domingo, 16 de junho de 2013

ESTRATÉGIAS DE SEDUÇÃO QUE ENCANTAM (*)

CORA CORALINA não buscou o lado mais fácil da vida, mas conseguiu compreender que mesmo sem facilidade alguma era possível encontrar a tal poesia no cotidiano da dor. Não há poesia sem dor. A vida nasce da dor. O amor mais amado surge depois de uma dor prolongada. Amor de Mãe! Não há amor sem conquista. Os amantes precisam ao menos se deixar conquistar. As artimanhas da sedução têm um encanto próprio de quem tenta tocar no ponto frágil e depois fortalecer juntos. Amores doídos, os não correspondidos. Histórias de ausências, de lágrimas, de quem deu e não recebeu. Não deveria ser gratuito o sentimento daquele que ama? Não é gratuita a chuva que cai abundantemente? A vida, toda ela é uma dádiva. Bem, mas os homens não são deuses. E poucos são aqueles que conseguem dar sem exigir, sem projetar. Quando penso nos sofrimentos de meu pai e na sua leveza, fico me perguntando se uma coisa tem relação com a outra. Será que as pessoas que mais sofrem são as que mais amadurecem? Será que a dor é que tem o poder de dar realeza ao amor?
(*) fragment/copydesk by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11) É Consultor de Investimento na EMBRACON. Imêio: eugeniosantana9@uol.com.br Cel. (34) 9297-6090

O ROMANCE DE TRISTÃO E ISOLDA (*)

AMORES reais ou exagerados em poesia. Marília era a musa inspiradora ou a mulher solícita? Amores reais ou sentimentos projetados? O romance de cavalaria de Tristão e Isolda que influenciou tantos outros escritos, concernente à alma gêmea, lacrimejantes de amor começa assim: “Se quiserdes ouvir, gentis senhores, uma história de amor e de morte, eis aqui o romance do cavaleiro Tristão e da rainha Isolda, de como os dois se amaram na alegria e continuaram a se amar na tristeza, de como um dia morreram daquele amor, ela por ele, ele por ela”.
(*) fragment/copydesk by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11) É Consultor de Investimento na EMBRACON. Imêio: eugeniosantana9@uol.com.br Cel. (34) 9297-6090

quinta-feira, 13 de junho de 2013

NOSSA VISÃO LIMITADA (*)

Parece que o Universo, nesses tempos, está mesmo disposto a revolver tudo que está fundado sobre bases que não são a verdade... e, quando não resistimos, aceitando o momento pelo qual estamos passando, podemos cooperar com as mudanças e nos abrir para que... o que for para nossa felicidade se manifeste, mesmo que seja algo novo e que não estava dentro dos nosso planos... Nossos planos de futuro são geralmente criados por memórias do passado, tendo como base experiências que já vivemos, nessas e em outra vidas e, por isso, são extremamente limitados, ao passo que os planos do Universo não se enquadram nesse limites e vão muito além do conhecido e de tudo que podemos imaginar... Muitas vezes, os acontecimentos que trazem grandes mudanças, parecem-nos ameaçadores porque nossa visão é muito limitada, e fora daquelas possibilidades que nos acostumamos a elas, não existe saída... Seja em que área for que a mudança aconteça, temos um monte de memórias querendo nos puxar para baixo, falando que fora daquele modelo as coisas não têm como acontecer... Parece que com o passar do tempo vamos aposentando projetos... esperanças... sonhos... e as coisas vão ficando cada vez mais limitadas, vamos nos enclausurando em prisões cada vez mais apertadas ao nos acostumar com coisas estagnadas e que não fazem mais sentido. Mas sempre é hora de recomeçar... sempre podemos melhorar e ir além e permitir que a Vida entre pela porta e nos revele o novo... mesmo que para isso ela precise dar uma chacoalhada no velho e mofado mundo que quer nos impor nossas memórias. Por isso, quando a mudança bater na sua porta, receba com um sorriso e com o coração aberto, não tente fechar a porta nem fingir que aquilo não é com você... Lembre-se que sempre é hora de seguir por caminhos nunca antes percorridos e de nos abrir para viver aventuras que nos fazem perceber que somos muito mais do que quiseram nos fazer crer... (*) fragment/copydesk by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11) É Consultor de Investimento na EMBRACON. Imêio: eugeniosantana9@uol.com.br Cel. (34) 9297-6090

COMO VOCÊ NEGOCIA AS RELAÇÕES AMOROSAS? (*)

Quanto mais infantil e insegura for uma pessoa, mais ela negociará com moedas que machucam, agridem e desvalorizam o outro. Ao contrário, quanto mais amadurecida ela for, mais usará moedas que edificam, acariciam e valorizam o outro. Sendo assim, o que você faz quando se sente contrariado ou irritado com o outro? Como você reage? Pensa antes de tomar qualquer atitude ou age impulsivamente? Deseja apenas dar o troco e provocar nele os mesmos sentimentos ruins ou olha também para si e se questiona sobre por que você está se sentindo desta forma? Tem gente que não quer nem saber! Negocia na mesma moeda! Não atendeu o celular? Também não vou atender. Não avisou que ia sair? Também vou sair sem dar nenhuma satisfação. Tem gente que negocia no grito. Fala tudo o que vem à cabeça, em alto e bom som, geralmente exagerando, relembrando coisas do passado e esbravejando até o que não deve. Tem gente que negocia com o silêncio. Dias sem falar com o outro. Quando ele pergunta o que está acontecendo, a resposta é tão categórica quanto incoerente: "nada"! Tem gente, em geral as mulheres, que negocia com sexo. Se o outro saiu da linha, vai pro sofá. Abstinência sexual completa! E você, que moeda usa? Qual sua verdadeira intenção? Negocia para que os dois ganhem ou negocia para que você sempre consiga o que quer? Deseja conquistar o outro para que, juntos, cheguem a um consenso, ou cobrar, exigir e 'castigar' quando não consegue o que deseja? Depois de anos estudando os relacionamentos, estou certa de que a moeda mais poderosa para negociações saudáveis entre pessoas é o diálogo. Falar o que você sente e pensa e, principalmente, ouvir o que o outro pensa e sente são escolhas altamente eficazes. Mas, claro, para usar esse tipo de moeda, é preciso saber o seu valor, é preciso estar crescido a ponto de reconhecer a riqueza contida nela. Sei que nem sempre é possível conversar. Às vezes, em momentos onde os ânimos estão muito alterados, o melhor é calar. E quando nem calar for possível, que se grite que se fale demais, que se perca as estribeiras. Mas que sempre, sempre mesmo, os dois estejam dispostos a retomar a questão e resolvê-la de modo maduro, ouvindo e considerando o outro - como ele é, e não como a gente gostaria que ele fosse. (*) fragment/copydesk by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11) É Consultor de Investimento na EMBRACON. Imêio: eugeniosantana9@uol.com.br Cel. (34) 9297-6090

SER AUTÊNTICO (*)

Só podemos ser verdadeiros se a nossa autoconfiança e o amor que nutrimos por nós forem suficientemente fortes para nos dar a segurança necessária à afirmação de nossa identidade diante do mundo. Quando isto não acontece, tornamo-nos presas fáceis do medo e da insegurança, buscando no seguimento de modelos pré-estabelecidos, a confiança que nos falta interiormente. Ir, aos poucos, desenvolvendo uma certeza acerca de nossa própria verdade, torna-nos cada vez mais seguros para fazer tudo o que nosso sentimento determina, sem medo de errar. A verdade é o que alimenta a autenticidade, e ela surge a partir de experiências interiores e, por isso, não segue nenhuma lei externa. Mas, se quando nos tornarmos mais conscientes deste processo, formos capazes de compartilhá-lo com nossos semelhantes, estaremos colaborando para que mais e mais pessoas se tornem despertas. Nada pode ser mais nocivo para o ser humano que seguir modelos de comportamento impostos pela sociedade. Não admira que tenhamos tanta insanidade predominando hoje no mundo. Viver de maneira saudável e autêntica pressupõe deixar o medo de lado e arriscar-se a cada momento, seguindo o próprio coração e deixando que ele o conduza. Assim, mais e mais situações surgirão em que teremos de encontrar soluções imediatas, baseadas unicamente em nossa intuição, sem recorrer a fórmulas prontas e desgastadas. Quanto mais nos deixarmos levar por esta nova forma de agir, mais prontamente seremos invadidos por uma sensação de segurança interior, que só fará crescer e se ampliar. (*) fragment/copydesk by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11) É Consultor de Investimento na EMBRACON. Imêio: eugeniosantana9@uol.com.br Cel. (34) 9297-6090

domingo, 9 de junho de 2013

O ANJO QUE CONHECE TODAS AS RESPOSTAS (*)

UM HOMEM RELATIVAMENTE JOVEM – um moço-velho – com uns poucos cabelos grisalhos e uma sombra no olhar caminha ao sol do meio-dia entre as lápides do cemitério, sob um céu preso no azul do mar. Leva nos braços um menino que mal pode entender suas palavras, mas que sorri quando encontra seus olhos. O homem permanece ali por um momento, em silêncio, as pálpebras apertadas para conter as lágrimas. A voz de seu filho o traz de volta ao presente e quando ele abre os olhos vê que o menino está apontando para uma estatueta que desponta entre as pétalas de flores secas, à sombra de um vaso de cristal. Sua mão procura entre as flores e pega uma figurinha de gesso, tão pequena que cabe na mão fechada. Um Anjo. As palavras que pensava esquecidas se reabrem em sua memória como uma velha ferida. O menino tenta pegar o Anjo que repousa na mão do pai e, ao tocá-lo, seus dedos o empurram sem querer. A estatueta cai sobre o mármore e se quebra. E então ele vê. É um papelzinho dobrado escondido no interior do gesso. O papel é fino, quase diáfano. Ele abre com a ponta dos dedos e, na mesma hora, reconhece a “caligrafia”. A brisa do mar se levanta entre as lápides e o alento de uma maldição dos antepassados acaricia seu rosto desfigurado. Guarda o papel no bolso. Em seguida, deixa uma rosa branca em cima do túmulo e retorna sobre seus passos com o menino nos braços, até a galeria de ciprestes onde a mãe de seu filho espera por ele. Os três fundem num abraço e quando ela o encara no fundo dos olhos, descobre neles alguma coisa que não estava lá antes. Algo turvo e escuro que lhe dá medo. - você está bem, João Guilherme? Ele olha para ela longamente e sorri. - Eu te amo – diz, e a beija, sabendo que a história, sua história, ainda não terminou. Acabou de começar. (*)Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11) É Consultor de Investimento na EMBRACON. Imêio: eugeniosantana9@uol.com.br Cel. (34) 9297-6090

O CEMITÉRIO DOS LIVROS ESQUECIDOS (*)

Sempre soube que um dia voltaria a estas ruas para contar a história do homem que perdeu a alma e o nome entre as sombras de uma Florianópolis submersa no sono medroso de um tempo de cinzas e silêncio. São páginas escritas com fogo e gelo, palavras gravadas na asa da memória daquele que retornou de entre os mortos, por meio de um psicopompo, com uma promessa cravada no coração e pagando o elevado preço de uma maldição dos antepassados. A cortina se abre, o público silencia e, antes de a sombra que espreita seu destino descer sobre o palco, um elenco de espíritos brancos entra em cena com o texto de uma tragicomédia nos lábios afiados e aquela bendita pureza de quem, pensando que o terceiro ato é o último, começa a narrar um conto kafkiano sem saber que, ao virar a última página, a tinta de sua alma azul o arrastará, lenta e inapelavelmente, ao coração das trevas. A claridade caía numa cascata de vapor pelos meandros do grande labirinto de corredores, túneis, escadas, arcos e abóbadas que pareciam brotar do solo como o tronco de uma árvore infinita feita de livros, que se abria para o céu numa geometria impossível. Parei no início de uma passarela que penetrava como uma ponte na base da estrutura e, perplexo, contemplei o espetáculo. Cheguei junto dela silenciosamente e pousei a mão em seu ombro. - Bem-vinda ao Cemitério dos Livros Esquecidos, Nuria. De acordo com minha experiência pessoal, quando alguém descobria aquele lugar, sua reação era de encantamento, magia e assombro. A beleza e o mistério do recinto reduziam o visitante ao silêncio, à reflexão e ao sonho. (*)Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “INFINITOEFÊMERO”, Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11) É Consultor de Investimento na EMBRACON. Imêio: eugeniosantana9@uol.com.br Cel. (34) 9297-6090

sábado, 1 de junho de 2013

GUERREIRO-SOL E MULHER-LUA (*)

Ele, guerreiro, cavalgava um cavalo negro. Seus olhos eram serenos, seu rosto triste, seus cabelos dourados como a luz do sol, e sua voz só se ouvia depois de longos silêncios. Ela, diáfana como a lua, cabelos loiros e voz suave e volátil como a luz das estrelas. Eles muito se amavam. Mas havia naquela terra um feiticeiro das trevas. Ele se apaixonou pela moça-lua. Mas ela amava o guerreiro e repeliu os gestos do bruxo. Este, irascível, lançou sobre os namorados um feitiço: estariam condenados, pelo resto dos seus dias, a nunca se tocar. A mulher seria como a lua. Só apareceria à noite, depois de o sol se pôr: Durante o dia ela seria um falcão branco. E seu amado seria como o sol: só apareceria durante o dia. Durante a noite ele seria um lobo negro. E assim aconteceu. Durante o dia o guerreiro cavalgava o seu cavalo, levando no ombro sua amada, o falcão branco. Durante a noite o falcão voltava a ser mulher e ficava ao lado do seu amado, o lobo negro. Mas havia um breve momento encantado, quando eles quase se tocavam. Ao crepúsculo, quando a luz do dia se misturava com o escuro da noite, o falcão voltava a ser mulher e o guerreiro se transformava em lobo. Ao nascer do sol, quando o escuro da noite se misturava com a luz do dia, o lobo voltava a ser guerreiro e a mulher se transformava em falcão. Nesse brevíssimo momento, os dois apareciam um para o outro como sempre haviam sido... Suas mãos se estendiam, uma querendo tocar a outra – mas o toque era impossível, porque, antes que suas mãos se tocassem, a metamorfose ocorria. O guerreiro amava o falcão. Sabia que dentro do falcão vivia sua amada, encantada. Ele acariciava suas penas – mas um falcão não é uma mulher. Ele o carregava movido pela esperança de que, um dia, o feitiço fosse quebrado. A mulher amava o lobo. Sabia que dentro do lobo vivia, encantado, o guerreiro de olhos profundos que ela amava. Ela acariciava seu pêlo negro – mas um lobo não é um homem. Ela o acariciava movida pela esperança de que, um dia, o feitiço fosse quebrado. Mas o amor é mais forte que os feitiços maus. E aconteceu que, um dia, depois de uma luta sangrenta, o feiticeiro foi morto e o feitiço foi quebrado. O guerreiro voltou a ser o guerreiro que sempre fora, e a mulher voltou a ser a mulher que sempre fora. E as suas mãos puderam se tocar e tudo foi alegria e eles se casaram e viveram felizes para sempre... (*) EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”. Imêio: eugeniosantana9@uol.com.br Cel. (34) 9297-6090

AS VIOLETAS SÃO FLORES DE SILÊNCIO (*)

Basta-me o florir, mesmo de violetas, que terei braços para compor o desenho da primavera, mesmo porque pressinto que as violetas são flores de silêncio e é no silêncio que as ações germinam mais suaves, no retilíneo mistério dos deuses. Se falar manso e ouvir sussurros, flor calada e atenta, flor de memória, for o destino, escutarei as falas de um cipreste, que vem porque vem, e não tem medo das oscilações da asa do tempo. É assim que minha mão te afaga, hoje como ontem, apenas mais antiga. E se o antigo tem gosto de calmaria, é neuroforia que compõe meus dedos, no anseio inútil de prender o efêmero. Não te forço a nada, nem que me queiras, que tua sede é outra, bem sei. Mas no morno azinhavre de minha mochila trago gerânios que a noite não crestou. Eles serão teus, quando menos esperares, e flutuarão como dádivas, velando teu corpo escultural. De súbito, calaram-se as torres da catedral, e se comparecemos ao ritual, vamos por rumo, cegos na utopia de um afeto, que é quase um retorno à infância e, se afagamos, é assim como quem se desvenda pela primeira vez a alma-irmã. Tem a primavera o condão de reflorir os caules? Terá a magia de deitar luz na retina cansada? É o que sonhamos, no afã supremo de colher condões da estação. As dores do girassol, o sofrimento da borboleta que espera. A crisálida submete-se, e depois é a doce borboleta em cores. Somos como a crisálida que ainda percorre seu desvão, apenas isso. Mas há um mineiro-menino que amará a crisálida? E se de crisálida não passar-se a nada, se o pó converter a crisálida antes da primavera e um menino não acariciar jamais as cores que seus olhos anseiam? Resta a esperança de um filete e a ele, como arlequim, nos prendemos depressa, filiados ao junco de sol e, menos que seja, ao destino do musgo. Vida que dormita, este sono me levará ao compasso de tua alma? Os elos de nossas cordas, cordas votivas de um amor sem pouso. De teu seio os calores são hoje a escora de minha paixão. Não choro, não choro, apenas sirvo à minha gueixa que vem florida, ornada de vida. E se nino devagar, não durmas. São os gerânios que estão crepitando, na manhã do vento. É a tenda primeira que tento soerguer aos teus ávidos olhos. Tens medo de que a ventania não deixe a borda da tenda inflar-se? Miragem, que todas as tendas estão armadas, no submisso exílio do afago. Quero-te mais, mais agora, que as violetas geraram a tenda do amparo. E contarei aos teus que existe um adorno de pérola sob os destroços aparentes. O teu adorno de sempre. Se um dia a derradeira tenda erguer-se, mitigarei tua ansiedade com favos de mel. Não do mel das horas vencidas, mas aquele que foi liame e que nutriu todos os sonhos da luta. E se venci, vencemos, e se chorei, choramos, que amor é coisa de tenda desafiando miasmas e solidão. Somos abelhas que deram seu mel aos muitos seres da vida e dormiremos ao som dos silêncios, amor e amor, na tarde azulada e banhada de Sol alado. (*) EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”. Imêio: eugeniosantana9@uol.com.br Cel. (34) 9297-6090