quarta-feira, 21 de novembro de 2012

VIDA É MOVIMENTO. TRANSFORMAÇÃO. TRANSCENDÊNCIA (*)

Puro insight. Certeza absoluta: vida é movimento. Transformação. Transcendência. Toque de iluminação anímico, oculto, invisível, incognoscível. Muito além de cósmicos jardins? Silente convocação de gregos, egípcios, essênios, rosacruzes, templários, celtas, druidas , maias, astecas e cátaros. Insólita chama acesa no coração de um escritor? Andarilho do tempo e da florestrela? Levitação do escriba no ostracismo, exercitando, purificando, sublimando seu involuntário ócio? Velado e inusitado convite ritualístico para um Novo Despertar de Consciências? Mero e vero exercício incontrolável e inconcebível de narcisismo e êxtase intelectual? Asa do tempo. Flor do tempo. Rosazul alada de um surrealista amanhecer. Visão da aurora boreal. Sol da meia noite ou meia noite em Paris? Encontro lunar com lilith? Águas misteriosas e pantanosas do conhecimento rudimentar da cultura oral da Austrália? Oráculos dos deuses. Mitos e ritos. Olimpo do verbo. Luz tênue no túnel da vivência humana. Claridade ofuscante de sabedoria milenar. Ancestral registro akhásico... Anos-luz na travessia de espaço-tempo da filosofia que encanta, canta, dança, baila, esvoaça asas e revoluciona o céu estrelado de lábios ávidos que emitem incessantemente estilhaços-fragmentos de Palavras de Luz. Lembranças-saudade. Registros memoráveis falhos, mas, o coração aceso ilumina o cérebro. Inquire, busca e pesquisa. Não contém o frêmito e quer deixar impresso nos Cadernos do Tempo e nos pergaminhos da vida os valores éticos de um escritor e jornalista valoroso, ético e que, inapelavelmente, diariamente comete “sincericídio.” É preocupante aqueles que cultivam e cultuam a síndrome dos valores invertidos do século 21: cientistas, tecnólogos, sociólogos, doutores controladores da robótica-cibernética, desejam que a palavra-luz-ensinamento, o livro impresso, termine no labirinto escuro de abissal abismo no mais profundo fundo oceânico. Esses infelizes, enviados do “encardido”, ruminam em vídeo-texto; viciados virtuais. Abomináveis senhores confinados, não roubem meus leitores, please! Ainda assim, apaixonadamente lanço essas pérolas ao sabor de indomáveis ciclones. Silenciosos albatrozes sobrevoando o mar da mediocridade e hipocrisia. Revelo – e não é nenhuma novidade – que só o AMOR INCONDICIONAL e a EMPATIA salvam, regeneram, libertam, transformam; sublima, eleva e enleva. O AMOR resistirá, inexoravelmente, aos séculos e milênios! O Amor será a razão vital para a continuidade da VIDA no planetazul. Maktub. (*) Eugenio Santana é cronista, contista, ensaísta, jornalista, publicitário e editor. Autor de cinco livros publicados. Sócio da UBE/SC – União Brasileira de Escritores, Florianópolis/SC. Fundador do jornal “Verbo-Pássaro”. Foi Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

NÃO SEI COMO VIAJAR SEM BAGAGEM (*)

VIAJANTES CANSADOS. Você os tem visto – com tudo o que eles próprios metem na bagagem – cambaleando pelos terminais e vestíbulos de hotéis, com malas abarrotadas, baús, mochilas e sacolas. Dor nas costas. Pés ardendo. Pálpebras caídas. Todos já vimos pessoas assim. Às vezes, nós somos pessoas assim – se não com nossas bagagens físicas, ao menos com nossas cargas espirituais. Todos arrastamos fardos para os quais não fomos feitos. Medo. Preocupação. Descontentamento. Não admira ficarmos tão cansados. Estamos exaustos de carregar excesso de bagagem. Não seria ótimo perder algumas destas malas? Existe um roteiro como guia, para que larguemos alguns destes carregamentos para os quais não fomos feitos. Você é conhecido por carregar poucas bagagens? Provavelmente, você o fez esta manhã. Nalgum lugar, entre o primeiro passo ao sair da cama e o último ao sair pela porta, você agarrou alguma bagagem. Você caminhou até a esteira giratória, e a pegou. A esteira não é aquela do aeroporto; é a da mente. E as malas que agarramos não são feitas de couro; são feitas de encargos. A valise da culpa. O baú de descontentamento. A mochila de ansiedade e a sacola de aflição. Acrescente uma pasta de perfeccionismo, uma mala postal noturna de solidão, e um fardo de medo. Não admira que estejamos tão cansados ao final do dia. E amanhã, quando, pela força do hábito, você pegar de volta a sua bagagem, largue-a de novo. Deponha-a outra vez e novamente, até aquele doce dia em que você descobrirá que não a está pegando de volta. E naquele dia, quando você sentir a carga suspensa, quando houver dado um passo no sentido de viajar sem bagagem, quando tiver energia para ponderar sobre os mistérios da vida, faça-me um favor. Caminhe pelo saguão e vire à esquerda. Espere sua vez atrás das cordas vermelhas. Dê uma boa e longa olhada na Mona Lisa, e diga-me: o que há d especial nela, afinal? (*) Eugenio Santana é self-mad man, versemaker, copydesk; ensaísta, jornalista e escritor.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

PROJETO WEB BOT (*)

WEB BOT é um software criado em 1997 por dois peritos em computação, Cliff High e seu assistente George Ure, que rastreia palavras-chave na Internet, com o intuito de pesquisar o que se passa no inconsciente coletivo dos internautas. Desenvolvido originalmente para o mercado financeiro de ações, o programa que visava antecipar o fluxo da bolsa mostrou-se muito útil para prever eventos futuros em geral. O software usa aranhas virtuais ou robôs, por isso bots (de robots, em inglês), para vasculhar a Internet em busca de 300.000 palavras-chave que possuem conotação emocional. De acordo com seus criadores, o programa já detectou alguns eventos com antecedência, que depois se confirmaram. Em junho de 2001, o Web Bot previu que nos 60 a 90 dias subseqüentes, um evento de grande importância alteraria radicalmente a vida dos americanos: e no dia 11 de setembro, as Torres Gêmeas foram destruídas. Em 2004, o Web Bot anunciou que haveria um enorme terremoto com ondas devastadoras envolvendo cerca de 300.000 vítimas: e em dezembro, um tsunami devastou a costa do Sudeste asiático. E assim foram também o apagão da costa oeste dos EUA em 2003 e o furacão Katrina em 2005. Com relação a 2012, o Web Bot não anunciou especificamente o fim do mundo para este ano, mas previu que um evento catastrófico devastará o planeta. No entanto, da mesma forma, o Web Bot também detectou e antecipou outros fatos que não se confirmaram. Por isso vale a pena considerar as opiniões também dos críticos do projeto que dizem que, longe de o projeto prever eventos futuros, o mesmo revela os medos e interesses das pessoas que usam a rede e que se comunicam através dela. “É claro que haverá vestígios de 2012, dizem eles, uma vez que são muitas as publicações sobre o assunto que vão parar na Internet.” Segundo Cliff High e George Ure, o Web Bot relata que uma “Nova Ordem Mundial será implementada por volta do ano 2012, após uma guerra devastadora.” De qualquer modo, essa é mais uma informação que converge para a mesma data: 2012.
Como pudemos observar, vários temas convergem para fazer de 2012 um ano de grandes transformações, e seria no mínimo ingênuo ignorar tantos sinais e algumas evidências. Mas tanto as profecias maias quanto as de outros povos e profetas de outros tempos, assim como algumas pesquisas e dados científicos, não asseguram nada a respeito do que pode vir e suceder no final de 2012. Ou, como disse São Mateus, o evangelista: “Vigiai e orai, pois não sabeis nem o dia e nem a hora...”. (*) Jornalista Eugenio Santana

O FIM DOS TEMPOS SEGUNDO EDGAR CAYCE (*)

Outro visionário extraordinário que predisse o fim dos tempos foi Edgar Cayce. Considerado por muitos como o mais talentoso vidente do século XX, Cayce era um clarividente americano, nascido em 1877 na zona rural do Kentucky, que fazia leituras psíquicas e proféticas inacreditáveis. Apesar de só ter o diploma secundário, Cayce tornou-se médico, curador, profeta e vidente, fez mais de 14000 leituras em 45 anos de atividade e nos mais diferentes assuntos. Era chamado pela imprensa como “O Profeta adormecido” porque fazia suas leituras de olhos fechados, deitado num divã com as mãos sobre o plexo solar, numa espécie de transe. Quando criança se sentia diferente dos outros e podia memorizar livros inteiros apenas por deitar-se sobre eles. Tinha visões desde menino e, quando seu avô morreu, Cayce dizia tanto ver quanto ouvir e falar com ele. Aos poucos, o vidente foi descobrindo seus extraordinários talentos, que iam desde diagnósticos de doenças, tratamentos de saúde, predições de assuntos pessoais, políticos e econômicos, até espiritualidade, leis universais, reencarnação, imortalidade, origem e destino da humanidade. Cayce previu o início e o fim dos conflitos das duas grandes guerras, o surgimento do Nazismo, a Grande Depressão de 1929, o fim do comunismo na Rússia e o surgimento da China como superpotência, além da morte de dois presidentes americanos e o surgimento de doenças modernas como o stress. Especialistas dizem que Edgar Cayce também anteviu o fim dos tempos e que a sua maior previsão era a de “uma catástrofe causada por forças do universo que agiriam sobre a Terra e provocariam uma mudança no eixo de rotação do planeta e a inversão dos seus pólos. Tais mudanças promoveriam inundações primeiramente nos EUA, depois em todo o continente, gerando um tsunami jamais visto que se propagaria até o Japão. O fim do continente americano alteraria as correntes marítimas, trazendo frio intenso para o norte da Europa e uma nova Era do Gelo.” Cayce, que nada sabia sobre placas tectônicas, disse que outras terras surgirão no Atlântico e no Pacífico, assim como haveria o ressurgimento do continente perdido da Atlântida, o aumento da atividade vulcânica, terremotos, tempestades e furacões.
Cayce se referia à Atlântida como uma civilização cujo nível de desenvolvimento era fantástico e que registros de tal povo podiam ser encontrados em alguns lugares do planeta como na península de Yucatán e no Egito. O mais incrível é que as mudanças climáticas e cataclísmicas previstas por Edgar Cayce se encaixam nas previsões para 2012, apesar do visionário jamais ter citado esta data especificamente. Edgar Cayce morreu em janeiro de 1945, de um acidente vascular cerebral. (*) Jornalista Eugenio Santana

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

AMOR TRÁGICO E SURPREENDENTE (*)

Nem um carro, nem um transeunte, nem um gato, nem um cão. De vez em quando, nuvem de poeira. Por volta das 6 horas, sombras furtivas começarão a esgueirar-se ao longo das altas casas abandonadas. Sombras dobradas ou torcidas, lutando contra o vento selvagem. Dentro em pouco, tudo voltará a ser deserto de pedra e poeira. O inverno vale a pena ser vivido. É de um rigor incomparável. Não nos poupa nada, atormenta-nos, julga-nos. Obriga a nos olharmos bem de frente, no espelho, reduzidos à nossa expressão mais simples, ou seja, a nós mesmos, isto é, à angústia. Os homens que acotovelam as mesas de mármore fingem ver a TV. Silhuetas torcidas se agitam. A locutora sorri para os anjos e anuncia a chuva e o tempo bom. Poderia anunciar o fim do mundo, que os homens não se mexeriam, continuariam assim, como estátuas. São velhos, são nodosos, são oliveiras destacadas da terra. São indiferentes e impassíveis. Invejo-os. E o autor, bem entendido, na justa medida da minha loucura, se estou louco, da minha angústia, se estou angustiado, do meu delírio, se estou delirante. De todas as maneiras, da minha solidão. Estou só. Assim o quis. Detesto as multidões. -- E por que precisa de solidão? -- Na vida de cada um, chegam um momento e uma idade... Tenho quarenta e seis anos... Em que é necessário determinar a rota, fazer o balanço das nossas forças e das nossas fraquezas, das nossas derrotas e das nossas conquistas. Esse momento chegou, para mim. -- Mesmo no plano sentimental? -- Mesmo no plano sentimental. Quanto à alusão, não pense que ela me perturba. -- Pensa escrever outro livro? -- Sem dúvida. -- Um romance? -- Um romance autobiográfico. -- Detalhes? -- Só posso dizer que se intitulará “Os Pessegueiros Florescem no Outono.” -- Onde pensa refugiar-se? -- Não sei ainda, provavelmente em Edeia, Pirenópolis, Goiás Velho, São Miguel do Passa Quatro, Silvânia, Pilar de Goiás, Ceres, Orizona, Itapaci... ... A imprensa retira-se. (Setembro de 2011). Neuroforia, isso não vem no dicionário. Durante três noites, Zoé sumiu. Uma noite voltou tranqüila, um pouco cansada. -- Acabou a neuroforia. Mais tarde, bem mais tarde, ela tentou explicar-me. Vou, por meu lado, tentar traduzir Zoé. Digamos que a neuroforia é uma força incoercível, louca, que nasce em nós, cresce e explode. Então, nada nos pode impedir de ir até ao limite de tudo. E mais além, se for possível. Então, a gente luta, bebe e come, faz o amor e toma drogas, fala e fala ainda. Isso pode durar de dez a cinqüenta horas, até que o doente fique exausto. É a fuga para diante, à frente da angústia. É a chance da última chance. É engolir o tempo e engolir o espaço. E negá-lo. Milhões de homens morrem intatos. Ou seja, pouquíssimos diferentes do que eram ao nascer. Sem terem conhecimento realmente de nada, nem experimentado, nem aprendido. Morrem intatos, sem jamais terem gasto o capital psíquico, a força real, o dinamismo que é dado a cada indivíduo. Um monte de carvão não consumido, que se deixa apodrecer sobre o chão da mina. Esses consumiram a vida. O amor não existe, eu juro. É hora de dizê-lo, de proclamá-lo por cima dos telhados, de anunciá-lo à trombeta. Ou, melhor, minha cara Zoé, o amor não existe senão para alguns. Eis o segredo. E você, com as suas recordações de pesadelo, não faz parte daqueles a quem foi dado o amor. Você, como milhares, como milhões de outros. Como todas as multidões imensas do planeta, que obedecem a reflexos condicionados. Todos alienados pela religião, pela mídia, pela TV, pelo cinema, pela literatura, a boa e a má, que miam a cada minuto, a cada segundo, o amor, sempre o amor. Não há amor, não há milagre para todos esses, desprovidos, condicionados, que vivem redondamente equivocados. O amor, o verdadeiro, é sempre trágico, exaltador. É uma sociedade secreta, cuja iniciação é cruel e complexa. É o que viviam Tristão e Isolda, com a espada no centro do leito. É o que perseguia Dom Quixote nas planícies da Mancha, essa caça à sombra, essa busca exaustiva e raramente triunfante. Donde a necessidade que eu tenho da literatura. É mais fácil e menos perigoso. Estamos tão doentes! A maioria não sabe, mas eu sei. -- Doente de quê, Sr. Mário? -- Não da alma, não da consciência, não do cérebro. Não, é demasiado vago. Doente de ternura, de generosidade, solidariedade e do dom de si mesmo. Doente de Deus, talvez, doente de amor sempre. Doente do corpo de todas as mulheres do mundo. Doente do tempo e doente do espaço na busca infrutífera de transcendência, consciência cósmica e uni/versos paralelos; doente das palavras, quando escrevo e não publico, das carícias, quando amo, dos lençóis, quando durmo. Doente da morte, cara doutora. -- E qual o seu remédio, caro escritor? Não há remédio, a não ser, sempre e sem parar, a contestação e o protesto. Tem de haver orvalhos e vaga-lumes no jardim que velam todas as noites enquanto os outros dormem e têm pesadelos. Tem de haver quem berre, ao vento, as verdades essenciais, quem despedace e quem destrua, quem ponha tudo em causa, minha bela. E não importa que meio, recomendável ou não. O importante é que deixe marcas. -- O senhor é um anarquista, Sr. Mário. -- E a senhorita é uma imbecil! A caverna tem isto de bom, é confortável e ao abrigo dos outros. Cada qual pode ficar indefinidamente na sua caverna. É, aliás, o que todo mundo faz ou se esforça por fazer. Só eu resolvi sair da minha caverna, e há muito tempo. Ou, mais exatamente, errar de caverna em caverna, sabendo o que elas são, apreciando provisoriamente o seu conforto, mas sem nunca dormir nelas. Sei agora que as sombras não passam de sombras. Sei que lá fora é dia, mas que no interior das cavernas ainda posso representar e me contar histórias. Não sou mais um idiota. Tudo isto para lhe dizer que não existe pessoa dupla de você ou de quem quer seja. Que somos sós e únicos, e que é preciso acomodar-se a esse estado. Conseqüentemente, tenho ao mesmo tempo a tristeza e o prazer de lhe diz er, de lhe afirmar, de lhe jurar que o amor não existe. Fricciono-me. Sinto-me realmente novo, mudei de pele a neuroforia foi afogada. Volto para o quarto, visto-me. Trouxeram a bandeja com o chá, o doce, as torradas e a manteiga. Sirvo-me, bebo, como, o mundo me pertence. Estou pronto, gentleman bem barbeado e cheirando a lavanda. Zoé guarda a roupa suja na maleta. Termino o meu chá. Zoé pega a maleta, dirige-se para a saída, eu a sigo. Segui-la-ei até ao fim do mundo, e seguirei apenas a ela. Ela acende um cigarro, põe o carro em marcha. – ligue o aquecimento. O navio deixa o porto. É necessário morrer, quando os rostos já não nos fazem sinais, quando as vozes se tornam incompreensíveis. Então, é uma questão de dignidade. Não se morre quando um ser nos abandonou. Morre-se quando nós mesmos nos abandonamos. Estou aqui, não estou aqui. Não sei nada. Em suma, quero anular-me, mas com todas as garantias possíveis. Quero ter a certeza de que estou desertado. Sôo oco, sou um fantasma. E grito para dentro, como um filósofo-de-bolso: a vida é absurda, eu sou absurdo. Ando às voltas dentro das armadilhas da casa de vidro. Zoé, silenciosa, vigia-me. Assiste impassível à minha agonia, como boa conhecedora. Dêem-me garantias e eu me anulo, fico fora de combate. Silêncio. As vozes cochichadoras, destiladora s de bons conselhos, estão mudas. Cabe a mim arranjar-me, só, sempre só. E recomeçar uma vez mais a análise das razões, a procura das causas. Não se trata dos meus livros, mas da minha alma. Não me interessa a literatura, não me interessam os meus livros. “Todos os meus livros por um Reino!” O que eu procuro, é um reino. O que eu preciso é fazer um inventário, uma grande faxina. Jogar fora o que estiver demasiado usado, limpar e só guardar o essencial. Voltar ao essencial, ao absoluto, ao definitivo. Gostaria de ter a meu lado um ser com quem pudesse falar, a quem pudesse comunicar tudo o que vivo, tudo o que experimento. Zoé não basta. Com ela, são sempre monólogos paralelos. E onde está ela? Onde está aquela que viverá comigo todas as aventuras do corpo e do coração? E também do espírito. Aquela que comigo construirá a alta torre da solidão partilhada? Finalmente... Luciene. O mesmo sentimento cada vez que a vejo e a mesma impotência para expressar essa espécie de paralisia que atinge. Poderia amá-la até à eternidade, amá-la até morrer, com todas as pisaduras e todas as feridas do amor. Com todas as ternuras do mundo e todos os impulsos que só esperam para brotar, verdadeiros e fortes. A estrada. Os faróis, os plátanos. Uma luz baça envolve a noite. Talvez vá chover. O silêncio repousado. O da satisfação e da paz. As palavras não significam mais nada. Pulverizaram-se. Recordar. A avareza da Memória. Recordar-se dos momentos, arquivá-los, guardá-los na cabeça... Explodi neste amor. Fiquei reduzido a pó. Mas para ressuscitar, para ressuscitar, enfim. E que tudo agora seja claro e legível. Quero ler-me em livro aberto... Os plátanos, a estrada, os faróis. A neblina branca, dissimulada... Era para melhor renascer. Ressuscitei... Uma transformação teve lugar quando eu já não esperava nada. Quando eu já pedia demissão... O amor que temos a fazer, a inventar. O império que precisamos edificar. Depressa, muito depressa. Precisamos lutar contra o tempo, agarrá-lo em velocidade. Ele é o inimigo. Um amor, isso existe? Existe, mas em estado bruto. É uma pedra, um objeto. E a gente não sabe o que fazer com essa pedra, embora tudo se possa inventar. É preciso dar um sentido ao amor, uma direção. Animá-lo, iluminá-lo. De outra forma, ele fenece, asfixiado pela sua própria inércia... Crer na virtude das palavras por si sós. Mas as palavras não têm virtude, a não ser a que se lhes quer dar. E que se lhes dá por impotência, por ociosidade, por covardia. Também é fácil fazer um filho. Supremo álibi para lutar contra o medo e a solidão. E a morte, também. Para existir por procuração. Para enganar. Um menino, isso permite, por instante, julgar-se imortal. Não mais fingir viver com os outros que fingem viver. Admitir que os meus antigos amores eram falhos, que não passavam de atos de egoísmo e de orgulho. Admitir que aquilo que a que eu chamava de “minha filosofia” nada mais era do que paródia de um pensar rigoroso. Admitir que o que eu escrevi nada mais foi do que o reflexo do carnaval em que vivi. A descrição hábil dessa partida de esconde-esconde de que eu brinco comigo mesmo há quarenta e seis anos, para não me confrontar com a “minha realidade”. Negar-me. Aprender a humildade. Um par de faróis me ilumina e me fustiga. O carro de Luciene acaba de estacionar ao lado do meu. Fico imóvel, paralisado. Ela me vê. E eu, alucinado, vejo-a descer, vir para mim, inclinar-se para mim, beijar-me. E eu soluço.
-- Luciene, Luciene, meu amor... Os anjos da escuridão... Eles quase me tiveram. (*) EUGENIO SANTANA é cronista, contista, poeta, crítico literário, jornalista, publicitário, relações públicas, assessor de comunicação. Foi Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro e é membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número 2

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

QUERO VIVER NO TEU ENCANTO(*)

Quero me perder em ti como as Florestas da Bolívia deixaram-se fecundar pelo sangue do meu amigo Ernesto Che GUEVARA. Cegar-me em tua insana figura escultural para que a tua asa noturna faça-se em mim claridade, brilhante como as luzes a mercúrio despem a madrugada e incendeiam a cidade. Quero viajar no teu embalo, desatar-me das amarras da razão, voar livre em tuas asas, ser o pássaro do infinito, mergulhar fundo em teu seio na vertigem de uma gaivota insaciável, e ter a cor da força de teus olhos. Quero possuir-te como pinturas indígenas gravadas e guardadas numa gruta, e que me embriague de tua luz, tome a tua forma como a Amazônia rasga-se ao toque da torrente que nela abre o rio para acolher as águas prateadas da neve aquecida no dorso dos Andes. Quero viver no teu encanto, colher os frutos que em teu ventre semeiam em mim o gosto do Absoluto. Quero minha vida em ti vivida, prolongada nas promessas de teus dons, para que no amor toda saudade seja suprimida na presença forte e farta dessa entrega feliz chamada eternidade.
(*) Eugenio Santana é escritor, jornalista, ensaísta, publicitário, copydesk, versemaker; self-mad man. Livros publicados.

domingo, 4 de novembro de 2012

VOCÊ FALA COM OS OLHOS

Suas palavras entram em mim de forma inusitada.
Você fala com os olhos. Suas pálpebras sobem, descem, numa alternância incrível; permanecem abertas, semicerradas, fechadas. E atrás delas estão os olhos, lindos e expressivos, compondo uma sinfonia que faz dançar os meus no compasso dos seus. Vejo o que seus olhos vêem. Suas palavras trazem a doce canção da sua alma alada azul, no timbre do bem-querer que instiga todo o meu ser. Mesmo que fossem em língua estranha, eu entenderia o que você está me dizendo. Suas mãos, qual asas ao vento, dançam um bailado místico do corpo que emana uma energia sutil infinita, cósmica. Que acende meu vôo de transcendência. Sua energia é sua vida, que me leva a voar à sua volta, incansável, perdidamente atraído pelo que você é. Levo-a para meus sonhos e devaneios. Quero-a andando pelas nuvens, deitada ao sol, acariciada pela lua, abençoada pelas estrelas. Tudo agora é tão efêmero. Só nós dois. Somos a eternidade.

A FACA E A FERIDA; O BÁLSAMO E A DOR (*)

Li certa vez na “Filosofia da Composição”, de Edgar Allan Poe que “a Beleza é a única província legítima do poema” e que “o tom de sua mais alta manifestação é o tom da tristeza”. A beleza de qualquer espécie, em seu desenvolvimento supremo, invariavelmente provoca na alma sensitiva as lágrimas. A melancolia é, assim, o mais autêntico de todos os tons poéticos. É verdade! Meditei enquanto evocava uma afirmação da poetisa Adélia Prado: “Poesia é a revelação do real, é a coisa mais triste e mais bonita que existe!” É triste, por exemplo, acreditarmos que Deus tomou forma humana em Jesus e que morreu numa cruz para nos salvar, para pagar ao Príncipe que reina neste mundo, o príncipe do poder e do mal, o nosso resgate. É triste, mas é belo, enche-nos de esperança e de consolo, eleva a nossa alma ao céu da gratidão e do amor. Assim é a verdadeira poesia, aquela que nos traz emoções psíquicas breves e intensas, lágrimas de puro prazer. Lembrei-me de quando era adolescente. Tinha como todos os adolescentes uma grande inquietação e oscilava e todo instante entre o riso e o choro. Sentia-me sozinho, franzino, e feio. Tinha dificuldade de me relacionar com as pessoas. Chegava em meu quarto, trancava a porta e punha-me a ler livros e mais livros de filosofia e poesia. São daquele tempo as vozes românticas de Cruz e Sousa, Drummond, Vinícius, Augusto Frederico Schmidt, Manuel Bandeira e Martins Fontes. Eu lia e chorava e entre soluções pensava – eles me entendem, sofrem como eu, a casa da poesia é a minha casa, é onde quero sempre morar. Caímos aqui num ponto crucial: quantos poetas jovens acabaram no suicídio ou se afogaram no desânimo e na depressão; quantos outros tomaram o caminho da rebeldia e se voltaram contra família, moral e religião: Jean-Nicholas Arthur Rimbaud, Maiakovski, Kaváfis, Sílvia Plath, Lord Byron, Baudelaire, Augusto dos Anjos, Hilda Hilst, Florbela Espanca, Fernando Pessoa. A lista é desnecessária e seria muito extensa. Ser poeta é perigoso, é caminhar pelo fio de uma navalha. Qual a saída? A saída é a sublimação da alma através da poesia. A poesia deve ser para o poeta a tábua de salvação e o mar encrespado; a faca e a ferida; o bálsamo e a dor. Há uma grande tristeza intacta no fundo da alma de cada poeta! (*) Eugenio Santana, FRC - é místico rosacruz desde 1983; Escritor: contista, cronista e verse maker; jornalista, copydesk, publicitário, revisor de textos, editor e crítico literário. Autor de livros publicados

A BREVIDADE DA VIDA (*)

A vida na terra é uma atribuição efêmera. Nossos dias sobre a terra são transitórios como uma sombra. Para usar sua vida da melhor forma possível, você não deve nunca esquecer duas verdades. Primeira: em comparação com a eternidade, a vida é extremamente breve. Segunda: a terra é apenas uma residência temporária. Você não ficará aqui por muito tempo, então não fique muito apegado. Peça ao Todo-Poderoso que o ajude a ver a vida na terra como ele a vê. Mostra-me como a vida é curta e eu sou frágil. Você só está de passagem, apenas visitando. As pessoas deveriam carregar "green cards" espirituais, para nos lembrarmos de que a nossa cidadania é no céu. A nossa identidade está na eternidade, e a nossa pátria é o céu. Quando flertamos com as tentações deste mundo, o Ser Supremo chama isso de adultério espiritual. É somente ao lembrarmos que a vida é um teste, uma incumbência de confiança e uma atribuição temporária que o encanto dessas coisas perderão o domínio sobre nossa vida. As coisas que vemos agora estão aqui hoje e amanhã se foram. Mas as coisas que não podemos ver agora vão durar para sempre. Para impedir que fiquemos muito apegados à terra, Deus nos permite sentir uma substancial quantidade de descontentamentos e desgostos na vida - anseios que jamais serão satisfeitos deste lado da eternidade. Não somos completamente felizes porque não era para sermos! A terra não é nosso lar definitivo; fomos criados para algo muito melhor. Você terá momentos felizes por aqui, mas nada comparado ao que Deus tem planejado para você. Tudo o que não é eterno é eternamente inútil. É preciso ter fé para viver na terra como estrangeiro. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista e poeta.