quinta-feira, 28 de julho de 2011

SAUDADES DE AMORES TATUADOS NA ASAS DO CORAÇÃO




Saudade é guardar no peito uma presença invisível. É ruminar reminiscências, é o passar e o repassar das memórias antigas.

Saudade é a nostalgia de um bem. A evocação de uma felicidade real ou imaginária. A memória do coração. Sentimos saudades de bons momentos da infância, da escola, de amigos embaralhados pelo jogo da vida e perdidos de vista. Saudades de amores tatuados nas asas do coração, nos recônditos da memória, no segredos do corpo. Saudades confessáveis e inconfessáveis, até mesmo de sonhos tão intensos que parecem reais.

Experiências do passado não admitem ambigüidades. Queremos sepultá-las para sempre ou preservamos delas uma visão idílica. Miramos a infância e volvemos, saudosos, ao cheiro doce da garapa, ao sabor das jabuticabas comidas no pé, à liberdade dos passeios a cavalo, aos bailes onde todos eram príncipes e princesas.

São nossas "madeleines". Despertam acalantos e aconchegos, sabores e saberes, e o confortável prazer de ser feliz e ainda ter a certeza de que toda a vida estende-se ao futuro de nossos dias.

Nutrimos secretas saudades de um sapato que caía bem aos pés, de um agasalho que nos imprimia personalidade, da prática de um esporte que comprovava nossa jovialidade.

Somos resultado de vivências que nos moldaram. Marcas indeléveis tão definitivas quanto as nossas rugas. E, perdidas certas experiências, queda o vazio. Nele brota a saudade. A volátil tentativa de preencher o que já não é nem há e, no entanto, faz-se presente pela memória.

Saudades de uma música que nos inebria de emoções, de uma pessoa que desapareceu na roda da vida e do ser que somos e nunca assumimos. Saudades de momentos tecidos de silêncio, de pessoas cuja presença nos incutia confiança e ternura.

(EUGENIO SANTANA - Escritor, jornalista, poeta, ensaísta, publicitário)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

MANAUS: MEU INFERNO ASTRAL?!





Manaus não confirma nem se afirma, nem de longe, o título de cidade-sede da, digamos, Floresta Amazônica. É sim, uma selva de pedra dentro do estado do Amazonas sem qualquer sintonia compatível com a Amazônia e seus polêmicos conflitos de preservação ambiental e controvertidas questões indígenas mal resolvidas.

A impressão que se tem é a de uma cidade grande como outra qualquer, que cultua o hedonismo, o capitalismo “selvagem” já que possui um dos maiores parques industriais da América Latina, a guerra de classes elitista, sedentária e viciada em Shoppings. Aliás, por ser uma cidade de calor insuportável, a classe média e alta se refugia nos shoppings com o viciado ar refrigerado.

No dia 9 de abril passado fui, num vôo matutino da TAM, conhecer Manaus, por motivos profissionais equivocados.

Quando o comissário de bordo anunciou o nosso pouso no Aeroporto de Manaus, antes, porém, havia avisado que estávamos passando por uma área de turbulência e lá do alto, antes da aterrissagem, visualizei as águas noturnas do insólito Rio Negro, pressentindo que minha estadia na famigerada Manaus seria caótica e desastrada; uma temporada no Inferno, lembrando Jean-Nicholas Arthur Rimbaud.

Nos bairros periféricos, como o do Aleixo, por exemplo, você depara com cenas “hilárias e degradantes”: um bando de urubus disputando o lixo das calçadas com uma dezena de cães vira-latas e mais adiante na Avenida do mesmo bairro onde proliferam concessionárias de automóveis, incluindo a Citröen, na qual já fui Consultor de Marketing, da filial Anápolis; está instalada a sede da principal mídia impressa, o jornal “A Crítica”, e à noite – por ironia – de frente à sede do jornal acontece o trottoir de meninas aparentando de 12 a 15 anos, confirmando nitidamente a prostituição infantil, que envergonha esse País de gritantes contrastes e injustiças sociais.

Quando você questiona sobre os índios eles comentam com indisfarçável desdém: aqui na cidade não existe índio, os índios estão na selva, na floresta, nas reservas. Passam a impressão que têm pré-conceito de sua própria origem...
E o manauara não é um exemplo de cidadão cordial, aberto ao diálogo, interativo. São fechados e não gostam de dar informação e são declaradamente rivais dos paraenses, deitam falação nas pessoas de Belém que, por razões de empregabilidade, migram para Manaus, buscando oportunidade de trabalho no pólo industrial de eletroeletrônicos.
E conversando com uma amiga, promotora de justiça, ela informou-me que a Região Norte é campeã em trabalho escravo. Senti isso na pele, durante o meu período de “treinamento” em Manaus. Um exemplo vivo de escravocracia, versão 1883.

Unanimidade inquestionável e previsível digna de registro na Manaus de múltiplas faces é que a cidade inteira torce pelo Flamengo, do Rio. E eu também, desde 1975, ao assistir no Maracanã um histórico Fla x Flu protagonizado por Zico, Júnior, Adílio, Andrade, Nunes, goleiro Raul, entre outras feras. Um simples anúncio de que o Flamengo vai jogar, a cidade se agita e veste-se de rubro-negro. E quinhentos mil celulares da operadora TIM não param de tocar... E haja blá blá blá...

Concernente à Arquitetura dos bairros nobres e do setor central é digna de registro: ganha de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiânia, Campo Grande e Belo Horizonte; os edifícios são imponentes, de uma criatividade indescritível e de rara beleza. Não sei se tem o dedo de Oscar Niemayer, mas, o fato é que encantam e fascinam aos nossos olhos, distraidamente, capitalistas (sic).

Confesso que ficou um sabor amargo na garganta, visto que não tive tempo disponível para apreciar a rica culinária regional e, principalmente, não provei o sabor dos beijos das manauaras, sendo que um executivo que viajou comigo me dissera, ainda no avião: “as mulheres vão atacá-lo, meu caro, são nove pra cada homem”. Apreciei, sim, o visual de umas gatonas esculturais e curvilíneas, mas, infelizmente, a agenda não deu folga. Uma pena...

Após vivenciar o caos aéreo incluindo o extravio de minha bagagem que ficou retida em Guarulhos, o celular tocou no aeroporto de Brasília e me avisaram que minha bagagem chegaria até as 15h do dia seguinte na portaria do Edifício Tocantins, onde moro em Goiânia. Ufa, me senti aliviado – tive um orgasmo mental! Convicto de que ao retornar a Manaus vou curtir tudo que tenho direito: as belas mulheres, a cozinha à base do tambaqui na brasa, o mágico banho nos Igarapés para lavar a alma, vivenciar o xamanismo da Ayuasca numa comunidade indígena e nas mirações encontrarei as inspirações para o próximo livro, visitarei o legendário e secular Teatro Amazonas e, de quebra, abraçarei meus confrades da Academia de Letras do estado do Amazonas. E meu poetamigo Thiago de Mello? Aí já é outra história: eu não sei se ele está vivo. Maktub!

(*) Eugenio Santana é escritor, jornalista, ensaísta, publicitário, copydesk, verse maker; self-mad man. Autor de livros publicados; Sócio efetivo da Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e da Associação Fluminense de Jornalistas (AFJ). Ex-superintendente de Imprensa do Governo do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

TODA VIAGEM É UM ATO SAGRADO, E TODO VIAJANTE É UM HERÓI INQUIETO




Viajar, pelo mundo ou por dentro de si mesmo, é fundamental para os processos do crescimento pessoal e do autoconhecimento. Por quê? Em primeiro lugar, porque tomar contato com lugares desconhecidos, pelo simples fato de tirar a pessoa do seu cotidiano habitual, obrigando-a a estar mais desperta e atenta, representa a oportunidade de pôr em prática a capacidade de adaptar-se a situações novas. Adaptabilidade é o melhor sinônimo de inteligência: sem a capacidade de adaptação aplicada a qualquer situação da vida, não se vai longe no aprendizado da relação harmoniosa consigo mesmo e com o mundo.

Qualquer psicólogo, filósofo ou poeta sabe que o simbolismo da viagem, num enfoque ao mesmo tempo psicológico e transcendental, representa a procura e a descoberta de um centro espiritual interno. Aquilo que Carl Gustav Jung chamava de “self” e Gautama Buda chamava de “eu superior”. A viagem exprime também um desejo profundo de transformação interior que se projeta no desejo da viagem exterior. Representa, mais que um simples deslocamento físico no espaço e no tempo, a necessidade de experiências novas e renovadas. Como conseqüência, entende-se que estudar, investigar, procurar intensamente o novo e o oculto, são também modalidades de viajar, ou seja, equivalentes espirituais e simbólicos da viagem.

Partir para o desconhecido pode ser assustador. Mas, para quem tem na alma a inquietude do vento, o desejo da descoberta supera o medo e instiga a caminhada. Empurra o peregrino em direção à meta sagrada e secreta, o seu Shangri-lá pessoal.
Toda viagem é um ato sagrado, e todo viajante é um herói inquieto. Quem viaja busca, mesmo sem o saber, o seu próprio self, a conexão com alguma forma de divindade. Por isso tantas epopéias religiosas e espirituais estão ligadas à idéia de viagem. Os cavaleiros medievais em busca da Terra Santa ou do Santo Graal; os argonautas gregos à procura do velocino de ouro; o herói Ulisses na sua odisséia de retorno à ilha de Ítaca; os peregrinos de todos os tempos e lugares que vão a Roma, a Santiago de Compostela, a Jerusalém ou ao santuário de Aparecida do Norte e ao Divino Pai Eterno, em Trindade; todos caminham em direção a seu centro espiritual, a seu self.

“Os verdadeiros viajantes são aqueles que partem por partir”, disse o poeta Baudelaire, definindo de modo exemplar a figura do peregrino. Se partirmos depositando toda nossa expectativa nas eventuais gratificações que nos esperam ao atingirmos o alvo final, estaremos desatentos e perderemos a miríade de pequenas e grandes vivências que nos aguardam perfiladas ao longo das estradas.

A importância da viagem no processo iniciático das diferentes religiões e escolas de sabedoria, tanto orientais quanto ocidentais, foi sempre amplamente reconhecida e preconizada. Algumas escolas esotéricas impõem a seus membros que viajem continuamente. De modo geral considera-se que a fixação do neófito em hábitos cotidianos repetitivos constitui um deletério fator de “adormecimento” que entorpece e até impede o processo do “despertar” espiritual. Viagens súbitas, inesperadas, e às vezes temerárias nas quais o neófito vê-se subitamente atirado, costumam fazer parte de uma série de provas preparatórias para as etapas mais avançadas da iniciação.

Toda viagem no mundo exterior corresponde, de algum modo, a uma experiência no mundo interior. E toda aventura no mundo interior modifica nossa percepção do mundo exterior. Convém ter sempre isso em mente quando se coloca o pé na estrada, para que o aproveitamento seja o melhor possível.

E os turistas que partem em férias, os viajantes de fim de semana cujo objetivo declarado resume-se à vontade de respirar ar puro ou tomar um simples banho de mar, estarão também cumprindo, sem o saber, algum rito secreto de transformação e de crescimento interior por meio do movimento da viagem? Certamente. O desejo de movimento está sempre associado à dinâmica da vida.

Toda viagem implica movimento, e todo movimento é, em última análise, uma viagem. Até um simples passeio ao redor do quarteirão pode ser enriquecedor. Com uma condição: de que seja feito com a consciência desperta, com os sentidos ligados e o coração limpo como o coração das crianças. Quando nos acostumamos a viajar desse modo, a vida, mesmo em seus episódios mais banais, transforma-se numa permanente e excitante viagem. E Mercúrio, alado nos pés, é o deus dos viajantes.

(*) Eugenio Santana é escritor, jornalista, ensaísta, publicitário, copydesk, versemaker; self-mad man. Livros publicados; 18 prêmios literários em âmbito nacional. Sócio efetivo da Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e da Associação Fluminense de Jornalistas (AFJ). Ex-superintendente de Imprensa do Governo do Rio de Janeiro.

SERÁ AMOR O QUE SE ESQUIVA À FALA?




Que amor é esse que, desperto, dorme
e quando acorda faz-se ambíguo sonho,
transfigurando o belo no medonho
e em noite espessa a vida multiforme?
Então amor é só o que suponho,
o que não digo por ser tão informe
que fôrma alguma lhe é jamais conforme
como este molde em que teimoso o ponho?
Será amor o que se esquiva à fala
ou à linguagem que o pretende claro?
E o que seria esse tremor mais raro
que ao aflorar parece que se cala?
Amor oblíquo que olha de soslaio,
mas que ilumina e queima como raio...

Que sabem os deuses desse amor terreno,
ungido de luxúria e de apetência,
que ofende como um fauno a transcendência
e que, enquanto humano, se quer pleno?
Que sabem eles do ácido veneno
que o ser absorve em lúdica demência
e em luz dissolve a trôpega existência
desse bicho da terra tão pequeno?
De nada sabem os deuses nem o inventam:
antes maldizem essa abissal loucura
dos que no amor se ferem e se atormentam,
e nele espiam a solidão mais dura...
Os que trocaram o céu pelos infernos
e, mais que os deuses, se fizeram eternos!

Eu te amo tanto que esse amor assume
ambíguas formas de ancestrais criaturas:
ora é uma harpia que me vem a lume,
ora uma infanta entre órficas figuras;
aqui uma espádua de ondulante gume,
ali uma cunha de ósseas tessituras;
adiante um púbis que se alteia implume,
abaixo um tufo de ervas e nervuras.
Eu te amo assim como quem segue o rumo
de algo que rola para sempre ao fundo
em busca do que outrora lhe era o sumo
e agora, à superfície, é todo mundo.
E te amo além porque te sei perdida,
e mais te amara fosse eterna a vida.

(fragmento/copidesque/releitura por Eugenio Santana)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

LEITORES MANAUARAS: IRASCÍVEIS E REACIONÁRIOS (*)




"Vocês riem de mim porque sou diferente. Eu morro de rir de vocês porque são todos iguais!"

Mais uma constatação lamentável: vocês ganham dos cariocas em matéria de PALAVRÕES E XINGAMENTOS e gírias obsoletas. Que coisa vergonhosa! Diz um velho deitado: cães que muito ladram não mordem. Polêmicas e provocações são aceitas até ao limite do tolerável. Quanto aos xingamentos e ofensas pessoais são passíveis de punição por calúnia, difamação e danos morais. Estou salvando os IMÊIOS e posso processá-los, tipificando crime virtual. Vocês não argumentam, não têm noção ou a mínima vivência com DEBATE, nem cultura humanístico-filosófica ou uma ínfima parcela de educação e respeito. Se o meu caro amigo Thiago de Mello soubesse de seus arroubos emocionais... ficaria vermelho de vergonha! Precisam refazer conceitos e valores. Será, populacho, que eu iria adicioná-los ao meu Facebook, Orkut ou Blog pra que despejassem suas frustrações, neuras e cóleras por meio de impublicáveis palavrões? Fiquem esperando, otários! Fala sério, ninguém merece!

Em meu País há, sem sombra de dúvida, o exercício da Democracia e, fundamentalmente, da liberdade de EXPRESSÃO. Não admito populacho, ofensas pessoais e um festival de palavrões destilando veneno, expediente de quem não tem cultura; atitude típica de covardes dissimulados e que se escondem atrás de uma máscara – ou não seria chapéu de boi?

A DIMENSÃO/repercussão que estão dando ao meu ARTIGO, publicado na mídia impressa mais imparcial do estado de Goiás, o “DIÁRIO DA MANHÔ, significa que ele espelha a quintessência da VERDADE.

Senhoras e senhores: por que tanta agressividade e violência verbal? Tudo isso é inveja? Sou bonito, culto, profissão definida, plantei árvores, publiquei livros, fiz duas filhas e um filho; possuo casa e carro próprios e nasci no Sudeste – não tenho culpa de ser um bem-nascido, caríssimos desafetos. Querem me crucificar por conta de um artigo, melhor dizendo de uma crônica publicada numa mídia impressa goiana? Sendo que estou, temporariamente, radicado aqui, mas, sou profissional do eixo RIO/SP/BH/DF/FLORIPA – Ex-Superintendente de Imprensa do Governo do Rio de Janeiro. Creio que estão tentando descarregar seu mau-humor na pessoa errada.

Sugiro que procurem imediatamente um psicanalista e o melhor deles é o meu primo Luiz Fernando Guaracy Ribeiro Santana, consultório na Barra da Tijuca, no Rio; no elenco de seus clientes Vips estão atores e diretores da Rede Globo. Posso passar, gratuitamente, o contato dele pra vocês cuidarem de suas anomalias, principalmente, do complexo de inferioridade e mania de perseguição. Esqueceram que IRA está contextualizada nos Sete Pecados Capitais, energúmenos e qualiras? Lembre-se de uma das afirmações do MESTRE: “Não julgueis, para não serdes julgados”; “Não olhem para o cisco no olho do seu próximo, visto que, existe uma trava em seus olhos.”

Existem alguns indivíduos medíocres assemelhando-se a cães raivosos que ligam pro meu celular, proferem palavrões inomináveis e depois desligam, covardemente; saibam: sou um homem determinado com as palavras e com as ações, fiz a ESG – Escola Superior de Guerra e fiz treinamento no EMFA – Estado Maior das Forças Armadas. Não brinquem comigo, desocupados! A minha coragem e TRANSPARÊNCIA são tão visíveis que não escondo meus contatos. Não ousem desafiar-me, perdedores. Bando de neófitos fracassados, alguns são “estudantes de jornalismo” da Região Norte – terra de predadores da Floresta Amazônica, ridículos perdedores e covardes assassinos de missionários e ambientalistas.

Homem de Letras, dotado de abrangente bagagem Cultural, quarto poder porque sou IMPRENSA, acima disso tudo sou HOMEM com H maiúsculo, biltres, pusilânimes e qualiras (sic). Estou preparado para suas investidas hilárias, bizarras e grotescas... Seria trágico se não fosse cômico. Percebo que estou perdendo meu tempo jogando PÉROLAS AOS PORCOS!

JORNALISTA não fala – informa;
JORNALISTA não acha – tem opinião;
JORNALISTA não mente – equivoca-se;
JORNALISTA não pára – pausa;
JORNALISTA não chora – se emociona;
JORNALISTA não some – trabalha em off;
JORNALISTA não traz novidades – dá furo de reportagem;
JORNALISTA não tem amigos – tem muitos contatos;
JORNALISTA não briga – debate;
JORNALISTA não usa carro – mas sim veículo;
JORNALISTA não passeia – viaja a trabalho;
JORNALISTA não conversa – entrevista;
JORNALISTA não é chato – é crítico;
JORNALISTA não tem olheiras – tem marcas de guerra;
JORNALISTA não se esquece de assinar – é anonymous;
JORNALISTA não se acha – ele já é reconhecido;
JORNALISTA não influencia – forma opinião;
JORNALISTA não conta história – reconstrói;
JORNALISTA não é esquecido – é eternizado pela crítica;
JORNALISTA não morre. Coloca um ponto final.

(*) EUGENIO SANTANA é Jornalista profissional investigativo/cultural e Escritor de projeção nacional, Editor, Ensaísta, Publicitário. Autor de livros publicados.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

AS PALAVRAS PESAM. TALVEZ PORQUE SEJA A MAIS AUTÊNTICA INVENÇÃO HUMANA...




Há muitas palavras - a de Deus, a de honra, a do rei, que não volta atrás, e a que se dá para firmar um compromisso ou promessa.

Palavra contém ala, que tem a ver com fila ou parte de uma construção, e também ar, sem o qual não se pode respirar. Palavra tem mais valor quando entremeada de silêncios. Derramada assim, de boca aberta, esvai-se. As palavras pesam. Talvez porque seja a mais autêntica invenção humana.

"No princípio era o Verbo", enfatiza o prólogo do evangelho de João. Deus é Palavra e, em Jesus, ela se faz carne. Unir palavra e corpo é o profundo desafio a quem busca coerência na vida. Há quem prime pela abissal distância entre o que diz e o que faz. E há os que falam pelo que fazem.

Só o coração compassivo, o movimento anagógico e a meditação, que livram a mente de rancores, são capazes de imunizar-nos da palavra maldita.

A palavra salva. Uma expressão de carinho, alegria, entusiasmo, solidariedade ou amor, é brisa suave a reativar nossas melhores energias. Somos intimados à reciprocidade. Essa força regeneradora da palavra é tão vital que, por vezes, a tememos.
Arrogantes, sonegamos afeto; ambiciosos, engolimos a expressão de ternura que traria luz; medíocres, calamos o êxtase, como se deflagrar vida merecesse um elevado preço que o outro, a nosso ínfimo julgamento, não é capaz de pagar. Ato contínuo, fazemos da palavra, que é gratuita, produto pesado na balança dos sentimentos.

Vivemos cercados de palavras inúteis, condenados à incivilização que teme o silêncio. Verbaliza-se muito para se dizer bem pouco. Fazem moda músicas em que abundam palavras e necessitam de sonoridades. Jornais, revistas, TV, outdoors, telefone, celulares, correio eletrônico - há demasiado palavrório. E sabemos todos: não se dá valor ao que se abusa.

O silêncio não é o contrário da palavra. É a matriz. Talhada pelo silêncio, mais significado ela possui. Quem fala muito, o indiscreto, cansa os ouvidos alheios porque seu matraquear de frases ecoa sem consistência, nexo ou sentido. Quanto ao sábio pronuncia a palavra como fonte de água diáfana e cristalina. Não fala pela boca, e sim do mais profundo recôndito de si mesmo.

O versátil, talentoso e criativo escritor mineiro Guimarães Rosa inaugura "Grandes Sertões, Veredas" com uma palavra insólita: "Nonada." Convite ao silêncio, à contemplação, à mente centrada no vazio, à alma despida de utopias. Não nada. Não, nada.

Os místicos têm conhecimento que, sem dizer Não e desejar o Nada, é impossível ouvir, no sigilo do coração, a palavra Deus que, neles, se faz Sim e Tudo, expressão afetiva e ressonância criativa.


(Eugenio Santana é escritor, jornalista, ensaísta, publicitário, copydesk, versemaker; self-mad man. Livros publicados; 18 prêmios literários em âmbito nacional. Sócio efetivo da Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e da Associação Fluminense de Jornalistas (AFJ). Ex-superintendente de Imprensa do Governo do Rio de Janeiro.)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

AMOR INDÍGENA DO PÁSSARO DO INFINITO




Quero me perder em ti como as Florestas da Bolívia deixaram-se fecundar pelo sangue do meu amigo Ernesto Che GUEVARA. Cegar-me em tua insana figura escultural para que a tua asa noturna faça-se em mim claridade, brilhante como as luzes a mercúrio despem a madrugada e incendeiam a cidade.

Quero viajar no teu embalo, desatar-me das amarras da razão, voar livre em tuas asas, ser o pássaro do infinito, mergulhar fundo em teu seio na vertigem de uma gaivota insaciável, e ter a cor da força de teus olhos.

Quero possuir-te como pinturas indígenas gravadas e guardadas numa gruta, e que me embriague de tua luz, tome a tua forma como a Amazônia rasga-se ao toque da torrente que nela abre o rio para acolher as águas prateadas da neve aquecida no dorso dos Andes.

Quero viver no teu encanto, colher os frutos que em teu ventre semeiam em mim o gosto do Absoluto.

Quero minha vida em ti vivida, prolongada nas promessas de teus dons, para que no amor toda saudade seja suprimida na presença forte e farta dessa entrega feliz chamada eternidade.


(Eugenio Santana é escritor, jornalista, ensaísta, publicitário, copydesk, versemaker; self-mad man. Livros publicados; 18 prêmios literários em âmbito nacional. Sócio efetivo da Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e da Associação Fluminense de Jornalistas (AFJ). Ex-superintendente de Imprensa do Governo do Rio de Janeiro.)

domingo, 10 de julho de 2011

O MUNDO QUE ENCONTREI JÁ ERA ISSO. O JEITO FOI ENFEITÁ-LO COM PALAVRAS DE LUZ




Ter consciência significa ser responsável pela própria vida. Você não é responsável pelo que acontece no mundo, mas apenas por si mesmo. Não foi você que fez o mundo ser do jeito que é. As coisas já eram assim, antes de seu nascimento. Você não veio para cá com a grande missão de salvar o mundo, de mudar a sociedade. Mas com certeza veio com uma missão muito importante, a de fazer de si mesmo uma pessoa feliz. Para cumpri-la, você precisa observar as coisas em que acredita, o modo como se julga, a maneira como se castiga.

Tudo está ao nosso alcance, mas, primeiro, precisamos ter a coragem de abrir os olhos, de usar a verdade, de ver o que realmente existe. O ser humano é cego porque não quer ver.

Somos realmente cegos, e pagamos caro por isso. Mas, se abrirmos os olhos e virmos a vida como ela de fato é, evitaremos muito sofrimento. Isso não quer dizer que não devemos nos arriscar. Estamos vivos, portanto temos de correr riscos. E daí, se falharmos? O que importa é que estamos aprendendo e caminhando para a frente, sem julgamentos.

Não precisamos julgar. Não precisamos culpar os outros, nem nos sentir culpados. Só precisamos aceitar nossa verdade e ter como objetivo um novo começo. Ver-nos como realmente somos é o primeiro passo para a auto-aceitação, e logo não mais nos rejeitaremos porque, a partir do instante em que nos aceitamos como somos, tudo começa a mudar.

Se observarmos pessoas autodestrutivas, veremos que atraem pessoas iguais a elas. O que fazemos, quando não gostamos de nós mesmos? Tentamos nos entorpecer com álcool, para esquecer nosso sofrimento. Essa é a desculpa que damos. E aonde vamos para conseguir álcool? A um bar. E adivinhe quem encontramos lá. Pessoas iguais a nós, que também estão tentando se evitar, procurando entorpecimento. Então, todos nos entorpecemos juntos, começamos a falar do nosso sofrimento e nos entendemos muito bem. Até começamos a gostar daquilo. Existe uma compreensão perfeita entre nós, porque todos vibramos na mesma frequência. Todos somos autodestrutivos.

O que acontece quando um de nós muda? Por alguma razão, essa pessoa não precisa mais de álcool, porque agora gosta de estar consigo mesma. Não bebe mais, mas seus amigos continuam os mesmos, ainda bebem. Ficam entorpecidos, parecem felizes, mas a pessoa que mudou vê claramente que sua felicidade é falsa. O que os outros chamam de felicidade é rebelião contra sua própria dor. Envolvidos por aquela "felicidade", ficam tão feridos, que se divertem ferindo outras pessoas e a si mesmos.


(Eugenio Santana é escritor, jornalista, ensaísta, publicitário, copydesk, versemaker; self-mad man. Livros publicados; 18 prêmios literários em âmbito nacional. Sócio efetivo da Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e da Associação Fluminense de Jornalistas (AFJ). Ex-superintendente de Imprensa do Governo do Rio de Janeiro.)

sábado, 9 de julho de 2011

SUINOCULTURA




Pérolas aos porcos? É uma decisão difícil, quase inviável, já que sou um antigo e implacável “Caçador de Vampiros.” Concedo entrevistas, abro concessões aos porcos com Asas: alados Javalis cor-de-rosa, andando em bando na floresta do não-tempo, camuflando projetos e planos.

(Eugenio Santana, FRC – Escritor, Jornalista, Publicitário, Versemaker, Copydesk, Self-mad man; Comendador honorário da Ordem Ka-Huna do Poder Mental-DF e Consultor de Pompoarismo e Tantrismo de Balzaqueanas-RJ)

MANIFESTO ABERTO À ESTUPIDEZ HUMANA




DEUS é tudo no Todo. É a própria Transcendência e a Consciência Cósmica, muito embora a sua Face não possa ser contemplada. E o que mais O caracteriza? A essência suprema e trina: Onipresente, Onisciente e Onipotente; por isto, é o Todo-Poderoso. Ele se revela (latente) em todas as coisas visíveis e ocultas; inclusive, por meio dos raios do Astro-rei, o Sol. Eu sou – modéstia às favas – diáfano, ético e puro como o próprio Sol alado que ilumina o Planetazul e a escuridão de seres abjetos, rastejantes, hipócritas, dissimulados e medíocres.

(Eugenio Santana, FRC – Escritor, Jornalista, Publicitário, Versemaker, Self-mad man; Comendador honorário da Ordem Ka-Huna do Poder Mental-DF e Consultor de Pompoarismo e Tantrismo de Balzaqueanas)