quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SOU O ALVO





Sou o alvo.
Contra o veneno letal dessa serpente,
dose dupla de antídoto necessito.

Sou o alvo.
Se fosse ainda aquele barco,
balas se alojariam no meu casco.
Seriam os piratas
em treinamento de tiro?

Sou o alvo.
A noite engendra seus cactos
que vão se multiplicando
entre pedras, como os ásperos poemas.
Sou o alvo.



(copydesk/fragment by Eugenio Santana)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

PRISIONEIRO NA SIBÉRIA







Aqui na Sibéria
somos estranhos, diferentes, holísticos
nós, os restantes... nunca participamos do grupo de rendição à mediocridade planetária
sobras de um mundo que nunca engolimos.
Somos remanescentes de Alexandria
e dos enigmas das Pirâmides Egípcias
somos da tribo cósmica de Hermes Trismegisto
descendentes diretos dos cátaros
nobres herdeiros da sociedade occitânica
atemporal – sei que sou
e tenho profundos vínculos com os rosacruzes primevos
e naveguei infinitamente pelo rio Nilo.
Viajando na asa do tempo eu voltarei para onde eu nunca deveria ter saído...
Repousarei minha alma imolada e meu coração-partido em Ítaca, Shambala ou Shangri-lá
descobrirei o paraíso perdido, o país da Utopia, de Thomas Morus.
Arqueólogo do século XIV visitarei pela última vez Paris, o Reino Unido
e farei escavações profundas na Espanha.

Paleontólogo e psicopompo registram o acaso – ou o akhásico?
Por enquanto, sobrevivo...


(*) Eugenio Santana é escritor, jornalista, ensaísta, publicitário, copydesk, versemaker. Autor de livros publicados, sócio efetivo da Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e da Associação Fluminense de Jornalistas (AFJ). Ex-superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro. Sócio da UBE/GO/SC – União Brasileira de Escritores, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) – eugeniosantana9@uol.com.br - esantanafrc@hotmail.com


terça-feira, 23 de agosto de 2011

AS REDES SOCIAIS E OS RELACIONAMENTOS VIRTUAIS





Após sete anos de soberania no Brasil, o Orkut está perdendo espaço para o Facebook, que aumentou em 479% o número de usuários em 2010. A plataforma de rede social inventada por Mark Zuckerberg deverá dominar o país ainda este ano.

Uma pesquisa de consultoria revela que nos Estados Unidos, a população já passou mais tempo conectado à internet do que em frente à TV. Os hábitos estão mudando. No Brasil, as pessoas já gastam cerca de 20% de seu tempo online em redes sociais. A grande maioria dos internautas pretende criar, acessar e manter um perfil em rede.

Faz parte da própria socialização do indivíduo do século 21 estar numa rede social. Não estar equivale a não ter uma identidade ou um número de telefone no passado. O boom de redes sociais gera uma guerra de gigantes. No Brasil, a batalha é travada entre Orkut e Facebook. Embora a primeira rede, pertencente à Google, tenha 20 milhões de visitas brasileiras mensais a mais do que a concorrente.

A briga do Facebook e Orkut se dá na Índia e no Brasil. Na Índia, o Orkut deixou de ser o líder em 2010. Acreditamos que isso deve acontecer no Brasil ainda este ano. Os brasileiros, tidos como amigáveis, são vistos como grandes consumidores potenciais de sites na internet. Segundo dados, o País tem a maior população online da América Latina, 38,7 milhões de usuários, número igual ao do Reino Unido. O tempo que o brasileiro passa na internet é similar ao dos franceses e sul-coreanos. Isso deixa o Brasil como a oitava maior audiência em internet no mundo.

Apesar da disputa, o Orkut é o queridinho brasileiro. Como a penetração nessa rede foi muito grande no início, mantém-se nela um grande fluxo de informações pessoais, uma vez que o usuário sempre acessa a rede social que seu grupo de amigos conserva atualizada.

Redes sociais têm ouvidos e memória e são ótimas para disseminar idéias, tornar alguém popular e também arruinar reputações. Um dos maiores desafios dos usuários de internet é saber ponderar o que se publica nela. Especialistas recomendam que não se deve publicar o que não se fala em público, pois a internet é um ambiente social e, ao contrário do que se pensa, a rede não acoberta anonimato, uma vez que mesmo quem se esconde atrás de um pseudônimo pode ser rastreado e identificado. Aqueles que, por impulso, se exaltam e cometem gafes podem pagar caro.

O crescimento das redes sugere que as plataformas de interação não são moda passageira. O MSN Messenger – que hoje é sinônimo de bate-papo e endereço de internet – é uma rede que permanece viva por facilitar o dia a dia das pessoas. Além disso, a utilização crescente das redes sociais por empresas reforça a sua seriedade. Twitter, Facebook e Orkut estão sendo cada vez mais incorporados às estratégias online da Classe Empresarial.

(por Eugenio Santana - Jornalista/Escritor)

sábado, 20 de agosto de 2011

MEU MUNDO JURÁSSICO E ULTRAPASSADO






Ando ouvindo por aí que, num futuro próximo, toda a estrutura física existente no planeta desaparecerá – bibliotecas, museus, discotecas, filmotecas, coleções, arquivos. Não que será tudo resumido a um micro chip. Reduzir-se-á menos ainda, ao impalpável, ao nada.

O conteúdo desses bilhões de livros, quadros, discos, filmes, fotos, documentos irá literalmente para o espaço – para as nuvens voláteis, comentam. Excelente, mas, quando ocorrer, espero ter ido antes para a outra Dimensão Cósmica ou Plano Infinito? Há dias Augusta Faro me questionou se era verdade que, assim como ela, Paulo Nunes Batista e poucos mais, também, não usam celular. Confirmei e acrescentei que, não apenas não gosto de celular, postar, blogar, orkutar, não tuíto, nem aprecio facebokar (só os obsoletos, de papel), não iPhono e não blackBerro.

Oh, Yes, uso computador (desde 2002), mas navego no limite do razoável, configuro ainda menos, quase não seleciono e não adiciono nem me deixo adicionar pelas figuras decorativas, vampiros virtuais que fuçam meu acervo cultural. Ainda não sei bem a sutil diferença entre um iPod e um iPad. E juro que, até há pouco, achava que ‘aplicativo’ era um tipo de band-aid. Não estou me vangloriando nem me justificando. Até agora tenho podido viver, trabalhar, aprender, filosofar, poetizar, funcionar, ter prazer e me divertir exatamente como em, digamos, 2001, quando toda essa parafernália não existia.

Brevemente me tornarei obsoleto e terei de me atualizar. Então, veremos. Mas, até lá, o mundo de hoje, tão cheio de si, terá ficado ultrapassado.

(fragment/copydesk by Eugenio Santana)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

VIAJAR É AMPLIAR HORIZONTES E ENCHER-SE DE LUGARES...





Viajar... Pegar um avião, atravessar o mundo de um lado a outro, ponto a ponto. Você sai do seu país e pousa em outra realidade, em outra cultura, em outra terra onde tem outra gente, outro alimento, outro jeito de falar! Outro idioma e você ali ouvindo sem ouvir, falando sem ser entendido, palmeando o desconhecido, tão conhecido. Você começa a viver outro tempo em outro espaço e fica feliz pelas descobertas de cada dia. Como é bom conhecer, descobrir outros caminhos, cruzar pontes, fronteiras, erguer outras bandeiras distantes.

Afinal, gente é gente... Idioma é idioma. Mas não é bem assim. Você mergulha em outra civilização. O ser humano é o mesmo, mas o jeito dele é bem diferente de sua maneira de ser. Então nos perguntamos: quem sou eu? Quem somos nós? Uma torre de Babel. Uma construção interminável porque confusa, uma construção maravilhosa porque humana.

A viagem tem o poder do recomeço. Você se transforma no descobridor, sente-se um Colombo moderno, um Pero Vaz de Caminha descrevendo lugares, poetizando sobre uma praça, um obelisco, uma pirâmide, um Rio, uma montanha, um navio, uma paisagem que você vê pela primeira vez e que, provavelmente, não verá outra vez. Foi um piscar de olhos. A beleza do lago, da cachoeira, de um edifício gótico, quantas imagens retiradas da mente.

Viajar é encher-se de lugares, aumentar os downloads que ficam impregnando seu cérebro de mil imagens... de mil fatos. São histórias que se entrelaçam fazendo uma rede de informações preciosas. Conhecemos outras pessoas, sentimos outros perfumes, outros sabores, olhamos outros olhos e aprendemos a respeitar o diferente. Quanta coisa uma viagem nos ensina. Afinal, “uma longa viagem começa com um único passo.”

Quem ficou na sua aldeia gravou a imagem do sonho sonhado, não do sonho vivido. Ficou vazio de cheiros, vazio de gente, vazio de lugares. Ficou cheio de sua aldeia, simplesmente. O cheiro, o gosto, o olhar de sua aldeia, mas não pode comparar, não pode. Viver a aldeia é muito pouco, mas é muito forte. Viver muitas aldeias é magnífico, é levar-se além de sua aldeia e desfrutar da aldeia global. É encher-se de sabores, de cheiros, de outras gentes e complementar-se de uma alegria infantil que descobre sempre.

Viajar... levar um pouco de você para o mundo e trazer o mundo para dentro de você.

(copydesk/fragment by Eugenio Santana)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

RÉQUIEM PARA CORA CORALINA (*)






Teu nome é verso, teu nome é rima: Cora Coralina.
Hoje nossos versos estão tristes e desolados, sem brilho, mortiços e sem dádiva para se dadivar, na interminável asa do tempo. Nossos corações sangram e nossas idéias dispersivas conflitam-se.

Não conseguimos assimilar a tua inevitável perda, Cora. Há uma ferida aberta. Uma asa caída. Um novo e depressivo espaço vazio...

Estamos um tanto quanto hesitantes...
O Brasil chora, Cora. Goiás chora, a secular “casa da ponte”, contígua ao Rio Vermelho também chora e recorda agora a tua história, gravada a fogo e ferro em nossa frágil e mutante memória.

A poesia alternativa feita nas esquinas por aquelas “poetas-meninas” do Rio, Belo Horizonte, São Paulo, Goiânia, Brasília, Manaus, Joinville, Florianópolis e Londrina, choram por ti, Cora Coralina. Reverencio teu olhar e tua postura, meiga figura: fusão de mulher, anciã e sempre menina. Coisa cristalina: Coralina.

Tivemos a petulância de contatar a Mente Universal e, hoje, desligamos o cordão de prata da vida e morremos um pouco por ti, Cora.

Nós, frágeis poetas-pássaro, presumivelmente dotados de cosmovisão, estamos podados, amordaçados. Acreditamos, entretanto, que o Espírito é uma fonte inesgotável de energia vital: assim pensando, estaremos contigo a posteriori na outra dimensão cósmica, adorável Cora. Faremos juntos versos galácticos: poemas de amor à vida, a terra, à água, ao azul fascinante deste céu e deste bonito mar; falaremos novamente da gente sem-terra e sofrida do nosso imenso e querido Brasil.

A outra margem do rio (a terceira?), segundo a Lei Natural é plena de harmonia, luz, vida e amor. Como o toque sutil das Asas do Vento acariciando-nos a face.
As rosas-vermelhas, azáleas, gerânios, girassóis, madressilvas, crisântemos e jasmins choram por ti, Cora. As flores que foram presença constante e marcante na tua vida, na tua voz trêmula dos últimos anos e no vivo brilho do teu incandescente olhar transbordante de sabedoria.

Continuaremos nossa sina, Ana - Aninha. Continuaremos. Alado poeta de um Verbo-pássaro alçando vôo rasante rumo à sóror-Poesia...

Resgato teu livro da estante, Cora.
Sinto o fremir súbito dos versos pungentes, simples e belos. Sinto a poção mágica de tua poesia humanista, voltada para as dores e os sentimentos profundos deste mundo conturbado e contraditório, em razão do enorme contraste social.

Dois filetes úmidos afloram e inundam meu rosto desfigurado... Porque teu nome é verso-rima: Cora Coralina, em nossos olhos, em nossas mentes, em nossos corações:


“... A dureza da vida não são carências nem pobreza.
Sofrem aqueles que desconhecem a
Luta e menosprezam o lutador.
..................................................................................
É a vida que está ensinando.
Quando veio o entendimento
Os túmulos estavam calados”.


(*) Eugenio Santana é escritor, jornalista, ensaísta, publicitário, copydesk, versemaker. Autor de livros publicados, sócio efetivo da Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e da Associação Fluminense de Jornalistas (AFJ). Ex-superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro. Sócio da UBE/GO/SC – União Brasileira de Escritores, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) e Articulista do jornal “Diário da Manhã” – www.dm.com.br






A SOLIDÃO DA AMIGA DISTANTE (*)






Tua solidão está retratada
No espelho do teu grande quarto.
Quando miras tua face,
Vês um rosto marcado
por cicatrizes indeléveis
Que o tempo – imperdoável
A ninguém poupa.

Tua solidão está nos lábios
Porque tua voz embargada
Está cansada de tanto desencanto.
A presença deste batom de cor monótona
Mostra - ao contrário do que pensas –
As fissuras indisfarçáveis
Que se aglomeram
À medida que aumenta
A caminhada de tua vida.

Tua solidão está no esboço apagado
Do teu primeiro e único amor
Amor que inutilmente acalentas
Até hoje – na bagagem do teu coração.

A memória – menina-prodígio
Na missão voraz de catalogar
Nossa neuroforia – faz de ti alvo fácil
Na tua trajetória de cidadã do mundo – por circunstância ou opção?

E, eu, amiga-irmã
Não ouso falar-te mais
Da face negra e sombria
Da solidão que devora e exaspera.
Prefiro, entretanto, que coloques no som
Aquele velho álbum do Lennon...

Recostar-me-ei no teu aconchegante regaço
E – unidos – como dois meninos,
Antigos cúmplices,
Falar-te-ei mais um pouquinho de mim
Falarás algo mais de ti.

Quando o sol mostrar-te o caminho
Para mais um dia de luta
Que começa no calidoscópio da rotina
E no calendário inexorável do tempo,
Lembra-te de mim, amiga
Na fumaça esvoaçante do teu cigarro diário
Ou nos néons intermináveis das Avenidas de New York
Que parece não ter fim...

(*) por Eugenio Santana. Fonte: extraído do meu livro "ASAS DA UTOPIA", Santana Edições, 1993, Brasília-DF.)



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

PALAVRAS, SEMPRE ELAS A NOS DESAFIAR...





O que é uma Academia de Letras senão o espaço de consagração e celebração da PALAVRA? Se o próprio Universo fora concebido primeiramente via verbis, a palavra precisava mesmo ter seus espaços sagrados, seus guardiões, seus rituais de iniciação. Desde sempre, nos imensos templos, nas modernas academias, nos saraus, nas esquinas e becos sacralizados pelos poetas vagantes, dos mais clássicos, aos mais boêmios, todos a cantaram na voz dos grandes escritores, de Salomão ao mais humilde, muitos se renderam aos encantos desta dama que todos os segredos desvela, que todas as malícias esconde, que todas as emoções declara, que todos os desejos expande. Por elas tudo se diz, com elas tudo se esconde: palavras, palavras! Palavras que ferem e machucam, palavras que acalmam a alma, palavras que alegram ao coração, palavras que dizem o indizível, constroem o mundo.

De tanto que a fazem escorrer como gotas, esvanecerem-se como fumaça, desenhar os movimentos musicais do jazz, com todos os seus improvisos, e, quando se precisa, fazem-na novamente enrijecer-se com a firmeza de uma pirâmide egípcia. Só estes sábios loucos a quem chamamos poetas têm esta coragem de confiscar segredos, ritmos e efeitos que a linguagem esconde.

As mídias impressas e eletrônicas dão espaço constante para a repetição dos velhos truques gramaticais, enquanto a discussão sobre a língua que o povo fala, na rua, na internet, nas novelas, não é objeto de reflexão institucionalizada.

E o povo que não fala correto, e o jovem que está sendo tomado pelo internetês, não têm espaço no mundo da linguagem? O perigo disso é que a exclusão lingüística gera a exclusão socioeconômica.

A preservação da cultura erudita é objetivo de valor inquestionável, faz parte do patrimônio histórico cultural de nossa nação, e as Academias têm-no como missão precípua, mas todo bom acadêmico sabe que mesmo esta cultura não se faz com o purismo isento da influência popular. Então, salve a linguagem em todas as suas manifestações! Isso é uma maneira de expressar meu jeito de estar no mundo, entendendo que os pequenos falam, cantam, compõem, reivindicam, negam, afirmam, negam-se e afirmam-se. Compreendo que não é papel das Academias assumirem as atribuições da escola; e também não podem ser ambientes de manutenção do preconceito lingüístico.

Às Academias competem outras tarefas, além das já mencionadas. E a história mostra que têm desempenhado um papel importante na organização de eventos, na promoção de concursos literários, e outros que servem para divulgar a cultura regional e nacional, despertar o interesse de jovens pela literatura e incentivar a criação de novas agremiações culturais. Porque a importância da arte da palavra é indiscutível. A arte melhora o mundo, reafirma crenças, influencia as épocas e renova os pensares.

Talvez mais felizes fôssemos se conseguíssemos mesclar um pouco da agudez intelectual de Machado de Assis, com o finíssimo classicismo de Camões, a sensibilidade de Cecília Meireles, a capacidade de virar o mundo ao avesso de Clarice Lispector, o jeito de tirar poesia de onde ninguém mais tirou de Augusto dos Anjos, de dizer da terra, dos pássaros, das formigas e lesmas, de Manoel de Barros. Todos eles em sua vã luta com as palavras, como diria Drummond. Palavras, sempre elas a nos desafiar; aceitemos, então, este grande desafio!

(fragment/copydesk/releitura by Eugenio Santana - Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número 2.)