quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

AMOR PERFEITO? SÓ NOS JARDINS (*)

O único amor-perfeito que conheci ao longo de minha vida foi nos jardins. É uma florzinha miúda que tem uma beleza simples e que requer muito cuidado. O outro amor perfeito só existe nos livros r nas histórias das fadas. O mito do amor romântico parece fortalecer nas culturas o desejo que o ser humano tem de encontrar seu no seu mundo exterior a solução para suas imperfeições. É quase camuflagem. Desejosos de curar a consequências de nossas precariedades, passamos a buscar nas coisas, nas pessoas e nas situações, o remédio que sanaria nossas incompletudes. Amar não é cultivo de perfeição, mas o contrário. É empenho de superação de limites. É cultivo constante que nos aproxima da realidade e que nos capacita para continuar desejando que o outro continue ao nosso lado. Amar é exercício de descobrir o que o outro tem de mais precioso, mas também de mais vergonhoso. Amores perfeitos só existem nas projeções. Ou nos jardins.
(*) EUGENIO SANTANA é mineiro da cidade de Paracatu, Ciências Econômicas-DF, Técnico em Jornalismo-SP, Publicitário ESPM-SP, Técnico em Contabilidade-DF. Jornalista, Escritor, Relações públicas, Assessor de Comunicação. Pertence a ADESG-DF, a Academia Cachoeirense de Letras (ACL), e a UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores. Autor de cinco livros publicados.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

OS MAIORES DEVERIAM SERVIR AOS MENORES (*)

Houve um homem que viveu há muitos séculos e que não apenas teve uma inteligência fascinante, mas também uma personalidade misteriosa. Ele conquistou uma fama indescritível. O mundo comemora seu nascimento. Suas idéias foram tão impressionantes que dividiram a História. Ele teve todos os motivos para ter depressão e ansiedade. Sua memória poderia estar saturada de zonas de conflito, mas ele foi livre, feliz, seguro e sábio. Seus inimigos ficavam perplexos diante da sua inteligência inigualável. Ele viveu a mais elevada inteligência lógica, emocional, espiritual e multiforme. Era uma pessoa tão deslumbrante e agradável que até seus inimigos faziam plantão para ouvi-lo. Alguns poderão achar que, pelo fato de ser o filho de Deus, ele não serve de exemplo para nós! Mas eu o estudo como um homem que participou de festas, chorou, sofreu, foi humilhado, procurou amigos, passou pelo caos físico, social e emocional. Jesus Cristo foi apaixonado por sua condição humana. Usava uma expressão que nunca vi alguém usar. Dizia orgulhosamente: “Eu sou o filho do homem!” Jamais analisei uma pessoa tão segura num ambiente ameaçador. Nunca investiguei alguém como ele, que soube navegar nas águas profundas da emoção e fazer dos solos de sua memória um campo fértil de flores. O jardineiro da vida era tão magnífico que preferiu ser preso num jardim, no jardim do Getsêmani. Milhões de pessoas visitam até hoje esse jardim em Israel. Apesar de ter muitos opositores, ele gerenciou seus pensamentos e transitou com tranqüilidade pelos sinuosos labirintos de Jerusalém. Ninguém roubava a sua serenidade. Ele considera cada ser humano um ser insubstituível. Por isso, para a nossa admiração, ele era capaz de colocar sua vida em perigo não apenas para defender uma multidão, mas até mesmo uma prostituta, e ainda por cima desconhecida. Fez não apenas dos grandes seus amigos, mas também dos leprosos e desprezados. Ao seu lado, os miseráveis encontravam conforto para sua alma. Eles exultavam, saíam correndo como meninos, ganhavam um novo sentido de vida. O mundo conspirava contra ele, mas, em vez de ficar perturbado, era possível encontrá-lo jantando na casa de amigos íntimos. Seus discípulos, que eram especialistas em navegação, se desesperavam quando o mar estava bravio, mas era possível achá-lo dormindo dentro de um barco. Sem dúvida ele foi “o mestre da emoção”. Qualquer cético que investigá-lo ficará surpreso. Seus comportamentos não têm precedente na História. Nunca impôs o que pensava. Jamais pressionou alguém a segui-lo. Ele apenas convidava as pessoas a beberem da sua sabedoria e compreenderem seu plano transcendental. Diferente de todos os poderosos, quem quisesse segui-lo e caminhar pelo labirinto em que ele caminhava tinha de aprender em primeiro lugar a linguagem do amor. Numa terra em que os homens se odiavam e a vida valia tão pouco, ele discursou sobre a revolução do amor. Elevou a autoestima dos seus íntimos num patamar incompreensível para a psicanálise. Gritava altissonante: “Amai o próximo como a ti mesmo!” Para amar o próximo era preciso primeiramente amar intensamente a vida que pulsava em si mesmo. Os que o seguiam, portanto, não sentiam tédio e vazio existencial. A vida era uma aventura sublime para eles. O mestre dos mestres teve uma pedagogia superior à das ciências da educação da atualidade. Foi um contador de histórias encantador. Com poucas palavras, ensinava coisas fundamentais para a existência humana. Utilizava com incrível habilidade os papéis da memória. Sabia que o registro era automático, que a qualidade da emoção determinava a qualidade do registro e que a memória não podia ser deletada, só reeditada. Por isso, em vez de usar milhares de palavras para ensinar as funções mais importantes da inteligência, utilizava gestos surpreendentes que marcavam para sempre a memória dos seus discípulos. Foi um mestre inesquecível, suas palavras e seus gestos atravessaram gerações. Queria que seus discípulos trabalhassem em equipe, não vivessem uma competição predatória, refinassem a arte da solidariedade e aprendessem a se doar uns aos outros. Almejava algo aparentemente absurdo para o nosso individualismo: que os maiores servissem aos menores. Como ensinar o que as universidades nunca conseguiram com milhões de informações? Como ensinar algo que contraria a cultura humana, pois sempre os menores serviram aos maiores? Para dar essas lições, ele teve a coragem e o desprendimento de sair da sua zona de conforto. Milhares de pessoas se prostravam aos seus pés, mas, para a surpresa de todos, ele se prostrou aos pés daqueles homens humildes para, com seu gesto, dar-lhes essas lições. Entrou profundamente no labirinto da escola da vida como ninguém havia penetrado antes.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, de autoajuda. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

COMO CONTER O GRITO DE DOR DE SUA ALMA (*)

Quando sua alma estiver dolorida, mergulhe fundo dentro de você mesmo e descubra o que a está ferindo. Não adianta querer aplacar a voz da sua essência nem ignorar o grito de dor de sua alma, pois lá na frente, em um futuro qualquer, o preço que você terá de pagar por não a ouvir ou tentar calá-la será muito alto. O mundo vive uma epidemia de depressão e por isso os laboratórios ganham fortunas vendendo remédios que procuram anestesiar as verdadeiras vontades das pessoas. Você está exausto por manter um casamento sem amor? Toma um antidepressivo e acha que resolveu o problema? O que muitos chamam de depressão significa apenas cansaço existencial. Trocando em miúdos, é a sua alma revoltada com as coisas que você se obriga a fazer sem escutar seu coração. Coisas como trabalhar naquele lugar em que você não se sente valorizado, estar naquele relacionamento ruim porque não tem coragem de dizer “chega!”, deixar de falar que ama aquela pessoa especial até que ela se apaixone por outro alguém, e adeus. Nesses momentos de depressão, muitas pessoas ficam agressivas, mas não adianta brigar quando você está triste, de farol baixo, com a alma ferida, isso só vai complicar tudo. Poucos conversam consigo mesmo em um momento de angústia e dor, insistindo em calar seu sofrimento com soluções que somente aumentam a própria infelicidade. Em vez de mergulhar na orientação de sua alma, tentam calar a voz da sua consciência ao se entregar a compulsão por compras, por comida ou dietas malucas; taras sexuais, álcool, cocaína, internet sem limites, e tantos outros vícios degradantes. No fundo, muitos drogados pensam: eu tenho o direito de usar drogas porque estou depressivo. A maconha, estudada por FHC, pode até acalmar na hora, mas, no dia seguinte, os pensamentos e as atitudes depressivas vêm com muito mais força, pode crer. Mergulhe fundo dentro de você mesmo e descubra o que falta, o que melhora, o que agrega, o que faz a diferença. Aceite suas imperfeições e ambivalências. Uma das atitudes que mais desgastam o ser humano é a mania que existe de querer sempre estar certo, e como eu conheço pessoas próximas e de minha intimidade que agem deliberadamente assim... Muitas pessoas vivem esgotadas tentando mostrar o tempo todo o quanto são sensacionais, mas manter a máscara de bem-sucedido sem que seja absoluta verdade consome bastante energia. Na rede social em que mais se vê gente “feliz”, o Facebook, parece que ninguém ali passa dificuldades e frustrações na vida. Tanto que há estudos que mostram participantes deprimidos, que se sentem mal, por ver somente felicidade nas postagens dos outros. Quanto mais navegam, mais invejam a rotina alheia e acham a vida injusta com eles. Sofrem de uma doença crônica, filha-irmã da inveja: a mania de perseguição. Que ninguém se iluda: a realidade é que, embora sintam a tentação de mostrar somente as vitórias, todos têm fracassos. Querer esconder as nossas limitações causa ainda mais dor e angústia. Afinal, a maioria das vitórias é conseqüência do aprendizado de uma série de fracassos. Compreenda os motivos das suas derrotas e assuma seus erros. Entenda que somente quem está aberto para perder pode vencer o jogo da vida. Querer dar a última palavra em todas as conversas, debates, competições, negócios e conflitos é comprar um passaporte para a solidão. É preciso saber reconhecer quando a outra pessoa está certa ou sabe mais do que você. É necessário saber reconhecer um equívoco ou mesmo uma dificuldade que você tenha. Se você for analisar a carreira dos vencedores, elas erraram muito mais do que acertaram. A diferença é que transformaram seus aprendizados em sabedoria.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, de autoajuda. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090

OS ESCRITORES E A PROMISCUIDADE VIRTUAL (*)

Nos velhos tempos, há cerca de três décadas atrás, os escritores eram admirados e cultuados apenas pelo que publicavam em livros, revistas e jornais. Quando algum leitor gostava muito do que havia lido e queria compartilhar com alguém, dava o livro de presente ou emprestava o seu. O conteúdo mantinha-se preservado, assim como seu autor. Ninguém divulgava um texto de Arthur Rimbaud como sendo de Rilke, ninguém infiltrava parágrafos da Lygia Fagundes Teles num texto do Hemingway, ninguém criava novos finais para os poemas de Hilda Hilst. O escritor e sua obra eram respeitados, e os leitores podiam confiar no que estavam consumindo. Inventaram o conceito de interatividade e as ferramentas para exercê-la. Por um lado, a sociedade se democratizou, todos passaram a ser ouvidos, diminuiu a distância entre patrões e empregados, produtores e consumidores: as relações ficaram mais funcionais. Mas o uso dessas ferramentas acabou involuindo para a maledicência e a promiscuidade virtual. Hoje ninguém consegue mais ter controle sobre sua imagem ou seu trabalho. Um escritor publica um texto no jornal e três segundos depois o mesmo texto está na internet, atribuído a Debussy, que nem escritor foi. Fofocas se disseminam no Facebook, vídeos íntimos são divulgados no Youtube, fotos de modelos vão parar em catálogos de prostituição e a credibilidade foi para o espaço sideral. Ninguém mais confia totalmente no que vê ou lê e isso pouco importa. Informações são inventadas, adulteradas, inexatas porque, por trás das telas dos computadores, há muita gente querendo ter seu dia de autor, mesmo que autor de algo inverídico. Sinto nostalgia pelo tempo em que éramos seduzidos de frente, não pelas costas, covardemente. Hoje não só engolimos qualquer factóide, qualquer manipulação, como também a produzimos. A invencionice suplantou a Arte.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, de autoajuda. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

EMPATIA II (*)

As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem. Colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia. Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma corrente de acertos e de responsabilidade – colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, de autoajuda. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11).e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090

MINHA TRIBO CÓSMICA (*)

Percebi que, ao longo da vida, a gente conhece centenas de pessoas, estabelece vínculos, variadas trocas de impressões, passeia por outras tribos e busca o melhor encontro de afinidades. São mulheres e homens que chegam bem perto do nosso epicentro, nem sempre por escolha, mas porque são parentes de alguém, conhecidos de não sei quem, colegas de faculdade, e que acabam sendo agregados à nossa agenda do celular. Até que o tempo vai mostrando uma dissimulação aqui, outra maldade ali, as máscaras caem; uma energia pesada, uma vibração negativa, uma aura carregada, e você se dá conta de que alguns não são da sua turma. Da série “Coisas que a gente aprende com o passar dos anos”: abra-se para o novo, mas na hora da intimidade, do papo reto, da confiança, procure sua turma. É fácil reconhecer os integrantes dessa comunidade: são aqueles que falam a sua língua, enxergam o que você vê, entendem o que você nem verbalizou. São aqueles que acham graça das mesmas coisas, que saltam juntos para a transcendência, que possuem o mesmo repertório. São aqueles que não necessitam de legendas, que estão na mesma sintonia, e cujo histórico bate com o seu. Sua turma é sua ressonância, sua clonagem, é você acrescido e valorizado. Sua turma não exige nota de rodapé nem resposta na última página. Sua turma equaliza, não é fator de desgaste. Com ela você dança no mesmo compasso, desliza,cresce, evolui,se expande. Sua turma é sua outra família, aquela, escolhida. Não tenho mais energia para o servilismo cortês, para a mise-en-scène social. Não tenho motivo para ser quem não sou, para adaptações de última hora, para adequações tiradas da cartola. Não quero mais freqüentar roda de estranhos cujas piadas não vejo a mínima graça. Não quero mais ser apresentado, muito prazer, e daí por diante ter que dissecar minha árvore genealógica, de Paracatu-MG. Se você mandar eu “PROCURAR MINHA TURMA”, pode crer, tomarei como um gesto de carinho.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, de autoajuda. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11).e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

NÃO HÁ LIÇÃO SEM DOR: UM AMOR PRA RECOMEÇAR! (*)

E quem já não teve de lidar com lembranças difíceis de digerir? Quem já não sofreu e chorou ao reviver internamente um amor que terminou ou um relacionamento que entrou em crise e a paixão cedeu lugar à impaciência, intolerância, desentendimentos e desencontros? Sim, em alguns momentos, é mesmo bastante dolorido relembrar. É muito angustiante não saber como parar de lembrar e lembrar e lembrar... Daquela pessoa, daquele beijo, daquele tempo em que tudo era felicidade. Para lembrar que agora já não é bem assim. Que virou tensão, dúvida, confusão, monotonia. É assim que eu penso: A gente quer só a parte boa da vida. Só o que nos convém. Só o que não dói. Só o prazer. Em princípio, essa idéia pode mesmo parecer bem interessante. Mas sabemos que não é assim que o ser humano funciona. Aliás, não é assim que a natureza funciona. O que é vivo precisa, essencialmente, da adversidade, da superação. O crescimento é filho da aprendizagem. E não há lição sem nenhuma dor. Sim, claro, muito melhor que nossa intenção seja viver com prazer. Mas não pode ser, de modo algum, viver em função de evitar a dor. Não faz sentido apagar o que, em algum momento, parece-nos ruim. São as percepções de cada instante vivido que nos fazem enxergar a beleza de nossas vivências. isso me faz lembrar a brilhante sensibilidade do poeta Rainer Maria Rilke ao dizer "Se você leva embora meus demônios, estará levando também meus anjos". Pois bem, quem continua desejando eliminar o que lhe parece chato, ruim, dolorido e angustiante neste momento, deve estar preparado para a inevitável perda do que poderia se transformar no maior tesouro de uma vida inteira. Hoje amor, amanhã dúvida, depois mágoa, depois saudade. E num outro dia qualquer, acorda amor, mais uma vez... E mais forte do que nunca! Amor por si, pelo outro, pelo mesmo, pelo novo. E se tiver coragem, desejo que você se lembre de tudo o que conseguir! E que haja lágrimas e sorrisos. Que haja história para contar. Que haja vida para brotar e amor pra recomeçar!
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, de autoajuda. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090

sábado, 18 de janeiro de 2014

TODO SER HUMANO É UMA OBRA INACABADA (*)

O que é um ser humano, senão matéria bruta a ser esculpida? Passamos a vida tentando nos livrar dos excessos que escondem o que temos de mais belo. Fico me perguntando quem seria nosso escultor. Uma turma vai reivindicar que é Deus, mas por mais que Ele ande com a reputação em alta, discordo. Tampouco creio que seja pai e mãe, apesar da bela mãozinha que eles dão ao escultor principal: o tempo, claro. Pai e mãe começam o trabalho, mas é o tempo que nos esculpe, e ele não tem pressa alguma em terminar o serviço, até porque sabe que todo ser humano é uma obra inacabada.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA é jornalista e escritor. Publicou cinco livros, entre os quais, “InfinitoEfêmero”, Editora Kelps, de autoajuda. É autor do Blog Guardião da Palavra. Pertence a mais de 30 instituições culturais do Brasil e Portugal. 20 prêmios literários em âmbito nacional.

OS LIVROS E A DOR PSÍQUICA (*)

O mais encantador e mágico canal de comunicação com a dor, pois através de histórias alheias reescrevemos a nossa própria e suavizamos os efeitos colaterais de estar vivo. Ler é o diálogo silencioso com nossos fantasmas. A leitura subverte nossas convicções, redimensiona nossos dramas, nos emociona, faz rir, pensar, refletir, recordar. Catarses intimidam a dor. Meditação. Religião. Contato com a mãe-Natureza. Viagens. Alguns poucos amigos. Solidão. Você decide por qual caminho irá dialogar com a sua dor, num enfrentamento que, mesmo que você não saia triunfante, ao menos fortalecerá sua personalidade. Quem não dialoga com sua dor psíquica, não a reconhece como a inimiga admirável que é, capaz de torná-lo um ser humano mais forte e livre e autosuficiente.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA é jornalista e escritor. Publicou cinco livros, entre os quais, “InfinitoEfêmero”, Editora Kelps, de autoajuda. É autor do Blog Guardião da Palavra. Pertence a mais de 30 instituições culturais do Brasil e Portugal. 20 prêmios literários em âmbito nacional.

domingo, 12 de janeiro de 2014

VIDA EFÊMERA (*)

A maior parte dos mortais, Tatiana, lamenta a maldade da Natureza, porque já nascem com a perspectiva de uma curta existência e porque os anos que lhes são dados transcorrem rápida e velozmente. De modo que, com a exceção de uns poucos, para os demais, em pleno esplendor da vida é que justamente esta os abandona. No entanto, como se imagina, não apenas o comum dos mortais ou a massa ignorante sofre desse mal geral, pois, ao afetar também os homens cultos, seus efeitos geram muitos lamentos. Por isso, aquela expressão do pai da medicina: “A vida é breve, a arte, longa”. Por isso, o intento de Aristóteles (não próprio de um homem sábio) com a Natureza, exigindo um mínimo de equidade: “A Natureza concede aos animais um tempo de vida tal, que lhes permite ver passar cinco ou dez gerações; ao homem, nascido para realizar muitas e grandes coisas, fica um limite mais breve”. Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes atividades. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai. Desse modo, não temos uma vida breve, mas fazemos com que seja assim. Não somos privados, mas pródigos de vida. Como grandes riquezas, quando chegam às mãos de um mau administrador, em um curto espaço de tempo, se dissipam, mas, se modestas e confiadas a um bom guardião, aumentam com o tempo, assim a existência se prolonga por um largo período para o que sabe dela usufruir.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”. Ex-Revisor de textos jornalísticos do jornal “Diário da Manhã”, Goiânia-GO e Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). É Gestor de Conhecimento, em sua própria empresa, a Hórus/9 Editora, fundada em Brasília, 1989, objetivando projetos culturais e editoriais junto ao Ministério da Cultura. Contato: e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

REINVENTANDO O SENTIDO DA VIDA (*)

Não temos consciência de que o tempo conspira contra a vida. O tempo passa tão rápido. Num instante somos jovens, e no outro, idosos. Pelo fato de não sabermos quando será nosso último suspiro existencial, devemos procurar viver com intensidade cada minuto de nossas vidas. Revolucione sua qualidade de vida, aprenda a superar o cárcere da emoção e a falar o alfabeto mágico do amor. Você tem se esforçado para aprender esse alfabeto? O amor irriga a existência com sentido. Sem amor, a vida se transforma num canteiro de tédio. Você nunca sabe o que acontecerá no dia de amanhã. O ideal não é esperar grandes mudanças para produzir grandes atitudes. Hoje você tem seus filhos, sua esposa, seu marido, seus pais, seus amigos e colegas de trabalho. Eles são um grande tesouro? Será que você não o enterrou no solo de suas preocupações, no terreno da sua ansiedade? Saia para o labirinto e refaça a sua agenda. Saia para amar, conquistar novos caminhos, abrir novos horizontes, ser líder de seu próprio mundo. Faça do ambiente de trabalho um lugar aprazível, criativo e solidário. Quem trabalha angustiado rouba energia excessivamente do cérebro, vive fatigado. Quem trabalha com prazer renova suas forças, abre as janelas da sua mente e brilha na sua inteligência. Se você tem filhos, abrace-os, curta-os, brinque com eles, pois de que adianta dar-lhes o mundo se o que mais precisam é de você mesmo? Quando errar ou tiver atitudes exageradas com eles, peça desculpas sem medo. Ensine-os a reconhecer as fragilidades deles reconhecendo as suas. Conte-lhes suas alegrias e seus momentos difíceis. Saia com eles não apenas para passear, mas principalmente para descobri-los. Há pais que vivem por décadas com seus filhos e não os conhecem. Os pais que são amigos dos filhos são ricos, mesmo que não possuam fortunas. Se você tem pais vivos, penetre na história deles, beba da sua sabedoria, beije-os e usufrua de seu convívio o máximo que puder. Tenha tempo para eles como eles tiveram com você. Eles geraram sua vida, cuidaram de você e devem ser amados e honrados. Compreenda seus defeitos e as atitudes deles que lhe feriram. Perdoe-os, ame-os, procure-os. Se você é casado, penetre no mundo de seu cônjuge, fale de seu amor por ele, tenha gestos surpreendentes para alegrá-lo. Chore junto. Compartilhe seus sonhos. Traga flores em dias inesperados. Faça elogios por pequenos comportamentos. O amor se irriga todos os dias no território da emoção. Sem cultivá-lo, a falência de uma relação, por mais excelente que seja, é quase inevitável. A vida sem amigos é um céu sem andorinhas. Se não os tem, cultive-os. Se os tem, marque encontros com eles, procure saber como estão, compartilhe experiências. Cuidado! A vida estressante do mundo moderno tem nos roubado o melhor do nosso tempo. Planeje ver seus amigos com mais freqüência e recrie bons momentos. Não seja vítima da solidão. Não se isole em casa, não se feche no mundo da internet. Um bom amigo vale mais do que uma grande fortuna e pode ser mais útil do que um bom psicanalista. A vida é um espetáculo de raríssima beleza. Tenha coragem para romper as algemas do medo e caminhar pelo labirinto. Percorra territórios nunca antes explorados. Se as oportunidades não surgirem, crie-as. Faça da sua vida uma poesia e uma grande aventura. Corrija as suas rotas, mas nunca desista das suas metas nem daquilo que você mais ama. Se você nunca desistir, sua vida será diferente. Você deixará de ser controlado pelos seus problemas e se tornará o autor da sua própria história...
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, Ex-Revisor de textos jornalísticos do jornal “Diário da Manhã” e Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11).É Revisor de textos e Executivo de contas da Revista ESPECIAL Mulher. Está radicado em Uberaba-MG há onze meses. e-mail:eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090

sábado, 4 de janeiro de 2014

SÃO AS MULHERES AS QUE MAIS PEDEM O DIVÓRCIO(*)

“O amor da mulher não é um sentimento – isso só ocorre no homem – mas um anseio de vida, que às vezes é assustadoramente não sentimental e pode até forçar seu autossacrifício”. O que eu entendi dessa afirmação é que o homem é o único ser capaz de sentir um amor autêntico e desinteressado, mesmo durante a juventude, quando as pressões sociais empurram a todos para o casamento. O homem luta contra essa pressão e só atende ao seu mais puro sentimento – e se esse sentimento não existir, ele não compactua com uma invenção que o substitua. O homem não cria um amor que lhe sirva. Já para a mulher o amor não é uma reação emocional, é muito mais que isso: aliado a esse sentimento latente, existe um projeto de vida extremamente racional que precisa ser levado a cabo para que ela concretize seu ideal de felicidade. O amor é uma ponte que a levará a outras realizações mais profundas, o amor é um condutor que a fará chegar ao estado de plenitude e que envolve a satisfação de outras necessidades que não apenas as de caráter romântico. Ou seja, romântico mesmo é o homem. A mulher necessita encontrar seu lugar no mundo, a mulher precisa completar sua missão até o fim (ter filhos, a mais prioritária), a mulher deseja responder seus questionamentos internos, a mulher sente-se impelida a formatar um esquema de vida que seja inteiro e não manco, a mulher leva seus sonhos muito a sério e possui uma voragem que a faz querer conquistar tudo o que lhe foi prometido ao nascer. O amor é um caminho para a realização desse projeto que é bem mais audacioso e ambicioso do que simplesmente amar por amar. O amor pode nem ser amor de verdade, mas é através de algum amor, seja ele de que tipo for, que ela confirmará sua condição de mulher. O homem já nasce confirmado em sua condição. Talvez o verdadeiro amor seja o amor da maturidade, o amor que vem depois de a mulher já ter atingido seu anseio original, o amor que surge do descanso depois de tanto ter se empenhado, o amor que vem quando não há mais perseguição a nada: o amor maduro e íntegro da mulher pode enfim se conectar com o amor maduro e íntegro que o homem sempre sentiu. Os amores puros de um e de outro finalmente se encaixariam – o amor real dele e o amor dela desprovido de ansiedades secretas. Enfim, juntos? Indo perigosamente mais longe, talvez isso explique por que são as mulheres as que mais pedem o divórcio: já atingiram seus propósitos e procuram agora vivenciar um amor que seja unicamente sentimental, sem cota de sacrifício, enquanto que o homem só pede o divórcio quando se apaixona por outra mulher, pois ele sempre foi movido pelo amor desde o começo, deixando as racionalizações fora do âmbito do coração. (*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, Ex-Revisor de textos jornalísticos do jornal “Diário da Manhã” e Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11).É Revisor de textos e Executivo de contas da Revista ESPECIAL Mulher. Está radicado em Uberaba-MG há nove meses. e-mail:eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090