segunda-feira, 27 de junho de 2011

STF: UM ANDRÓIDE OU ANDRÓGINO EQUIVOCADO? (*)






A meu ver, a decisão mais equivocada, questionável e tendenciosa de toda a história do STF: permissão do casamento ou união estável, com direito ao registro em cartório, de casais gays e/ou homossexuais.
Isto é um absurdo abominável, inconcebível e inconstitucional. Enfim, uma completa inversão de valores. Uma vitória infeliz da mediocridade e da hipocrisia.
Afinal, os ministros, em sua maioria, da Corte Suprema, possuem filhos gays? Sei que são nomeados pelo Poder Executivo. Então, questiono: há interesse da Presidência da República em apoiar o minoritário movimento gay?
Sei que o ministro Joaquim Barbosa - meu amigo de infância, visto que ambos somos contemporâneos e conterrâneos oriundos da histórica Paracatu-MG - não seria capaz de apresentar seu voto favorável a essa aberração ou magnífica farsa. Sei que ele tem problemas de saúde e, que embora ainda jovem, talvez o tenham aposentado e, via de conseqüência, estaria fora de combate.
A coragem, a ousadia, a criatividade, o discernimento, o bom senso e a busca incessante da verdade são características típicas dos mineiros e só podia ser um jovem magistrado mineiro de Uberaba, radicado em Goiânia, para agir com bravura, questionar e ousar desafiar o poderoso STF com o sólido argumento da Carta Magna – a Constituição Federal do Brasil que, em sua essência, nitidamente conceitua o que é, verdadeiramente, um núcleo familiar. Meu profundo respeito, apoio, solidariedade e perene admiração pelo meritíssimo juiz Jeronymo Pedro Villas Boas.
A atitude de escrever esse artigo se originou pelo fato de ser pai de duas filhas e um filho. Por respeito a eles que são fruto de um casamento autêntico, legítimo, original. Família se constitui por meio de um homem e uma mulher que se amam e são capazes de procriar; gerar filhos e criar sua prole. Está no Livro Sagrado – lei de Deus; está na Constituição federal – lei dos homens.
Quanto mais civilizados se tornam os homens, mais eles se tornam atores. Querem exibir-se e fabricar uma ilusão. Tenho tentado suprimir em mim as razões que homens invocam para existir e para atuar. Tenho tentado chegar a ser normal, e eis-me aqui perplexo, no mesmo plano que os imbecis e tão vazio como eles. Diante de um tribunal absoluto, apenas os Anjos seriam absolvidos.
No apogeu se procriam valores que, no crepúsculo, gastos e desfeitos, são abolidos. Fascinação da decadência, épocas em que as verdades já não possuem vida... em que se amontoam como esqueletos na alma pensativa e seca, no ossário dos sonhos mortos.
Neste mundo nada está em seu lugar, começando pelo próprio mundo. Não há que assombrar-se então com o espetáculo da injustiça humana. É igualmente inútil repudiar ou aceitar a ordem-social: somos obrigados a sofrer suas mudanças, para melhor ou para pior, com um conformismo desesperado, como sofremos com nascimento, amor, clima ou morte.
Se em algum caso extremo se pode governar sem crimes, é impossível fazê-lo sem injustiças. Espero, sinceramente, na condição de pai e cidadão brasileiro, que o STF reveja, com a máxima brevidade, seus conceitos e, em casos polêmicos e delicados, que promova plebiscito e dê atenção, em primeira instância, ao clamor popular e aos multiformes segmentos da sociedade. Maktub!

(*) Eugenio Santana, escritor, jornalista. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM-MG); da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-DF); da Associação Catarinense de Imprensa (ACI); livros publicados.

LEIA ÚLTIMA PESQUISA PERTINENTE AO POLÊMICO ASSUNTO:

Mais da metade dos brasileiros são contra união gay, diz Ibope
DE SÃO PAULO

Uma pesquisa do Ibope Inteligência divulgada nesta quinta-feira mostra que 55% dos brasileiros são contrários à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que reconheceu a união de casais do mesmo sexo.
Veja os principais resultados da pesquisa
Maioria é contra adoção por casal gay no Brasil
O estudo, realizado entre os dias 14 e 18 de julho, identifica que as pessoas menos incomodadas com o tema são as mulheres, os mais jovens, os mais escolarizados e as classes mais altas.
Sobre a decisão do STF, 63% dos homens e 48% das mulheres são contra. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 60% são favoráveis, enquanto 73% dos maiores de 50 anos são contrários.
Considerando a escolaridade, 68% das pessoas com a quarta série do fundamental são contra a decisão, enquanto apenas 40% da população com nível superior compartilha a opinião.
Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, 60% são contra. Já no Sul a proporção cai para 54% e, no Sudeste, 51%.
"Os dados mostram que, de uma maneira geral, o brasileiro não tem restrições em lidar com homossexuais no seu dia a dia, tais como profissionais ou amigos que se assumam homossexuais. Mas ainda se mostra resistente a medidas que possam denotar algum tipo de apoio da sociedade a essa questão, como o caso da institucionalização da união estável ou o direto à adoção de crianças", afirma Laure Castelnau, diretora do Ibope Inteligência.
Questionados se aprovam a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, a proporção de pessoas contrárias é a mesma dos que não querem a união gay: 55%.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com mais de 16 anos em 142 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de intervalo de confiança. 28/07/2011.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

GUARDIÃO DA PALAVRA




Senhor do Alfa-Ômega
Guardião da Palavra
onde inscrever a abstração do símbolo?

Onde o vocábulo não traçado
idéia comunicada
forma e sentido?

A esfera murmura o ciclo imutável.
Há um enlear de susto no espaço
que se curva...

Como conter nos signos inventados
o imponderável
da linguagem futura?

Palavra-pensamento
separados
-- asa levantada
instintos de raiz.
O pensamento pensa.
A palavra não diz.
Vem.
Sem mágica ou encantamento.
Nenhum filtro.
Os poros abertos ao entendimento
e o passo curtíssimo
da vida
no infinito.
Amor – o Anjo.
A porta alonga para mais fundo
dentro do mundo
e tu
aqui!

Vem.
Aquele fruto impoluto
ao toque dos dedos desajeitados
vacila, espera, enrubesce e cai.
Nasceste redimido
ou não terias nascido
-- para quê?
Em teu berço gerado, ao teu lado
o uni/verso.
O impulso que te inventa
movimenta o círculo fechado.
Não existiu antes
nem existirá depois
de ti.

Vem.
Imaginemos a luz o nosso rumo alado.
Verás inexistência
onde crias.
Total a inteligência
quando pensa
faz.

Onde o caos?

Tudo é sereno e pleno.
Mesmo o nada importa um traço
lançado antes de ser.

Ao astro a iridescência.
À célula viver.

(Copidesque/fragmento/releitura por Eugenio Santana, FRC.)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

SERIA O DIA MAIS IMPORTANTE DE SUA VIDA. ELE TERIA A COMPANHIA DO MESTRE


O Mestre, fitando o homem nos olhos, e com o mais lindo dos sorrisos, respondeu:
- Prepare tudo. Eu irei.
Então, afastou-se.

Seria o dia mais importante de sua vida. Ele teria a companhia do Mestre. Comprou o melhor vinho e os melhores alimentos, procurou pelas roupas mais bonitas, que daria de presente ao Mestre. Depois, correu para casa para fazer os preparativos. Limpou a casa inteira, preparou uma refeição maravilhosa e arrumou a mesa, deixando-a bonita. Seu coração transbordava de felicidade, porque logo o Mestre estaria ali.
O homem esperava, ansioso, quando alguém bateu em sua porta. Mas ao atender, em vez de ver o Mestre, viu uma velha. Ela olhou-o nos olhos e disse:
- Estou morrendo de fome. Pode me dar um pedaço de pão?
Um pouco desapontado, porque não era o Mestre, o homem fitou a mulher e respondeu:
- Por favor, entre.
Sentou-a no lugar que reservara para o Mestre e deu-lhe da comida que preparara para ele. Mas estava nervoso e mal conseguia esperar que ela acabasse de comer. A velha ficou emocionada com tanta generosidade, agradeceu e partiu.
O homem mal acabara de arrumar tudo novamente para receber o Mestre, quando tornaram a bater em sua porta. Daquela vez era um estrangeiro que atravessara o deserto. Olhou o homem nos olhos e disse:
- Estou com sede. Pode me dar algo para beber?
Desapontado mais uma vez, porque não era o Mestre, o homem convidou-o para entrar, sentou-o no lugar reservado para o Mestre e deu-lhe do vinho que pretendera oferecer a ele. Quando o estrangeiro partiu, ele voltou a arrumar tudo para receber o Mestre.
Tornaram a bater na porta. Quando o homem abriu, deparou-se com uma criança, que o olhou e disse:
- Estou com frio. Pode me dar um cobertor com que eu possa me cobrir?
Um tanto desapontado, porque novamente não era o Mestre, ele olhou a criança nos olhos e sentiu o amor encher seu coração. Juntou rapidamente as roupas que pretendera dar ao Mestre e com elas cobriu a criança, que agradeceu e partiu.
O homem tornou a arrumar tudo e ficou esperando até tarde da noite. Quando percebeu que o Mestre não chegaria, ficou decepcionado, mas perdoou-o, dizendo a si mesmo: “Eu sabia que não podia esperar que ele viesse a esta casa humilde. Embora prometesse vir, algo mais importante deve tê-lo prendido em outro lugar. O Mestre não veio, mas pelo menos me disse que viria, e isso bastou para me deixar feliz”.
Guardou lentamente os alimentos e o vinho e foi dormir. Sonhou que o Mestre entrava em sua casa. Ficou muito feliz ao vê-lo, pois não sabia que estava sonhando.
- Mestre, o senhor veio! Manteve sua palavra.
O Mestre respondeu:
- Estou aqui, sim, mas já estive, antes. Estava faminto, e você supriu minha necessidade de alimento. Estava sedento, e você me deu vinho. Estava com frio, e você me deu roupas. Seja o que for que fizer aos outros, estará fazendo a mim.
O homem acordou, e seu coração estava cheio de felicidade, porque ele entendera o que o Mestre lhe ensinara. O Mestre amava-o tanto, que mandara três pessoas a sua casa para dar-lhe a maior das lições: ele vive dentro de cada um de nós. Quando alimentamos os famintos, damos água aos sedentos e vestimos os que sentem frio, estamos oferecendo nosso amor ao Mestre.

(*) por Eugenio Santana, escritor, jornalista. Integrante da ADESG-DF, ALNM-MG, UBE-GO/SC, AMORC-PR, SJP-DF, FENAJ-DF e GREENPEACE-SP. Ex-superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro. eugeniosantana9@uol.com.br

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O QUE É VERDADEIRO NÃO NECESSITA DO APOIO DE NINGUÉM




Para curar o corpo precisamos abrir as feridas, limpá-las e usar algum tipo de remédio. É necessário manter as feridas limpas, até que sarem. Como vamos abri-las? Nosso instrumento será a verdade. Dois mil anos atrás, um dos maiores mestres ensinou: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
A verdade funciona como um bisturi, e é doloroso abrir as feridas e descobrir todas as mentiras. As feridas em nosso corpo estão cobertas pelo sistema de negação, uma porção de mentiras que criamos para protegê-las. Quando olhamos para as feridas com os olhos da verdade, somos capazes de curá-las.
A verdade é relativa, neste mundo. Transforma-se o tempo todo, porque vivemos num mundo de ilusão. O que é verdadeiro agora, daqui a pouco não é mais. Então, pode voltar a ser. A verdade pode ser apenas mais um conceito, outra mentira para ser usada contra você. Nosso próprio sistema de negação é tão forte e poderoso, que se torna complicado demais. Existem verdades encobrindo mentiras, e mentiras encobrindo verdades. É como descascar uma cebola. Você vai descobrindo a verdade aos poucos, tirando camada por camada, até que, no fim, abre os olhos e vê que todas as pessoas, inclusive você mesmo, mentem sem parar.
Quase tudo neste mundo de ilusão é mentira. Ninguém precisa acreditar em mim, mas, sim, pensar e fazer suas próprias escolhas. Que as pessoas acreditem no que quiserem acreditar, baseadas no que eu digo, mas apenas se acharem que minhas palavras fazem sentido, que as deixam felizes. Se o que eu digo ajuda-as a despertar, elas que escolham acreditar. Sou responsável pelo que digo, mas não pelo que os outros entendem. Cada um de nós vive num sonho completamente diferente. O que eu digo, mesmo que seja absolutamente verdadeiro para mim, pode não ser para as outras pessoas.
Não acreditem nas outras pessoas, porque todas mentem o tempo todo. Quando vocês não tiverem mais feridas, quando não tiverem a necessidade de acreditar nos outros só para serem aceitos, verão tudo com mais clareza. Verão se algo é preto ou branco, ou não. O que é certo agora talvez não seja mais dentro de alguns momentos. O que agora não é certo, pode ser daqui a alguns instantes. Tudo muda rapidamente, mas vocês terão consciência disso, verão a mudança. Não acreditem nos outros, porque eles usarão essa sua estúpida credulidade para manipular suas mentes. Não acreditem em ninguém que diz que veio das Plêiades para salvar o mundo. Não precisamos que ninguém venha salvar nosso planeta. O mundo não precisa de alienígenas salvadores. O mundo é um ser vivo, mais inteligente do que nós todos juntos. Se acreditarmos que o mundo precisa ser salvo, logo alguém virá para nos dizer: “Olhem, vem se aproximando um cometa, e precisamos fugir do planeta. Matem-se e pronto! Vocês alcançarão o cometa e viajarão nele até o céu”. Não acreditem nessas histórias mitológicas. Criamos nosso próprio sonho de céu, ninguém pode criá-lo por nós. Nada, a não ser o bom senso, nos levará à felicidade.
Tudo o que não for verdadeiro desaparecerá como fumaça neste mundo de ilusão. Tudo é o que é. Não é preciso justificar o que é verdadeiro, não é preciso explicar. O que é verdadeiro não necessita do apoio de ninguém. Mentiras precisam de seu apoio. Uma pessoa tem de criar uma nova mentira para apoiar aquela que dá apoio e mais mentiras para apoiar o conjunto todo. Cria-se, então, uma grande estrutura de mentiras, que desaba quando a verdade aparece. Mas as coisas são assim. Ninguém precisa sentir-se culpado por estar mentindo.
A maioria das mentiras em que acreditamos simplesmente dissipa-se, se deixarmos de acreditar nelas. Mentiras não sobrevivem ao ceticismo, mas a verdade sobrevive. O que é verdade é verdadeiro, acreditemos ou não. O universo é composto de astros. É verdade, acreditemos ou não. Só o que é verdadeiro sobrevive, e isso vale também para os conceitos que temos a nosso respeito.
Quando abrimos as feridas, temos de limpá-las, livrando-as do veneno. E como vamos fazer isso? Perdoando. Foi o mesmo mestre de dois mil anos atrás que nos deu essa resposta. Não há outro instrumento além do perdão para limpar as feridas e eliminar o veneno.
Devemos perdoar aqueles que nos magoam, mesmo que achemos imperdoável o que nos fizeram. Nós os perdoaremos, não porque eles mereçam ser perdoados, mas porque não queremos sofrer, ferindo a nós próprios, toda vez que nos lembramos do mal que nos fizeram. Não importa a extensão da ofensa, nós perdoaremos aqueles que nos ofenderam, porque não queremos viver nos sentindo mal. O perdão é uma cura mental. Perdoamos porque sentimos compaixão por nós mesmos.
Só o amor que jorra de dentro de você pode levá-lo à felicidade. Amor incondicional por si mesmo, uma completa rendição a ele. Assim, você não mais resistirá à vida, não mais se rejeitará, não mais levará consigo uma bagagem de vergonha e culpa, se aceitará como é, e aceitará as outras pessoas como elas são. Você tem o direito de sorrir, de ser feliz, de, sem nenhum medo, dar e receber amor.

(*) por Eugenio Santana, escritor, jornalista. Integrante da ADESG-DF, ALNM-MG, UBE-GO/SC, AMORC-PR, SJP-DF, FENAJ-DF e GREENPEACE-SP. eugeniosantana9@uol.com.br

quarta-feira, 8 de junho de 2011

DESPERTAR É COMO ESTAR NUMA FESTA COM MILHARES DE PESSOAS, ONDE TODAS ESTÃO EMBRIAGADAS, MENOS VOCÊ




VOCÊ É A ENERGIA que brinca com sua mente e que, para divertir-se, usa seu corpo como brinquedo favorito. É para isso que está aqui, para brincar, para divertir-se. Nasceu com o direito de ser feliz, com o direito de aproveitar a vida. Não está aqui para sofrer. Quem quiser sofrer, que sofra, mas isso não é necessário.
Então, por que sofremos? Porque o mundo inteiro sofre, e acreditamos que o sofrimento é algo normal. Criamos um sistema de crenças para apoiar essa “verdade”. As religiões dizem que viemos ao mundo para sofrer, que a vida é um vale de lágrimas. Sofra agora, com paciência, pois terá sua recompensa quando morrer. Palavras bonitas, mas falsas. Escolhemos o sofrimento porque aprendemos a sofrer. Se continuarmos a fazer as mesmas escolhas, sofreremos sempre.
Quando nos tornamos sábios, não precisamos usar todas aquelas imagens que criamos. Não temos de fingir que somos outra pessoa. Nós nos aceitamos como somos e, por meio dessa aceitação de nós mesmos, aceitamos todas as outras pessoas. Não mais tentamos mudá-las, nem impor nosso ponto de vista. Respeitamos as crenças delas. Aceitamos nossa condição humana, com todos os instintos de nosso corpo. Somos animais, e não há nada de errado nisso. Somos animais, e os animais seguem seus instintos. Somos humanos e, por sermos tão inteligentes, reprimimos nossos instintos, tapamos os ouvidos à voz do coração. Vamos contra nosso corpo e tentamos reprimir suas necessidades, ou negar sua existência. Quem tem sabedoria não faz isso.
Quando nos tornamos sábios, respeitamos nosso corpo, nossa mente, nossa alma. Deixamos que o coração, e não a cabeça, governe nossa vida. Não mais sabotamos a nós mesmos, nossa felicidade, nosso amor. Não mais carregamos remorsos e culpas. Não mais nos julgamos, nem julgamos as outras pessoas. Todas as crenças que nos tornaram infelizes, que nos obrigaram a levar uma vida de lutas, tão difícil, desvaneceram-se.
Abandone a idéia de querer ser o que não é, torne-se você mesmo. Renda-se à sua natureza, ao que realmente é, e não mais sofrerá. Rendendo-se ao seu verdadeiro eu, você se rende à vida, a Deus. E depois da rendição não há lutas, não há mais resistência, não há mais sofrimento.
Sendo sábios, sempre iremos pelo caminho mais fácil, que é sermos nós mesmos. O sofrimento nada mais é do que a resistência a Deus. Quanto mais resistimos, mais sofremos. Simples assim...
Despertar é como estar numa festa com milhares de pessoas, onde todas estão embriagadas, menos você. A verdade é que a maioria dos humanos vê o mundo por meio de suas feridas e de seu veneno emocional. Eles não têm consciência de que vivem um sonho infernal. Não estão conscientes de que vivem um sonho, da mesma forma que um peixe nadando não está consciente de que vive na água.
Quando você está desperto e é a única pessoa sóbria numa multidão de bêbados, é capaz de sentir compaixão, porque também já esteve embriagado. Não precisa julgar ninguém, nem mesmo os que vivem no inferno, porque você também já viveu lá.
Quando despertamos, nosso coração é uma expressão do espírito, do amor, da vida. O despertar acontece quando tomamos consciência de que “somos a vida.”

(*) por Eugenio Santana, escritor, jornalista. Integrante da ADESG-DF, ALNM-MG, UBE-GO/SC, AMORC-PR, SJP-DF, FENAJ-DF e GREENPEACE-SP.

ÓRFÃO DE MIMESMO




Minha mãe está morta e os pássaros
ainda cantam, cantam, como que me chamando
para os seus ninhos de ternura e sinfonias,
como que me convocando para
os seus esconderijos de infância e levitações.
Mas estou afônico e surdo. Está silente e inaudível
o pouco que restava em mim de íntimo
da infância mineira e seus desvãos e seus cerrados.
Sigo sozinho, e minhas pernas estão geladas,
frias, e o chão me foge aos pés de Hermes, me foge
e mal arrasto tanto peso sob os ombros
de súbito caído, vazio e inerte, no
coração vazio... Minha mãe está morta - fora do combate.
Antes, era simples partir sabendo sempre
para onde regressar. Era simples sair
pelo mundo batendo a cabeça contra
as paredes do tempo, e em algum lugar um dia
poder sobre um regaço descansar
o sono dos muitos sonhos gastos.
Mas minha mãe está morta, as duas mãos
que me levavam em meio às muitas sombras
até à sombra de Deus, assim que me doíam
as feridas da vida... E agora, vou como
um andarilho sem rumo em meio a trevas e golpes
na estrada do imprevisto; vou como
guinchado por pernas como
amputadas do meu corpo como
guilhotinado de mim, e, órfão de mimesmo,
onde vá eu chego à vastidão
ínfimo espaço onde
minha mãe está morta.

(copidesque/releitura Eugenio Santana. Em memória de minha adorável mãe Adília Sant'anna.)

terça-feira, 7 de junho de 2011

VOZES DO TEMPO (*)




Não hei de subjugar-me
a beijar os perenes pés alados
do amor.

Ah, sim: o amor nutriu-me
com polpa de diamantes azuis.

E tantas luzes conspiraram
para o acesso
aos inúmeros muros
de um jardim cósmico
onde eu levava aos lábios os pêssegos
do impensável.

De tanto brilho
restou-me
uma réstia de velacesa
na poética
e assim encaro as noites
longas e misteriosas
e assim adorno as árias
da vida ávida
vivida com o coração-partido.

Ah, sim: é o pretérito que evoco
como em secreto jardim
e transborda entre flores de névoa
e de remorsos.

E as vozes do tempo a me vestir máscaras
para eu mirar-me no espelho
e enxergar como reflexo
o coração aberto
e as mãos, inapelavelmente
fechadas.

(*) por Eugenio Santana, escritor, jornalista. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira 2; sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores, seção Goiânia e Florianópolis, respectivamente. Autor de livros publicados. Acadêmico Benemérito “Ad Honorem” – Centro Cultural, Literário e Artístico de Felgueiras, Portugal.

NÃO HÁ RESTRIÇÃO EM SER FEIO OU BONITO, BAIXO OU ALTO, GORDO OU MAGRO. NÃO HÁ PROBLEMA EM SER LINDO (*)




LEMBRE-SE de que a floresta vivia em completa harmonia com Ártemis. Quando a deusa caiu, perdeu o respeito pela floresta. Mas quando recobrou a consciência, foi de flor em flor, dizendo: “Desculpe. Agora voltarei a tomar conta de você”. E seu relacionamento com todos os seres da floresta tornou-se novamente uma ligação amorosa.
Seu corpo é a floresta, e, se você aceitar essa verdade, dirá a ele: “Desculpe. Voltarei a tomar conta de você”. O relacionamento entre você, seu corpo e todas aquelas células vivas que dependem de seus cuidados se tornará a mais bela das ligações.
Seu corpo é perfeito do jeito que é, mas todos nós temos muitos conceitos sobre certo e errado, bom e mau, bonito e feio. São apenas conceitos, mas acreditamos neles, e é aí que reside o problema. Com a imagem de perfeição que temos na mente, esperamos que nosso corpo tenha uma determinada aparência, que se comporte de um certo modo. Rejeitamos nosso próprio corpo, que é totalmente fiel a nós. Mesmo quando o corpo não consegue fazer alguma coisa, por causa de suas limitações, nós o pressionamos, e ele, pelo menos, tenta.
Não há nenhum problema em ser feio ou bonito, baixo ou alto, gordo ou magro. Não há nenhum problema em ser lindo. Se você atravessar uma multidão, e as pessoas lhe disserem que o acham muito bonito, você pode responder que sabe disso, agradecer e seguir em frente, porque os elogios não fazem a menor diferença. Mas farão, se você não acreditar que é bonito, e as pessoas disserem que é. Nesse caso, você pergunta: “Sou, mesmo?” A opinião dos outros pode impressioná-lo, claro, e isso faz de você uma presa fácil.
O que importa não é a opinião dos outros, mas a nossa. Somos bonitos, mesmo que a mente diga o contrário. Isso é um fato. Não precisamos fazer nada, porque já possuímos toda a beleza de que necessitamos. Não precisamos dever obrigações a ninguém para sermos bonitos. Os outros são livres para ver o que desejarem ver. Se olham para nós e nos julgam, achando-nos bonitos ou feios, essa opinião em nada nos afetará, se estivermos conscientes de nossa beleza e a aceitarmos.
As pessoas resistem ao envelhecimento porque acreditam que os velhos não podem ser belos. Essa é uma crença completamente errada. Um bebê recém-nascido é bonito. Bem, um velho também é.
Somos o que acreditamos ser. A única coisa que temos a fazer é ser o que somos. É nosso direito achar que somos bonitos. Podemos honrar nosso corpo, aceitando-o do jeito que ele é. Não precisamos do amor de ninguém. O amor vem de dentro de nós. Mora em nosso íntimo e sempre estará lá, mas não o sentimos, porque ele está escondido atrás de uma muralha de nevoeiro. Só podemos perceber a beleza que existe fora de nós, quando “sentimos” a beleza que temos por dentro.


(*) por Eugenio Santana, escritor, jornalista. Integrante da ADESG-DF, ALNM-MG, UBE-GO/SC, AMORC-PR, SJPDF e Greenpeace-SP. eugeniosantana9@uol.com.br

segunda-feira, 6 de junho de 2011

FRAGMENTO DO DESENCANTO E DA AMARGURA




O dia da linguagem universal há de chegar... Essa linguagem falará de alma para alma, resumindo todos os perfumes, sons, cores, ligando todo o pensamento.
Longe de mim o desejo de perverter tuas esperanças: a vida se encarregará disso. Como todo mundo, irás de decepção em decepção. Com tua idade tive a vantagem de ter gente que me desiludiu e que me fez enrubescer de minhas ilusões; eles me educaram realmente.
A injustiça governa o universo. Tudo o que nele se constrói, tudo o que nele se desfaz, leva a marca de uma fragilidade imunda, como se a matéria fosse o fruto de um escândalo no seio do nada. Cada ser se nutre da agonia de outro ser: os instantes se precipitam como vampiros sobre a anemia do tempo; o mundo é um receptáculo de soluços.
A função dos olhos não é ver, e sim, chorar; e para ver, realmente, é preciso fechá-los: é a condição do êxtase, da única visão reveladora, no momento em que a percepção se esgota no horror do já visto, do irreparavelmente sabido desde sempre.
O importante é mandar: esta é a aspiração de quase todos os homens. Somente os mendigos e os sábios não a experimentam; a não ser que seus jogos sejam ainda mais sutis...
As ideologias foram inventadas para dar um brilho ao fundo de barbárie que se mantém por meio dos séculos, para cobrir as inclinações assassinas comuns a todos os homens.
A Árvore da Vida não conhecerá mais primavera: é um tronco seco; com ela farão urnas para nossos ossos, nossos sonhos e nossas dores do mundo.
Somos os últimos: cansados do futuro, e ainda mais de nós mesmos, esprememos o suco da terra e despimos os céus. Nem a matéria nem o espírito podem seguir alimentando nossos sonhos: este universo está tão seco como nossos corações. Já não existe substância em nenhuma parte: nossos antepassados nos legaram sua alma esfarrapada e sua medula carcomida. A aventura chega ao fim; a consciência expira; nossos cantos se desvanecem, já brilha o sol dos moribundos!
A amargura, princípio de tua determinação, teu modo de atuar e de compreender, é o único ponto fixo em tua oscilação entre o asco do mundo e a compaixão por ti mesmo.
A única função do amor é a de ajudar-nos a suportar essas tardes de domingo, cruéis e intermináveis, que nos ferem para o resto da semana e para toda eternidade.
Neste mundo nada está em seu lugar, começando pelo próprio mundo. Não há que assombrar-se então com o espetáculo da injustiça humana. É igualmente inútil repudiar ou aceitar a ordem-social: somos obrigados a sofrer suas mutações, para melhor ou para pior, com um conformismo desesperado, como sofremos com nascimento, amor, clima ou morte.

(Copy-desk/fragmento/releitura por EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor, Ensaísta literário e Jornalista profissional.)