terça-feira, 24 de julho de 2012

NAMASTÊ! (*)




NAMASTÊ é a forma mais digna de cumprimento de um ser humano para outro. Invoca a percepção de que todos nós compartilhamos da mesma essência, da mesma energia, do mesmo universo. É o cumprimento em sânscrito que literalmente significa “curvo-me perante a ti”. Em síntese é “saúdo a você, de coração”!

E deve ser retribuído com o mesmo cumprimento. O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você. O Deus que há em mim saúda o Deus que há em ti.

A minha essência saúda a sua essência. Namastê traz o sagrado para dentro de cada ser humano, afirmando que Deus não está no céu, num templo ou mesmo na Natureza.
Deus está em tudo, em cada um de nós.

Ao fazer o Namastê afirmamos que todos somos filhos e partes do sagrado, indissociáveis e iguais.

(*) Escritor/Jornalista Eugenio Santana, FRC

domingo, 22 de julho de 2012

ALMA SOLITÁRIA E SOLIDÁRIA (*)




Sempre passando ao largo de si mesmo, sem se dar conta de sua presença, foi robotizando as ações diárias. Tudo nele maquinal. Até o sorriso enferrujado.

Acordava e dormia como se o seu dia fosse se desenrolando ao clicar a tecla play de um DVD. Cabeça no travesseiro, lá pela meia-noite e tanta, apertava o stop. E havia aquela incômoda sensação de sempre voltar o filme ao longo das horas.

Então invocou o deus hindu Shiva, o demolidor.

Começou a desarmar a cena pedindo demissão do emprego. Depois levou três dias praticamente em decúbito dorsal pensando em para onde ir. Conhecia cavernas em Sobradinho, na cidade de São Thomé das Letras. Seria um eremita. Para tanto, resolveu que não se desfaria do tapete fora de uso. Ainda que descrente, a visão do velho iogue sobre sua pele de tigre voltou com força. Incapaz de sentar-se sobre qualquer tipo de pele, animal ou humana, serviria aquele tapete roto enrolado atrás da porta.

O passo seguinte foi vender o que possuía. Ou melhor, o que lhe fora emprestado pela vida. De seu, mesmo, só o corpo que trouxera ao nascer. Totalmente nu. Mas nem esse era de fato seu, porque um dia o deixaria para os outros lhe darem destino... Vendeu a cama, as estantes de livros, computador, tevê, som, sofá-cama e o resto dos pertences que não levaria. Até o tapete, pois desistiria da solidão completa. Iria agora em busca dos outros corações. Transformando a alma solitária em solidária. Deu roupas a um amigo, CDs a outra, os livros dividiu entre ambos e, com o quarto assim vazio, sentiu-se livre.

(*)Copidesque/Fragmento/Releitura por Eugenio Santana, FRC

sexta-feira, 13 de julho de 2012

NUNCA ESTAMOS SATISFEITOS (*)




A dor maior que sentimos em nossas perdas é exatamente a dor do apego. Achamos que tudo é nosso e vivemos na ilusão de que tudo depende da gente. Quando nos apegamos a coisas e pessoas, a cargos e a funções, passamos a ter objetivos pequenos demais.

Quando temos muita coisa para olhar e para cuidar, não olhamos para o essencial, aquilo que está além do óbvio.

Cada vez mais o mundo se especializa em criar necessidades e normoses. Antigamente comprava-se o que realmente era imprescindível. Hoje acabamos necessitando de muita coisa. Parece que sem aquilo que foi lançado recentemente a gente é um eterno infeliz e descompensado. Primeiro vem a tentação irresistível de comprar, depois de trocar. Nunca estamos satisfeitos. Aliás, esse é o grande segredo da propaganda comercial: mostrar que você é infeliz e que poderá ser feliz quando adquirir esse ou aquele produto. E os publicitários fazem isso de modo muito atraente. Investem-se milhões em propaganda. O próprio governo federal parece gastar mais em propaganda do que em educação. É uma mina de dinheiro, exatamente porque trabalha com a sensação da insatisfação e com a promessa de curá-la.

Você pode colocar próteses de silicone, fazer cirurgias plásticas, fazer lipoaspiração, pode fazer tudo por fora, mas não existe ainda, e nunca existirá, nenhum silicone ou cirurgia de redução do estômago para emagrecer, nenhum cirurgião capaz de preencher um coração de pedra, murcho, frio, impessoal, vazio e ferido. Não adianta mudar a carcaça, porque isso apodrece.

(*) Copydesk/Fragment By Eugenio Santana, escritor e jornalista. Dedico aos meus amigos cariocas Pedro Bial, Arnaldo Jabor e Carlos Heitor Cony)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

VIAGEM NO ESPELHO (*)




Fazemos esta viagem juntos. Como estão distantes os outros passageiros! Estarão no mesmo trem? Em que vagão? Na capota do carro? A bordo do avião? Os poetas configuram-se em metáforas fazendo uma viagem pelo espelho, voando por um mar de alegorias e aquele fruto é doce e está vermelho. Fazemos esta viagem juntos por dentro dos nossos manuscritos – fonemas e sons, nossos ministros. A poesia é descanso e prisão, um balanço, uma lua, uma rede. No mais, o resto é a separação, o inter/dito. Os poetas são ânforas com sede.

(*) Copydesk/fragment by Eugenio Santana. Para Angélica Ferreira)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

PÁSSAROS DO VENTO




Há pássaros no ar, voando, voando, fugindo dos homens.

Há pássaros no ar, ignorando colisões do vácuo e do silêncio, marcando correnteza no céu, subindo, descendo, ziguezagueando, fugindo dos homens.

Lá, pássaros brancos, do branco das nuvens, vencem rápidos a dança da chuva e do vento. São pássaros estranhos, voando, brincando com as setas do firmamento.

Há pássaros no ar, logrando o tempo. Dos ares fazem caminhos, dos caminhos fazem horizontes; só os pássaros sabem para que e por que voam.

Há pássaros no ar, voando, voando, fugindo dos homens.

Pássaros do espaço conhecem o céu profundamente; não conhecem os homens, as armas dos homens, as armadilhas dos homens.

Há pássaros no ar, voando, voando. Há pássaros no chão, sangrando, sangrando.

(Eugenio Santana – O Poetalado – para Nathan de Castro)

PÁSSARO NEGRO




Pássaro preto, abre as asas na noite escura, numa confusão gratuita de negro e brilho do teu olhar aflito. Pássaro negro do negro da noite, fere o silêncio que dói na gente. Por que é tão triste, teu canto inocente? Pássaro preto, o dia não tarda a chegar. Não pares, não penses nem cantes a noite comigo. O clarão é teu antônimo e grande inimigo – mostra tuas cores, te denuncia. Ama a noite, amiga e abrigo.

Pássaro preto de alma branca, o que esperas para voar? O mundo? Este é uma grande gaiola. O espaço te pertence. Encharca-te com a chuva, embala-te com o vento.

Voa, pássaro preto, companheiro vagante. Abraça o tempo enquanto é tempo.

Antes que indiquem, procura o caminho que te leva avante. Faze do gesto negro das asas contra o vento um aceno discreto de adeus, e de teu canto angélico uma rapsódia inútil. Antes que te sigam. Antes que te prendam. Antes que te matem!

Pássaro negro do negro da noite, fere o silêncio que dói na gente. Já não ouço mais, teu canto inocente.

(Eugenio Santana – O Poetalado – Para Edgar Allan Poe)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A informação como fonte de poder (*)




Buscar informação é um trabalho objetivo e persistente.

Separar a verdadeira informação das manchetes e dos “achismos” onde fulano acha isso, beltrano acha aquilo, e você, baseado no que acham aqueles que não estão comprometidos com o projeto, acaba cometendo um erro de decisão, pelo qual, pagará caro. Buscar a verdadeira informação e separá-la das desinformações que são abundantes e disponíveis no mercado, é um trabalho que requer um bom preparo anterior. Antes de sair a campo pesquisando, entrevistando e consultando a torto e a direito, é necessário ter um roteiro daquilo que se quer fazer, só assim, se pode ordenar as informações colhidas e transformá-las em conhecimento.

E, além disso, para poder usar a informação, é importante estar aberto para enxergar principalmente aquilo que você não quer ver. Nós temos uma tendência natural de não querermos ver o que nos incomoda, assim é normal passarem desapercebidas coisas importantes, mas que não queremos ver.

Principalmente quando estamos em fase de paixão por uma ideia, ou qualquer outra coisa, fazemos qualquer esforço para obter esta paixão, realizar esta ideia, ficamos cegos e só enxergamos o objeto de nossa paixão, como aliás, é normal em qualquer pessoa apaixonada, daí porque ficamos cegos para aquilo que não queremos ver. É preciso muito cuidado para obter, tratar e avaliar as informações.

(*) Jornalista investigativo e cultural EUGENIO SANTANA, FRC