sábado, 17 de dezembro de 2011

O POETA E SEUS ARQUÉTIPOS




POETA é aquele que olha. E o que vê? O Paraíso.

Porque o Paraíso está em toda parte. Não cremos nas aparências, porque elas são imperfeitas: balbuciam as verdades que escondem. Com meia-palavra, o Poeta deve compreender, porque de novo diz essas verdades. Age o sábio, por acaso, de outro modo? Também ele busca o arquétipo das coisas e as leis de sua sucessão. Recompõe, enfim, um mundo idealmente simples, no qual tudo se ordena com naturalidade.

O Poeta, aquele que sabe que acredita, adivinha atrás de cada coisa (e uma única lhe basta) o símbolo, a fim de lhe revelar o arquétipo. Ele sabe que a aparência é um pretexto apenas, uma veste que a furta e na qual pousa o olho profano. No entanto, ela nos revela que a Verdade está ali.

Piedoso, o Poeta contempla. Debruça-se sobre os símbolos e, silencioso, desce bem fundo até o coração das coisas. E quando, como um visionário, deu com a Fantasia, íntimo número harmonioso do Ser, fundamento da forma imperfeita, ele a retém, pois, indiferente à forma transitória que a revestiu no tempo, sabe como lhe dar de novo uma forma eterna, a sua verdadeira Forma, inevitável, paradisíaca e cristalina.

Pois a obra de arte é um cristal – paraíso incompleto e revivida Fantasia, num grau de elevada pureza, na qual, como no oculto Éden, a ordem normal e precisa dispôs todas as formas numa dependência recíproca e simétrica; em que o orgulho da palavra não suplanta o Pensamento e as frases rítmicas e firmes, símbolos ainda, mas puros símbolos, e as palavras, tornam-se transparentes e reveladoras.

(copydesk/fragment/releitura by Eugenio Santana, FRC – escritor, jornalista e ensaísta literário)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ASAS OU OÁSIS?




ASAS OU OÁSIS?

por Eugenio Santana


Guardo esses talismãs
raros, ocultos,
invisíveis, caros.
Não sei se asas
ou oásis.
A inesgotável fonte
do verbo-pássaro
é incomensurável?

Oásis: espaço, bússola, beleza, utopia.
Asas: almalada, aura, tempo, poesia.
As chaves do mistério
dessas raras jóias,
esqueci no mar profundo,
na distância.
joguei fora na embriaguez do tormento;
ficaram perdidas nas asas do esquecimento.

Não há fácil acesso
ao cofre de enigma-estigma.
Simplesmente invento
ao sabor do vento:
um poemazul – inventário de cicatrizes
alada memória do pássaro-poeta...

(*) extraído do meu livro: “Florestrela”
Hórus/9 Editora, Goiânia-GO, 2002

A LEGIÃO DOS MEDÍOCRES




A história confirma o valor dos POETAS na Idade Média. Aqui no Brasil, a partir da década de 80, uma LEGIÃO DE MEDÍOCRES, que não saborearam a cultura, neófitos “poetastros” resolveram roubar o título de “poeta” e sem talento, estilo e originalidade, começaram a publicar “livros” caracterizando-os, equivocadamente, de poesia, e a pífia mídia editorial apoiou esses medíocres que DENEGRIRAM A VERDADEIRA POESIA, por isso qualquer imbecil sem criatividade nenhuma se acha “poeta” na atualidade, comprometendo a imagem dos verdadeiros e autênticos, tais como: Drummond, Bandeira, Baudelaire, Rimbaud, Rilke, W.B. Yats, Yêda Schamaltz, Hilda Hilst, Mario Quintana, Thiago de Mello, Ferreira Gullar, Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Florbela Espanca, Eugenio Santana, entre outros.

O mesmo caso ocorre com a MPB. “Breganejo” é música? E “Banda Calypso” você vai compará-la com uma Marisa Monte, por exemplo? Acredito que eu tenha sido claro e não quero mais alimentar polêmica.

(jornalista/escritor Eugenio Santana)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

PARA SEMPRE JEAN-NICHOLAS ARTHUR RIMBAUD




RIMBAUD está vivo. Rimbaud é um fenômeno literário que não morrerá em nossa memória.
Rimbaud é um marco zero na história da Literatura.
Sua radicalidade, que o levou à renúncia e ao silêncio, merece um tributo especial e uma reflexão permanente.
Os poetas e os escritores do século XX, os surrealistas, os beatniks, os hippies, os jovens rebeldes – todos lhe são devedores.

SULCOS – À direita a aurora de verão desperta as folhas, os vapores, e os rumores deste meandro do parque, e as vertentes da esquerda mantêm em suas sombras violáceas, os mil velozes sulcos da úmida senda. Desfile de encantamentos. De fato: carros carregados de animais de madeira dourada, de mastros e telas pintadas de cores mescladas, no grande galope de vinte cavalos circenses jaspeados, e as crianças e os homens, nos mais surpreendentes animais montados; - vinte veículos, floridos e enfeitados como as carruagens antigas ou de contos, abarrotadas de crianças adornadas para uma pastoral suburbana; - e até mesmo, os ataúdes sob seus noturnos dosséis, erguendo os penachos de ébano, desfilando ao trote de grandes éguas azuis e negras.

Eu teria gostado de mostrar às crianças
Botos de ouro, peixes cantantes, polvos.
Escamas de flores ritmavam minhas danças,
Dos ventos tive asas e momentos de vôos.
Livre,ofegante, cavalgado por neblinas,
Eu que furava o muro dos céus avermelhados,
Que traz o que seria delícia dos poetas
Os liquens do sol e fungos celestiais;
Vi arquipélagos siderais e ilhas
Cujos céus delirantes abriam-se ao sonho.
Nessas noites sem fundo é que dormes e exilas
Milhão de aves de ouro, o futuro vigor?
Mas chega, chorei demais. Auroras não têm graça,
Toda lua é atroz e todo sol amargo;
O amor me encheu de torpores agridoces;
Que minha quilha estoure, que me faça ao mar!

(copydesk/fragment by Eugenio Santana – Escritor, jornalista, ensaísta literário)

sábado, 10 de dezembro de 2011

FAZ DE CONTA...




FAZ DE CONTA que vivemos num país muito lindo e verde, onde todos têm os mesmos direitos, todas as crianças têm lares felizes, todas vão à escola, todas têm a mesma assistência médica e alimentação. Vamos ainda fazer de conta que as cidades onde vivem essas crianças e seus pais são completamente livres de assaltos, assassinatos, acidentes de trânsito, catástrofes naturais, inundações, favelas, tráfico de drogas, políticos corruptos, sujeira, mendigos, gente morrendo nas filas de hospitais públicos, calor intenso em decorrência de abusos ambientais. Que os rios, riachos e córregos que cortam essa cidade são límpidos, cristalinos, prontos a nos matar as muitas sedes.

Vamos fazer de conta que as pessoas de idade são respeitadas e queridas, que sua experiência e sabedoria são apreciadas por todos, que as crianças são ensinadas a não discriminar ninguém, são ensinadas que todos têm o direito de ser o que realmente são e de se expressarem, de se vestirem como quiserem e amar a quem quiserem; que as famílias são unidas por laços verdadeiros e sinceros de afeto, senão não são famílias; que as doenças são curáveis, os frutos da terra são puros e não contaminados e que todos desejamos o bem dos outros. Que a paz reina no mundo, árabes e judeus se dão as mãos como irmãos que na verdade são, por exemplo, e que ninguém é menos amado pela cor de sua pele ou menos aceito por não possuir bens. Aliás, todos teriam os bens que a terra dá, igualmente, e todos dividiriam esses bens.

De qualquer forma, o Natal seria um momento de grande beleza e paz. Com um pouco mais de esforço, poderíamos imaginar Jesus bem bonitinho, no colo de sua mãe, nascendo o tempo todo dentro de cada coração.

(Copydesk/Fragment by Eugenio Santana)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O SORRISO DA ALMA (*)




A alma sorri sem mácula, sem lama.
E acaricia os olhos e a face
de quem ama.

O Rio lava minha alma leve,
mergulho o olhar silencioso no crepúsculo
e sinto ao pôr-do-sol
o cheiro da água morna e calma.

O espelho d’água do Rio reflete
a vida de uma bela mulher morena
embora efêmeros sejam os reencontros.

O frêmito e o êxtase de amar
esconde-se num refúgio além da ponte
na terceira margem de um grande Rio...

A visão magnífica da imensidão das águas
abre largo sorriso no poeta-pássaro
e a vida ávida flui plena através do Rio.

Após a travessia minhalmalada, ri.

Ri-alma!

Ao final do caminho,
do destino, da viagem
atravesso o uni/verso
e conquisto a outra margem.
A asa do coração-saudade
voa ao teu encontro
Alma-Irmã!

(Eugenio Santana)

(*) extraído do meu livro: “CREPÚSCULO E AURORA”,
Hórus/9 Editora, Goiânia-GO, 2006, página 28.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

PHOENIX - RENASCENDO DAS CINZAS




No dia 29 de janeiro de 1996, uma labareda tomou conta de uma das construções mais valiosas de Veneza: a casa de ópera La Fenice, de 204 anos de idade. Centenas de pessoas viram o edifício ser consumido pelas chamas.

Isso causou tristeza? Sem dúvida. Causou desespero? Não. A construção da La Fenice já havia sido retardada em 1792 por causa de um incêndio. Outro incêndio, em 1836, obrigou a população a reconstruir a casa de ópera. Também, após o incêndio de 1996, os venezianos começaram a reconstruí-la.

Por coincidência, La Fenice significa "a Fênix", referindo-se à ave mitológica de grande porte que merecia o título de animal mais raro da face da terra, simplesmente por ser a única de sua espécie.

A Fênix possuía uma parte da plumagem feita de ouro e a outra colorida de um vermelho incomparável. A isso ainda aliava uma longevidade jamais observada em nenhum outro animal. Seu habitat era os desertos escaldantes e inóspitos da Arábia, o que justifica sua fama de quase nunca ter sido vista por ninguém.

Quando a Fênix percebia que sua vida secular estava chegando ao fim, fazia um ninho com ervas aromáticas, que entrava em combustão ao ser exposto aos raios do Sol. Em seguida atirava-se em meio às chamas para ser consumida até quase não deixar vestígios. Do pouco que sobrava de seus restos mortais, arrastava-se milagrosamente uma espécie de verme que se desenvolvia de maneira rápida para se transformar em uma nova ave, idêntica à que havia morrido.

A crença nessa ave lendária figura na mitologia de vários e diferentes povos antigos, tais como gregos, egípcios e chineses. Apesar disso, em todas essas civilizações, seu mito preserva o mesmo significado simbólico: o renascer das próprias cinzas.

Até hoje, essa idéia é bastante conhecida e explorada simbolicamente.

Podemos restaurar o que os incêndios destroem em nossa vida? Às vezes. Em outras circunstâncias é melhor que as cinzas sejam esquecidas, para que algo completamente novo seja construido.

Renascer é o processo através do qual você lamenta sua perda e depois se levanta e começa tudo de novo. É um dos principais segredos para alcançar o sucesso. As pessoas realizadas são aquelas que nunca desistiram de tentar ser assim.

Enquanto você está processando integralmente os aspectos fisico, psicológico e emocional da decepção, vai começar a notar que continua vivo. Algumas pessoas pensam que não podem suportar aquela crise de jeito nenhum porque é demais para elas. Conscientizar-se de que você é um sobrevivente daquela experiência ruim é muito importante. Isso é chamado de viver o tempo presente.

Você não está mais revivendo repetidamente o passado na sua cabeça. Está pronto para viver o presente, aqui e agora.

O que aflora em seguida é a noção de que pode existir um futuro. Considerar um futuro significa preparar-se para olhar para frente e imaginar que existem opções.

A criatividade entra no quadro quando você acredita que na verdade poderia visualizar uma vida, elaborar um plano para concretizá-la e então resolver avançar passo a passo. Você considera as possibilidades que nunca imaginou e começa a estabelecer objetivos, atividades que o colocam mais uma vez no tabuleiro do jogo da vida.

Será preciso avaliar se é mais sensato continuar a batalhar pelo mesmo objetivo que perseguia antes, ou se é melhor formular uma nova meta. Também terá de determinar um novo curso de ação, construído sobre as lições que aprendeu com a crise, revisando seus planos em tudo que for necessário.

Depois de uma decepção, seus objetivos iniciais não serão monumentais. Serão passos minúsculos de bebê que vão aumentando aos poucos. Não serão passos para trás, retrocendo aos velhos e bons tempos, nem farão com que você ande em círculos, sem saber direito o que fazer com sua vida. Esses novos passos serão dados para frente, na direção do seu futuro. Seu novo futuro pode até ser semelhante ao passado, antes da crise, mas agora você pode abordá-lo com olhos mais abertos e com a vantagem do conhecimento que adquiriu.

Apesar de não serem passos gigantescos associados a conquistas significativas, seus objetivos novos o levarão na direção certa. Não deixe de reconhecê-los. Tenha o cuidado de não menosprezá-los, desacreditá-los ou desqualificá-los por não estarem no mesmo nivel de realizações anteriores. Parte desse processo de andar para frente é dar-se permissão para estar em um nivel diferente, apesar de novo, de realização. Como diz o ditado, as vezes você precisa "ir mais devagar para ir mais depressa".

Algumas vezes, como a Fênix, temos de renascer das cinzas, devemos passar pelo fogo e sair fortalecidos, renovados e renascidos.

(EUGENIO SANTANA, FRC - Jornalista, escritor, ensaísta, copydesk, redator publicitário, Revisor de textos literários e jornalísticos, articulista do "Diário da Manhã", livros publicados; da UBE/GO-SC; Da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas. Foi Coordenador de RH/Gestor de Pessoas nas décadas de 80/90.Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

AFASTAMENTO ESTRATÉGICO DA "ZONA DE CONFORTO"...




Por quê você deve sair da sua zona de conforto? Por quê, se lá é tão quentinho e aconchegante? Eu lhe darei três boas razões:

A “primeira razão” é que você será obrigado a sair um dia, por mais que resista. Ninguém passa a vida inteira sem encontrar dificuldades. A incerteza é um fato da vida, a única coisa da qual podemos ter certeza.

A “segunda razão” é que, como seres humanos, acredito que procuramos maneiras de nos refinar e melhorar. Temos, dentro de nós, a capacidade e o desejo poderoso de melhorar nosso protótipo. E só podemos fazer isso nos esforçando e testando.
Experimente. Tente algo novo. Dê mais um passo.

A “terceira razão” pela qual você deve sair da sua zona de conforto é simplesmente que sua vida se tornará muito mais interessante. Sei que você não quer uma vida monótona, previsível, pois se quisesse, não estaria lendo este texto.

Quem leva uma vida segura e previsível nunca saberá que pessoa extraordinária realmente é. Torne desafiadoras as circunstâncias de sua vida para que sua grandeza possa subir à superfície.

“Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las.”

(copydesk/fragment by Eugenio Santana – Escritor, jornalista)

TEU JARDIM, MÃE




Ínfima asa de memória ardente do poetalado, Mãe
Tão lúcida! E lancinante foi o sofrimento
e a dor inominável - e minhas lágrimas petrificadas...
Recente foi o teu Vôo na Asa inexorável do Tempo.

Partiu na tarde de nuvens cinzentas.
Meu coração? Partido; minha alma? Imolada...
Minha mãe partiu - viajou, etérea; diáfana, translúcida
Momento único em que não se repartiu - e não se fragmentou
A sua morte não repartiu – alçou íntegro e belo Vôo anímico
e cumpriu - bravamente - a sua Missão no "vale de lágrimas".

Afinal, viver é um jardim precário e efêmero.
Mas vejo em teu jardim
a perenidade da madressilva, miosótis, hortênsias,
rosas-vermelhas,samambaias e do jasmim.
Porque é bonito o Eterno.
E porque é lindo o Jardim.

Sim! O dia amanhece por meio da Aurora
inapelavelmente...

E nestas manhãs de outono
os vizinhos passam em frente da casa
e não te acenam mais.

Acenam para o jardim desolado
por hábito, medo da morte, perplexidade.
E pela sagrada Luz do Astro-rei
que ainda estremece
face ao teu (reen)canto.

Ainda assim, mãe
é noite em teu jardim cósmico.
Por mais que amanheça,
por mais que floresça
o meu olhar vaga -
lume...


(Eugenio Santana, jornalista, escritor)


"Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho."

(Carlos Drummond de Andrade
- mineiríssimo como eu)