sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A COMUNICAÇÃO VERDADEIRA E PROFUNDA(*)

Às vezes não sentimos, mas cada um de nós é um mistério diferente de todos os outros. O mistério que você é e o mistério que eu sou nunca existiram antes. Ninguém exatamente igual a você ou a mim vai existir outra vez. A combinação de suas qualidades e seus talentos é um conjunto que nunca foi reunido antes. É tão particular quanto suas impressões digitais. E só você pode compartilhar seu mistério e seus talentos comigo. Também é verdade que cada floco de neve e cada grão de areia da praia tem uma estrutura particular, diferente de todas as outras; da mesma forma, eu também sou diferente de todos os outros seres humanos de toda a história de nossa espécie. O tesouro de minha originalidade é meu, para dar ou para recusar. Se você prefere recusar-me seu tesouro, serei privado do conhecimento do mistério particular e da experiência de sua pessoa. Da mesma forma, posso recusar-lhe a experiência indireta do que é ser minha pessoa. Assim como uma recusa mútua nos deixará para sempre essa privação, a possibilidade oposta também é verdadeira: podemos ficar enriquecidos para sempre pela abertura e pelo compartilhamento mútuo. A participação indireta na existência de outro ser humano único sempre é enriquecedora. Essa é a grande dádiva da comunicação. Ao dizer-me quem é, você compartilha comigo sua originalidade, faz-me entrar num mundo diferente, num tempo e um lugar diferentes, numa família diferente. Você vai compartilhar comigo seus antigos vizinhos e contar-me as histórias que ouviu quando criança. Vai me levar pelos vales e topos de montanhas que eu nunca vi. Vai me fazer entrar nos cofres secretos das experiências que não fizeram parte de minha vida. Vai me apresentar a emoções, esperanças e sonhos que nunca foram meus. Isso só pode aumentar as dimensões de minha inteligência e de meu coração. E ficarei para sempre enriquecido pelo que compartilhamos. Meu mundo experienciado vai ficar permanentemente maior por causa de sua generosidade para comigo. Para conseguirmos ajudar um ao outro, preciso abrir minha pessoa e meu mundo para você entrar. E você precisa abrir sua pessoa e seu mundo para mim. Preciso permitir-lhe experienciar-me como pessoa, em toda a plenitude do que sou. E preciso de permissão para experienciá-lo da mesma forma. Preciso dizer-lhe quem sou e você precisa dizer-me quem é. Esse tipo de comunicação é o único caminho que leva às riquezas mais preciosas de uma relação humana. A comunicação verdadeira e profunda com o outro é absolutamente necessária para nosso crescimento enquanto pessoas. A maioria de nossas relações dizem respeito basicamente às coisas práticas, como resolver problemas e fazer planos. A ênfase primordial deve ser, ao contrário, nesse compartilhar mais profundo de nossas pessoas.
(*) Copydesk/fragment by Eugenio Santana, escritor e jornalista.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A DESTRUIÇÃO DA FLORESTA AMAZÔNICA (*)

O Brasil é a segunda maior nação florestal do planeta, depois da Rússia, mas a mais rica em biodiversidade, uma vez que as florestas tropicais abrigam um número muito maior das espécies. Dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro, mais de 60% são cobertos por florestas naturais exploradas por várias cadeias produtivas, como papel e celulose, madeira e móveis, siderurgia, lenha e energia, óleos e resinas, fármacos, cosméticos e alimentos. Só os três primeiros setores empregam 7 milhões de pessoas e geram 4% do PIB. Trata-se, portanto, de uma economia expressiva e de vasta capilaridade social, entranhada na cultura brasileira, embora explorada sob a lógica do mais puro imediatismo: apesar do vigoroso desenvolvimento da indústria do reflorestamento, o país consome quase duas vezes mais madeira natural do que madeira plantada. O índice de ilegalidade na extração de madeira nativa na Amazônia é altíssimo. Cerca de 22% das florestas da Região Norte já foram destruídas. Uma das causas do desmatamento recorde que o país ostenta há 40 anos é a exploração predatória e itinerante das florestas por meio da migração ilegal de serrarias para áreas virgens tão logo uma área se esgota. Em 1994, o Brasil desmatava 29 mil km quadrados de florestas por ano. Esse número caiu para 7 mil km quadrados por ano, atualmente. No entanto, essa importante conquista não basta. Consumidores esclarecidos sabem que as florestas não são um “fator de produção” comum, pois prestam serviços ambientais como regulação de chuva e do clima, proteção de bacias hidrográficas e conservação da biodiversidade. Elas também são a base do desenvolvimento das biotecnologias que movimentam um mercado global sete vezes maior do que o mercado de madeira. A modernização da economia, a promoção do potencial florestal e a preservação dos serviços ambientais das florestas dependem da sua conservação “em pé”. Mudar a cultura predatória e consolidar a incipiente tecnologia do manejo sustentável das florestas naturais são desafios de fundamental importância para o Brasil.
(*) Eugenio Santana, jornalista investigativo e cultural.

O BRASIL LIDERA O CONSUMO DE CRACK (*)

No campeonato mundial do consumo de crack, o Brasil ocupa a perturbadora liderança, com um milhão de usuários em 2011, alerta o II Levantamento Nacional de Álcool de Drogas. O estudo, divulgado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em setembro, indica que o país aparece na vice-liderança em consumo de cocaína e derivados fumáveis (crack, óxi e merla), com 2,8 milhões de usuários, atrás apenas dos Estados Unidos. O número é considerado “alarmante” pelo psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da pesquisa. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que o consumo cai no mundo, no Brasil e em outros países em desenvolvimento observa-se o contrário. “Estamos muito lentos no combate à epidemia. Não sei se teremos recursos para cuidar de todo esse fenômeno”, afirma Laranjeira. O uso mais comum de cocaína é em pó. Mais de cinco milhões de pessoas (4% dos adultos) já cheiraram pelo menos uma vez na vida. Cerca de dois milhões já consumiram cocaína em fumo. Entre os adolescentes, 442 mil (3% da população entre 14 e 18 anos) já provaram ao menos uma vez alguma variação da droga. A Região Sudeste abriga 1,4 milhão de usuários (46% do total), seguida pelo Nordeste, com 800 mil (27%), Centro-Oeste e Norte empatados, cada qual com 300 mil (10%), e por último o Sul, com 200 mil consumidores (7%). O consumo em áreas urbanas é o triplo do registrado em regiões rurais. A pesquisa revela que 45% dos usuários experimentam cocaína pela primeira vez antes dos 18 anos de idade. A maioria dos consumidores (78%) declarou ter facilidade para conseguir a droga. (Da Redação – Eugenio Santana, jornalista investigativo)