segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

EU ESTOU NO CÉU COM OS DIAMANTES (*)

Gostaria de ficar olhando para eles, mas lembro do caleidoscópio, empurro a porta do banheiro em meu tugúrio, encosto meu corpo exausto em sua superfície quando ela se fecha sobre mim: agora a câmera se aproximaria em zoom e daria um close nas minhas narinas ofegantes, meus olhos penetrantes, uma gota de suor escorrendo das fissuras da testa, depois baixariam até as mãos e ficaria fixa durante algum tempo, as minhas mãos crispadas contra a madeira da porta. Acho tão bonito que quero ver meu rosto desfigurado no espelho redondo. Olho meu rosto desfigurado no espelho: a gota de suor não é uma gota de suor, é uma gota de sangue. As minhas narinas ofegantes não são narinas ofegantes, são o cabo de bronze da lâmina cortante de um punhal espanhol. E meu rosto desfigurado não é um rosto desfigurado. É um caleidoscópio. Ele saiu do espelho e veio caminhando em minha direção. Olhei para outro lado, mordi o lábio. Quis brincar com ele, cheguei a sorrir espantado, perguntei se queria ouvir uma história, movimentei meu braço, veja como são bonitos esses braços coloridos que ele vai deixando atrás de si, veja como são evanescentes, não é linda essa palavra? E-va-nes-cen-tes, veja como sei fazer caras engraçadas, veja os meus eus diáfanos escorregando por baixo da porta, ouça minha voz dizendo todas essas coisas, sintam como ela ressoa cristalina pelos azulejos azuis do banheiro, não é interessante? Cristalina crista cristal sua máscara também é de cristal cristalina Krishnamurti, veja que relações insanas eu faço, veja como eu vibro, como eu vivo, como eu vejo: veja.
Mas ele não se move. Está parado à minha frente e volta-se devagar para que eu fique cara a cara com o punhal cravado em suas costas. É quando julgo perceber nele uma espécie de súplica: socorra-me, poupe-me, abrevie-me. Agora é um caleidoscópio delicado, tenro, humilde, e não tenho medo, e sinto pena dele, quase ternura. Então estendo os meus muitos braços coloridos e toco no cabo de bronze do punhal. A sua lâmina está manchada pelo fio de sangue coagulado. Hesito um pouco, mas fecho os olhos no momento em que meus dedos se cerram em torno do punhal. Meus olhos são janelas, minhas pálpebras grades, minhas mãos tentáculos, meus dedos aço. Uma breve hesitação, depois empurro lento, firme. E sinto uma lâmina penetrando fundo em minhas costas, até o pesado cabo de bronze onde dedos comprimem com força, perdidos entre as espáduas. Sofia grita, mas é demasiado tarde. Vejo meu dorso claro fragmentar-se inteiro em cacos brilhantes que ficam cintilando como estrelas pelo chão do banheiro. O sangue escorre e eu, agora, também estou no céu com os diamantes. (*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “INFINITOEFÊMERO”, de autoconhecimento, autorrealização e motivação. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). Contato: e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9256-7754

ALICERCES DO AMOR (*)

Amar é antes de tudo conhecer. E conhecer é saborear. É investigação da história, dos sentimentos, dos desejos, medos e anseios. Só quem ama tem disposição de ir além da superfície. No aprimoramento da visão que temos do outro seremos capazes de identificar o quanto amamos, ou não. Quem ama quer conhecer. O objetivo é simples: acrescentar, multiplicar em vez de subtrair. Não é tão simples saber se o outro nos ama ou não, mas há uma pergunta que podemos nos fazer e que contribuiria para que nos aproximássemos de uma resposta. Depois que ele chegou, a nossa vida, nosso mundo, diminuiu ou dilatou-se? Sempre que alguém chega à nossa vida, nunca vem sozinho. Ele traz o seu horizonte de sentido. Pessoas, coisas, valores, idéias. Traz o alicerce que o faz ser o que é. O exemplo é simples e nos ajuda a entender. É impossível comprar uma casa considerando somente fachada, paredes e acabamentos. Não é possível transplantar uma casa. Se quiser a casa, terá de ver o local em que ela está construída. É preciso que estejamos atentos quanto à sua localização. É necessário analisar onde ela está alicerçada. Para qualquer mudança que queiramos fazer, teremos de considerar a sua estrutura fundamental. O processo de feitura da pessoa humana é semelhante às construções. Desde nossa vinda ao mundo, recebemos um formato, uma estrutura. Amar alguém consiste em observar onde estão as vigas de sustentação, para que não corramos o risco de derrubar o que a faz permanecer em pé. O interessante é que a construção poderá ser reformada, melhorada, sobretudo nos acabamentos. O amor é criativo, dribla os limites, supera expectativas. Pessoas são como casas. Possuem histórico que necessitam ser respeitados. Não acreditamos que alguém se interesse por uma propriedade para torna-la pior. Se alguém precisa comprar uma casa, já o fará pensando nas melhorias que poderiam ser feitas, mas regredir nunca. Se nossas relações com as coisas são assim, cheias de cuidados, muito mais deveriam ser com as pessoas. Nossos encontros, ainda que rápidos e transitórios, deveriam ser motivados pelo desejo de fazer crescer, melhorar, avançar aqueles que encontramos, e a nós mesmos.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “INFINITOEFÊMERO”, de autoconhecimento, autorrealização e motivação. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). Contato: e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9256-7754

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O VÔO DO TEMPO (*)

Nosso cérebro funciona de forma inteligente, evitando fazer duas vezes o mesmo trabalho. Naturalmente, identifica e classifica experiências repetidas dando respostas de forma automática, as quais se expressam como reações-padrão. Ao vivenciarmos uma experiência nova, o cérebro utiliza muita energia e recursos para elaborar o que está acontecendo. Esse processo nos faz sentir mais vivos, por isso, os novos desafios são tão estimulantes. Quando estamos aprendendo a dirigir um carro, parece-nos tarefa difícil, o nível de adrenalina em nosso sangue sobe, nossa atenção consciente é utilizada ao máximo. Porém, a maior parte dos pensamentos de um adulto é automatizada, processa-se de forma inconsciente. Um motorista experiente chega inteiro ao trabalho todos os dias pela manhã, porém, não se lembra do percurso realizado até seu local de destino. Isso acontece porque o cérebro simplifica o processo, usando as experiências vivenciadas. A memória já registrou o conteúdo das placas, a marcha que deve ser utilizada, e a rota a ser percorrida. A mente não teve que parar e processar essas informações já conhecidas, todo o comportamento ocorreu de forma automática. Desta forma, fica a impressão de não se ter vivenciado aquela experiência. Com a maturidade, a quantidade de registros gravados na memória aumenta em nossa vida; há escassez de novidades, passamos repetidamente pelas mesmas ruas, temos contato com as mesmas pessoas, problemas e reclamações. O que traz a sensação de termos vivido intensamente a vida são as novas experiências, tudo aquilo que quebra a nossa rotina, fazendo com que a mente saia do automático e pense de forma criativa. Uma forma de identificar se há repetições em excesso em sua vida é perceber se existe aquela desagradável sensação de que não houve novidades na semana, ou mesmo durante um ano inteiro. Sua percepção é de que o tempo passa voando, pois não há nada de novo para pontuar os acontecimentos, o tempo é vivenciado acessando registros mentais de forma automática. A dica eficiente para solucionar esse problema é mudar a rotina e inovar os acontecimentos usuais, alimentando o cérebro com novidades constantes. Iniciar o aprendizado de uma nova língua, criar novas rotas para chegar ao mesmo destino, tirar férias sempre em lugares diferentes, usar roupas diferentes, cozinhar uma nova receita, criar novas situações e contatos.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da União Brasileira de Escritores de Goiás e Santa Catarina e autor de cinco livros publicados, entre os quais “INFINITOEFÊMERO”, de autoconhecimento, autorrealização e motivação. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). Contato: e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9256-7754

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

AMOR, INEXPLICÁVEL, AMOR (*)

Eu, se fosse você, não terminava. Às vezes ficamos mais presos a um amor quando ele “termina” do que quando nos mantemos na relação. Em determinadas relações amorosas, ficamos muito mais sufocados pela ausência da mulher que amamos do que pela presença dela. A verdade é que mesmo sem certificado de garantia, a relação prossegue, pois, além de dúvidas, existe amor e desejo. E isso ameniza tudo. Os dois estão unidos, por laços eternos, nessa alternância entre a luz e a sombra. Por que temos urgência de abandonar um amor pelo fato de ele não ser fácil? Quem garante que sem esse amor a vida não será infinitamente mais difícil?
(*) por Eugenio Santana, escritor e jornalista de projeção nacional – MTb 1319-RJ)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

PERDOAR É AMAR (*)

Existe uma enorme diferença entre julgar e ter compaixão. Julgar significa achar que o outro deve se enquadrar nas suas expectativas, que deve agir como você agiria, e ter compaixão significa entender a diferença que existe entre os seres humanos e seus mais diferentes graus de evolução. Existem pessoas que não sabem amar, que, pela forma com que foram criadas não desenvolveram a característica do amor e da empatia que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. A relação entre as pessoas e elas se estabelece somente pela troca. Eu faço se você fizer, eu lhe dou algo se for interessante para mim e assim por diante. Jamais estas pessoas lhe farão ou darão algo em troca sem esperar nada de você. Ai que triste isto! Mas o pior de tudo é não identificarmos pessoas assim e sofrermos na expectativa de um dia receber o amor delas. Pessoas que não têm a capacidade de amar, normalmente são colocadas no meio de pessoas com grande capacidade de amar e se doar sem esperar nada em troca, porém, nem sempre pelo convívio, este aprendizado se estabelece e, na sequência, vem o sofrimento e a decepção. Não traga para você este desamor, é apenas uma deficiência da outra pessoa. Perdoar e estabelecer a compaixão em relações como estas é a única forma de modificá-las. As pessoas são colocadas em nossas vidas sempre por uma razão, que pode ser de crescimento mútuo, de aprendizado ou de complementação e entender que a razão do convívio traz harmonia. O sofrimento se estabelece quando criamos expectativas em relação ao outro que nunca irão se concretizar. Como esperar amor de alguém que não tem essa referência em sua vida? Como esperar que o outro se solidarize com sua situação se ele sempre viveu por si só e aprendeu a se defender na vida sozinho? Como esperar que alguém que nunca recebeu uma ajuda, que sempre foi colocado em segundo plano, estenda-lhe a mão? Perdoe, entenda e ame mesmo assim. Tenha absoluta certeza que desta forma um novo padrão energético irá se instalar em sua vida.
(*)EUGENIO SANTANA, membro da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados. Ex-Superintendente de Jornalismo no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). É Consultor empresarial. eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9256-7754

domingo, 9 de fevereiro de 2014

NÃO PERCA TEMPO ENXUGANDO GELO (*)

As pessoas gastam tempo e energia tentando achar justificativas e culpados por não se tornarem o que elas são capazes de ser. E não têm fôlego para permanecer no rumo certo e expandir. O que dizer daqueles “amigos” que sugam sua esperança, que parecem carregar aquela nuvem preta do pessimismo sobre a cabeça? Afaste-se deles, pois não fazem bem a você. Imagine-se tentando dar uma festa de casamento em uma casa bagunçada e entulhada de coisas velhas. Onde sentarão os convidados? De onde a noiva jogará o buquê? O mesmo serve para a mente, que deve ficar mais limpa, mais livre, mais leve, mais positiva. Não há como fugir dessa faxina para pôr ordem na casa. Se quer ser feliz, tudo de ruim que você traz do passado precisa ser abandonado. É página virada, rasgada e queimada; é capítulo encerrado, não tem de estar emperrando seus sonhos azuis. Talvez você hoje esteja sofrendo porque sua ex-mulher, que já casou de novo e tem filho com outro homem, ainda atiça dizendo que está com saudades. Mas é óbvio que ela não voltará para você e apenas ficará nesse “chove não molha”. Ou você está lutando para abandonar as drogas e aparece um “amigo da onça” convidando-o para sair. É claro que vai haver drogas, e sua tentação irresistível de voltar ao vício será enorme. Talvez você tenha tido um sócio que lhe causou uma grande decepção, no jornal ou revista que abriram juntos. E você fica remoendo por ter confiado nele e se perguntando “Como ele foi capaz?”. Essas pessoas, como a ex-mulher, o amigo drogado, o sócio desleal... têm de ser deixadas em um local muito específico: no passado! Talvez você até possa sentir saudade gratificante e gostosa dos bons momentos que viveu com pessoas no passado, mas é só. Ponto-final! Aquela antiga vida já não serve mais para você. E é bem provável que ela nem tenha sido tão boa assim. Seja realista sobre o que aconteceu e pense com clareza. Não fuja do presente fantasiando um passado maravilhoso que, na verdade, não existiu. Deixá-lo para trás é fundamental para curtir o que você pode ganhar hoje, agora, já. É necessário identificar quais são as pessoas que não merecem caminhar ao seu lado e quem são aquelas de quem você deve manter uma distância de segurança. Ambas são como um câncer que você tem de extirpar se quiser reorganizar sua vida. Uma dica para identificar essas pessoas: elas criam problemas o tempo todo e não há como você satisfazê-las. É como enxugar gelo: um trabalho inútil e desgastante.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “INFINITOEFÊMERO”, de autoconhecimento, autorrealização e motivação. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). Contato: e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9256-7754

INÍCIO DO CAOS: LUZ E ESCURIDÃO (*)

Você já reparou como estamos cercados de gente deprimida? Pessoas amargas, ácidas, frias, impessoais, frustradas, revoltadas e mal-amadas? Gente que não perdoa nossos erros? Gente que comenta todos os nossos atos? Gente que só vê os nossos defeitos? Gente de coração de pedra para os quais nada dá certo na vida? Gente que enxerga só o lado sombrio? Gente de religião duvidosa, de ritos sem compaixão? Por outro lado, estamos rodeados de gente contente. Gente que sorri com sorriso franco e aberto, receptivo e acolhedor. Gente que ama você incondicionalmente. Que compreende, tolera, perdoa e agradece. É fundamental sentir-se efetivamente amado. Pode ter convicção: alguém gosta de você. Não se preocupe com os pessimistas de carteirinha. Sei disso: estão muito próximo de você. PARENTES? SÃO, ÀS VEZES, OS PIORES. SEI QUE HÁ MUITA GENTE QUE AGRIDE VOCÊ. NUNCA DE FRENTE, COM LEALDADE. SEMPRE EM SUA AUSÊNCIA. Não se entristeça com isso. Que as almas pequenas não abalem sua paz, serenidade e entusiasmo. Ore por eles. São dignos de compaixão. O mundo está cheio de gente desmotivada. Contamina de azedume o ambiente. Destilam um pessimismo que me faz mal, um não-sentido da vida, uma tristeza subliminar, ensandecida. Fico à distância. Prefiro a Luz. O Sol brilhando nas manhãs primaveris de setembro. Tenho a sensação de que o mundo está piorando muito. Será que estamos caminhando para o fim? Homens beijando homens. Pai matando filho criança. Mães jogando filha pela janela. O mundo ficando cada vez mais quente. A água potável diminuindo. Afirmam os entendidos no assunto que em 2030 haverá disputa não mais por conta do petróleo, mas pela água potável. E quanto à Mídia eletrônica? Só transmite nuanças do mal e do caos.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “INFINITOEFÊMERO”, de autoconhecimento, autorrealização e motivação. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). Contato: e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9256-7754

sábado, 8 de fevereiro de 2014

DE VOLTA À ORIGEM (*)

Somente depois de ter andado por terras estranhas é que pude reconhecer a beleza de minha morada e do meu ponto de Luz. A ausência mensura o tamanho do local perdido, evidencia o que antes tornou-se oculto, por força do costume. Abri o portão principal cinza como quem abria um cofre que resguardava valores incomensuráveis. Olhei longamente minha Mãe como se fosse a primeira vez. Olhei como se voltasse a ser criança pequena e estivesse a descobrir-lhe as feições maternas mais sutis. As vozes e os ecos do passado estavam reinaugurados. Deitei-me em seu colo como se quisesse realizar a proeza de ser gerado de novo. Enquanto suas mãos desenhavam ternuras sobre os meus cabelos ralos, um outro movimento atingia minha alma alada e imolada. Mãos com poder de sutura existencial. Mãos de Luz que curam. Alinhavos de que os dedos amarravam, enquanto o calor daquele colo me devolvia ao meu porto seguro. De suas mãos um segredo se desprendia, uma voz delicada que só o amor nos proporciona ouvir. ‘dorme meu filho, dorme, porque enquanto você dormir eu o farei de novo. Dorme meu filho, dorme. ’
(*) Minha Viagem em março de 2011, retornando do Rio de Janeiro sozinho para Anápolis, em meu carro, onde eu trabalhava como jornalista, no cargo de Superintendente de Imprensa.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

SINCERICÍDIO (*)

SINCERICÍDIO – Sincero. Autêntico. Transparente. Como água ou pedra. Nada de máscaras, representações. Sim, sim, não, não. Nada de meio-termo. E pronto. O mais é conversa fiada ou diálogo macarrônico e prolixo. Rituais, normoses, encenações, atores, atrizes, palco, cenário. Os seres humanos, notadamente os intelectuais, nada entenderam do Sermão da Montanha. Prefiro os simples, os humildes sinceros não dissimulados pelas convenções e tradições. Os verdadeiros, de alma nua. Os iletrados, os puros e ingênuos, os embriagados de ternura. E por isso os inteligentes egos cegos, corroídos pela podridão de Lúcifer, me deixam exausto e desencantado. As coisas do Alto são dos sinceros.
(*) EUGENIO SANTANA é mineiro da cidade de Paracatu, Economista, UNEB - DF, Técnico em Jornalismo - RJ, Redator Publicitário/ESPM-SP, Técnico em Contabilidade - DF. É Jornalista investigativo, Escritor, Relações públicas, Assessor de Comunicação. Pertence à Academia Cachoeirense de Letras (ACL) e a UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores. Autor de cinco livros publicados. e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9256-7754

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

INVEJA DIMINUI A AUTOESTIMA (*)

A inveja é uma das características mais sombrias do ser humano. Ela tem como raiz uma baixa autoestima e uma autoconfiança frágil. Ao invés de tentar curar-se, o invejoso prefere mirar seu olhar sobre alguém que possui algo que ele, na visão distorcida que tem de si mesmo, julga lhe faltar: beleza, amor, inteligência, coragem, sensibilidade, sucesso ou dinheiro. Geralmente, a relação do invejoso com a vítima de sua inveja começa com admiração. Mas, aos poucos, ele vai sendo dominado de tal maneira pela sua anomalia, que passa então a tentar imitar ou copiar os talentos e dons do outro, ou a querer algo que supostamente aquele possui. Sua ação é dissimulada por uma falsa máscara de generosidade. Mas também pode expressar-se de maneira explicitamente negativa por meio da crítica, da competição, da fofoca e da maledicência, calúnia e difamação. A inveja é uma das expressões da enfermidade psíquica que Wilhelm Reich definiu como vírus emocional. Valores como amizade, sinceridade, ética, lealdade e respeito pelo sentimento alheio inexistem para o invejoso. Ele sofre de uma deficiência de caráter, e age de modo inconseqüente, pois é totalmente direcionado pelo egoísmo e pelo individualismo. É um vampiro energético e devorador, que busca sugar a luz alheia, pois vive no labirinto da escuridão. Mas, como tudo o que é falso não tem duração no tempo, a sua ação, mais cedo ou mais tarde, é desmascarada e a verdade se impõe de maneira implacável, pela Lei Natural, segundo os Rosacruzes. Ainda que seja doente, não há como ter compaixão com esse tipo de pessoa, é preciso eliminá-la de nossa vida de maneira radical e extremista, como fazemos com as ervas daninhas, para evitar que envenenem nosso jardim.
(*) EUGENIO SANTANA é mineiro da cidade de Paracatu, Economista, UNEB - DF, Técnico em Jornalismo - RJ, Redator Publicitário/ESPM-SP, Técnico em Contabilidade - DF. É Jornalista investigativo, Escritor, Relações públicas, Assessor de Comunicação. Pertence à Academia Cachoeirense de Letras (ACL) e a UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores. Autor de cinco livros publicados. e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34)9256-7754