de Hermes e nos damos conta de que ainda estamos embarcados.
Há muito Oceano a singrar, muita crista de onda, muita paisagem pela frente com ou sem Albatroz - a gigantesca Ave-Guia dos poetas em circunstâncias marítimas.
Morrer antes do tempo é um desperdício imperdoável.

EVENTUALMENTE saímos da nua e crua realidade e queremos realizar a façanha improvável de Amar por dois.
Somos excesso, somos demasia, não somos o mar, somos a maresia, tentando ignorar a distância sobre o mar das impossibilidades a apontar: naufrágio - ou nau-frágil?

ENTRE AMADO E AMADA uma parede espacial, vidro de circunstâncias que a gente inventa e desfaz ao sabor do imponderável.
Entre duas praias quase iguais, o coração alado viaja: eu, farol de Alexandria aceso em cada lado, sou dois sendo um - e assim penso que existo.

UM ANJO DE LUZ VEM TODAS AS NOITES: senta-se ao pé de minha cama e passa sobre meu coração-partido a asa tensa-tênue, como se fosse o meu melhor amigo - e é provável que seja.
Esse Fantasma flutuante e belo que chega e me abraça num amplexo de pura ternura - asas cobrindo a ferida do flanco - é todo o Amor que resta entre ti e mim e está comigo para sempre.

OS IMBECÍS PENSAM QUE A PASSAGEM DO TEMPO é pura perda; que só os jovens e os belos têm direito de Amar plenamente.
O equívoco é não entender que a juventude, bela e gloriosa, é também período de grandes aflições, que muitas vezes nos impõe o amor superficial e apressado, olhando mais para os lados (os outros como estão me vendo?) ou para o espelho (como estarei?) e não para a pessoa amada.
O tempo depura, não destrói.
O tempo é mestre, não carrasco.
A não ser que a gente só saiba olhar para o outro buscando nosso próprio reflexo: aí, sim, o amor não vale a pena de ser buscado.
Pois seremos apenas embrulho de pele recobrindo carne, e ossos, e vazio.

ENTÃO ALGO MUDOU: o tom da voz, o olhar que se esquiva a mão que se afasta.
A porta precisa ser fechada, a ponte pencil levantada, incendiados os navios. Levaremos meses, anos estendendo as mãos de luz para um vazio abissal, interrogando uma AUSÊNCIA.
Encarar a realidade é um modo de morrer. Mas sem isso, não haverá renascimento.

A LIBERDADE DO OUTRO teria de ser mais importante do que a nossa, por ser mais difícil. A medida certa para amar sem podar, e ser amado sem se diminuir. Amar sem resignação: arte complexa. Contraditórios somos, e vamos morrer procurando as RESPOSTAS, cada dia um aprendizado de solidão e interrogação no planetazul.

SEMPRE CULTIVEI A INTEGRIDADE, A ÉTICA, A SOLIDARIEDADE, A GRATIDÃO, A ALTIVEZ, A HONRADEZ E A EMPATIA. Ser eu mesmo, ser autêntico. Sei, contudo, que este meu rosto desfigurado - pelas Dores do Mundo e a inversão de valores - não é o definitivo, nem é minha esta voz de locutor de FM - sem sotaque - ou esta vida ávida de incontornáveis contrastes sociais neste incorrigível e corruptível continente tupiniquim de macunaímas e arrivistas de carteirinha.
Por trás da cortina que visualizam, desenrola-se meu verdadeiro caminho - quem sabe um dia, o "Caminho do meio?" - . Mas dele eu sei tão pouco quanto qualquer um de vós, diletos leitores meus.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Jornalista, Escritor, Poeta, Redator publicitário, Relações públicas, Assessor de Imprensa, Copidesque, Revisor de textos, Ensaísta literário e Editor. Autor de livros publicados. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, onde ocupa a cadeira número 2.)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

UM NOVO AMOR...




Antes os dias eram apenas dias monótonos:
Altos e baixos, chegadas e partidas, noites mal-dormidas,
Solidão e alguns estilhaços de euforia.
Agora, o cenário é outro
E ganhou asas de sonhos azuis,
Palavras são pássaros exóticos e encantados,
O cotidiano virou do avesso e se tornou
Milagre.

Quero um novo amor, tão suave e arrebatador
Como se numa praia deserta dançasse um menino.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor mineiro-goiano-carioca-catarinense... Poeta, Redator publicitário, Copidesque, Revisor de textos, Relações públicas, Ensaísta literário, Editor. Um self-mad man autor de livros publicados.)

terça-feira, 5 de abril de 2011

ESPELHO - ESTE LABIRINTO DE CRETA




O espelho - este labirinto de Creta.
Este dédalo de meandros.
Esta realidade nua
e crua. Esta vertigem - esta verdade inquestionável,
este hieróglifo de luz.

Ah! Então é isto! - O espelho diáfano tremeluz,
é onde o pássaro das águas da infância (re)pousa.
Se reflete,
se debate asa ferida, aferida - há ferida.

E provoca a transição provável.

O espelho velho ou sujo deforma a imagem
o rosto fica DESFIGURADO.
Porque o espelho dentro do rosto
é inimigo adequado.
Eterno e breve.
Transcende a con-vivência consigo mesmo
e o tempo marcado.

O espelho dentro do rosto
como o rosto espesso, naufragado, diverso, esparso,
estúpido, estranho,

é esterco do tempo
e ouro da morte.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Jornalista, Escritor, Poeta, Redator publicitário, Relações públicas, Assessor de Imprensa, Copidesque e Editor. Autor de livros publicados. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, onde ocupa a cadeira número 2.)

E NADA É INÚTIL. AINDA QUE PAREÇA CONTRADITÓRIO




Alguma Olga ou alga
inventa o rio do tempo.
Ali onde luas, estrelas, estalos - Reflexos do Sol...
Ali onde áspera é a Beleza,
suave em excesso.
Ali fibra. Ali febre vibra - esconderijo de Hidra?

Vai até a porta.
Esta da almaladazul - a secreta.
O espelho é dentro.
O enigma se chama:
fechado é aberto.

Amiga-irmã nos longes,
nas cartas raras.
Onde se partem amarras,
onde se amarram Destinos.

Terra estranha.
E plena de afetos - ainda há fetos?
Sem efeitos 3D gratuitos.
Sequer palavras coloridas.

Exílio. Exilas.
Ali se resume a vida.
E nada é inútil.
Ainda que pareça o contrário.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor, Jornalista, Poeta, Redator publicitário, Ensaísta literário, Relações públicas, Copidesque e Editor. Pertence a mais de 30(trinta) instituições culturais do Brasil e Portugal.)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ONDE FICARAM OS VOSSOS PÁSSAROS ABATIDOS?




Onde ficaram os vossos pássaros abatidos,
empalhados nos armários,
onde ficaram?

Onde ficaram
os armários embutidos de vossas salas
com suas portas entalhadas
e gavetas entulhadas
de documentos, dividendos, excrementos e certidões?

Onde ficaram as vossas malas decoradas,
confeitadas de lembranças,
onde ficaram as neuroses cravejadas de brilhantes?
Onde ficaram as vossas recordações de
onde ficaram as águas vivas de vossos mares?

Onde ficaram
os desejos - a libido,
a cobiça, a ambição, a ganância,
a ética postada de lado?
Onde ficaram os vossos amores
de amoras arrancadas
dos tempos de fingimento e dissimulação?

Onde ficaram os vossos diplomas, títulos, medalhas e troféus;
as vossas denúncias, os vossos sustos, os vossos insultos
e vossas almas levitando em ganchos de açougue,
na paisagem tropical?

Onde ficaram os vossos segredos
a sete chaves guardados,
a partilha degredo a degredo,
o rabo entre as pernas
como certificado de medo,
o papel assinado, tremido, dobrado
e a Asa da prepotência fingindo voar
e não mais que arremedo,
onde ficou o vosso enredo?

De todas aquelas frases-feitas bem feitas
empoladas, empenadas, emboloradas
desfeitas agora
de mórbidas intenções, plágios e mentiras,
o que restou?

De todas aquelas sentenças lidas,
carimbadas, assinadas, seladas de princípios,
ofícios, orifícios,
de identidade forjada em cartilhas, antilhas,
lentilhas, baunilhas, país das maravilhas,
o que sobrou?

Restou o tempo.
E antes do tempo final
eu vos colhi.
A bordo de vossa nau de luxo.
A bordo de vosso deslumbramento.
A bordo de vosso desdobramento
de mil caras pintadas de pó-de-arroz.
E vos enclausurei
e vos abri na palavracesa.

Antes da morte
vos revelei.
e vos engastei no poema processo protesto.
E no tempo permanente.
Com vossas verdades dissimuladas.
E minhas verdades camufladas.
E toda hipocrisia em praça pública.

Ali ficam as respostas.
Ali ficaram as dúvidas.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor, Poeta, Jornalista, Publicitário, Relações públicas, Copidesque, Assessor de Comunicação e Editor. Autor de livros publicados. Um Self-mad man. Simples assim...)

BUSCO O VERBO OU A PALAVRA DE LUZ?




Busco a palavra fóssil.
Não é a palavra fácil
que busco.
A palavra antes da palavra.
Procuro a palavra Verbo.
Esta que me antecede
e se antecipa na Aurora
e silencia no Crepúsculo
e na origem do ser humano.

Busco desenhos
dentro da palavra.
Sonoros desenhos, tácteis,
aromas, desencantos e sombras.
Esquecidos traços. Laços.
Escritos, encantos luminosos reescritos.
Na área dos atritos.
Dos detritos.
Em ritos - ou mitos - ardidos da carne
e ritmos esvoaçantes do Verbo.
Em labirintos metafísicos sem saída.

Sinais, vendavais, ciclones, silêncios.
Na palavra acesa ocultam restos, rastros de animais,
minerais, vegetais da insensatez - ou estupidez.
Distâncias, lembranças, circunstâcias, lágrimas,
exílio.

Palavras são seda, aço.
Cinza onde escrevo e me refaço do cansaço.
Transpiro.
Inspiro.
Racionalizo.

Mas o que se revela antigo, arcaico, comovente,
perene e para sempre vivo,
vem da lapidação do coração.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor, Poeta, Jornalista, Publicitário, Relações públicas, Editor, Assessor de Comunicação, Copidesque e Ensaísta literário.)

TODO SER HUMANO PRECISA SER PERDOADO




PERDÃO significa liberdade - libertamo-nos do orgulho, do ressentimento e da amargura. Recomeçamos outra vez e em certo sentido renascemos.

O PERDÃO, portanto, não é um sentimento, é uma decisão que vem do coração.

Quando nos confrontamos com alguém que nos constrangeu, ofendeu ou prejudicou, devemos nos lembrar de que não ganhamos nada por guardar rancor em nosso coração. O perdão requer um processo de cicatrização dentro de nós, que nos faz parar de sofrer quando nos lembramos do que a outra pessoa fez ou disse.

O PERDÃO É A CHAVE QUE ABRE a porta do ressentimento e as algemas do ódio.
É um poder que rompe as correntes da amargura e os grilhões do egoísmo.

Aquele que não consegue perdoar os outros derruba a ponte sobre a qual ele
mesmo precisa passar; porque todo homem precisa ser perdoado.

Só "esquecemos" quando as mágoas deixam de existir! Quando você se comprometer a PERDOAR alguém, peça a Deus que o livre do impacto do comportamento dessa pessoa em sua vida. PERDOE, esqueça e comece a viver novamente.

(copy-desk by Eugenio Santana, FRC - Jornalista, Escritor, Editor, Copidesque, Publicitário, Poeta e Relações públicas. Livros publicados; Ensaísta literário.)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O 4º PODER É REAL? É POSSÍVEL DETECTAR SE "ELE" AINDA EXISTE?


Com toda razão, a mídia, em seus diferentes campos de atuação, é considerada o quarto poder. Os outros três são muito bem conhecidos, começando pelo executivo, passando pelo legislativo e terminando com o judiciário. Este quarto poder é o que investiga, divulga, pesquisa e atualiza constantemente o cidadão, dando destaque aos atos importantes dos três primeiros, além de prestar um sem-número de serviços públicos, desde informar as novas descobertas da ciência, até as programações culturais, os assuntos sócio-políticos ou focando e agradando o público feminino com as tendências da moda, da culinária (e as inevitáveis fofocas), ou aumentando o estresse da platéia masculina com o onipresente futebol e, um pouco distanciados, muitos outros esportes, individuais ou coletivos. Há milhares de cadernos, canais, estações de rádio e outros para quase todo tipo de ser humano. Com certeza, utilizando cada vez mais recursos moderníssimos, tecnologias de última geração, imagens de todos os ângulos, aquela câmera lenta que desvenda detalhes, outrora imperceptíveis num determinado lance, ou que coloca a cena da tela bem no nosso colo, como no caso da 3D; é assim possível entreter cada vez melhor o assinante, aquele indivíduo que deseja espairecer, relaxar, torcer, esquecer um pouco a dura realidade do mundo em que vivemos.

No entanto, infelizmente, o aspecto essencial, o alimento, a informação de que realmente necessitamos em nossa caminhada, nos é negado rigorosa e pontualmente. Poderá ser que este poder esteja dependendo por demais dos outros três... talvez encontre-se de rabo preso, perdendo sua cristalinidade, sua transparência, seu espírito de busca incessante pela verdade. Parece mesmo que já está acomodado, que as polpudas verbas de publicidade - pública e privada-, limitaram sua agilidade, acuidade, ética e, assim, o serviço ao público virou serviço ao poder público (e privado).

Não entrarei aqui no mérito da qualidade dos programas exibidos na TV, na superficialidade, na inutilidade de certas revistas ou na violência servida a toda hora e lugar, ao medo que é espalhado no éter e que contamina quem lê jornais, assiste TV ou ouve rádio.

O que realmente incomoda, o que assusta mesmo é o silêncio, o descaso, a ausência, a invisibilidade. Refiro-me aqui a uma infinidade de assuntos, de técnicas, de recursos disponíveis na Natureza para ajudar a Humanidade em sua caminhada, algo que teimosamente a maioria dos meios, inclusive os que assino regularmente há décadas, insiste em ignorar.

Histórias de superação, de altruísmo, de almas nobres, despertas, compassivas não fazem parte da pauta. Divulgar o sucesso comprovado em estudos de caso de técnicas não invasivas, das terapias espirituais, das curas à distância, da eficácia do perdão ou da EFT, da terapia regressiva, das constelações familiares, das essências florais, da fitoterapia, e de um sem-número de outras aliadas, é praticamente proibido.


(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC – Jornalista, Escritor, Ensaísta literário, Publicitário, Assessor de Comunicação, Editor, Coordenador de RH, Relações públicas, Gerente Administrativo/Comercial. Integrante da ALNM-MG, UBE/GO, Greenpeace/SP, ADESG-DF. Autor de livros publicados. 18 Prêmios literários nos gêneros conto, crônica e poesia; Self-mad man e Verse maker.)