domingo, 27 de janeiro de 2013

SOCIEDADE HEDONISTA DO 3º MILÊNIO (*)

Vazio. Falta algo. Algo que não se explica com o verbo. Nesse momento, palavras são vãs, ainda que eu domine o francês, o espanhol, o italiano, o inglês. Sentimentos confusos confundem e por mais que reflexivos e meditativos nos tornemos, não chegamos a lugar algum. Apenas imagens. Belas imagens daquelas viagens inesquecíveis com você meu amor, a estrada, a paisagem, as flores. Todas as flores que, inapelavelmente, perfumam todos os caminhos à beira da estrada. Aqui estou ou não estou? Uma taça de vinho, um computador, o barulho da igreja ao lado, a rua movimentada, meu carro inerte na calçada. Tudo estranho e sem nexo e sei que podemos estar em Paris ou Nova Iorque que os nossos conflitos nos acompanham. E assim dá uma vontade indescritível de voltar... mas voltar pra onde? Aonde a vida nos deixou? Terminamos o casamento, vendemos a casa, partilhamos os bens. Restou a estrada – e quantas existem? – inumeráveis! Seguimos e, sem rumo dignamos a seguir em frente. Em frente de quê? Afinal, vida é hoje agora aqui. Com todas as dúvidas que nos assaltam e o próximo minuto que nos deixam perplexos em face da rapidez dos acontecimentos cabe-nos por um chip no pescoço chorar ou ignorar. Século 21, meu caro. E a sociedade holística fomentada pelos ex-hippies e esotéricos que profetizaram uma utopia impossível. É até aceitável que diante do equívoco estejam zen-budistas cantando mantras com cítaras em algum recanto do planeta ou tomando todas, incluindo cheirando cocaína. Hoje o texto é estilo José Saramago, ainda que com vírgulas, hífen trema, ponto, vírgula, interrogação... hoje é do meu jeito. E invocam Deus. E Ele – o Todo-Poderoso – o que tem a ver com a ruptura, sordidez, hipocrisia e sujeira daquilo que criou e se tornou “visível” por meio do mensageiro, JESUS? Religiões, quem são vocês? Bíblia em punho e praticando atos inomináveis, incluindo a cupidez e a pedofilia? Enganem-se a si mesmos, hipócritas, medíocres! Já conheci todas as suas seitas e existem algumas ligeiramente melhores do que algumas que se acham o supra-sumo da salvação... como vocês são tolos e idiotas. Não os engulo e não os aceito porque sei que 95% da humanidade está perdida em suas próprias perdições e equívocos. Família, amigos, parceiros, sócios, o que de efetivo significa isso diante do que ensinou o Cristo? E são hediondos quando comentam nas rodas sociais (ou redes sociais) de suas convicções. Quais são as suas convicções? Espíritas, católicas, cátaras, evangélicas, templárias, maçônicas, protestantes etc. Não são convincentes nem com um copo disfarçado de uísque na mão. Podre fim de mundo que ironiza a Profecia Maya e desconhece os Incas e os Astecas. E o antigo Egito serve, apenas, de quadros aparentemente exóticos em suas paredes de orgias. Ainda que estejam na treva da falta de discernimento, tenham muito cuidado: a Natureza está se vingando gradativamente e o seu Palácio, arrivista, pode cair a qualquer momento. Um profundo desprezo à sociedade hedonista do século 21. Não confio em vocês, sinto pena e nem como professor, filósofo, escritor e jornalista posso regenerá-los. Já cavaram suas próprias sepulturas – e os túmulos estará há disposição no ventre da Terra. Nenhuma mordomia. Acabou a divisão de classes sociais. Não haverá tempo para cremação para espalhar suas cinzas. Todos já somos cinza. E agora sem a Fênix. Para voar e renascer... (*) Eu sou EUGENIO SANTANA – Jornalista profissional, publicitário, relações públicas, gestor comercial, supervisor de RH, escritor, ensaísta, ex-superintendente de jornalismo no Rio de Janeiro, RJ. Vinte prêmios literários, cinco livros publicados e divulgados de Porto Alegre a Porto Velho. Agradeço a Deus pela Missão concedida: ser Escritor.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

OS OLHOS DO AMOR (*)

SE TIVERMOS OS OLHOS DO AMOR, veremos apenas amor, aonde quer que formos. As árvores são feitas de amor. Os animais são feitos de amor. A água é feita de amor. Quando captamos o que nos cerca com os olhos do amor, podemos conectar nossa vontade com a vontade de outro sonhador, e os dois sonhos tornam-se um. Quando vemos com amor, somos um só com os pássaros, com a natureza, com as pessoas, com tudo. Então, podemos ver com os olhos de uma águia, ou nos transformarmos em qualquer tipo de vida. Com nosso amor nos conectamos com a águia e nos tornamos asas, ou chuva, ou nuvens. Para isso, temos de limpar a mente de todo o medo e ver tudo com os olhos do amor. Precisamos desenvolver nossa vontade até que ela seja bastante forte para capturar uma outra vontade, fazendo das duas uma só. Assim, teremos asas para voar. Ou, se nos transformarmos em vento, poderemos ir a qualquer lugar, empurrar as nuvens que escondem o sol, deixando sua luz brilhar. Esse é o poder do amor. (*)copydesk/fragment by Eugenio Santana, FRC, escritor, jornalista, assessor de comunicação, ensaísta, copidesque, revisor de textos, relações públicas. Autor de livros publicados. Foi Superintendente de jornalismo no Rio de Janeiro, RJ

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

NÃO SE AUSENTE DE ENFRENTAR A DOR (*)

Mergulhar na dor. Ah, como dói! Normalmente só entende a dor quando se sai dela, e esse pode ser um longo processo. Quando ela passa – sim, porque passa – e que percebem o quanto aprenderam com ela. A dor é um poderoso mestre interno. Ela dá os sinais e abre importantes atalhos. Existe um provérbio que diz: “Quando Deus fecha uma porta é porque já abriu outra”. Mas Deus não fecha porta alguma, por que faria isso? Na verdade, são vocês que fecham portas quando não assumem sentimentos ou situações que precisam enfrentar. Quanto mais mapearem as dores e assumirem o sofrimento, depurando e aceitando, mais condições terão de sair delas. Dores de amores, de saudade, de decepção, de traição e até mesmo dores físicas. Quem está livre das dores? Quem fica imune? As dores estão ligadas diretamente às perdas e são sentidas em maior ou menor grau conforme a sensibilidade de cada um. A dor da perda de um amor. O mundo parece desabar, falta o chão. A tristeza, a decepção e a amargura batem fundo. Vem aquela agonia insuportável, uma vontade de desistir de tudo. A sensação de perda os deixa impotentes, paralisados, como se não houvesse mais amanhã. E agora, como seguir adiante sem ele (a)? Parece que falta um pedaço do coração, que ele ficou pela metade. Dói muito. A ausência daquela pessoa que tanto amam pode deixar um enorme vazio, um buraco, uma ferida aberta que sangra, incomoda, lateja. É hora então de entenderem e preencherem este vazio. A ausência do outro pode ser a vossa própria ausência. Questionem-se até que ponto a falta que sentem é da outra pessoa ou de vocês mesmos. Quando alguém deixa a sua vida, ou quando vocês abandonam a vida de alguém por não suportar mais essa convivência, o que resta fazer? Precisam se cuidar, se amar, restaurar as partes feridas, juntar os cacos, tapar os buracos e, principalmente, se olhar – com coragem. A dor da perda poderá ser o seu reencontro, a reconquista de vocês mesmos que ela vem como uma ferramenta para que se passem a limpo. Esta dor, a princípio insuportável, traz mais adiante o reencontro com a verdadeira essência, a sua personalidade. Pode demorar certo tempo; podem vir primeiro a solidão, a amargura, o desencanto, mas quando essa tempestade passar perceberão que estão mais fortes e que perderam o medo da chuva. Estarão mais preparados para o amor. A dor do julgamento. A dor de condenar ou de ser condenado. Por que julgam tanto e são tão julgados? Por causa do medo. Sim, o medo é a falsa proteção dos seres humanos. Eu agrido para me proteger, olho e critico a dor do outro e assim desvio o foco das minhas próprias dores – aquelas que realmente preciso encarar trabalhar e modificar. O sofrimento resulta de um julgamento que fazem sobre um fato ou uma pessoa. Quando param de julgar, ele desaparece. A dor do outro pode até ser compreendida, mas nunca conseguirão senti-la em sua verdadeira dimensão. Somente quem passa por dores muito profundas consegue entender o que é verdadeiramente a dor de um coração machucado, de uma alma triste. É possível, por exemplo, avaliar a dor de uma mãe cujo filho foi preso ou morto? Seja lá qual for a razão (drogas, violência, homicídio), quem somos nós para julgar esta mãe, para entender o sofrimento do abalo na estrutura familiar, os envolvidos sofrem outra dor, a dor da culpa, ou melhor, da autoculpa, que é também uma forma de punição. A dor do fracasso, da frustração. O que é o fracasso senão uma etapa para o sucesso? Quando acreditam que conquistaram algo ou alguém se sentem alegres, vitoriosos – mas de repente a situação muda e tudo parece desandar. Este é o desafio da conquista, ou melhor, do entendimento do real conceito da conquista. Sim, porque às vezes as conquistas são parciais e fazem parte de um processo maior. Venceram algumas batalhas, contudo a luta ainda não. Aí vem a dor da perda sem que realmente tenham perdido algo. Como podem perder o que ainda não têm de fato? Como podem cantar vitória se ainda não conquistaram integralmente aquela pessoa ou dominaram a situação? A vida é um ciclo que tem suas fases/momentos/etapas e que também envolve os estágios do outro. Em vez de entenderem esta conquista como parcial, imaginam ter perdido tudo. Surge a frustração, a sensação de que lutaram à toa, que foi tudo em vão, e a dor vem mais uma vez. Instala-se um sentimento de auto-sacrifício. Vocês assumem o papel da vítima que perdeu tempo e energia ao investir nos projetos, nos ideais e até mesmo no outro. Saiam da condição de vítima. Esta dor tem remédio. O analgésico é tomar consciência do equívoco e aceitar que vivem momentos diversos, convivem com pessoas diferentes e vivenciam novas situações em momentos distintos, tudo inserido em ciclos. Assim o conceito de perda também muda e param de sofrer por aquilo que não é mais necessário. A dor ensina e fortalece. E quando conseguirem entendê-la dentro de novos conceitos e de outro padrão mental, podem sair dela muito mais inteiros. Quando vencem o medo fecham as portas da dor e abrem caminhos, emitindo novos sinais; outras portas se abrem, rumo a vibrações mais elevadas e vocês entram no atalho da libertação e do próprio êxtase. É um grande prêmio, porque só conhecem o êxtase aqueles que mergulham em suas dores mais profundas. (*) EUGENIO SANTANA – Escritor, Poeta e Jornalista. Foi Superintendente de Imprensa do Governo Municipal do Rio de Janeiro. Membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas, cadeira número 2; sócio da UBE-GO/SC. Integrante da CASA DO ESCRITOR, de São Roque (SP). Autor de livros publicados. Premiado, nacionalmente, nos (gêneros conto, crônica e poesia)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A IDADE DO LOBO (*)

A IDADE DO LOBO – Restam algumas fotografias dispersas, espalhadas na desordem das gavetas do armário: arquivos do tempo nas asas da memória... Encontrei – ao acaso – um velho álbum carcomido pelas traças ao longo desses anos. Nostalgicamente, retornei ao passado ao deter o olhar nos antigos fotogramas: revejo teu rosto jovem e lindo, em destaque o largo sorriso – antes tão familiar e os olhos de topázio a me indagar: o porquê da ruptura e o que faço de minha vida – hoje, agora, aqui. Silenciosamente, fecho o álbum e a porta e desligo a luz do abajur da sala e reflito a despeito do que é previsível e possível atenuar os conflitos da Idade-do-Lobo... Guardo o álbum. Melhor dizendo: escondo. Com uma leve sensação de alívio descarto qualquer ameaça de crise existencial ou neuroforia... Mas sinto uma irresistível motivação de falar ao telefone com Alexandra – em Paris – e rasgar o verbo expondo-lhe os projetos de minha vida e – fundamentalmente – sugerir que fique com o nosso velho álbum de fotografias... Amanhã – prometo – envio via sedex. Na Idade-do-Lobo não temos mais pressa para resolver as coisas do coração partido.
(*) FONTE: do livro “Crepúsculo e Aurora”, de Eugenio Santana)

domingo, 6 de janeiro de 2013

ANDARILHO DA FLOR-ESTRELA (*)

ANDARILHO DA FLOR-ESTRELA – Menor que meu sonho não posso ser. Mil identidades secretas, disfarces cobrindo a face. Mil sobras, sombras, mil dias viajando pela Asa da Ásia. Todas as palavras e suas repercussões impensáveis. Navio de ambigüidade, cortantes palavras. De todas as contradições, desencontros, dos contrários de mim – andarilho da flor-estrela de intermináveis chegadas e partidas. Da flecha de várias pontas, rumos, direções e a bússola quebrada. Parceiro de outros seres que também andarilham. Pois menor que meu sonho não posso ser. (copydesk/fragment by Eugenio Santana)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O VIAJANTE SOLITÁRIO (*)

Lembro-me da história de Kierkegaard sobre o Viajante Solitário (ou o Andarilho da florestrela?!) que chegou à vila nas terras altas e viu que a estrada à frente estava bloqueada por uma montanha. Cansado e desanimado, ele sentou-se e esperou que a montanha se movesse. Anos depois, ele continuava esperando, sentado no mesmo lugar, idoso e decrépito. A essência da mensagem de Kierkegaard é que os céus não movem montanhas. Nós é que precisamos escalá-las ou encontrar uma trilha que as contorne. Se esperarmos pela montanha mover-se ou abordá-la da mesma forma que os outros sempre fizeram, estaremos perdidos, mesmo se não o percebermos. De vez em quando precisamos de algo mais: a disposição para questionar as temporárias verdades absolutas ou simplesmente ignorá-las. Durante boa parte da vida, repetimos antigos hábitos e reações. Partes de nossa rotina diárias são repetidas milhares de vezes – reflexo condicionado. Fazemos sem questionar se poderíamos fazer melhor... E assim negamos o melhor de nós mesmos, de nossos talentos e potencialidades, de nossa criatividade. Portanto, “agite” sempre, altere a rotina. Questione verdades. Mude hábitos antigos. Vire mais uma página. E depois a rasgue. Cultive o espírito de ter esperanças e fé, olhe para cima, para fora e para frente. Voe, cercas não foram feitas para quem tem asas. E as águias não sobem escadas... (*) by Eugenio Santana, jornalista, escritor, ensaísta, publicitário, editor. Autor de cinco livros publicados. Sócio da UBE/GO – União Brasileira de Escritores, Goiânia-GO. Ex-Diretor Regional, em Goiás, da Editora Didática Paulista. Foi, entre 2009/2011, Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro.